31 outubro 2006

Remendo Novo


"Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura.? (Mt 9:16)

Hoje, dia 31 de outubro, comemoramos 489 anos da Reforma Protestante. Data celebrada por uma parte da cristandade (a menor) e lamentada pelo restante, como o dia em que Lutero começou a rasgar a Igreja de Cristo. Na verdade, ela já estava rasgada (o Cisma do Oriente já havia acontecido, em 1054). A Igreja era uma veste que havia envelhecido. Quando Lutero trouxe suas idéias para a Igreja Católica, o resultado não podia ser outro: a rotura ficou ainda maior.

Qual o remendo novo que Lutero colocou? O remendo da Escritura. De todas as bandeiras levantadas pela Reforma Protestante, nenhuma foi tão decisiva como a primazia da Escritura. A Bíblia é a fonte máxima de autoridade para o cristão, estando acima da Tradição, dos concílios e até mesmo da própria Igreja. Ela deve ser a fonte da nossa teologia, pois é por meio dela que Deus fala. Ela é, com efeito, a Palavra de Deus. Por esta razão, a Bíblia deve ser a única regra de fé e prática do verdadeiro cristão.

A grande falha da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Grega foi o de não conceder esta primazia à Escritura. A Tradição não deve ser desprezada, mas ela não pode ser colocada no mesmo nível da Palavra de Deus. Por melhores que sejam os teólogos, eles são apenas homens. E a palavra de homens não pode, jamais, alcançar o mesmo brilho da Escritura.

Quando os católicos elevaram de modo impróprio a palavra dos homens, eles emvelheceram. Acabaram caindo no mesmo erro dos judeus. Os fariseus foram censurados por Jesus por terem acrescentado coisas às Escrituras, esta censura pode ser vista no Sermão do Monte ou em Mateus 23. Acabaram se tornando os fariseus do cristianismo, uma veste velha.

A Escritura, embora seja mais velha que a Tradição, é sempre veste nova, revolucionária, porque ela vem de um Deus Eterno, que jamais envelhece. Por isso, ela pode tornar o homem perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Paulo não poderia ter definido melhor:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Timóteo 3:14-17)

Que neste 31 de outubro, a cristandade possa se renovar por meio da leitura da Santa Palavra de Deus. Se você quer começar a leitura, basta clicar aqui.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

22 outubro 2006

Quem está no centro?

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Romanos 11:36)

Tudo foi criado por meio dele e para ele. (Colossenses 1:16b)

Poucas coisas me irritam tanto quanto ter que dizer o óbvio. Acho que isso não acontece só comigo. Por exemplo, circula na Internet um e-mail com instruções óbvias sobre embalagens. Coisas como "ligue antes de usar este aparelho". E todos nós rimos quando lemos isso. Mas, será que este tipo de aviso não é necessário?

Infelizmente, o óbvio nem sempre é tão evidente assim. Se fosse, as pessoas entenderiam algo bem simples, mas freqüentemente esquecido. O centro do Universo é Deus, e não o homem. O cosmos não existe por nossa causa ou para a nossa satisfação. Nós somos apenas mais um elemento, uma peça importante, mas longe de ser essencial. Tudo o que existe, todas as coisas, inclusive eu e você, pertencem a Deus. Mais do que isso, a nossa existência só é possível por meio de Deus. E fomos criados para Deus, para a glória e satisfação d´Ele.

Saber isso não é prova de erudição teológica, muito pelo contrário. É tão básico que as criancinhas deveriam saber. E, ao mesmo tempo, é tão revolucionário, que tem o poder de mudar a Igreja e o mundo em que vivemos.

Se entendêssemos que não somos de nós mesmos e que o mundo foi criado para Deus, e não para nós, entenderíamos a gravidade do pecado. Saberíamos que, quando pecamos, estamos traindo a finalidade para a qual fomos criados. Vivemos nos perguntando qual a nossa razão de existir, por que estamos aqui, e a resposta é simples: nossa razão de viver é a glória de Deus. Mas, como não entendemos isso, vivemos fora daquilo que traz sentido a nossa existência, e depois nos perguntamos por que somos infelizes.

Se entendêssemos que o mundo é de Deus, seria muito mais fácil entender o amor e a justiça de Deus. Amor porque, apesar de sistematicamente estarmos desagradando a Deus, Ele ainda nos abençoa, até mesmo os mais pertinazes pecadores. Justiça porque a criação é d´Ele, para o usufruto d´Ele, e Ele não vai deixar que estraguemos aquilo que Ele fez com tanto amor e cuidado.

E muito mais poderia ser dito. Mas não cabe aqui neste post.

Por enquanto, fiquemos com a base: Tudo é d´Ele, por meio d´Ele e para Ele. Esta é a base de toda teologia.

O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. (Catecismo Maior de Westminster)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

19 outubro 2006

Abertura

Às vezes eu tenho a impressão que o discípulo de Cristo está condenado a ser minoria. Hoje, há mais muçulmanos no mundo do que cristãos. Dentro do cristianismo, definitivamente, os protestantes estão longe de ser o maior grupo. Como se isso não bastasse, optei por ser um protestante histórico...e reformado. Traduzindo, calvinista. É, parece mesmo que eu gosto de grupos pequenos.

Tudo correria bem se eu fosse um reformado convencional. Mas, sabe como é, eu gosto de ser diferente. Eu podia ser um reformado típico, que entende que Deus não dá mais o dom de línguas ou o dom da profecia nos dias de hoje. Podia ser um puritano, destes fãs de carteirinha de livros como ?Os Carismáticos?, de John MacArthur. Mas, calhou de eu vir a ser um reformado que acredita na contemporaneidade de alguns dons do Espírito, como profecia e línguas. Pronto, caí no gueto de vez!

Caí no gueto porque eu não sou pentecostal. Não acredito que o batismo no Espírito Santo é após a conversão, com evidência obrigatória do dom de línguas. Não fico buscando a unção do riso, do leão, da lagartixa e de sei lá mais o quê. Acho que a maioria das profecias que se vê por aí são verdadeiras profetadas. Seria mais fácil se eu não fosse assim, se eu me colocasse debaixo de algum ?apóstolo? e saísse por aí amarrando o principado que domina o Brasil, declarando que o Brasil é do Senhor Jesus.

Logo, se vou para um lado, me chamam de pentecostal. Se vou para outro, sou o sorveteriano.

Mas, peraí...quem disse que uma coisa exclui a outra?

Parece difícil de acreditar, mas sou reformado porque creio que a Bíblia ensina isso. Predestinação, batismo infantil, amilenismo, e otras cositas más. Mas também creio em profecias por uma convicção bíblica. Entendo que o sobrenatural não morreu com o último apóstolo, e que ele é muito mais presente do que a maioria dos teólogos reformados imagina.

Não pretendo provar tudo agora, este é só um post inaugural, minha estréia na conturbada blogosfera teológica. Também não vou falar só de Reforma e Carisma, quero colocar aqui outras reflexões bíblicas e teológicas que não tratem, necessariamente, deste assunto. Enfim, espero que este blog ainda dê muita conversa boa e traga glória para o Reino de Cristo.

É isso aí! Que a graça e a paz do Senhor estejam com vocês.

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

P.S: Também escrevo poesias. Clique aqui e veja o meu outro blog.