24 abril 2007

A discussão que não foi feita

"Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos
outros." (João 13:35)

"Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim,
pois, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus 7:19-20)

Se você gosta de teologia, então deve estar acompanhando o debate sobre teologia relacional (ou teísmo aberto) e calvinistas. Você pode ler textos sobre a teologia relacional e sobre o contraponto reformado clicando nos links correspondentes.

Ao contrário de alguns, não concordo que se trate de uma discussão estéril. Aos nossos olhos, discutir se a circuncisão deve ou não ser feita também pode ser visto como algo estéril ou especulação inútil, mas foi o suficiente para Paulo gastar vários capítulos de suas cartas,indispor-se com muita gente e dar alguns anátemas. Porque, por trás dessa discussão estava a questão da salvação das pessoas.

O próprio Jesus Cristo disse que a vida eterna é conhecer a Deus (Jo 17:3). E, na verdade, a salvação, a santificação e todos os outros pontos da teologia dependem diretamente do conceito que nós temos sobre Ele. Faz, sim, muita diferença se Deus é ou não onisciente ou soberano. Só para ficar em um exemplo, como Ele pode garantir o cumprimento de suas promessas se não o for? Logo, discutir quem é Deus é uma tarefa que começa aqui e se estenderá por toda a eternidade.

Debater não é o problema. O problema é reduzir a questão a algo puramente intelectual, como se esse debate não trouxesse nenhuma conseqüência prática para a vida das pessoas.

Quais são os frutos gerados pela árvore da teologia relacional e do calvinismo ortodoxo? Como essas doutrinas traduzem o amor de Cristo nesse mundo? De que forma essas concepções podem mudar a vida de uma pessoa ou impactar a sociedade? Ao meu ver, são perguntas que permanecem sem resposta.

E aqui cabe uma auto-crítica aos adeptos do calvinismo. Muito da resistência evangélica à doutrina da soberania de Deus se deve a falta de amor e frutos que existem no nosso meio. E não adianta muito apontar para a Genebra de Calvino ou para os puritanos ingleses e norte-americanos. É preciso mostrar os frutos em terras tupiniquins.

Como aceitar o calvinismo, se é piada corrente que reformados não evangelizam? Quanto os reformados brasileiros têm se dedicado à oração ou à ação social? Qual a diferença que temos provocado no Brasil?

Talvez devêssemos discutir antes as questões acima, para sermos ouvidos em outros debates.