26 novembro 2007

Um outro Jesus


Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou
se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente
que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. (2 Coríntios
11:4)


Muitas vezes temos a tendência de achar que os problemas da Igreja são novos. Mas, na verdade, quando olhamos para a História da Igreja, vemos que as heresias são sempre as mesmas. Desde os tempos apostólicos que as igrejas têm tolerado, de boa mente, a falsos profetas que anunciam outros Cristos, são movidos por espíritos diferentes do Espírito Santo e anunciam um evangelho diferente daquele que encontramos na Bíblia.



Hoje toleramos de boa mente os que nos anunciam um Jesus adocicado e bonachão. Falamos do Jesus que não condenou a mulher adúltera e que comia com os publicanos e pecadores. Mas nos esquecemos que esse mesmo Jesus também usou chicote contra os mercadores do templo, chamou os fariseus de raça de víboras e sepulcros caiados e já chamou os seus ouvintes de filhos do diabo. É o mesmo Jesus, tanto num caso como no outro. Pegar somente um dos lados é apresentar um Jesus que é diferente do Jesus anunciado pelos apóstolos. Isso quando não seguimos o mundo e passamos a acreditar em um Jesus que não era Filho de Deus e que tinha filhos com Maria Madalena.


Também fala-se muito do Espírito Santo. Falamos muito do Espírito que nos concede os seus dons e opera milagres, sinais e maravilhas. Queremos ter o dom de profetizar e orar em línguas, experiências místicas e as últimas unções do momento. Mas nos esquecemos que esse Espírito também produz o seu fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Tratamos o Espírito como uma força, e nos esquecemos que Ele é uma Pessoa. Mais do que isso, Ele é Deus. Nós não podemos manipulá-Lo, é Ele quem deve controlar todo o nosso ser. E, em nome do "espírito", muitos falsos profetas têm ordenado que a Igreja faça aquilo que a Palavra de Deus proíbe.


Mas a Igreja também tolera aqueles que trazem um evangelho diferente. Nos cansamos de ouvir as mesmas histórias e ensinos da Bíblia...qualquer um que tenha um evangelho mais "moderno" e "atual" é melhor. É incrível como os evangélicos se interessam em ouvir teólogos que não acreditam mais que a Bíblia é infalível e, com avidez, ouvem qualquer profeta que tenha uma "divina revelação do céu" ou uma teologia "afinada com a ciência". O evangelho que os apóstolos ensinaram não nos satisfaz mais. Não o consideramos suficiente.


Infelizmente, nós não fizemos muitos progressos desde que Paulo escreveu sua segunda carta aos coríntios. Continuamos fascinados pelo erro. E pior...ainda temos desprezo pelo melhor remédio que temos para evitar um outro Cristo, um outro espírito e um outro evangelho. Temos desprezo pelo estudo sério e piedoso da Bíblia.


Que Deus tenha misericórdia daqueles que se dizem cristãos, e não o são. E que Ele possa nos conduzir a todos rumo aos mesmos Jesus, Espírito e evangelho em que acreditava o apóstolo Paulo.

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