21 dezembro 2009

O problema das drogas não é econômico, é moral!

Um argumento muito comum usado por várias pessoas de esquerda é o de que os jovens buscam a criminalidade por causa de dinheiro. Mas até mesmo pesquisadores seculares estão discordando desse ponto de vista. O sexo e o poder parecem ser os principais motivadores que levam os jovens ao tráfico. E as causas socioeconômicas são vistas como frágeis para explicar a entrada no mundo do crime:

Confira abaixo uma entrevista feita sobre o assunto no UOL Notícias:
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21/12/2009 - 13h12

Sexo e poder são os principais atrativos para recrutamento de jovens para o tráfico

Marina Lemle
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A sensação do poder armado e a conseqüente facilidade de conquistar mulheres são os grandes estímulos que levam crianças, adolescentes e jovens a entrarem para o tráfico, já que a atividade não rende mais financeiramente o que rendia há alguns anos. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa "Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas", lançada nesta segunda-feira no Rio de Janeiro. O estudo foi promovido pelo Unicef e coordenado pela cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes.

Em entrevista exclusiva para o UOL, a autora contou que a capacidade das armas de atrair meninas - as chamadas "Maria Fuzil" - surgiu como um comentário constante nas entrevistas feitas com jovens, mães, lideranças comunitárias e técnicos de projetos sociais do Complexo do Alemão e de favelas e bairros da Zona Oeste do Rio. Além de sete grupos focais, reunindo 87 jovens, técnicos e mães, foi realizada uma pesquisa quantitativa executada por 14 jovens que entrevistaram 241 rapazes e moças de 14 a 29 anos.

Outra revelação do estudo é que as razões alegadas para a entrada no tráfico são as mesmas que as de saída ou não entrada. "A única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa", diz Silvia. Para a pesquisadora, enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, mesmo sem convicção, vão "experimentar a vida".

Veja abaixo trechos da entrevista, feita no final de semana no Rio de Janeiro.

O que estimula crianças e adolescentes a entrarem para grupos armados em favelas cariocas?
Silvia Ramos -
Muitas vezes, as "causas" que explicariam porque um jovem entrou para o tráfico eram as mesmas que explicariam por que outro jovem não entrou. Famílias desestruturadas, falta de dinheiro, pais violentos, parentes envolvidos no tráfico... ouvimos de jovens que hoje estão na universidade que estas foram exatamente as razões para fugirem do crime e buscarem alternativas. As chamadas causas clássicas, sócio-econômicas, parecem hoje, mais do que em qualquer outro momento, muito frágeis para ajudar a compreender as forças que fazem de um trabalho que paga pouco e é perigoso ser ainda atraente para alguns.

Então o que os leva a correr tamanhos riscos?
Silvia Ramos -
A capacidade das armas para atrair meninas surgiu como um comentário constante não só de traficantes, ex-traficantes e jovens de projetos, como de mães e assistentes sociais que trabalham com jovens nas favelas. Luiz Eduardo Soares e outros autores já tinham chamado a atenção para os aspectos simbólicos, ligados à afirmação e à visibilidade, envolvidos nas dinâmicas da violência armada. Mas certamente o que há de mais comum em todas as histórias é a presença, dentro da favela, na esquina perto de casa, de grupos armados ostentando armas e "mandando no pedaço". Como a "experiência", o "ir e vir", é uma característica da juventude contemporânea, experimentar a vida no crime poderia ser apenas uma passagem. Mas algumas vezes a passagem é fatal e esse garoto mata, morre ou vai preso.

Quais as principais conclusões do estudo?
Silvia Ramos -
A conclusão principal é que é preciso ouvir os que estão no tráfico, os que saíram e os que trabalham no dia a dia das favelas com os jovens. Nós construímos estereótipos e certezas sobre o tráfico, as armas, as drogas e o crime, quando na verdade o mundo dentro dos grupos armados muda toda hora. Se quisermos entender o que está passando com esses meninos do Rio, precisamos ouvi-los. A segunda conclusão principal é: a única coisa realmente comum a todos os jovens que ingressam no crime é a presença de grupos ilegais armados na esquina de casa. Enquanto durar o controle territorial por traficantes e milícias em favelas do Rio, alguns jovens, às vezes sem muita convicção, vão experimentar "a vida", como eles dizem. Mas essa experiência às vezes é definitiva. Para o próprio ou para outro. O mesmo se passa com os carros, a velocidade, os esportes radicais, o risco e tantas coisas que "atraem" na juventude. Se não houver blitz, polícia, pardal e multa impedindo que um garoto pegue o carro do pai e acelere a 120 por hora numa curva, alguns jovens sempre vão "experimentar" essa sensação de perigo. E alguns vão matar e morrer.

Quem são as principais vítimas e autores da violência letal no Rio de Janeiro e qual a relação com o foco do estudo?
Silvia Ramos -
Morrem 50 mil pessoas aproximadamente por ano no Brasil vítimas de homicídio. Nossa taxa de homicídios é a sexta maior do mundo, com 26 por 100 mil. Nossa taxa de homicídio de jovens de 15 a 24 anos é a quinta maior, chegando a 50 por 100 mil. No Rio de Janeiro, tomando apenas os jovens, a taxa ultrapassa os 100 por 100 mil. Quando olhamos apenas para os jovens do sexo masculino negros e pardos aos 23 ou 24 anos, a taxa de homicídios do Rio chega a 400 por 100 mil. No Rio, a morte violenta tem cara, cor e endereço: é um rapaz negro morador de uma favela, ou de um bairro da Zona Oeste, usando bermuda e boné. Os autores desses homicídios - ainda que não existam estatísticas para comprovar - são predominantemente jovens envolvidos em dinâmicas de grupos armados, em geral traficantes de drogas, que vivem nas favelas. Mas não só: no Rio, a polícia mata mais de 1000 pessoas a cada ano. Sempre nas favelas e bairros pobres. Por isso o foco do estudo foram as favelas e bairros da Zona Oeste do Rio.

O que se pode fazer para mudar esse cenário?
Silvia Ramos -
Cabe ao governo e à polícia retirar os grupos armados que dominam áreas da cidade pelos fuzis e granadas. Cabe a nós, como sociedade, pensar em alternativas para rapazes que tiveram passagens pela vida de bandidos, em geral têm baixa escolaridade, mas desejam experimentar a "emoção de fazer parte da sociedade" ou de "andar livremente por Copacabana, Ipanema e Leblon, de cabeça erguida", como disse um jovem que saiu do tráfico e há um ano tem sua carteira assinada por meio de um projeto do AfroReggae. O AfroReggae está fazendo hoje, com mais de uma centena de jovens, aquilo que os governos deveriam se preocupar em fazer com milhares de garotos que estão nas favelas ou saindo das prisões.

Por que alguns saem do crime e outros não?
Silvia Ramos -
Um disse que a namorada engravidou e ele precisava arrumar a vida. Outro disse que pensou na mãe, outro que viu um amigo sendo morto. Muitos disseram que a vida no tráfico é muito dura - 12 horas de trabalho, ganhando pouco, sob muito risco e ninguém fica rico. "A gente cansa, a ilusão acaba", disseram. O fato é que, com algumas exceções, quase todos os rapazes que hoje se encontram no tráfico aceitariam experimentar um emprego com carteira assinada e largar as armas. Poder circular livremente pela cidade é uma atração muito forte para garotos que têm armas, algum dinheiro e "fama" na favela, mas não podem levar a namorada ou o filho ao shopping mais próximo. Poder dormir uma noite inteira sem pensar que a polícia ou o "alemão" pode entrar, é
um sonho que os que estão segurando as armas referem permanentemente.

Existem jovens que vivem uma "vida dupla"?
Silvia Ramos -
Essa é outra novidade que encontramos. As identidades não são sempre puras, como "traficante", "estudante", "trabalhador", "bandido" ou "otário". Alguns garotos quando voltam da escola trabalham algumas tardes da semana na "endolação" (embrulhando as drogas), alguns trabalham de dia numa empresa e à noite ou no fim de semana prestam serviços para a boca. Outros são traficantes profissionais, mas paralelamente têm seus negócios inteiramente legais na favela. Se os negócios derem certo, planejam "sair do crime". Em resumo, as identidades instáveis, mutantes - ou as trajetórias ioiô, como denomina José Machado Pais - e a recusa aos rótulos também ocorre atualmente entre jovens de favelas e não só entre jovens de classe média.

Como é a hierarquia e a dinâmica no tráfico?
Silvia Ramos -
A situação do tráfico nas favelas cariocas é bastante heterogênea. Não há mais padrões salariais, hierárquicos ou funcionais rígidos e a mudança ocorre não apenas de uma favela para outra, mas de uma semana para outra na mesma boca de fumo. O que predomina na maioria das comunidades é uma sensação de instabilidade, com chefes sendo mudados às vezes em semanas e muitos garotos novos tendo "muito poder", segundo palavras de traficantes e ex-traficantes entrevistados. Outra mudança importante é a mistura da função de traficante e de assaltante. É comum, em algumas favelas, que o traficante "vá para a pista" roubar, quando o movimento das drogas está fraco. Isso no passado era inconcebível e poderia custar a vida de quem desobedecesse.

E o crack?
Silvia Ramos -
Ouvimos muitas reclamações e comentários indignados, inclusive de traficantes, sobre a entrada do crack e o estrago e degradação que está causando em algumas áreas.

O que mais mata os integrantes de grupos?
Silvia Ramos -
Quando imaginamos as mortes nos grupos ilegais armados, sejam traficantes ou milícias, pensamos em grandes confrontos, onde o opositor é um policial ou um bandido de outra facção. Mas na prática mortes acontecem o tempo todo dentro dos grupos, por ciúmes, inveja, tensões interpessoais, familiares, namoros e às vezes por brigas típicas de adolescentes. A proximidade das armas contribui ainda mais para uma cultura masculina que naturaliza a resolução de conflitos na base do tiro. Um ex-traficante contou que era o "frente" da favela. Um garoto da boca foi pra rua e voltou com uma "twister", um tipo de moto. O frente pediu para dar uma volta, o garoto que trouxe a moto não deixou, disse que ele que roubou, a twister era dele. O "frente" disse: "tu tá pensando que tá falando com quem?" E disso desenvolveu-se uma disputa de "autoridade" que teria sido resolvida à bala se o garoto não tivesse cedido a moto. Típica briga de adolescentes. De fato, Alba Zaluar, nos primeiros estudos sobre os grupos armados - gangues, quadrilhas e galeras - chama atenção para este fato. Mas nas condições atuais, de crise e desorganização das bocas de fumo, há uma radicalização das decisões tomadas na base de disputas insanas e um aprofundamento da cultura da morte. Eu pessoalmente estou convencida que boa parte das "invasões" e tentativas de "tomadas" de territórios entre facções ou em confrontos com a polícia, que provocam tiroteios toda hora, mortes, perdas de armas, munições, dinheiro e drogas para os grupos... isso tem muito pouco de racionalidade econômica. O que predomina é uma lógica de gangue.

