21 dezembro 2007

Feliz Natal!

Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu
povo dos pecados deles. (Mateus 1:21)

É muito difícil passar pelo Natal e ignorá-lo. Mesmo que você não seja um cristão, o clima do Natal está em todo lugar: decoração, Papai Noel, presentes...impossível não perceber. Para uns, é a melhor época do ano, época de festejar, dar e receber presentes, se reunir com a família. Para outros, é uma época de dor e tristeza, de solidão, de relembrar feridas que não se fecham.

Mas, é muito fácil nos esquecermos daquele que é a razão e a origem dessa festa. O Natal é, antes de tudo, uma data espiritual. É o momento que o mundo celebra o nascimento de Jesus. O dia em que o Filho de Deus começou a cumprir com a sua missão na terra.

E qual era a missão de Jesus? A resposta está no versículo acima: Ele veio para salvar o seu povo de seus pecados. Jesus veio para nos salvar de nossos pecados. Aliás, é isso que o nome dele significa: “Ele salva” ou “Ele é Salvador”.

E por que precisamos ser salvos? Afinal, o que é pecado para mim não é pecado para você, e vice-versa. Mas, antes de pensar assim, pare e veja o mundo ao seu redor. Veja como os nossos pecados estão destruindo a natureza e a nós mesmos. Quantas guerras, quanta violência, quanta destruição. Mas também quanta tristeza, quantas mágoas, quantos corações feridos e vidas destruídas. Nós quisemos viver uma vida sem Deus, e estamos colhendo os resultados desta escolha. O mundo poderia ser um lugar muito melhor do que é...se nós quiséssemos. Mas, por causa do pecado, não conseguimos agir assim.

Jesus veio ao mundo para mudar isso. Ele veio para fazer com que nós sejamos libertos do poder do pecado e comecemos a viver uma nova vida. Ele veio para mostrar que nós, todos nós, inclusive eu e você, estamos doentes e precisamos de arrependimento dos nossos pecados (Mt 9:13).

E como Jesus fez isso? Por meio de sua morte. Cristo veio ao mundo para morrer. Quando Jesus estava celebrando a primeira ceia, ele disse:


Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança,
derramado em favor de muitos, para remissão de pecados (Mateus 26:27-28)

Por meio do sangue de Cristo derramado na cruz, Ele nos salvou. E, para que recebamos essa salvação, precisamos apenas crer em Jesus e entregarmos a Ele o comando de nossa vida. Deixarmos que Ele seja não apenas o nosso Salvador, mas também o nosso Senhor. Apenas isso. Não precisamos fazer mais nada, nenhuma boa obra. Apenas crer no que Ele disse e fez, e nos submetermos a Ele.

E é por causa disso que o Natal é tão especial! Porque é o dia em que celebramos a chegada do nosso Salvador e Senhor, daquele que tem o poder de nos salvar de nossos pecados, sejam eles quais forem.

Eu gostaria de te falar mais a respeito, mas falta-me o espaço. Você pode saber mais sobre essa história lendo a Bíblia. Ou fazendo uma visita a uma das igrejas abaixo:

3a. Igreja Presbiteriana de Taguatinga – em frente à QSD 30 Área Especial 26 – Taguatinga Sul – próximo a Av. Sandú – (61) 3352-7649

Igreja Presbiteriana de Brasília – Entrequadra 313/314 Sul – Área Especial – Asa Sul - (61) 3245-5719

Igreja Presbiteriana Pioneira – 3a. Avenida Área Especial 7 Lote 7 – Núcleo Bandeirante – (61) 3386-5159

Ou algum outra igreja evangélica próxima de sua residência.

Deus o abençoe! Feliz Natal!

09 dezembro 2007

Jesus e o sistema

A idéia popular sobre Jesus é a de que ele era uma pessoa que trabalhava contra os sistemas. Jesus não estaria apenas contra o sistema romano de dominação política e econômica, ou contra o sistema judaico de fé e religião, ele estaria contra qualquer tipo de sistema. Algo do tipo "ame o seu próximo, e não se preocupe com o resto". É como se Cristo fosse um dos ícones do anarquismo. E, em cima dessa idéia, vivemos hoje uma época em que milhões de cristãos estão rejeitando as visões institucionais de igreja e embarcando em um relacionamento "livre". Sem pastores, sem presbíteros, sem confissões de fé. Apenas eu, Cristo e a minha fé.

