19 fevereiro 2009

Precisa de um acampamento para o Carnaval?

Se você mora em Brasília e região e está à procura de um lugar para acampar com a igreja ou para passar um dia ou dois, sei de um ótimo acampamento que está disponível ainda para o Carnaval de 2009. É o Acampamento Dorcas, que fica pertinho da entrada de Santo Antônio do Descoberto-GO.

O acampamento não é meu, nem da minha igreja, mas é administrado por um pastor amigo meu, que me contou dessa dificuldade. Se você quiser o telefone desse pastor para ter informações sonre o retiro, deixe um comentário neste post, com um telefone para contato.

Os comentários aqui são moderados...portanto, quando você puser o seu telefone, eu vou ler, ligar para você (ou repassar o seu telefone para o Pr.Tércio) e apagar o seu comentário. Desta forma, o seu telefone não ficará exposto na Internet.

18 fevereiro 2009

Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram

mas, como está escrito: nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. (1 Coríntios 2:9)

Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera. (Isaías 64:4)
Um dos versículos mais populares da Bíblia, citado até mesmo em canções é 1 Coríntios 2:9. Pregadores da Teologia da Prosperidade encorajam seus ouvintes a sonharem com coisas que eles jamais sonharam...porque é isso o que Deus preparou para aqueles que o amam...e, nessa visão, pode ser desde um BMW até uma mansão na Riviera Francesa. Outros pregadores, mais tradicionais, usam o versículo acima para se referir ao céu e às bênçãos pós-morte. O texto, dizem, nos mostra que não sabemos que tipo de bênçãos receberemos no céu.

Porém, será que é isso mesmo o que 1 Coríntios 2:9, citando Isaías 64:4, quer dizer? Bom, uma regra simples da interpretação bíblica nos diz que devemos ler o texto dentro do contexto. Em outras palavras, devemos, no mínimo, ler o versículo dentro de uma unidade textual maior que faça sentido: a perícope. E, vendo o contexto, o que descobrimos?

1) Já sabemos aquilo que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Ahn, como...mas o texto não diz que nós não sabemos o que Deus preparou...que nem olhos viram e nem ouvidos ouviram? Sim...isso é o que diz 1 Co 2:9. Mas, você já leu o versículo 10?
Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.
Ou seja, por meio do Espírito Santo, sabemos que tipo de coisas "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram". Isso não está oculto, foi revelado. Mais precisamente na Bíblia, que é a Palavra de Deus.

Claro que isso não significa que saibamos de todos os detalhes. Por exemplo, não sabemos exatamente como será a vida em novos céus e na nova terra...mas temos o quadro geral.

2) 1 Coríntios 2:9 refere-se ao Evangelho, à salvação de Cristo na cruz. Agora que lemos 1 Coríntios 2:10, é hora de ler 1 Coríntios 2:1-8:
Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.
O que Paulo está dizendo? Ele contrasta dois tipos de sabedoria. A deste século e a dos poderosos desta época acabou crucificando a Jesus. Paulo não ostentou esse tipo de sabedoria quando pregou o Evangelho...e ela não deve ser a base da fé da Igreja. A fé deve se basear no poder de Deus...em Jesus Cristo e neste crucificado. O Cristo crucificado é a pregação paulina, é a sabedoria de Deus em mistério, preordenada desde a eternidade, para a glória dos eleitos, mas que estava oculta. Veja bem...estava...outrora oculta. Mas, agora, ela foi revelada pelo Espírito.

Que Paulo fala do Evangelho, fica mais claro quando lemos o contexto remoto, o que está escrito em outros textos, como Efésios 3:8-9:
A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas... (Efésios 3:8-9)
Portanto, agora, quando você cantar, pregar ou falar sobre aquilo que "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram", você saberá como entender corretamente o ensino de 1 Coríntios 2:9.

15 fevereiro 2009

O mito da reputação inquestionável dos cristãos

O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? (Mateus 10:24-25)
O "bom testemunho" e a paz com todos os homens são duas metas perseguidas pelos cristãos sinceros. A maturidade cristã envolve a busca de uma conduta irrepreensível e do relacionamento cordial com o maior número possível de pessoas. Uma conseqüência esperada é a de que, dentro e fora das igrejas, sejamos conhecidos como pessoas de caráter, de boa moral e conduta e tenhamos, de certa forma, aprovação popular. Achamos que isso seria muito bom, por exemplo, na evangelização. Afinal, a igreja de Jerusalém gozava de aprovação popular: "louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo" (Atos 2:46).

Mas, é preciso entender o "todo o povo" como uma figura de linguagem, um modo de falar. Os sacerdotes e fariseus odiavam os apóstolos. De fato, o ódio de certas seitas dos judeus (At 6:9), de anciãos, escribas e do povo (At 6:12) chegou a ser tão grande que eles mataram a Estêvão:
Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele. (...) E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! (Atos 7:54, 59)
Quando lemos a Bíblia, vemos que a simpatia e aprovação popular, dentro e fora das igrejas, não é exatamente uma regra. A mim, parece-me que é muito mais fácil encontrar textos onde os homens de Deus sofrem, são perseguidos e até mesmo possuem uma reputação ruim do que o contrário. Como diz a Bíblia: Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. (2 Timóteo 3:12) Por que isso acontece?