E as milícias, também reagem na base do tiro?
Silvia Ramos -
Essa foi também a reação inicial das milícias quando finalmente a polícia resolveu combatê-las, no início do governo Sergio Cabral: jogaram bombas em delegacias, ameaçaram autoridades, executaram policiais, aumentaram as mortes. Mas passados quase três anos, tudo indica que vários grupos de milícia respondem com maior racionalidade econômica às investidas da polícia e tendem a se tornar menos visíveis no território, menos ostensivos e mais silenciosos, para manter a venda de sinal de televisão, gás, participação no transporte etc. O fenômeno é relativamente novo e não é possível ainda definir uma tendência definitiva, mas parece que a incapacidade dos grupos do tráfico de adaptar a venda das drogas no varejo a um modelo que não dependa do controle territorial armado - modelos que predominam em todas as outras cidades do Brasil - será uma das causas de sua decadência em várias favelas do Rio.

Última resposta a Leandro Quadros - Parte X

A parte anterior da resposta está aqui.


A expiação limitada na oração de Jesus
Uma das conseqüências da doutrina da predestinação é o ensino da expiação limitada. Ou seja, Jesus não morreu em favor de todos os homens, mas apenas dos seus eleitos. Na verdade, essa afirmação pode ser obtida de maneira lógica, sem apelar para a Escritura. Se há pessoas predestinadas ao céu e outras ao inferno, então não faz sentido que Jesus tenha morrido por todas as pessoas, incluindo as condenadas, porque aí o Seu sacrifício não seria eficaz.

Mas a Bíblia ensina, claramente, que o Senhor não morreu por todos. E isso já foi apontado por mim ao professor Leandro Quadros em meu artigo "Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
15) Cristo não morreu por todos os homens, morreu apenas pelos salvos. Jesus morre por suas ovelhas, não por lobos: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10:15). Mais à frente, Cristo diz: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26). Logo, Jesus morreu pelas ovelhas...e , se quem não crê não é ovelha...Cristo não morreu por todos. Na oração sacerdotal, Jesus se recusa a orar pelos não-eleitos “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (João 17:9).

16) Logo, Cristo não morreu por todos os homens. Morreu por todo tipo de homem, mas não por todos...Ele até se recusou a orar por todos! Cristo veio morrer pelo seu povo: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). Mais versículos nesse post http://teologia-vida.blogspot.com/2008/10/calvinismo-na-bblia-iii-expiao-limitada.html (Helder Nozima)
A resposta do professor Leandro Quadros, no artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados... foi a seguinte:
15) Na oração sacerdotal Cristo não orou apenas pelos já eleitos nos dias dEle, mas, também por aqueles que viessem a crer. Aqui, o calvinismo também não encontra guarida.
Jesus não morreu “apenas pelos salvos”, mas, “para que todos sejam salvos” (se assim quiserem): “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” João 17:20. O fato de pessoas crerem em Jesus por intermédio da Palavra (Romanos 10:9) confirma João 16:8-10, de que o Espírito Santo convence o indivíduo pela Bíblia de que ele é um pecador e que precisa de Jesus para continuar predestinado e salvo.
Sobre João 10:15 e 26, tais versos são compreendidos corretamente quando se lê também o verso 16: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.”
Em suma: Cristo tem as ovelhas que já O aceitaram (porque o Pai as trouxe a Ele) e tem ovelhas que ainda não O aceitaram (por que elas não permitiram ao Pai conduzi-las). (Leandro Quadros)
Creio que a resposta do professor não desmonta a minha argumentação original, mas vou fazer algumas ponderações.

Em primeiro lugar, João 17:20 não contraria o ensino da predestinação. Ali, Jesus diz que não rogava somente por estes (os discípulos que ouviam a oração naquele instante), mas também por aqueles que vierem a crer. O que o professor não percebe, ou não quer que seus leitores percebam, é que Jesus não fala que está orando por todos os homens. Os que não crerão são, deliberadamente, excluídos por Jesus de Sua intercessão. Logo, o Senhor ora apenas por pessoas que, efetivamente, serão salvas, ou seja, os eleitos, como já mostramos em partes anteriores dessa resposta.

Em segundo lugar, o professor ignorou João 17:9:
É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus... (João 17:9)
Isso fica mais evidente quando se analisa alguns outros versículos na oração. Após adorar o Pai, Jesus enfatiza que Ele manifestou o nome de Deus aos homens que o Pai deu a Ele:
Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, to mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. (João 17:6)

Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:12)

E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. (João 17:19)

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, também estejam comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja. (João 17:24-26)
Em todos estes casos, Jesus faz uma clara diferenciação. Ele ora apenas pelos homens que o Pai deu a Ele. Sobre estes homens, Jesus diz:

1) Que manifestou o nome de Deus a eles (e não a todos os homens);
2) Que era por eles que Ele rogava (e não por todos os homens);
3) Que eles eram guardados e protegidos (aplica-se aos Doze, exceto Judas, mas pode ser estendido a todos os salvos);
4) Que Cristo se santificava por eles (e não por todos os homens);
5) Que a vontade de Cristo é a de que os que Ele recebeu do Pai estejam com Ele (e não todos os homens);
6) Que os que o Pai deu a Cristo são os que entendem que Jesus é enviado de Deus (e não todos os homens);
7) Que eles são os que Jesus fez que conhecessem o nome de Deus (e não todos os homens);
8) Que o amor com que o Pai o amava esteja nestes, que o Pai deu a Jesus, e que Cristo esteja neles também (e não a todos os homens).

A oração é restritiva. Em momento algum, Jesus pede que as bênçãos acima sejam estendidas a todas as pessoas, ao contrário, elas são somente para os homens que o Pai deu a Ele. Quanto aos demais, ao mundo, esses permanecem excluídos até mesmo do rogo de Cristo.

Sobre João 16:8-10 o professor arma uma arapuca para ele mesmo. Diz o texto:
Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. (João 16:8-10)
O texto não diz que Jesus morreu por todos, nem que o Espírito Santo convence a todos os homens. Até porque, se convencesse, o professor teria que me explicar como é possível que existam tantas pessoas que não se achem pecadoras e nem se convençam da justiça de Deus ou da realidade do Juízo Final. Aí só restam três hipóteses: ou Jesus errou, ou o Espírito falhou em Sua missão ou Ele não convence a todos, restringindo esse convencimento aos salvos, ou seja, aos que Deus predestinou para a salvação. Eu fico com a última opção.

Em relação à João 10:14-15 e 10:26, mantenho o que está escrito:
Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10:15).

Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26)
Jesus conhece e dá a vida pelas Suas ovelhas, e são essas as que o ouvem e seguem. E nem todos são ovelhas de Jesus, como mostra João 10:26. João 10:16 não favorece o professor:
Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. (João 10:16)
A questão é que Jesus vai buscar as ovelhas dele. Sobre os apriscos, o que Jesus está dizendo é que Ele não tem só ovelhas do aprisco de Israel (judeus), mas em outras nações (gentios) e que quando Ele as buscasse, então todas seriam um rebanho só, não mais dividido em nacionalidades ou culturas. É simples de entender, não há mistérios. Jesus busca as Suas ovelhas (eleitos), morre por elas, as chama pela voz e é seguido por elas. As ovelhas estão em várias nações (apriscos) e Cristo vai reunir todos em um só rebanho.  Mas há homens que não são ovelhas de Cristo e que, por isso, jamais crerão em Deus e serão condenadas ao inferno.

Ao ignorar o contexto, o professor precisa apelar para eisegeses, ou seja, traz versículos que não são pertinentes ao debate e distorce-lhes o significado, para tentar derrubar o calvinismo. Por outro lado, os calvinistas apenas dizem o que a Bíblia fala, sem acrescentar coisa alguma, e sustentam a verdade.

Continuo depois. Ainda falta muito, infelizmente.

O próximo post é este.

14 dezembro 2009

Onde estão minhas respostas e comentários, Prof. Leandro Quadros?

Por falar em “explicar o que está explicado”, três oponentes de algumas (não todas) verdades da Palavra de Deus: o Pr. Helder Nozima, Clóvis (do site Cinco Solas) e Natanael Rinaldi (Instituto Cristão de Pesquisas – ICP) me escreveram “bastante”, na tentativa de explicar aquilo que a Bíblia já explicou. Foram muitas as mentiras doutrinárias, mas, que devem ser respondidas para o bem dos sinceros.

Estou elaborando uma resposta ao Pr. Nozima e a Helder que darão um livreto (rsrsrs).

Hoje, teremos vários posts. Aguardem! (Leandro Quadros, dia 10 de dezembro, em "Estou de volta!")
Bom, hoje já é dia 14 de dezembro, e embora o professor Leandro diga que suas respostas renderiam um livreto, ainda não vi post algum, muito menos os vários que sairiam no dia 10. Na verdade, há um bom tempo o professor me promete respostas:
Caro pastor Heder e todos os amigos que acessam esse blog:
Agora que minha esposa está em casa – recuperando-se, graças a Deus – poderei responder biblicamente a todo o seu material. Crieo que hoje (no máximo até amanhã) tudo estará disponível aqui e também no seu blog.
Até mais,
Leandro Quadros. (comentário publicado no dia 25 de novembro no texto "48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados...")
O professor, que me acusa de desonestidade e de partir para o lado pessoal, vem prometendo me responder desde o dia 25 de novembro, e diz que suas respostas poderiam render um livreto. Ora, se é assim, por que a demora em escrever algo? E, pensando bem, será que prometer e não cumprir não diz nada sobre o caráter da pessoa?