Ao meu ver, esse pensamento é fruto:

1) De uma compreensão superficial e incorreta sobre a vida e os ensinos de Jesus (o tema deste post);

2) Da idéia errada de que, se um sistema tem problemas, a solução é acabar com todos os sistemas (sobre isso, leia o meu texto anterior);

3) Da nossa preguiça em fazermos um estudo sério e responsável da Bíblia para descobrirmos qual é o sistema (aguarde os próximos capítulos).

E, sim...se você acha que Jesus era contra todo e qualquer tipo de sistema ou de institucionalização da Igreja, a sua compreensão sobre a vida e os ensinos de Cristo é superficial. Por quê?

* Porque Jesus guardou e endossou a Lei de Moisés. Desde o seu nascimento, Jesus veio para viver uma vida 100% debaixo da Lei. Ele foi circuncidado ao oitavo dia (Lc 2:21), foi apresentado e consagrado ao Senhor, segundo a Lei (Lc 2:22-24), ia com seus pais às festas da Lei (Lc 2:41), chamava o Templo de casa de seu Pai (Lc 2:48) e tinha o costume de ir à sinagoga (Lc 4:16). Sobre a Lei, Jesus disse que Ele não veio para revogar a Lei, e sim para cumpri-la (Mt 5:17). Mais do que isso, Jesus disse que quem violasse um dos menores mandamentos da Lei, esse seria mínimo no reino dos céus, mas que quem observasse e ensinasse a Lei, esse seria grande no Reino dos céus (Mt 5:19-20). Ora, endossar a Lei significa endossar um sistema, com sacerdotes, sacrifícios e regras. Logo, Jesus veio para viver dentro de um sistema dado por Deus.
* Porque Jesus atacava os acréscimos feitos ao sistema, e não o sistema em si. Quando lemos o Sermão do Monte, ficamos com a impressão de que Jesus está criticando o Antigo Testamento e colocando um novo padrão. Na verdade, não era bem isso o que Jesus fazia. O que Jesus estava criticando era o ensino dos fariseus. Jesus diz "Ouvistes o que foi dito" e não "Lestes o que está escrito". Em nenhum lugar da Lei de Moisés você acha o versículo "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo" (Mt 5:43). O "odiarás o teu inimigo" foi acréscimo dos fariseus. Da mesma forma, em Mateus 23, Jesus critica os fariseus pelas suas "inovações", como dizer que quem jura pelo santuário não é nada, pois o que importa é jurar pelo santuário (Mt 23:16). Se você ler com atenção os evangelhos, verá que Cristo nunca atacou o sistema de Deus, mas sim as deformações que os fariseus haviam feito à Lei de Moisés.

* Porque o próprio Jesus criou um sistema. Jesus não tratava igualmente a todas as pessoas que o buscavam. Havia a multidão de seguidores, mas no meio deles havia setenta mais chegados (Lc 10:1). Essees setenta precediam a Cristo e pregavam o evangelho, inclusive com autoridade para curar enfermos (Lc 10:9). Além destes, haviam os doze apóstolos, que curavam e tinham poder e autoridade sobre os demônios (Lc 9:1). Destes doze, haviam três que eram mais próximos de Jesus. Na agonia do Getsêmani ou no monte da transfiguração, apenas Pedro, Tiago e João estavam com Jesus (Mt 17:1, 26:37). Foi aos apóstolos, e mais especificamente a Pedro, que Cristo confiou a Sua Igreja (Jo 21:17). Jesus não era o líder de um bando, ele era o líder de um grupo organizado. A institucionalização da Igreja começou com o próprio Jesus.

* Porque Jesus morreu para salvar um povo, e não apenas indivíduos. E isso nós já podemos ver na oração que Cristo ensinou aos seus discípulos. O nome da oração é "Pai Nosso" e não "Meu Pai". Até na oração individual, devemos estar sempre nos lembrando de nossos irmãos. É muito mais fácil vermos Jesus junto de multidões ou grupos de pessoas do que falando isoladamente com alguém. E o próprio Jesus vivia em comunidade com, pelo menos, mais doze discípulos. Não era apenas João, Cristo e a fé de João. Era João, Cristo, mais Pedro, Tiago, André...e até Judas! Um grupo com problemas, com lutas pelo poder...mas sempre um grupo. O discipulado nunca é uma caminhada solitária com Cristo. É uma caminhada em grupo, com uns pisões e empurrões aqui e acolá, mas todos juntos seguindo os passos de Jesus.

