10 maio 2008

Marcas de uma igreja verdadeiramente pentecostal

Atenção! Se você é presbiteriano ou um protestante histórico, antes de me crucificar, leia esse post primeiro. Depois volte e leia este.

Esclarecido o que quero dizer com "verdadeiramente pentecostal" fica a pergunta. O que isso significa? Acho que boa parte da resposta pode ser achada em Atos 2:1-41:

1) Oração. Lendo Atos 1:14, vemos que os apóstolos, as mulheres, Maria e os irmãos de Jesus perseveravam unânimes em oração. Um pouco antes, Jesus havia subido aos céus e orientado os discípulos a permanecerem em Jerusalém, aguardando o momento em que receberiam poder do alto (At 1:8). Passaram-se mais ou menos dez dias entre a ascensão de Jesus e o Pentecostes. O Espírito desceu enquanto os discípulos estavam reunidos em um mesmo lugar, provavelmente orando. A oração precedeu tudo o que viria depois.

2) Manifestações do Espírito Santo. É inevitável concluir isso. Não apenas pelo texto, mas por toda a história contada em Atos dos Apóstolos. O que muda o coração dos apóstolos é o Espírito. É pelo Espírito que a obra avança e as pessoas são convertidas. Isso pode ser visto no falar em outras línguas (At 2:4), mas também na pregação de Pedro (At 2:14-36). Pode ser visto nas curas, sinais e prodígios feitas em nome de Jesus (At 4:30) e na comunhão com os irmãos, no louvor a Deus e até mesmo na partilha de bens (At 2:42-47). O erro pentecostal é limitar essas manifestações apenas àquilo que é sobrenatural. O erro protestante (de alguns, pelo menos) é excluir a possibilidade do Espírito se manifestar de modo miraculoso. Aquele que considera tanto uma coisa quanto a outra, estará no caminho certo.

3) Perseguições. Esse é um detalhe que poucos dão importância quando lêem Atos 2. Veja o versículo 13. Para vários judeus, os apóstolos estavam bêbados, e não cheios do Espírito Santo. Não é muito diferente do que os fariseus diziam de Jesus. Quando uma igreja faz a vontade de Deus, ela vai achar quem fale mal dela.

4) Pregação da Palavra. E aqui é que está o grande segredo do Pentecostes. O mais importante não eram as línguas em si. Se repararmos bem no texto, o importante mesmo era o que Pedro iria dizer. As línguas atuaram como uma espécie de chamariz para as pessoas. Depois que elas tiveram sua atenção atraída, Pedro pregou e as pessoas se converteram. Reparem que os judeus não se converteram por causa das línguas, mas sim por causa da pregação: "Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas" (At 2:41).

5) Arrependimento. Olhando para o que Pedro pregou, vemos que ele explicou os fatos, mostrou ao povo quem era Jesus e conscientizou os judeus do pecado que cometeram, crucificando a Cristo. Quando o povo sentiu o peso do pecado, Pedro disse que o povo deveria se arrepender (At 2:38). O apelo de Pedro não foi para que as pessoas "aceitassem a Jesus", mas sim que eles se arrependessem e se salvassem de uma geração perversa.

Se pudermos ir além, e pegarmos Atos 2:42-47 vemos mais caractérísticas ainda: comunhão, temor de Deus, partilha de bens, louvor a Deus, simpatia do povo e crescimento da Igreja. E o texto volta a falar de doutrina, manifestações do Espírito e orações.

Acho que ninguém, em sã consciência, pode se opor a igrejas que busquem essas características. A todas elas. Os problemas surgem é quando selecionamos o que deve e o que não deve ser buscado. Por exemplo, quando só buscamos manifestações do Espírito e não valorizamos a pregação da Palavra. Ou então quando pregamos a Palavra, mas quase não oramos. É aí que nascem os erros das igrejas cristãs da atualidade.

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