Ora, professor, eu ainda estou escrevendo minha resposta ao senhor, e disse que demoraria pra fazê-lo. Mas o senhor me prometeu respostas imediatas, para o dia 26 de novembro. O que houve?

O senhor também já liberou vários comentários de outros leitores, mas há comentários meus não liberados desde 13 de novembro. Publico os comentários abaixo:
Professor,
A quarta parte de minha resposta está aqui. Com as interpretações de João 3:16 e 2 Pedro 3:9
http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/11/ultima-resposta-leandro-quadros-parte_13.html
Louvado seja Deus…porque até a fé com que creio veio d’Ele e não de mim. E porque não fiz nada, absolutamente nada, para receber a salvação. Porque a fé, o arrependimento e até o amor que tenho por Ele…tudo isso veio 100% de Deus e nada veio de mim.
Soli Deo Gloria!
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Professor,
Sobre o Deus que endurece corações, eis abaixo um trecho da quinta parte de minha resposta ao senhor:
“Creio que o professor não aceite o que está escrito e acabe criando contradições bíblicas. O professor diz que Deus não endurece corações, que as pessoas é que endurecem. Tudo bem, concordo que as pessoas se endureçam. Reconheço que, em Mateus 13:15 o povo ouviu de mau grado.
Mas não posso fechar os olhos para tantos versículos onde se fala de um Deus que endurece os corações. Ainda mais quando leio na Bíblia que Deus pode sim dar olhos para ver e ouvidos para ouvir…e, simplesmente, recusar-se a fazer isso: como está escrito: ”
O resto, professor, no site http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/11/ultima-resposta-leandro-quadros-parte-v.html
Louvado seja Deus, que tem misericórdia e endurece a quem quer, segundo o Seu desejo santo (Rm 9:18)!
Your comment is awaiting moderation. (17 de novembro)

Professor,
A sexta parte de sua resposta está pronta. Agora é sobre Jeremias 21:8 e outros versículos de escolha:
http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/11/ultima-resposta-leandro-quadros-parte_19.html
Uma palhinha para o senhor e seus seguidores:
“Na caricatura popular feita do calvinismo, os não-calvinistas imaginam que Deus define o fim da História das pessoas (céu ou inferno) e que, não importa o meio do caminho, o fim será atingido. Na verdade, há um erro aí. O que a Bíblia ensina e os calvinistas também, é que Deus não define só o fim. Ele define também o caminho todo, incluindo todos os meios pelos quais uma pessoa será salva ou condenada.”
O resto, só indo lá no blog.
Your comment is awaiting moderation. (19 de novembro)

Professor,
A oitava parte de sua resposta está no ar. Uma palhinha:
“O morto, professor, nada faz! Morto não crê, não mexe, não respira, não quer. Além disso, na visão clássica não calvinista, a pessoa é salva e nasce de novo quando decide crer. Mas, veja só: a vida foi dada quando ainda estávamos mortos, em delitos e pecados! Ou seja, enquanto ainda estávamos mergulhados no pecado, praticando o pecado, mortos espiritualmente, é aí que Deus dá a vida!”
O link é http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/11/ultima-resposta-leandro-quadros-parte_27.html
Louvo ao Senhor por sua esposa ter se recuperado. Mas espero que sua argumentação não se recupere, e que o senhor se arrependa do seu erro.
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
Your comment is awaiting moderation. (27 de novembro)

Oi, professor,
A nona parte de minha resposta está pronta. Um trecho:
“Os calvinistas não limitam o amor de Deus, mas consideram os limites que o próprio Senhor impõe em Sua Palavra. Por exemplo, é fato indiscutível que Deus não ama a todas as pessoas da mesma maneira, e que algumas pessoas não recebem o amor divino, e sim o Seu aborrecimento.”
Mais aqui: http://reformaecarisma.blogspot.com/2009/12/ultima-resposta-leandro-quadros-parte.html
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
Your comment is awaiting moderation. (29 de novembro)
Professor, por que a demora? Por que não me dá a chance de publicar os links da minha tréplica ao senhor? Ao menos os seus links eu publico...aqui se tem direito ao contraditório. E publiquei o seu único comentário aqui. Por que não publica os meus? Até quando vou "aguardar moderação"?

Discordo do senhor quando diz que não tenho argumentos. Os tenho...já foram várias partes na minha tréplica. Não contei ainda se ultrapassei os 48 versículos, mas já foram vários. Vai ficar sem resposta? Eu disse que seria minha última, o senhor ainda terá o privilégio da última palavra.

Agora, mesmo que o senhor considere que só fiz ataques pessoais (com o que discordo veementemente), para manter a sua palavra, é seu dever responder-me. Aliás, o senhor já está em falta desde 26 de novembro. Quanto a mim, também acho que era seu dever publicar meus comentários, já que aqui, até no corpo do texto eu pus links para posts do senhor. Mas, talvez, o senhor tenha receio de que seus leitores tenham acesso a minhas respostas...não sei. Não consigo imaginar outros porquês, o senhor aprovou muitos comentários após a doença e recuperação de sua esposa.

Aguardo resposta,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

10 dezembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte IX

O post anterior está aqui.


Lucas 19:10
O amor de Deus pelo "perdido" é um outro argumento usado pelo professor Leandro Quadros para atacar o calvinismo no artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados...:
15) Se Cristo morreu apenas “pelos salvos”, como explica Lucas 19:10? “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” O pensamento bíblico é: Cristo morreu por todos os seres humanos que foram predestinados a fim de que cada um (pela graça de Deus) escolha ser salvo ou não. Por isso, o Senhor Jesus veio morrer pelos predestinados: por que, se não aceitarem a predestinação, serão perdidos. Do contrário, a declaração de Jesus de que ele “veio buscar e salvar o perdido” perde todo o sentido. (Leandro Quadros)
Não creio que a declaração de Jesus perca o sentido quando se considera o ensino bíblico da predestinação. Em primeiro lugar, é preciso destacar que não há nada no versículo, nenhuma palavra que diga não existir predestinação ou que Deus não escolha uns para serem salvos e outros para se perderem. Tampouco o versículo diz que Jesus veio buscar e salvar a todos os homens. Só por essas razões, Lucas 19:10 não cabe na discussão.

No entanto, quem é o perdido no texto? O eleito por Deus que não foi salvo. Lucas 19:10 fecha a história do encontro de Jesus com Zaqueu. E é interessante notar que o versículo resume o que Cristo fez com ele.

Ao contrário da famosa música, Zaqueu não subiu para chamar a atenção de Jesus, muito menos disse para ele entrar na casa ou na vida dele. O maioral dos publicanos queria apenas ver quem era Jesus (Lc 19:3). Mas o Senhor é quem olha pra cima e se convida para ir à casa dele:
Olhando Jesus, chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. (Lucas 19:5)
Isso mostra que não foi um acaso aquele encontro. A intenção do evangelista é a de destacar que Jesus tinha que se encontrar com Zaqueu e ir até a casa dele para salvá-lo. Havia muitas outras pessoas no caminho, mas o Senhor escolheu hospedar-se apenas com Zaqueu e seus amigos. O publicano era, de fato, um eleito.

Mas isso não quer dizer que ele não era um perdido! Talvez o professor imagine que, para os calvinistas, os eleitos já nascem salvos e nunca estão perdidos. Mas, embora o predestinado ao céu tenha sua salvação assegurada pelo decreto de Deus, essa salvação precisa se consumar no tempo. E, antes de nascer de novo e receber a salvação, de fato, todos os predestinados se encontram como os demais homens: mortos em delitos e pecados:
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... (Efésios 2:1)

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos... (Efésios 2:4-5)
Logo, quando Jesus diz que veio buscar e salvar o perdido, ele veio buscar os eleitos que ainda se encontram no pecado, e não a todos os homens.

Sobre o ensino herético da predestinação universal e de cada um "aceitar ou não" a sua predestinação, já respondi isso antes. Só acrescento mais dois argumentos. O primeiro é o de que a ideia do professor esvazia o próprio sentido de pré-destinação ou pré-determinação. Ora, se o destino pode ser recusado, qual o sentido de Deus defini-lo com antecedência (pré)? O segundo é que o ensino bíblico diz claramente que todos os eleitos são salvos:
Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Romanos 8:29-30)
O texto não diz que aos que predestinou, a maioria o Senhor chamou; que destes, a maioria foi justificada; e que dos últimos, quase todos foram glorificados. Não...todos os predestinados, inevitavelmente, foram glorificados.

Como o professor crê na existência do Juízo divino e no inferno (ainda que de modo diferente de mim), ele há de concordar que nem todos os homens são glorificados. Portanto, juntando essa premissa com o ensino de Romanos 8:29-30, é forçoso, até para o professor, reconhecer que a Bíblia não ensina a predestinação universal de todos os seres humanos.

O amor de Deus e a condenação dos ímpios
Contudo, o professor Leandro lançou mão de um argumento mais difícil de rebater: o fato de Deus não sentir prazer com a condenação dos ímpios:
Se Cristo morreu “pelos salvos”, como interpreta Ezequiel 18:23 (um dos 48 textos que o pastor não refutou)? “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? —diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?” Não coloque limites no infinito amor de Deus… (Leandro Quadros)
Os calvinistas não limitam o amor de Deus, mas consideram os limites que o próprio Senhor impõe em Sua Palavra. Por exemplo, é fato indiscutível que Deus não ama a todas as pessoas da mesma maneira, e que algumas pessoas não recebem o amor divino, e sim o Seu aborrecimento. É o que diz claramente Romanos 9:11-13:
E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela:
O mais velho será servo do mais moço.
Como está escrito:
Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. (Romanos 9:11-13)
Ali, a Bíblia é clara: Deus amou a um e se aborreceu do outro, e aborrecer pode muito bem ser traduzido por odiar, principalmente quando vemos Malaquias 1:2-3, de onde Paulo extraiu a citação de Romanos 9:
Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? - disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. (Malaquias 1:2-3)
Vejam que o aborrecimento de Deus o levou a assolar os montes e a herança dos descendentes de Esaú. Quando se considera que, em Romanos 9, Esaú é símbolo dos reprovados, e Jacó, dos eleitos, fica claro que os calvinistas não limitam o amor de Deus, apenas reconhecem os limites colocados pelo próprio Senhor, que não ama a todos os seres humanos de modo igual, como ensinam os não-calvinistas. A ideia do amor igualitário, que, embora não explícita, é essencial ao argumento do professor, não sobrevive ao escrutínio bíblico.