E muita da nossa resistência a sistemas vem exatamente da nossa dificuldade em conviver com as pessoas. Da nossa raiva quando vemos "Tiago e João" querendo se assentar à esquerda e a destra de Jesus. Do nosso espanto quando vemos "Pedro" negando a Cristo. Ou mesmo da nossa repulsa quando "Judas" rouba a bolsa e trai a Jesus. Mas, apesar disso tudo...Cristo ainda manteve o sistema apostólico.

Que Cristo nos dê sabedoria para reconhecermos qual é o sistema que Ele criou para Sua Igreja.

08 dezembro 2007

A culpa é do sistema!

Já virou até clichê de pastores dizer que estamos em uma "sociedade sem pecado". O mundo já concebeu várias estratégias para banir, de uma vez por todas, a idéia de pecado de nossas mentes. Por meio do relativismo, onde não existem mais absolutos, as noções de certo ou errado se tornam individuais. Desta forma, não tenho como apontar o pecado dos outros, e vice-versa...cada um segue a sua própria ética. A culpa tornou-se algo ruim e indesejável e boa parte do esforço da psicoterapia tradicional é aliviar o homem de suas culpas. Não se perde muito tempo avaliando, por exemplo, se o homem que sente remorsos por ter deixado a sua família e assumido sua homossexualidade agiu bem ou não. O que importa é fazer com que ele não se sinta culpado.

Mas há uma estratégia mais sutil de acabar com a idéia de pecado. Basta por a culpa no sistema! Não, a culpa não é de "A" ou de "B", é do sistema perverso em que vivemos. Desta forma, tiramos o pecado das pessoas e o colocamos em algo arbitrário, abstrato, que não pode ser punido pelo erro de "A" ou "B".

Desta forma, o ladrão não é culpado de seu roubo. A culpa é de um sistema perverso, onde ele foi abusado emocionalmente por seus pais, não pôde comprar tênis de marca na adolescência e não consegue arranjar um emprego que lhe permita viver com dignidade.

Essa idéia já está presente na Teologia. Ouvindo um sermão do Pr. Marco André, autor do livro "A religião mais negra do Brasil", ele falou nos pecados individuais e nos pecados estruturais. O pecado estrutural seria o pecado do sistema, a formação e preservação de estruturas perversas, que oprimem as pessoas.

Eu não nego que, de fato, existe algo de perverso e pecaminoso nas estruturas políticas, econômicas, sociais, emocionais e até eclesiásticas desse mundo. A grande questão é que esses pecados "estruturais", na verdade, são pecados pessoais. Pecados cujos responsáveis podem ser identificados e responsabilizados. Afinal, estruturas não nascem do nada...elas são mantidas e preservadas por pessoas.

E é dessa forma que a Bíblia raciocina. Por exemplo, o Brasil é um país onde existem leis injustas. De acordo com o profeta Isaías, a culpa não é do sistema, mas sim de quem decreta tais leis:

Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! (Isaías 10:1-2)
Ou seja, a culpa dos erros do sistema é de quem escreveu as regras! E, se o sistema me impõe leis injustas, não devo me curvar a ele. Tenho a responsabilidade individual de resistir. Como disse Pedro:

Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens. (Atos 5:29)
Eu posso resistir ao pecado! Da mesma forma que os alemães podiam ter se recusado a seguir as ordens nazistas de denunciarem os judeus, nenhum sistema é tão forte que não possa ser resistido. Mesmo que essa resistência venha a custar a nossa vida.

Se sistemas fossem tão determinantes, a ascensão social seria impossível. E, no entanto, há vários pobres que prosperam ao longo da vida por meio do estudo e trabalho honestos. Assim como há ricos, que tiveram a melhor educação formal e bom apoio familiar que acabam empobrecendo.

Se os sistemas fossem tão determinantes, todos os pobres do Brasil seriam ladrões. Mas sabemos que isso não é verdade. Por mais doloroso que seja, há os que preferiram mendigar a roubar. E, nesse aspecto, o mendigo é, de fato, mais admirável do que o ladrão ou o traficante.

