30 abril 2008

Os moradores de rua do Brasil

Saiu ontem uma pesquisa que deveria ser leitura obrigatória para todas as igrejas evangélicas do Brasil. Pelo menos daquelas que têm um mínimo de interesse social e convivem com mendigos na vizinhança, como é o caso da minha.

É a Pesquisa Nacional Sobre a População em Situação de Rua, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Foram feitas entrevistas em 71 cidades (23 capitais e 48 cidades com mais de 300 mil habitantes) com quase 32 mil moradores de rua. Alguns dados são surpreendentes:

1) 71% dos moradores de rua trabalham e apenas 16% dependem da mendicância para sobreviver. 59% afirmaram ter profissão, mas áreas de construção civil, comércio, trabalho doméstico e mecânica.

2) 52% deles possuem ao menos um parente na cidade em que moram, sendo que 39% dizem ter uma boa relação com a família e 34% mantém contato com os familiares

3) 74% sabem ler e escrever, mas 63,5% não concluíram o ensino fundamental

4) O alcoolismo e as drogas são as razões que levam a maioria dessas pessoas a morar na rua: 35,5%. A seguir vem o desemprego (30%) e conflitos familiares (29%).

Acho que antes de começar qualquer trabalho com moradores de rua, as igrejas deveriam se debruçar sobre estes números, entendê-los e iniciar projetos de ação social que encarem essa realidade. Se necessário, contratar sociólogos ou chamar os alunos de Sociologia e Serviço Social para darem uma ajuda.
Não sou sociólogo, mas já tirei algumas conclusões:

1) No Brasil, a mendicância é um problema moral e familiar. Ao contrário do que imaginamos, a maioria das pessoas que vão para a rua tomam essa decisão não por causa de dificuldades econômicas, mas sim porque tiveram a sua vida destruída pelo álcool e pelas drogas e por conflitos familiares. Não que a economia não conte, ela conta, e muito. Mas não é o fator principal, como os teólogos da libertação da Igreja Católica e suas variantes evangélicas propagam. Talvez, se essas pessoas não tivessem experimentado as drogas ou conseguissem resolver seus conflitos familiares, elas jamais teriam ido morar na rua.

2) As igrejas devem investir mais na prevenção ao uso de álcool e drogas. Não sou contrário ao consumo de bebidas alcóolicas por cristãos, como já demonstrei em um outro post. Acho que a proibição é um farisaísmo. Mas entendo que esse consumo não pode ser estimulado ou encorajado. O álcool é uma substância perigosa, pois, se não for consumido com moderação, pode destruir não apenas a saúde física de alguém, mas devastar a família e levar uma pessoa para a sarjeta. A igreja deve apoiar projetos de lei que restrinjam a publicidade e a venda de álcool e dar instruções claras combatendo o uso de outros tipos de droga.

3) A família deve ser a prioridade ministerial das igrejas. Quando conflitos familiares são o terceiro fator que mais tira pessoas de casa e as põe na rua, percebe-se o quanto a família está doente no Brasil e como ela pode ser determinante na vida de alguém. Enquanto a sociedade não vê problemas no aumento no número de divórcios e encoraja a falta de obediência dos filhos, pessoas estão jogando fora as suas vidas porque não conseguem paz dentro de casa. Filhos fogem do lar porque não se dão com os pais, famílias expulsam um pai bêbado, mulheres ficam sem opção de sustento por causa de um divórcio e da falta de apoio da família. Precisamos de igrejas orientadas para a educação das futuras famílias e para o pastoreio das famílias já existentes. Aconselhamentos pré-nupciais e para casais, palestras sobre educação de filhos, eventos onde pais e filhos brinquem juntos são apenas algumas iniciativas que podemos executar em nossas igrejas.

Não falo da questão econômica porque é muito difícil para as igrejas serem uma resposta para este tipo de problema. Só quem teve que montar o orçamento de uma igreja sabe como isso é difícil. As barreiras para que igrejas pequenas e médias montem programas de escolarização e profissionalização são enormes. Por outro lado, ensinar uma profissão não vai adiantar muita coisa se o caráter não for trabalhado.
Mas, ninguém ainda sabe qual é o impacto econômico produzido pela transformação do caráter. Se as igrejas forem ativas no combate e prevenção às drogas e na defesa e pastoreio das famílias, evitaremos que muitos cheguem à sarjeta e, com certeza, isso trará reflexos bastante positivos para a economia do Brasil.

3 comentários:

Anayran Pínheiro de disse...

é triste ver que a maioria das pessoas q moram na rua, moram maioria das vezes por falta de apoio das famílias...
e às vezes eu penso o porque da igreja não estar ajudando essas pessoas, mesmo que estivesse ajudando pelo menos uma pessoa, essa pessoa iria fazer a diferença...

Anônimo disse...

infeslismente podemos ver essa realidade em nosso pais e até em paises desenvolvidos, mas colocar essa culpa nas igrejas acho uma opinião equivocada! Pois a as igrejas tem sido responsaveis por grande parte de familias reabilitadas, jovens introduzidos novamente na sociedade e recuperados de vicios e acoolismo e principalmente na restauração da familia. lembrando que as igrejas não tem nenhuma ajuda e apoio governamental p/ fazer esse tipo de trabalho como alguns orgãos sociais tem, as igrejas fazem isso por amor e por acreditar que é possivel ter uma vida digna, melhor.
Agora, as elites governamentais tem toda a possibilidade de fazer e investir nas igrejas dando um apoio melhor, investindo para que esse trabalho que as igrejas fazem possam ter um resultado mas avançado. Porque quantos familias as igrejas tiraram debaixo de pontes, quantos acoolatras foram restaurado e reabilitados as suas familias, quantos esposos e esposas que abandonaram suas casas e hoje retornaram e vivem bem.? isso ninguem vê. mas criticar todo mundo gosta, e os que criticam não fazem nada para ajudar.

informadordeopiniao disse...

É triste que em apenas uma minoria das igrejas cristãs no Brasil estas temáticas sejam tratadas no centro do carisma da fé, e não como apêndices (e olha lá que na maioria nem nisso). Não entenderam que isto não é um anexo, mas é algo central no chamado cristão de se pautar pelo Reinado de Deus. É tema vital na agenda. Como podem falar tanto sobre "maioria cristã" num país assim? É contraditório!
Compartilho com vocês uma reflexão a respeito que deixei no meu blog "Cristianismo, meramente".
Abraços,

Paz, não como o mundo
http://defideorthodoxa-informadordeopiniao.blogspot.com/2009/10/em-todos-os-tempos-religiao-possui-uma.html