Por outro lado, reconhecemos que Deus não sente prazer em condenar os ímpios. Mas, fato é que Deus, sentindo ou não prazer, mata perversos e os lança no inferno:
Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. (Mateus 7:19)
A não ser que o professor seja universalista (o que ele nega, embora a lógica de seu artigo o leve nessa direção), ele há de concordar que Deus faz o que não sente prazer em fazer. Ele não gosta, mas mata sim o ímpio e o condena ao fogo eterno. No caso, tanto calvinistas como arminianos e adventistas, precisam reconhecer que Deus faz isso porque, por alguma razão, a condenação dos ímpios Lhe traz mais glória e é necessária aos planos divinos.

Registro também que Ezequiel 18:23 não diz nada sobre Deus não predestinar pessoas. Peço perdão pela repetição dos versículos e argumentos, mas como disse antes, o professor é repetitivo, e uma resposta exaustiva a ele, infelizmente, padece do mesmo mal.

Isaías 45:22
Por fim, diz Leandro:
E Isaías 45:22? “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Ah! Que alegria saber que Deus não faz acepção de pessoas e que em Sua Soberania é capaz de dar a salvação para quem aceitar, respeitando assim a liberdade de escolha! (Leandro Quadros)
Essa é facílima. O texto diz que Deus irá salvar pesoas em toda a região do globo terrestre, em, praticamente, todas as nações (ou, pelo menos, na ampla maioria delas). Implicitamente, mostra que Deus elegeu pessoas de várias nacionalidades e regiões. Não tem nada contra a predestinação.

No mais, louvo ao Senhor, que salva quem quer ser salvo, quem O escolhe! Mas isso só acontece, caro professor, quando Ele intervém na vontade da pessoa, fazendo-a nascer de novo, porque, espontaneamente, ninguém deseja a Deus. Leia Romanos 3:10-12 de novo.

Mais posts no forno. Aguardem...e desculpem a demora.

O próximo post é este.

27 novembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte VIII

A parte anterior da resposta está aqui.

Quem quer a salvação?
Além dos versículos de escolha, onde Deus chama as pessoas à salvação, uma outra arma usada pelo professor Leandro Quadros, em seu artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados... são os versículos de desejo. São textos, como Apocalipse 22:17, onde a Bíblia ensina que a salvação está aberta a quem quiser recebê-la. Diz Leandro:
10) “Todas as famílias” implica sim em livre-arbítrio por que o convite da salvação é para quem quiser, segundo Apocalipse 22:17. Insisto no ponto e nego a doutrina do inferno – sem ser universalista ao mesmo tempo. Isso por que acredito (assim como os Adventistas do Sétimo Dia) que o lago de fogo existirá no futuro, depois do milênio (Atos 17:31; Apocalipse 20), castigará cada pessoa proporcionalmente segundo suas obras (Mateus 16:27; Mateus 11:21-24) e, depois do castigo proporcional, os ímpios serão aniquilados (Malaquias 4:1-3; Salmo 37:20), inclusive o ser que mais vai pagar no lago de fogo: satanás (Romanos 16:20).

Veja que nossa doutrina aniquilacionista nada tem a ver com o universalismo e muito menos com o aniquilacionismo ensinado pelas Testemunhas de Jeová. (Leandro Quadros)
Como meu objetivo aqui não é discutir o inferno, e sim a predestinação, não vou analisar a heresia do aniquilacionismo. Quem quiser, pode ler uma refutação a esse ensino aqui. O que me interessa é analisar Apocalipse 22:17:
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalipse 22:17)
Nenhum calvinista nega que a salvação está disponível a quem quer. O problema, como eu já disse antes (e vou repetir aqui) é que nenhum ser humano quer ir até Deus:
Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Romanos 3:10-12)
O texto é neotestamentário e escrito após a ressurreição de Cristo, logo, não há dúvidas de que reflete uma verdade válida para os dias de hoje. Ele também é uma citação dos salmos 14 e 53:
Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam, não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Salmo 14:1-3)

Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam iniqüidade; já não há quem faça o bem. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem sequer um. (Salmo 53:1-3)
Paulo aplica estes dois salmos a toda a humanidade. Ao fazer isso, ele acusa toda a humanidade de insensatez e diz que toda ela é corrupta. Rememorando Romanos, ele diz, com todas as letras que:

- Nenhum ser humano é justo (Rm 3:10);
- Nenhum entende a Deus (Rm 3:11);
- Nenhum busca a Deus (Rm 3:11);
- Todos os seres humanos se extraviaram (Rm 3:12);
- Nenhum ser humano faz o bem (Rm 3:12).

O ensino bíblico é o de que ser humano algum, voluntariamente, se volta para Deus ou busca ao Deus vivo por si só. Os homens, na verdade, preferem ignorar a Deus e substituí-Lo por ídolos:
Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. (Romanos 1:20b-23)
Na verdade, é impossível ao ser humano o obedecer a Deus. Vou repetir aqui o que disse no artigo Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
4) Em apoio a depravação total, cito ainda Romanos 8:5-8 “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas o que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:5-8). Ora, antes de sermos salvos por Cristo, todos nós estávamos na carne. Mas, se o pendor da carne não pode estar sujeito à lei de Deus e não pode agradar a Deus, como é possível que, na carne, possamos decidir ficar ao lado de Deus? (Helder Nozima)
Veja bem, professor. Paulo diz que:

- Quem está na carne não está sujeito à lei de Deus e nem pode estar (Rm 8:7)
- Quem está na carne se inclina para as coisas da carne (Rm 8:5)

Agora, veja que, em Efésios 2:3, Paulo afirma que todos os cristãos (ele incluso) andavam na carne!
entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações de nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. (Efésios 2:3)
Qual a conclusão? A de que os salvos, em algum momento da vida não podiam estar sujeitos à lei de Deus, uma vez que seguiam as inclinações de sua carne! Era impossível a eles se sujeitarem ao Senhor!

Como então há salvos? Como então há quem creia? Como então alguém pode querer ser salvo? A resposta está em Efésios 2:1:
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... (Efésios 2:1)
O morto, professor, nada faz! Morto não crê, não mexe, não respira, não quer. Além disso, na visão clássica não calvinista, a pessoa é salva e nasce de novo quando decide crer. Mas, veja só: a vida foi dada quando ainda estávamos mortos, em delitos e pecados! Ou seja, enquanto ainda estávamos mergulhados no pecado, praticando o pecado, mortos espiritualmente, é aí que Deus dá a vida! Deus decide vivificar os Seus eleitos quando eles ainda estão chafurdados no erro. A ideia é repetida em Efésios 2:4-5:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça sois salvos... (Efésios 2:4-5)
Veja, a ênfase é dada em Deus! Somos salvos não porque cremos ou queremos, mas sim porque Deus é misericordioso e decidiu dar a vida aos eleitos quando eles ainda estavam mortos!

O que é esse dar a vida? É o novo nascimento, sem o qual ninguém pode ver o Reino de Deus: A isto, respondeu Jesus:
Em verdade, em verdade te digo: que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (João 3:3)

Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. (João 3:5-6)
O "dar a vida" de que fala Paulo em Efésios só pode ser o "novo nascimento" de João 3. Sim, porque, ao nascer, os seres humanos ganham a vida no mundo físico. Essa analogia ou "humanização" é feita pela própria Bíblia. Combinando Romanos com o Evangelho de João, vemos que antes, o que existe é apenas a natureza humana pecaminosa e caída, a "carne". O novo nascimento é espiritual, produz em nós uma nova natureza, dá origem a um novo ser humano. E essas pessoas nascem do Espírito.

E aí, volto, mais uma vez para João 1:12-13:
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. (João 1:12-13)
Sobre esses versículos, eu disse o seguinte no post anterior:
11) Os calvinistas não creem que Deus empurre a salvação goela abaixo dos predestinados. Relendo João 1:12-13, vemos que os eleitos nascem de novo. Ora, o senhor escolheu nascer? Não, foi decisão dos pais, mas você não diz que eles empurraram a você goela abaixo o dom da existência! Ora, se não culpas os pais, por que culpar a Deus caso Ele, em Sua Soberana Vontade, decida nos fazer nascer de novo, com uma natureza que O agrada?

12) Na verdade, sem esse novo nascimento, não há salvação: “A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:5). O erro é que o senhor e os partidários do livre-arbítrio esquecem que nascer é o início da vida. Logo, primeiro o eleito nasce de novo, depois ele crê. Mas o entendimento arminiano é que primeiro se crê, depois se nasce. Que não pode ser assim é mostrado em João 1:13, os filhos de Deus não nascem da vontade do homem.

13) Sobre Apocalipse 22:17 e textos similares, calvinista algum nega que a salvação é para quem quer. Vai a Cristo quem quer. O problema é que, sem nascer de novo, ninguém quer ir a Deus (Romanos 3:10-12). Primeiro, Deus faz a pessoa nascer de novo (João 3:5) e depois a pessoa, com sua nova natureza, vai até Deus. Logo, a pessoa é salva porque quer. Mas só quer porque Deus a fez nascer de novo, assim como o senhor só existe porque seus pais o fizeram nascer, sem consultá-lo, e o senhor não vê nada de mal nisso. Por que então vês o mal em Deus? (Helder Nozima em Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade")
Daí, em resposta, o professor Leandro escreveu:
11) Os calvinistas podem não crer que Deus empurre a salvação “goela a baixo”, mas, dão a entender – e de maneira clara – isso. Não vê quem não quer. Já expliquei-lhe João 1:12, 13 com base no verso 11 e com o auxílio de grandes comentaristas bíblicos.

Sua humanização de Deus não faz sentido. Primeiro porque Ele não pode ser comparado às obras das mãos dEle. Segundo: meus pais não planejaram meu nascimento (assim como grande parte da população mundial). Terceiro: o novo nascimento – como comentei anteriormente – é uma obra de Deus e, com base em Atos 2:37, 38, que afirma devermos nos arrependermos, isso significa que Deus só faz nascer de novo quem aceita a Jesus. (Leandro Quadros)
Aqui é preciso ir por partes:

- Os calvinistas "não dão a entender" que a salvação é empurrada "goela abaixo". As caricaturas populares do calvinismo é que vendem essa imagem. Se o professor lesse Calvino, e citasse uma passagem dizendo que a salvação é dada goela abaixo, aí sim me calaria. Agora, se ele prefere criticar uma teologia tendo como base, não as fontes primárias dela, mas sim a sua caricatura popular, não posso fazer nada!