Por mais injusto que seja o sistema, sempre há uma escolha a ser feita. Sempre há a possibilidade de obedecer ao Senhor e resistir ao pecado. A única questão é saber se estamos dispostos ou não a pagarmos o preço dessa obediência.

Os "pecados estruturais" só acabarão se as pessoas reais assumirem suas responsabilidades e culpas individuais. Quando os cristãos pararem de dizer que a responsabilidade é dos outros e arregaçarem as suas mangas, aí sim as portas do inferno não resistirão à Igreja.

Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. (1 João 3:18)

05 dezembro 2007

Abaixo a hierarquia!

Não é muito difícil ser popular entre os evangélicos hoje em dia. Se você quer que as pessoas te achem legal, mas não sabe como, vai aí uma dica: fale mal da hierarquia. Principalmente da hierarquia eclesiástica: pastores, presbíteros, diáconos, o que for.

É muito fácil entender o porquê desta tendência. Um grande número de fiéis é manipulado e iludido por falsos pastores no Brasil. São muitos os que sofreram na mão desses líderes graves prejuízos financeiros e emocionais. O discurso desses feridos acaba tocando o coração de outras pessoas, que acabam responsabilizando a hierarquia como sendo a fonte dos problemas da igreja.

Na verdade, essa tendência não é exclusiva dos cristãos. Os políticos perderam o respeito da população, e já não temos mais muita consideração pela autoridade do presidente da República, um governador ou um deputado. Os pais não têm mais o mesmo poder de imposição que tinham antes, e são cada vez mais desafiados e desobedecidos por seus filhos. Da mesma forma, alunos se sentem à vontade para ameaçar professores e agredi-los. O professor, ao invés de ser uma figura de autoridade, torna-se um refém de seus alunos.

Mas, o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto? Gostaria de tocar apenas em alguns pontos:

1) A hierarquia faz parte da criação de Deus. Quando lemos os dois primeiros capítulos de Gênesis, vemos que a criação, basicamente, era o trabalho de transformar uma terra sem forma e vazia em um mundo organizado. E nessa organização havia hierarquia. Por exemplo, os dois grandes luzeiros (o Sol e a Lua) deveriam governar o dia e a noite (Gn 2:16). Mais importante do que isso, o homem foi colocado acima de tudo o que foi criado, com a ordem de sujeitar a terra e dominar os animais (Gn 2:29). Até mesmo em relação aos anjos, podemos perceber que existe uma hierarquia. Em Apocalipse 12:7, vemos Miguel comandando os anjos na luta contra o diabo e seus demônios. Isso mostra que, seja no céu, seja na terra, Deus criou o mundo com hierarquia.

2) A hierarquia faz parte da família. O primeiro mandamento da Bíblia com promessa é "Honra a teu pai e a tua mãe" (Ex 20:12, Ef 6:2). Honrar significa dar o devido peso, o devido valor, tratar como a pessoa deve ser tratada. Para tirar qualquer dúvida do que isso significa, Paulo diz claramente "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo" (Ef 6:1). Mesmo dentro do casamento, a Bíblia coloca que as esposas devem ser submissas aos seus maridos, e estes ao Senhor (Ef 5:22-24).

3) A hierarquia faz parte da igreja. Desde o Antigo Testamento, fica claro que Deus estabeleceu uma hierarquia no culto. Haviam os sacerdotes, os levitas e o povo. Os sacerdotes não tinham mais valor que o povo, mas foram escolhidos por Deus para presidirem o povo nas questões religiosas. Da mesma forma, Jesus criou dois grupos especiais de seguidores: os setenta (Lc 10:1) e os doze apóstolos (Mc 3:14). Posteriormente, os apóstolos organizaram igrejas com bispos (Fp 1:1); presbíteros (At 14:23) e diáconos (1 Tm 3:8). Diga-se, de passagem, que o bispo deve governar a igreja de Deus (1 Tm 3:4-5). A igreja deve ser submissa e obediente aos seus guias (Hb 13:17).

Isso deixa claro que a hierarquia foi instituída por Deus. De certa forma, ela é um lembrete que, acima de nós, existe um Deus a quem devemos obediência total. Quem tem problemas em aceitar as autoridades terrenas, com toda certeza terá problemas em aceitar a autoridade divina.

Claro que isso não significa que as autoridades podem fazer o que quiserem. Elas devem obedecer às ordens divinas. Quando um mau pai, um mau pastor ou um mau presidente fazem outras pessoas sofrerem, o problema não é a hierarquia, mas sim o mau uso que é feito da autoridade.

