24 novembro 2006

Limpando o interior do copo

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o exterior fique limpo!" (Mateus 23:25)
Há algo em comum entre o cristianismo do século XXI e o judaísmo do século I. Tanto lá como cá, a religião se transformou na observação de uma série de ritos ou sinais exteriores. Não conseguimos resistir à tentação de medir o nosso desempenho espiritual (mais o dos outros do que o nosso), e, na falta de uma escala visível, as ações exteriores tornaram-se o nosso padrão de medida.

Assim, enquanto o fariseu se preocupava em lavar copos e vasilhas, comer certos alimentos ou com o que deveria ou não ser feito no sábado, os cristãos se preocupam em saber o que beber, vestir, ler e ouvir. Em comum, tanto eles, como nós, estamos profundamente preocupados com os dízimos, sem dar o mesmo cuidado para "detalhes" como a justiça, a misericórdia e a fé (Mateus 23:23).

Hoje repetimos os mesmos erros contra os quais lutaram Jesus e os apóstolos, e nem nos damos conta. Julgamos a espiritualidade das pessoas por meio de critérios superseguros, tais como saber se elas celebram ou não o Natal, se ingerem bebidas alcóolicas, se ouvem músicas "do mundo" e lêem literatura subversiva (Harry Potter), como se maquiam, se elas usam sunga ou biquíni na praia, se elas têm tatuagem...como se essas coisas fossem, de fato, medidores confiáveis de espiritualidade.

O problema é: Jesus não morreu e ressuscitou para fazer com que seus filhos não fumem, não bebam, não joguem ou não tenham relações sexuais fora do casamento. Jesus morreu para transformar o coração das pessoas, para mudar o nosso interior. Ele morreu para limpar o interior do copo e do prato, porque, se o nosso interior for limpo, a nossa conduta exterior será igualmente limpa, o fiel reflexo de uma vida transformada.

Afinal, de que adianta sermos belos por fora, se o nosso interior for ossos e imundícia, como sepulcros caiados (Mateus 23:27)? De que adianta cumprirmos toda a ética exterior evangélica, se nossos corações forem cheios de hipocrisia e iniqüidade (Mateus 23:28)? Ir aos cultos e ser racista, homofóbico, preconceituso? Dar o dízimo e cobiçar os bens do vizinho?

Até entendo que é muito mais fácil apontar para um comportamento exterior do que denunciar o pecado íntimo de nossos corações. É mais fácil mandar um adolescente parar de se masturbar do que ajudá-lo a se libertar da lascívia. Não estamos preparados para um cristianismo voltado para a cura de nosso interior. Simplesmente não sabemos como agir de modo diferente.

Eu creio mesmo que tal tarefa está além de nossa capacidade humana. Sozinhos, somos incapazes de viver este cristianismo. Mas, quando o homem se submete ao Espírito neste propósito, quando Ele convida Deus a sondar o seu coração e ver os seus maus caminhos, e pede a direção divina (Salmo 139:23-24), aí a mudança é possível. Quando criamos coragem, e expomos a sujeira de nosso íntimo ao Senhor, quando nos apresentamos a Deus em oração fervorosa, como os salmistas...aí há lugar para a ação purificadora de Jesus. Quando entendemos que o fruto não é nosso, mas do Espírito (Gálatas 5:22-23), algo novo começa a acontecer.

Largue, portanto, a sua fita métrica espiritual. Pare de olhar para os outros, e mergulhe no seu interior. Sonde o seu coração, e apresente-o ao Senhor. Disponha-se, não mais a deixar certos hábitos exteriores, mas a procurar uma transformação mais profunda, em uma jornada longa e difícil, mas que é maravilhosa quando feita no Espírito.

Ainda não cheguei ao final desta viagem...mas sei que essa é a única forma de começar.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

4 comentários:

Ruby disse...

Eu tenho a impressão de q todo homem desconfia que seu interior esteja corrompido. Assim, passa a vida toda evitando o confronto consigo, para não enfrentar o verdadeiro eu e descobrir q não é nada daquilo q gostaria de ser. Creio no entanto q criar coragem para olhar para dentro de si e expor à LUZ a sua desgraça é o início da regeneração efetuada pelo Espírito Santo de Deus... "onde abundou o pecado, superabundou a graça"
Gostei...
Abçs e bençãos...
Sil

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu texto. Creio que está sendo muito proveitoso para os que realmente querem se relacionar intimamente com Deus. Nada nos afasta de Deus senão o pecado e a falta de sinceridade com Ele.

Glória a Deus por sua vida, irmão.

Marcelo

Daniel. disse...

Bora, trabalha. Escreve mais.

Daniel. disse...

Cadê?