- Minha "humanização" não faz sentido? Bom, meu caro, veja bem: é a própria Bíblia quem usa a analogia do nascimento! É ela quem compara Deus a um Pai e a salvação ao nascimento de filhos! A não ser que você esteja sugerindo que a Bíblia esteja errada em usar tais termos, eu posso sim usar a analogia para extrair lições teológicas válidas!

- Ok, meu caro, seus pais não planejaram o seu nascimento. Mas isso não muda o fato de que o nascimento é conseqüência de decisões e atitudes dos pais. Os filhos não têm poder algum sobre o início de suas vidas, isso é fato! Logo, interpretando a "humanização" (antropopatismo) feita pela própria Bíblia, o novo nascimento dos eleitos independe de nosso querer! João enfatiza que o novo nascimento é de Deus, e não é da vontade da carne e nem da vontade do homem!

- Atos 2:38 não diz que o arrependimento precede o novo nascimento. Leia o versículo:
Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (Atos 2:38)
E, sim, obviamente, os calvinistas ensinam que todos os nascidos de novo, sem exceção, se arrependem de seus pecados! Importante dizer isso, senão o senhor, que gosta de acrescentar coisas onde elas não são ditas, vai querer nos acusar de ensinar que há quem nasça de novo e não se arrependa. Todo cuidado é pouco nessas horas.

Aí se tem uma conseqüência: é que a ordem de salvação bíblica, ensinada pelos calvinistas, é diferente daquela ensinada por não-calvinistas. A Bíblia ensina que, primeiro, Deus dá vida aos seus eleitos, fazendo-os nascer de novo. Lembro que o termo "nascimento" é dado pela Bíblia, que a vida é dada quando ainda estamos mortos e que, por razões óbvias, a primeira coisa que uma pessoa faz na vida é nascer! Logo, primeiro se nasce de novo e depois se crê.

E aí diz o senhor:
12) A sequência apresentada pelo pastor não é a bíblica. O senhor disse que primeiro o ser humano nasce de novo; depois, crê. Biblicamente:

(1) Somos eleitos desde a eternidade para sermos salvos – Efésios 1:5 (isso por que na Onisciência dEle, Deus sabe que precisamos de um Salvador);

(2) Nascemos pecadores (Salmo 51:5). O Salmo 51:5 não diz que “nascemos de novo”;

(3) Somos convidados para aceitarmos a predestinação de Deus (Atos 2:37, 38) e influenciados pelo Espírito para isso;

(4) Cremos em Jesus por influência do Espírito Santo (João 16:8-10);

(5) Nos arrependemos, e nos convertemos, ou seja: nascemos de novo (Atos 3:19; João 3). É impossível nascer de novo sem crer em Jesus. Como uma pessoa será transformada sem primeiro contemplar o Salvador e ter o Espírito Santo? João 1:12 afirma que, mesmo sendo predestinados, só são filhos de Deus aqueles que crerem em Jesus, aceitando a predestinação Divina.

(6) Somos justificados;

(7) Somos santificados;

(8) Seremos glorificados.

Isso é apenas um resumo e reconheço que a salvação não possui uma lógica matemática. (Leandro Quadros)
Interessante, professor, é que o senhor não apresenta nenhum texto bíblico que diga assim: primeiro isso, depois aquilo. O senhor junta textos como quer, para mostrar a sua ordem.

"Ah, mas o senhor faz o mesmo". Será? Acho que Efésios 2 e João 3 são claros em mostrar que o início de tudo (no tempo) é o fato de Deus dar a vida e nascermos de novo. Mas, ainda assim, mostrei a minha lógica: o nascimento é, para todos os efeitos, o ato que dá origem à vida.

Outra coisa interessante é que não dei toda a ordem da salvação, falei apenas que o novo nascimento precede a fé.

Analisando o restante de sua resposta:

- Concordo que, primeiro, somos predestinados por Deus para a salvação. Só que, lembro que essa predestinação é tanto para o céu como para o inferno. Já tratei dos predestinados para a perdição na quinta parte desta resposta.

- Concordo que todo ser humano nasce em pecado, como diz o Salmo 51. Todos, portanto, nascem na carne e não buscam a Deus. Somente os eleitos, os únicos que nascem de novo, vencem o pecado em suas vidas e querem ir até Deus. Mas o senhor deve ter entendido errado, achando que eu defendi que a humanidade toda nasce de novo...mas aí é problema de interpretação de textos. O senhor gosta de atribuir a toda a humanidade o que acontece só com os eleitos...um defeito em que, felizmente, não incorro.

- Somos convidados a aceitar o Evangelho, e não a predestinação de Deus. O termo "predestinação" sequer aparece em Atos 2:38, Pedro chama as pessoas ao arrependimento! Mas o senhor gosta de eisegeses, de acrescentar palavras e ideias que não estão presentes no texto, já estou acostumado. O chamado ao Evangelho é para todos, professor, mas somente os eleitos aceitam, como bem ensina Atos 13:48:
Os gentios, ouvindo isto, regozijaram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. (Atos 13:48)
Antes que o senhor faça uma eisegese, dizendo que todos os que ouviram a pregação naquele dia creram, provando que Atos 13:48 ensina a predestinação universal, peço que o professor leia Atos 13:42-52 e veja que os judeus ouviram e não creram. Logo, naquele sermão em Antioquia da Pisídia, somente os gentios eram eleitos à salvação, e os judeus, eleitos à condenação eterna.

- Até que enfim algo que concordamos! Aleluia! De fato, é só por influência, ou melhor, pela ação direta e sobrenatural do Espírito Santo (quem nasce no espírito vem do Espírito, lembra?) que alguém crê em Jesus. Que bom que o senhor entende essa verdade óbvia das Escrituras!

- O arrependimento e a conversão são posteriores ao novo nascimento, professor. João 3 já tratei acima, Atos 3:19, de novo, não diz que o arrependimento e a conversão antecedem o novo nascimento:
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados... (Atos 3:19)
No mais, é impossível mesmo que alguém nascido de novo não creia em Jesus. Sobre a transformação, ela é um processo. Só que, primeiro, a pessoa nasce de novo, depois crê e aí tudo continua, até a nossa glorificação celestial. O seu erro é considerar instantânea a transformação, quando, na verdade, é algo que dura toda uma vida:
Porquanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Romanos 8:29-30)
Sobre essa frase do senhor: "João 1:12 afirma que, mesmo sendo predestinados, só são filhos de Deus aqueles que crerem em Jesus, aceitando a predestinação Divina.", o senhor não entende mesmo o que os calvinistas ensinam. Todo predestinado crê em Jesus, professor. Não há a menor possibilidade de um predestinado não crer, não se arrepender, não se santificar, não perseverar até o fim! Quem falha em algum desses pontos, não é predestinado ao céu, e sim ao inferno. Cansa explicar a mesma coisa, acho que já deu pra entender! A não ser que o senhor prefira discutir com a caricatura de calvinismo que existe na sua cabeça! O que, aliás, seria mais fácil...

Sobre a justificação, santificação e glorificação, sem problemas.

O post está enorme, mas ainda queria responder a mais um argumento do senhor:
13) Não é o que parece o que afirmou sobre Apocalipse 22:17. Diz o pastor que “calvinista algum nega que a salvação é para quem quer”. Mas, como harmonizar sua ideia com o pensamento de que alguns foram predestinados para se perderem sem ter escolhido isso? Seu parágrafo aqui ficou meio confuso. Sinta-se à vontade para reescrevê-lo e lerei com prazer. Sei que na comunicação escrita não é simples comunicarmos o que queremos de verdade (tanto que eu não me expressei bem numa das afirmações que fiz, como comentei anteriormente). (Leandro Quadros)
Professor, é simples. Deixei pra responder essa aqui porque faz um resumo legal do post:

1) É salvo quem quer;
2) Os homens não querem ir até Deus, preferem construir um ídolo a buscarem ao Senhor;
3) Como os homens não querem, voluntariamente, ir até Deus, eles escolhem se perder e serem condenados. É a conseqüência de suas escolhas;
4) Todos os que querem ser salvos, são salvos;
5) Só que, só quer a salvação quem quer Deus. E só quer Deus quem, de fato, nasce de novo;
6) Nascer de novo ou não nascer de novo é decisão de Deus, não do homem. Afinal, não é segundo a vontade da carne ou do homem;
7) Logo, apenas os eleitos ao céu querem ser salvos, nascem de novo e são salvos.

Como bem diz a Bíblia:
Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. (Romanos 9:16)
Louvado seja o Senhor, por garantir 100% a salvação de Seus eleitos!

Professor, ainda há mais. Muito mais. Aguarde.

O próximo post está disponível aqui.

24 novembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte VII

Leia aqui a parte anterior da resposta.


Gênesis 12:3 ensina o livre-arbítrio?
No artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados..., o professor Leandro Quadros mostra não ter entendido a minha visão de Gênesis 12:3. Segundo o professor:
8 – A respeito de sua análise da frase “todas as famílias da terra” (Gênesis 12:5) – que em sua visão significa “nações” – isso é irrelevante, pois, famílias formam nações. Nações são formadas por famílias. Portanto, a salvação é oferecida a todos.

9) Sua “matemática da salvação” não possui lógica – e muito menos lógica espiritual. Como o senhor pode saber que Deus escolheu uma pessoa de cada família da Terra? (Leandro Quadros)
Antes de responder, quero recordar o que disse no artigo Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
8) Sobre o “todas as famílias da terra”, o termo “famílias” também pode ser traduzido por “nações”. Logo, ali a promessa é de que, em Abraão, todas as nações da terra seriam abençoadas, porque, em Cristo, a salvação alcançaria pessoas de todas as nações.

