30 maio 2008

Uma decisão a se lamentar

Ontem o Supremo Tribunal Federal autorizou a pesquisa com células-tronco embrionárias. Para os cristãos que levam a Bíblia a sério, trata-se de uma decisão a ser lamentada, porque os embriões serão destruídos na pesquisa. Mesmo que ela seja feita apenas com embriões congelados há vários anos e, teoricamente, inviáveis à vida, esse tipo de pesquisa pode ser enquadrada como um assassinato.

A grande questão por trás deste assunto é quando começa a vida. O debate se concentra em torno daqueles que defendem o início da vida na fecundação e os que consideram que a vida só se inicia na nidação, quando o embrião se fixa na parede do útero. Em minha opinião, uma vez que há dúvidas sobre um assunto tão sério, a prudência, a sabedoria e o amor cristão recomendam que se vá pelo caminho mais seguro. Se há dúvidas sobre a destruição ou não de uma vida, você iria pelo caminho mais arriscado?

O ensino bíblico é claro e mostra que, para Deus, há vida antes do nascimento físico. Diz a Bíblia no Salmo 139:13-16:
Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda.
Em Jeremias 1:5, a Bíblia parece indicar que a vida humana começa antes da nidação, ou, pelo menos, antes da formação dos órgãos humanos:
Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.
Embora o nascimento de Jesus seja algo à parte, quando o anjo Gabriel descreve como Maria ficava grávida, ele diz que o momento em que o homem Jesus passa a existir seria quando o Espírito envolvesse Maria com a sua sombra. Isso já dá uma idéia mais próxima da fecundação do que de nidação (Lucas 1:35):
Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.
Há que se registrar, no entanto, que na Lei de Moisés a morte de um feto era considerada menos grave que a morte de um ser humano já nascido. No entanto, a morte de um feto era pecado e devia ser reparado:
Se homens brigarem, e ferirem mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém sem maior dano, aquele que feriu será obrigado a indenizar segundo o que lhe exigir o marido da mulher; e pagará como os juízes lhe determinarem. (Ex 21:22)
Creio que estes textos são mais do que suficientes para esclarecer a questão. Mas, embora os outros textos não sejam tão pertinentes, cabe lembrar que Sansão era nazireu de Deus no ventre de sua mãe (Jz 13:5), João Batista seria cheio do Espírito Santo no ventre materno (Lc 1:15) e que Paulo foi separado por Deus para pregar aos gentios antes mesmo de ter nascido (Gl 1:15).

Para os cristãos autênticos, a Bíblia tem precedência sobre qualquer ponto de vista científico quanto ao início da vida humana. Mesmo que a maioria dos óvulos fecundados naturalmente não se fixem no útero ou que os gêmeos univitelinos só se separem após a fecundação, ainda assim é preciso que reafirmemos o que a Bíblia diz e ensina sobre o assunto.

Não sou contrário a pesquisas com células-tronco que possam curar pessoas de lesões nervosas, paralisias e tantos outros tipos de doença. Sou contrário apenas a que seres humanos sejam mortos ou pecados sejam cometidos para que isso aconteça. Ou você aceitaria que eu matasse o seu filho para pegar uma córnea para transplantar no meu irmão e um fígado para mim?

E o que fazer com os embriões congelados há anos nas clínicas de reprodução? Sinceramente, esse problema só acontece por causa do pecado humano e pela recusa em aceitarmos que a vida começa na concepção. Esse excesso de embriões ocorre porque, nas fertilizações in vitro, são fertilizados 5, 6, 8 óvulos para aumentar as chances de uma gravidez. No meu ponto de vista, deveriam se fertilizar no máximo três óvulos e todos eles deveriam ser postos no útero. Fertilizar óvulos que podem nunca ser utilizados é brincar com a vida. E a adoção continua sendo uma opção mais saudável, segura e amorosa para os cristãos que são estéreis.

Vale a pena ler a nota distribuída pela Confedereção Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) comentando a decisão do STF.

Um comentário:

Anayran Pínheiro de disse...

De fato, isso é algo triste...
Sacrificar a vida de uma pessoa que não teve sequer capacidade de defesa...

Acredito na soberania de Deus, e prefiro pensar que esse fato está acontecendo para ele mostrar o seu poder glorioso e edificante sobre nós...

Sou a favor com as pesquisas com células-tronco (tanto embrionárias quanto não), mas acho que se os estudos forem procedidos da maneira correta, veremos várias pessoas serem salvas por conta de uma célula, assim espero.

Pode soar anti-bíblico o que falei, mas como confiante na soberania perfeita de meu Pai, não tenho medo de expressar o que penso a respeito.