Que Cristo nos ensine o valor e a necessidade do bom uso da hierarquia em nosso dia-a-dia.

26 novembro 2007

À procura de outros

Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. (2 Coríntios 11:4)
Muitas vezes temos a tendência de achar que os problemas da Igreja são novos. Mas, na verdade, quando olhamos para a História da Igreja, vemos que as heresias são sempre as mesmas. Desde os tempos apostólicos que as igrejas têm tolerado, de boa mente, a falsos profetas que anunciam outros Cristos, são movidos por espíritos diferentes do Espírito Santo e anunciam um evangelho diferente daquele que encontramos na Bíblia.

Hoje toleramos de boa mente os que nos anunciam um Jesus adocicado e bonachão. Falamos do Jesus que não condenou a mulher adúltera e que comia com os publicanos e pecadores. Mas nos esquecemos que esse mesmo Jesus também usou chicote contra os mercadores do templo, chamou os fariseus de raça de víboras e sepulcros caiados e já chamou os seus ouvintes de filhos do diabo. É o mesmo Jesus, tanto num caso como no outro. Pegar somente um dos lados é apresentar um Jesus que é diferente do Jesus anunciado pelos apóstolos. Isso quando não seguimos o mundo e passamos a acreditar em um Jesus que não era Filho de Deus e que tinha filhos com Maria Madalena.

Também fala-se muito do Espírito Santo. Falamos muito do Espírito que nos concede os seus dons e opera milagres, sinais e maravilhas. Queremos ter o dom de profetizar e orar em línguas, experiências místicas e as últimas unções do momento. Mas nos esquecemos que esse Espírito também produz o seu fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Tratamos o Espírito como uma força, e nos esquecemos que Ele é uma Pessoa. Mais do que isso, Ele é Deus. Nós não podemos manipulá-Lo, é Ele quem deve controlar todo o nosso ser. E, em nome do "espírito", muitos falsos profetas têm ordenado que a Igreja faça aquilo que a Palavra de Deus proíbe.

Mas a Igreja também tolera aqueles que trazem um evangelho diferente. Nos cansamos de ouvir as mesmas histórias e ensinos da Bíblia...qualquer um que tenha um evangelho mais "moderno" e "atual" é melhor. É incrível como os evangélicos se interessam em ouvir teólogos que não acreditam mais que a Bíblia é infalível e, com avidez, ouvem qualquer profeta que tenha uma "divina revelação do céu" ou uma teologia "afinada com a ciência". O evangelho que os apóstolos ensinaram não nos satisfaz mais. Não o consideramos suficiente.

Infelizmente, nós não fizemos muitos progressos desde que Paulo escreveu sua segunda carta aos coríntios. Continuamos fascinados pelo erro. E pior...ainda temos desprezo pelo melhor remédio que temos para evitar um outro Cristo, um outro espírito e um outro evangelho. Temos desprezo pelo estudo sério e piedoso da Bíblia.

Que Deus tenha misericórdia daqueles que se dizem cristãos, e não o são. E que Ele possa nos conduzir a todos rumo aos mesmos Jesus, Espírito e evangelho em que acreditava o apóstolo Paulo.

Um outro Jesus


Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou
se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente
que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. (2 Coríntios
11:4)


Muitas vezes temos a tendência de achar que os problemas da Igreja são novos. Mas, na verdade, quando olhamos para a História da Igreja, vemos que as heresias são sempre as mesmas. Desde os tempos apostólicos que as igrejas têm tolerado, de boa mente, a falsos profetas que anunciam outros Cristos, são movidos por espíritos diferentes do Espírito Santo e anunciam um evangelho diferente daquele que encontramos na Bíblia.



Hoje toleramos de boa mente os que nos anunciam um Jesus adocicado e bonachão. Falamos do Jesus que não condenou a mulher adúltera e que comia com os publicanos e pecadores. Mas nos esquecemos que esse mesmo Jesus também usou chicote contra os mercadores do templo, chamou os fariseus de raça de víboras e sepulcros caiados e já chamou os seus ouvintes de filhos do diabo. É o mesmo Jesus, tanto num caso como no outro. Pegar somente um dos lados é apresentar um Jesus que é diferente do Jesus anunciado pelos apóstolos. Isso quando não seguimos o mundo e passamos a acreditar em um Jesus que não era Filho de Deus e que tinha filhos com Maria Madalena.