9) Algumas vezes “todos” significa “todo tipo de gente”, e não “todas as pessoas”. Mas, mesmo que eu conceda e fale que, em Abraão, todas as famílias são abençoadas, se uma única pessoa de cada família for eleita para a salvação e todas as outras eleitas ao inferno, as famílias foram abençoadas! Afinal, o justo seria que todos fossem condenados ao inferno, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23). Logo, se em cada família só um fosse eleito ao céu e os demais condenados, seria uma bênção! Já seria mais do que a Justiça previa. (Helder Nozima)
Professor, vamos lá:

- O que eu afirmei é que, em Gênesis 12:3, o termo "famílias" é melhor traduzido por "nações";
- Que o termo "todas" pode ser entendido como "todo tipo de gente";
- Logo, eu nunca disse que Deus escolheu uma pessoa de cada família da terra. Veja bem o termo "Mas, mesmo que eu conceda". Eu levantei uma hipótese, como concessão, de que o versículo ensina que, literalmente, todas as famílias são abençoadas. Que, ainda que essa concessão fosse feita, Gênesis 12:3 não implica em livre-arbítrio universal. Afinal, se apenas uma pessoa de cada família fosse salva, todas as famílias (literalmente) teriam sido abençoadas.

Antes de falar da minha lógica, o professor deveria ser mais atento ao que eu falei. Acho que este é um princípio básico de interpretação de textos.

Toda essa confusão acontece porque o professor acredita que Gênesis 12:3 ensina o livre-arbítrio. O que diz o versículo?
Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)
Não preciso repetir o que já disse. Em Abrão, todas as famílias são abençoadas porque é de Abrão que vem o Senhor Jesus Cristo. Gálatas 3:8-9 comprova isso e também que o termo "famílias" é melhor entendido como "nações":
Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o Evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão.
Professor, repare:

1) Paulo traduziu "famílias" como "povos";
2) Paulo aplica o versículo à salvação dos gentios (que é realizada por Cristo);
3) Paulo diz que a bênção alcança somente os da fé ("os da fé são abençoados")!

Gênesis 12:3 foi interpretado pelo apóstolo Paulo e não foi aplicado por ele a todos os tipos de pessoa! Agora, pergunto: com quem devemos ficar: o apóstolo Paulo ou o notável Leandro Quadros?
E, em Genesis 12:3 é dito que, por meio da aliança de Deus com Abraão, “serão benditas todas as famílias da terra”. Todas significa TODAS mesmo e não apenas uma classe. Se Deus tivesse predestinado apenas aqueles com quem Ele “foi com a cara”, essa promessa a Abraão dirigida a todas as famílias da terra perderia o sentido. (Leandro Quadros em Se eu preciso “melhorar a pontaria”, o irmão Clóvis precisa pelo menos “mirar”)

Realmente, “todos” pode significar “todo tipo de gente”, de acordo com o grego “pas”. Mas, também significa todo mundo. Que critérios usar para saber quando a Bíblia quer passar um conceito ou o outro? A análise do contexto bíblico. Se 2 Pedro 3:9 afirma que Deus deseja que TODOS cheguem ao arrependimento, o que impede que no termo esteja incluído “todo tipo de gente”, inclusive os mais perversos? (Leandro Quadros em 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados...)
É, professor...tem que ter muita autoridade para divergir assim, tão de frente, com negrito e tudo do apóstolo Paulo! Admiro tanta "coragem", mas confesso que não a possuo.

Assim, fica claro que Gênesis 12:3 não se aplica a todos os homens e não diz que o livre-arbítrio existe.

A certeza de minha predestinação
Parece que o professor sente-se curioso a respeito de minha situação eterna. Segundo ele:
Diga-me uma coisa: como o pastor tem certeza de que foi predestinado para a salvação? De que maneira o senhor pode provar para si mesmo – com base na teologia que segue – que sua esposa e filhos (se os tiver) não foram predestinados para a perdição e que um dia não abandonarão ao Senhor por conta disso? Pensando nisso, como é para um calvinista desfrutar da esperança da salvação, inclusive para as pessoas que mais ama? Pergunto não em tom de desafio, mas, por curiosidade mesmo. (Leandro Quadros)
Professor, tenho certeza pelo testemunho interno do Espírito Santo ao meu espírito, como está escrito em Romanos 8:16:
O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. (Romanos 8:16)
O fato de eu ter fé em Cristo também é um indicativo, afinal, a fé não é algo que venha de mim, mas sim um presente que Deus me deu:
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus... (Efésios 2:8)
Além do mais, os eleitos até pecam, mas, de modo geral, sua vida honra e glorifica a Deus. Afinal, os réprobos são vasos de desonra e ira, mas os eleitos são vasos de honra e misericórdia na casa de Deus:
Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra, e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Romanos 9:21-24)
Como fui chamado para seguir o Evangelho, cri e tenho recebido muita, mas muita misericórdia da parte de Deus, esforçando-me para honrá-Lo (embora peque muitas e muitas vezes), creio na minha eleição. Mas creio muito mais é por causa do testemunho que o Espírito Santo me dá no coração.

Em relação à esposa e filhos, não sou casado, sou noivo. Tenho uma irmã incrédula (não nasci em lar evangélico, meus pais e meu irmão se converteram depois de mim). E não tenho como saber se minha irmã é predestinada ao céu ou não, nem se minha noiva se manterá firme nos caminhos do Senhor até o fim ou se meus filhos serão vasos de honra ou de desonra. Creio que, normalmente, Deus salva familiares de seus eleitos, especialmente os descendentes e o cônjuge, por causa de 1 Coríntios 7:14:
Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos.
No entanto, homens de Deus como Abraão, Isaque e Davi tiveram filhos réprobos, como foi o caso de Ismael, Esaú e Absalão. Deus é Soberano.

Meu coração se aperta por minha irmã e, sinceramente, tenho fé de que a verei salva. Mas, se isso não acontecer com ela, com minha noiva, com meus filhos...ou mesmo comigo...amém! Louvado seja o Senhor, Ele é justo e foi bom conosco, porque merecíamos nascer no inferno e Ele ainda permitiu que vivêssemos por um tempo num lugar melhor do que lá. Deus não tem que agir pensando, em primeiro lugar, na minha felicidade ou nos seres humanos, Ele tem que agir pensando é na glória d'Ele! E, se para a glória de Deus, alguém do meu próprio sangue tiver que ir para o inferno, vou sofrer, mas seja feita a vontade do Senhor. Afinal, devo amar mais ao Senhor do que a meus parentes:
Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:26)
Quer seja salvo, quer seja condenado, o que importa é que Deus seja glorificado! Todavia, creio que, não importa o que aconteça com minha irmã, noiva e demais parentes, Deus continua agindo para o meu bem:
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8:28)
Vou continuar a respondê-lo, professor. Mas só posso terminar esse post pedindo a oração dos irmãos para que eu dê testemunho de Cristo à minha irmã e dizendo:

SOLI DEO GLORIA! AMÉM!

O próximo post é este.

19 novembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte VI

A parte anterior da resposta está aqui.


Os versículos de escolha
Muitos não-calvinistas, como o professor Leandro Quadros, enxergam nos "versículos de escolha" uma defesa sólida do livre-arbítrio. No presente debate, o professor se valeu de Jeremias 21:8:
A este povo dirás: Assim diz o SENHOR: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte.
Sobre ele, diz o professor em seu artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados...
7) Portanto, com base no estudo correto dos textos acima (levando em conta Mateus 13:15), Jeremias 21:8 prova MUITA coisa. Especialmente que Deus colocou diante do povo de Israel (e coloca diante de nós) o caminho da vida e o caminho da morte. Se apenas alguns fossem predestinados para o caminho da vida, Deus não começaria o texto pedindo: “Digam a este povo…”.
No meu artigo Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade", disse que os versículos de escolha nada provam contra a predestinação:
6) Sobre os versículos de escolha, como Jeremias 21:8, lembro que às vezes Deus manda sim que a Palavra seja pregada a pessoas que não ouvirão. Ou melhor, Deus manda pregar para endurecer corações. Já leste Isaías 6:8-10? “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.” O versículo é citado em Marcos 4:11-12 com a clara idéia de que Jesus pregava por parábolas para que algumas pessoas não fossem salvas: “Ele lhes respondeu: A vós outros é dado conhecer o mistério do reino, mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam, ouçam e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”.

7) Logo, simplesmente apelar para versículos do tipo Jeremias 21:8, de escolher o caminho, não prova nada, pois os versículos acima mostram que o profeta Isaías e Jesus Cristo tiveram que pregar de modo que as pessoas não se convertessem. O sentido dessas pregações é o de aumentar a culpa dos ouvintes e aumentar a glória de Deus, por ter alertado até os que se perdem. Essa afirmação pode ser deduzida de Romanos 9:22, quando Paulo dá razões pelas quais Deus predestina algumas pessoas para a perdição: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Romanos 9:22-24)
Já discuti Isaías 6:8-10 e Marcos 4:11-12 nas partes anteriores da resposta. Abaixo, quero desenvolver melhor o raciocínio de porque os versículos de escolha não anulam a predestinação.

O problema do destinatário: justos e ímpios estão misturados
Uma das regras básicas de interpretação bíblica é identificar o destinatário da passagem. Ela é dirigida a uma pessoa em particular ou a todos os homens, de modo geral? Refere-se apenas a salvos ou a todas as pessoas?

No caso de Jeremias 21:8 e de, praticamente, todos os versículos de escolha da Bíblia, o destinatário do apelo é um grupo de pessoas que reúne tanto pessoas salvas como não-salvas, eleitos e réprobos. Em Jeremias 21:8, a ordem de Deus é que o profeta fale ao povo de Israel. E, como bem sabe qualquer um que tenha lido o livro, naquele tempo muitos judeus viviam em deslavada idolatria, pecando contra Deus.

Talvez o professor queira retrucar dizendo que se a palavra era para o povo de Israel, obviamente, era para salvos. Mas aí ele estaria ignorando uma verdade da Bíblia: que nem todo o que se diz israelita é, de fato, de Israel aos olhos do Senhor:
E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel, são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa. (Romanos 9:6-8)
No meio do Israel étnico, "segundo a carne", existiam os filhos da promessa, aqueles que foram escolhidos por Deus e outros, que não eram, aos olhos de Deus, verdadeiro Israel. Isso fica ainda mais claro quando se vê que, na parábola do trigo e do joio, os dois cereais estão juntos, de modo que não é possível separá-los de cara:
Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Querem que arranquemos também o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. (Mateus 13:28-30)
Isso vale não só para Israel, mas também para as cartas às igrejas do Novo Testamento. Não é porque uma pessoa levantou a mão e aceitou a Jesus, ou mesmo foi batizada, que ela é salva. Dentro da igreja, há trigo e joio, e até que eles amadureçam, não é possível distinguir um de outro com clareza. Gente que hoje parece joio, pode amadurecer e se revelar trigo. Gente que hoje parece trigo, mais na frente se revelará um pé de joio. Por isso, não podemos nos esquecer que quando as cartas são escritas, os dois grupos estão na mente do autor. Isso vale também para outros textos usados por não calvinistas, como Hebreus 6.

Ah, com um detalhe. O joio não vira trigo, nem o trigo vira joio. O trigo já nasce trigo, o joio já nasce joio, o tempo apenas revela os frutos, mas não muda a árvore. Em outras palavras, as pessoas já nascem predestinadas. Ou ao céu (trigo) ou ao inferno (joio).

Mas o professor talvez diga que ainda não provei nada. Afinal, como dizem muitos que desconhecem o calvinismo, se a pessoa é predestinada, seja ao céu ou seja ao inferno, não faz sentido dar qualquer alerta, porque o destino está traçado. Neste caso, é preciso lembrar outra doutrina bíblica e reformada:

Deus predetermina os meios para atingir os fins
Na caricatura popular feita do calvinismo, os não-calvinistas imaginam que Deus define o fim da História das pessoas (céu ou inferno) e que, não importa o meio do caminho, o fim será atingido. Na verdade, há um erro aí. O que a Bíblia ensina e os calvinistas também, é que Deus não define só o fim. Ele define também o caminho todo, incluindo todos os meios pelos quais uma pessoa será salva ou condenada.

Sim, professor. Os calvinistas não acreditam apenas que o destino eterno das pessoas é predestinado. Cremos que Deus escolheu e determinou, antes da eternidade, tudo o que acontece. Cada letra escrita por mim e pelo senhor já foi escrita por Deus antes mesmo que fosse dito: "Haja luz"! E a conseqüência disso é que Deus determinou que os eleitos fossem salvos por meio da pregação da Palavra. Por isso Jeremias tinha que dizer "Escolham entre o caminho da vida e o da morte". Afinal, por meio da pregação dele, os eleitos seriam salvos, porque isso foi predeterminado por Deus.

Como provo que o Senhor decretou todas as coisas? Bom, escrevi detalhadamente sobre isso em um outro post no blog 5 Calvinistas. O artigo pode ser lido clicando aqui. Mas, cito abaixo alguns versículos que provam essa doutrina:
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda. (Salmo 139:16)

Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos. (Jeremias 10:23)

nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade... (Efésios 1:11)
 
Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. (Mateus 10:29-30)
Por que pregar a Palavra se todos foram predestinados? Simples. Porque Deus determinou que é por meio da pregação que a fé viria, e assim, as pessoas seriam salvas:
Como porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. (Romanos 10:14-17)
A boa interpretação não pode anular versículos, deve harmonizá-los. Como harmonizar Romanos 10 com Romanos 9? Muito simples. A predestinação para a salvação e para a perdição existe, como ensina Romanos 9. A fé vem pela pregação, como ensina Romanos 10. Logo, é por meio da fé que Deus vai salvar os seus eleitos.

Por isso, caro professor, é necessário sim pregar, mesmo com o final já determinado por Deus. Daí a razão dos versículos de escolha. É quando Deus fala por meio deles que os predestinados ao céu são salvos e se revelam os filhos do diabo. Quando Jesus fala (e Ele fala hoje, pela Bíblia), as ovelhas dele o seguem:
Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas, de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. (João 10:2-6)
Quando a Palavra é pregada, ou quando lemos os versículos do tipo "escolha o caminho da vida ou da morte", na verdade, Jesus está falando, chamando as suas ovelhas. As que se sensibilizam e seguem a Cristo estão mostrando que são Suas ovelhas, enquanto quem não segue mostra que não é ovelha de Jesus, mas sim de outro pastor, o diabo. Se o pastor não chamá-las para conduzi-las para fora, elas continuarão misturadas.

Assim, Jeremias 21:8 não anula a predestinação. Lá, Jesus falou por intermédio do profeta Jeremias, segundo o meio predeterminado pelo Pai, para que fossem salvos os eleitos de Deus daquele tempo.

Mais posts no forno, professor. Aguarde!

O próximo post é este.

17 novembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte V

A parte anterior da resposta está aqui.


Deus endurece corações?
A idéia de que Deus endurece os corações humanos é uma outra coisa que o professor Leandro não entende. Ao invés de refutar toda a minha base bíblica apresentada (Romanos 9, por exemplo), Quadros optou por ignorar o que eu disse e lançar um ataque. Vejamos o primeiro o que eu falei no post "Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
6) Sobre os versículos de escolha, como Jeremias 21:8, lembro que às vezes Deus manda sim que a Palavra seja pregada a pessoas que não ouvirão. Ou melhor, Deus manda pregar para endurecer corações. Já leste Isaías 6:8-10? “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.” O versículo é citado em Marcos 4:11-12 com a clara idéia de que Jesus pregava por parábolas para que algumas pessoas não fossem salvas: “Ele lhes respondeu: A vós outros é dado conhecer o mistério do reino, mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam, ouçam e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”.

7) Logo, simplesmente apelar para versículos do tipo Jeremias 21:8, de escolher o caminho, não prova nada, pois os versículos acima mostram que o profeta Isaías e Jesus Cristo tiveram que pregar de modo que as pessoas não se convertessem. O sentido dessas pregações é o de aumentar a culpa dos ouvintes e aumentar a glória de Deus, por ter alertado até os que se perdem. Essa afirmação pode ser deduzida de Romanos 9:22, quando Paulo dá razões pelas quais Deus predestina algumas pessoas para a perdição: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Romanos 9:22-24) (Helder Nozima)
A resposta do professor no artigo "48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados" foi:
Como Cristo iria pregar para alguns “endurecerem o coração” se a Bíblia diz que a fé “vem pelo ouvir a Palavra de Deus? (Romanos 10:9). Como o Salvador pregaria para alguns se perderem se a Bíblia é tão poderosa que chega a ser comparada em Hebreus 4:12 a uma espadada de dois gumes que penetra no íntimo do ser?

Se o senhor contextualizasse Isaías 6:8-10 e Marcos 4:11, 12, não teria dito tamanha barbaridade. Bastaria ler Mateus 13:15 e chegaria à conclusão de que o endurecimento do coração não vem de Deus e nem da Bíblia (Livro transformador), mas, da própria pessoa. Quanto mais um incrédulo (que não quer se arrepender) houve da Bíblia, mais duro ele fica. O problema não reside na Divindade, mas, no indivíduo, no “vaso” que recebe o Espírito. Vou transcrever o texto. Atente para os grifos:

“Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.” Mateus 13:15.

DE MAU GRADO o povo endureceu o coração, fechou os ouvidos e os olhos. Não foi Deus quem o fez. E, no mesmo verso é dito que Deus gostaria que eles se convertessem e fossem curados por Ele.

Relembro que tal texto é paralelo a Isaías 6:9, 10…(Leandro Quadros)
Será que Deus não endurece mesmo os corações? O que dizer, então, de Êxodo 7:3?
Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. (Êxodo 7:3)
Será um lapso de Moisés, teria ele escrito errado o que o Senhor o disse? Creio que não. Até a quinta praga, de fato, a Bíblia diz que o Faraó endureceu o seu próprio coração. Mas, a partir da sexta praga, começamos a ler:
Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e este não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés. (Êxodo 9:12)

O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel. (Êxodo 10:20)

O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não quis deixá-los ir. (Êxodo 10:27)

Moisés e Arão fizeram todas essas maravilhas perante Faraó; mas o SENHOR endureceu o coração de Faraó, que não permitiu saíssem da sua terra os filhos de Israel. (Êxodo 11:10)

Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse os filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram afoitamente. (Êxodo 14:8)
Nossa, professor, quantos versículos não? Todos dizendo claramente que Deus endureceu o coração de Faraó! Mas, talvez o senhor queira dizer que Faraó é uma exceção. Ora, não seja por isso! Eis que Deus endurece o coração de todo o Egito para acompanharem o seu rei endurecido:
Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos... (Êxodo 14:17)
Eu é que pergunto, professor. À luz dos textos acima, como pode o senhor afirmar, tão confiantemente que eu "chegaria à conclusão de que o endurecimento do coração não vem de Deus e nem da Bíblia (Livro transformador), mas, da própria pessoa."?

Mas ainda é preciso responder às indagações do professor: "Como Cristo iria pregar para alguns “endurecerem o coração” se a Bíblia diz que a fé “vem pelo ouvir a Palavra de Deus? (Romanos 10:9). Como o Salvador pregaria para alguns se perderem se a Bíblia é tão poderosa que chega a ser comparada em Hebreus 4:12 a uma espadada de dois gumes que penetra no íntimo do ser?"

Em primeiro lugar, a fé vem sim pelo ouvir a Palavra de Deus. Concordo. Agora, Romanos 10:9 não diz que Deus não endurece corações. O professor erra muito por querer por nos versículos coisas que eles não dizem. Eu mostrei, claramente, que Deus endurece sim corações, e ainda não usei o último versículo sobre este assunto. Tampouco diz que todos os que ouvem crêem, ou algo assim. Portanto, pergunto, para quê citar o versículo?

A mesma coisa de Hebreus 4:12. Sim a Bíblia é comparada a uma espada (espadada, acho que só na Bíblia do professor) de dois gumes, e penetra sim até o mais profundo do ser. Mas, de novo, onde está escrito lá que Deus não endurece corações? Como o professor infere isso?

Creio que o professor não aceite o que está escrito e acabe criando contradições bíblicas. O professor diz que Deus não endurece corações, que as pessoas é que endurecem. Tudo bem, concordo que as pessoas se endureçam. Reconheço que, em Mateus 13:15 o povo ouviu de mau grado.