Também fala-se muito do Espírito Santo. Falamos muito do Espírito que nos concede os seus dons e opera milagres, sinais e maravilhas. Queremos ter o dom de profetizar e orar em línguas, experiências místicas e as últimas unções do momento. Mas nos esquecemos que esse Espírito também produz o seu fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Tratamos o Espírito como uma força, e nos esquecemos que Ele é uma Pessoa. Mais do que isso, Ele é Deus. Nós não podemos manipulá-Lo, é Ele quem deve controlar todo o nosso ser. E, em nome do "espírito", muitos falsos profetas têm ordenado que a Igreja faça aquilo que a Palavra de Deus proíbe.


Mas a Igreja também tolera aqueles que trazem um evangelho diferente. Nos cansamos de ouvir as mesmas histórias e ensinos da Bíblia...qualquer um que tenha um evangelho mais "moderno" e "atual" é melhor. É incrível como os evangélicos se interessam em ouvir teólogos que não acreditam mais que a Bíblia é infalível e, com avidez, ouvem qualquer profeta que tenha uma "divina revelação do céu" ou uma teologia "afinada com a ciência". O evangelho que os apóstolos ensinaram não nos satisfaz mais. Não o consideramos suficiente.


Infelizmente, nós não fizemos muitos progressos desde que Paulo escreveu sua segunda carta aos coríntios. Continuamos fascinados pelo erro. E pior...ainda temos desprezo pelo melhor remédio que temos para evitar um outro Cristo, um outro espírito e um outro evangelho. Temos desprezo pelo estudo sério e piedoso da Bíblia.


Que Deus tenha misericórdia daqueles que se dizem cristãos, e não o são. E que Ele possa nos conduzir a todos rumo aos mesmos Jesus, Espírito e evangelho em que acreditava o apóstolo Paulo.

24 abril 2007

A discussão que não foi feita

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos
outros." (João 13:35)

"Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim,
pois, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:19-20)

Se você gosta de teologia, então deve estar acompanhando o debate sobre teologia relacional (ou teísmo aberto) e calvinistas. Você pode ler textos sobre a teologia relacional e sobre o contraponto reformado clicando nos links correspondentes.

Ao contrário de alguns, não concordo que se trate de uma discussão estéril. Aos nossos olhos, discutir se a circuncisão deve ou não ser feita também pode ser visto como algo estéril ou especulação inútil, mas foi o suficiente para Paulo gastar vários capítulos de suas cartas,indispor-se com muita gente e dar alguns anátemas. Porque, por trás dessa discussão estava a questão da salvação das pessoas.

O próprio Jesus Cristo disse que a vida eterna é conhecer a Deus (Jo 17:3). E, na verdade, a salvação, a santificação e todos os outros pontos da teologia dependem diretamente do conceito que nós temos sobre Ele. Faz, sim, muita diferença se Deus é ou não onisciente ou soberano. Só para ficar em um exemplo, como Ele pode garantir o cumprimento de suas promessas se não o for? Logo, discutir quem é Deus é uma tarefa que começa aqui e se estenderá por toda a eternidade.

Debater não é o problema. O problema é reduzir a questão a algo puramente intelectual, como se esse debate não trouxesse nenhuma conseqüência prática para a vida das pessoas.

Quais são os frutos gerados pela árvore da teologia relacional e do calvinismo ortodoxo? Como essas doutrinas traduzem o amor de Cristo nesse mundo? De que forma essas concepções podem mudar a vida de uma pessoa ou impactar a sociedade? Ao meu ver, são perguntas que permanecem sem resposta.

E aqui cabe uma auto-crítica aos adeptos do calvinismo. Muito da resistência evangélica à doutrina da soberania de Deus se deve a falta de amor e frutos que existem no nosso meio. E não adianta muito apontar para a Genebra de Calvino ou para os puritanos ingleses e norte-americanos. É preciso mostrar os frutos em terras tupiniquins.

Como aceitar o calvinismo, se é piada corrente que reformados não evangelizam? Quanto os reformados brasileiros têm se dedicado à oração ou à ação social? Qual a diferença que temos provocado no Brasil?

Talvez devêssemos discutir antes as questões acima, para sermos ouvidos em outros debates.