Mas não posso fechar os olhos para tantos versículos onde se fala de um Deus que endurece os corações. Ainda mais quando leio na Bíblia que Deus pode sim dar olhos para ver e ouvidos para ouvir...e, simplesmente, recusar-se a fazer isso: como está escrito:
Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje. E diz Davi: Torne-se-lhes a mesa em laço e armadilha, em tropeço e punição; escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas. (Romanos 11:8-10)

Porque o SENHOR derramou sobre vós espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, que são os profetas, e vendou a vossa cabeça, que são os videntes. (Isaías 29:10)
Veja só, professor, o apóstolo Paulo explica que os judeus não se convertiam porque Deus deu a eles:

- Um espírito de entorpecimento;
- Olhos que não veem;
- Ouvidos que não ouvem.

Baseando-se nisso no profeta Isaías. Explique-me, então, como é possível Deus não fazer o que está escrito na Bíblia que Ele faz? Talvez o senhor tenha uma Bíblia diferente da minha, superior, onde está escrito o contrário do que está na minha. Se este é o caso, por favor, disponibilize essa nova revelação, para que não cometa erros primários nem o acuse mais de por "na boca da Bíblia" aquilo que ela não diz.

Fecho, com mais um versículo que gostaria que o senhor me explicasse, interpretando-o para dizer que Deus não endurece corações:
Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (Romanos 9:18)
Louvado seja Deus, que tem pleno poder sobre todos os corações humanos! Exaltado seja o Deus Único, porque meus olhos e ouvidos só podem ver e ouvir, se, e somente se, Ele assim o desejar! Soli Deo Gloria!

No mais, calma, professor. Ainda há muitos posts no forno...

Leia aqui o próximo post.

13 novembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte IV

A parte anterior da resposta está aqui.


Minha interpretação "blasfema"
O professor Leandro Quadros critica minha interpretação de Isaías 6:8-10 e Marcos 4:11-12. Para ele, chego quase à blasfêmia:
Com todo o respeito por sua pessoa, a interpretação que deu a Isaías 6:8-10 e Marcos 4:11, 12 chega a ser blasfema. Não creio que tenha sido intencional, mas, é algo terrível afirmar que Cristo “pregava por parábolas para que algumas pessoas não fossem salvas”. Que visão limitada da salvação, pastor! Como um servo de Deus, ministro da Palavra, irá negar João 3:16 que diz estar a salvação disponível a todo aquele que nEle crê? Como deixar de lado 2 Pedro 3:9 onde é registrado o desejo de Deus de que “ninguém pereça [NINGUÉM É NINGUÉM MESMO!], mas que todos [TODOS é TODOS mesmo! Veremos adiante os significados do termo no grego] cheguem ao arrependimento? (Leandro Quadros)
Bom, por partes. Primeiro, quero colocar abaixo Isaías 6:8-10 e Marcos 4:10-12:
Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo. (Isaías 6:8-10)

Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas. Ele lhes respondeu: A vós outros é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles. (Marcos 4:10-12)
Existem versículos que são duros, mas estão ali na Bíblia. A minha interpretação "blasfema" diz apenas o que está escrito:
6) Sobre os versículos de escolha, como Jeremias 21:8, lembro que às vezes Deus manda sim que a Palavra seja pregada a pessoas que não ouvirão. Ou melhor, Deus manda pregar para endurecer corações. Já leste Isaías 6:8-10? “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.” O versículo é citado em Marcos 4:11-12 com a clara idéia de que Jesus pregava por parábolas para que algumas pessoas não fossem salvas: “Ele lhes respondeu: A vós outros é dado conhecer o mistério do reino, mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam, ouçam e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”. (Helder Nozima)
Não altero uma letra do que digo, quase que só repeti o versículo. E João 3:16 e 2 Pedro 3:9 não negam a minha interpretação. Um versículo pode até revogar a outros, mas não os anula. A verdade bíblica é equivalente tanto em Marcos 4:11-12 como em João 3:16. Mas será que não há conflito?

João 3:16
Diz assim o versículo mais conhecido da Bíblia:
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Às vezes é bom começar dizendo o que o versículo não diz. João 3:16 não afirma:

- Que Deus não endurece pessoas;
- Que Jesus não contava parábolas para evitar que alguns entendessem e fossem convertidos;
- Que a predestinação é para todos;
- Que alguém que não é predestinado crê.

O que talvez leve o professor e muitos arminianos a, erradamente, usarem o versículo contra calvinistas são as seguintes afirmações, essas sim, de João 3:16:

- Deus amou o mundo;
- Todo o que crê em Jesus não perece, mas tem a vida eterna.

Nenhuma das duas afirmações contesta o ensino da predestinação. Deus ama o mundo não quer dizer, necessariamente, amou a todas as pessoas individualmente ou que Ele ama a todos de modo igual. Amar o mundo significa que Deus amou a criação que Ele fez, amou a humanidade de forma geral e decidiu salvá-la. Mas não diz que Deus decidiu salvar a todas as pessoas, ou que Ele deu uma opção para cada ser humano...nada disso está escrito em João 3. Essas idéias são colocadas no texto pelos outros, o que, teologicamente, é chamado de eisegese.

Que Deus não ama a todos, pode ser inferido de alguns textos:
Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. (Romanos 9:13)

Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? - disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. (Malaquias 1:2-3)

Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniqüidade. (Salmo 5:5)

O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. (Salmo 11:5)
E nem adianta dizer que a maioria é do Antigo Testamento, porque Deus não muda.
Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. (Tiago 1:17)
Logo, temos que conciliar João 3:16 com os versículos citados, uma vez que Deus não muda. E aí, temos o seguinte:

- Deus ama o mundo;
- Deus aborreceu a Esaú (aborrecer pode ser traduzido como odiar);
- Deus aborrece todos que praticam a iniqüidade;
- A alma de Deus abomina quem ama a violência.

Não dá, portanto, para dizer que João 3:16 ensina que Deus ama a todas as pessoas individualmente ou de modo igual. Dá sim, para afirmar que Deus amou o mundo, enquanto conjunto de pessoas, criação, mas não "toda pessoa da Terra". Pode ser duro, pode ser que o leitor nunca tenha atentado para isso antes...mas é exatamente o que a Bíblia ensina. O clichê do "Deus odeia o pecado, mas ama ao pecador", é errado, como pode ser visto aqui.

O professor, que diz ser um grande exegeta, revela-se, pois, um grande eisegeta, colocando sua visão pessoal e tradição adventista na interpretação do versículo.

E quanto ao "todo aquele que nele crê"? Mais simples ainda. João 3:16 não fala que todas as pessoas têm a oportunidade de crer ou não, fala só que os que crêem não perecem. Aí os calvinistas respondem: certíssimo! Sabe por quê? Porque apenas os realmente predestinados crêem.

Sim, afinal, é Deus quem dá a fé:
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus...(Efésios 2:8)
O arrependimento também não vem de nós, mas sim de Deus:
Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Romanos 2:4)
Nem mesmo o amor vem de nós mesmos, mas é dado pelo Espírito Santo:
Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. (Romanos 5:5)
Se a fé, o arrependimento e o amor vem de Deus, então só podemos crer, nos arrepender e amar se Deus nos der estas coisas. Na verdade, se o Pai não levar uma pessoa até Jesus, é impossível que ela se converta, como diz o próprio Jesus:
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (João 6:44)

Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. (Mateus 11:27)
Sim, Leandro, todos os que crerem não perecerão. Mas só é possível ter fé, se Deus der o dom. Só nos arrependemos, se o Senhor for bondoso conosco. Só amaremos com o amor de Deus, se o Espírito quiser. Mais do que isso, jamais iremos até Jesus se o Pai não nos trouxer. E ninguém pode ir ao Pai se Jesus não quiser revelar.

Pergunto, como diante de tantas provas, o professor ainda tem a coragem de achar que nós podemos escolher a salvação?

2 Pedro 3:9
Para entender 2 Pedro 3:9, gostaria de citar 2 Pedro 3:8-10:
Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. (2 Pedro 3:8-10)
Aqui, Pedro está falando aos cristãos sobre o último dia. Ele está dizendo a cristãos que a promessa de Deus para eles, da vinda de Jesus, estava próxima e não seria demorada. É um consolo para uma igreja perseguida, que aguarda como promessa a vinda de Jesus. Não é a ímpios ou a homens de modo geral que fala o apóstolo: afinal, para os ímpios, o Dia do Senhor não é promessa, mas sim ameaça.

Dito isso, vamos ao versículo 9. Pedro diz:

- Que Deus não retarda a sua promessa, embora alguns achem que ela demore;
- Que Ele é longânimo para convosco. Aqui, meus caros, falando de Juízo, Pedro só pode estar falando de salvos! Como o Juízo pode ser prova de longanimidade a todos os homens?
- Que Deus não quer que nenhuma das pessoas com quem Ele é longânimo pereça, ou seja, os salvos.
- Que Deus quer, portanto, que os salvos cheguem ao arrependimento.

Mas Quadros dá muito valor a 2 Pedro 3:9 em sua argumentação:
Realmente, “todos” pode significar “todo tipo de gente”, de acordo com o grego “pas”. Mas, também significa todo mundo. Que critérios usar para saber quando a Bíblia quer passar um conceito ou o outro? A análise do contexto bíblico. Se 2 Pedro 3:9 afirma que Deus deseja que TODOS cheguem ao arrependimento, o que impede que no termo esteja incluído “todo tipo de gente”, inclusive os mais perversos? (Leandro Quadros)
A resposta é: o contexto. Como expliquei acima.

Mas, ainda que eu fizesse uma concessão e concordasse (erradamente, aliás) que 2 Pedro 3:9 refere-se a todos os homens, ainda assim a predestinação permanece. Eu já disse isso antes, mas não custa repetir: Deus quer não é igual a Deus faz e nem a Deus dá uma chance a todos. Deus quer, mas o inferno existe e pessoas serão condenadas. Não é porque Deus quer alguma coisa que Ele, necessariamente, a faça. E, se fosse assim, então todos seriam salvos. Afinal, o desejo de Deus não é esse, Leandro? Então, por que não é assim?

Louvado seja Deus, porque eu não o queria, não o escolhi, mas Ele me escolheu. Louvado seja Deus porque Ele me deu fé, me conduziu ao arrependimento e derramou amor em meu coração. Louvado seja o Pai porque me levou ao Filho, e o Filho porque revelou o Pai a mim. Louvado seja Deus, porque eu não fiz nada, absolutamente nada para ser salvo, e porque Ele fez tudo!

Soli Deo Gloria!

Continuo depois. Ainda há mais posts no forno. O próximo é este.