Porque os homens maus se opõem à vontade de Deus. Eles estranham o comportamento dos cristãos, e por isso, falam mal deles:
Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão (1 Pedro 4:4)
Na verdade, o mundo vai além de apenas difamar. Como as obras de Cristo são diferentes das obras do mundo, os cristãos podem ser odiados e até mortos:
Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. (1 João 3:11-13)
Desta forma, o mito da "reputação inquestionável" dos cristãos só vale para os falsos cristãos. Aqueles que verdadeiramente seguirem a Jesus, com certeza serão odiados, perseguidos e ofendidos por outros:
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. (João 15:18-20)
Além de ser chamado de Belzebu pelos fariseus, Jesus também era chamado de guloso e beberrão...e não era um elogio:
Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras. (Mateus 11:19)
Mesmo na igreja, o problema se repetia. Paulo era apóstolo, mas era criticado por vários irmãos, principalmente em Corinto:
As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. (2 Coríntios 10:10)
Por que é importante rever esses versículos e discutir o assunto? Porque, mesmo quando evangelizamos, precisamos entender que não vamos agradar a todos. O termômetro da santidade não é o da aprovação popular, seja o louvor do mundo ou mesmo os aplausos da igreja. O bom testemunho é aquele que é segundo a Palavra de Deus. Se, por obedecermos à Palavra, formos perseguidos e injuriados dentro e fora da igreja, amém. Isso é bom testemunho. O que importa é termos a aprovação de Deus, não a dos homens. E, se Deus nos aprovar, ainda que todos falem mal de nós, o Senhor nos usará para transformar a vida de outros, por meio do evangelismo e do nosso viver diário.

11 fevereiro 2009

A regra da contradição aparente: chave para entender a soberania de Deus e a liberdade do homem

Ó SENHOR, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança. (Isaías 63:17)

Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (Romanos 9:16-18)

Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida. (João 5:40)
Um dos mistérios da doutrina da soberania de Deus é entender como conciliar as idéias trazidas pelos versículos acima. Afinal, é Deus quem endurece o coração dos ímpios (e, às vezes, até mesmo o coração dos justos, segundo Isaías) ou somos nós que nos recusamos a ir até Deus?

As duas coisas. Existe uma regra de interpretação bíblica que chamo aqui de "regra da contradição aparente". Quando a Bíblia faz afirmações que sejam aparentemente contraditórias, e cuja conciliação não for possível, devemos afirmar, com igual ênfase, os dois lados do paradoxo. Essa é a regra usada, por exemplo, na formulação da doutrina da Trindade. Deus é um, mas isso não parece harmônico com a idéia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam pessoas distintas, e sejam, ao mesmo tempo, Deus. A mente humana não concilia adequadamente as duas idéias, mas a Bíblia não vê problema em colocá-las uma do lado da outra. Quando isso acontece, devemos fazer como a Bíblia faz, e afirmar os dois lados.

É isso o que faz o calvinismo. A Bíblia ensina que pecamos porque queremos, que os réprobos rejeitam a Cristo de livre e espontânea vontade, mas também fala que é Deus quem endurece o coração dos que serão condenados ao inferno. Não precisamos afirmar apenas um dos lados, o correto é ensinar as duas coisas. Se assim fizermos, resolvemos a contradição aparente e entendemos um pouco melhor a relação entre a soberania de Deus e a liberdade do homem.

P.S: Sei que alguns calvinistas vão querer jogar pedras em mim por usar o termo "liberdade", ao invés de "responsabilidade", que, como diz Lutero, somos "nascidos escravos". Mas cabe sim o uso de "liberdade" aqui. Tanto justos, como ímpios, pecam porque quiseram pecar, porque o desejaram, porque assim escolheram, e, nesse sentido, usaram a sua liberdade para o mal. Uma palavra pode ter várias conotações, e não falo aqui de liberdade em termos absolutos, inclusive para ir contra a própria natureza, mas sim da liberdade de escolha cotidiana do dia-a-dia, a chamada "livre agência".

08 fevereiro 2009

Por que nós devemos apoiar o ensino do criacionismo nas escolas evangélicas?

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. (Hebreus 11:1-3)

De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. (Hebreus 11:6)
2009 é o ano em que se comemoram os 150 anos de publicação do livro "A Origem das Espécies", de Charles Darwin. E também é o ano em que a mídia brasileira, principalmente jornais e revistas (destacadamente a Veja), se levantou para "denunciar" o ensino do criacionismo em escolas evangélicas. Essa denúncia se tornou ainda mais premente quando o Instituto Presbiteriano Mackenzie, uma tradicional e renomada instituição evangélica de ensino, começou a ensinar o criacionismo nas aulas de ciência e a mostrar o evolucionismo como sendo uma teoria, uma opção científica, e não uma lei inquestionável da ciência.

Não vou fazer aqui a defesa pedagógica da escolha do Mackenzie. Teólogos muito mais capacitados que eu, como o Diretor de Ensino e Desenvolvimento do Mackenzie, Pb. Francisco Solano Portela já fizeram isso. Para ler, basta clicar aqui.

O meu objetivo neste post é outro. É mostrar porque nós evangélicos devemos apoiar o Mackenzie e outras instituições, evangélicas ou não, em sua opção pelo ensino do criacionismo.

1) Porque a revelação bíblica e a ciência não são incompatíveis. Muito pelo contrário. Se realmente acreditamos no que a Bíblia ensina, precisamos acreditar que ela é confiável e verdadeira, inclusive em suas afirmações científicas. Além do mais, a Bíblia não assume uma atitude antiintelectual, de condenação à verdade. Ao contrário, a Bíblia encoraja o estudo e mostra o interesse de grandes homens de Deus por assuntos "científicos":
Porque melhor é a sabedoria do que jóias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11)

Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar (...) Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes. (1 Reis 4:29, 32-33)

Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos. (Daniel 1:17)

Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. (Tiago 1:5)
Os evangélicos não devem ser contrários à ciência, antes devem vê-la como aliada. Agora, é preciso entender os próximos pontos.

2) Sem Deus, a ciência sempre encontrará um limite. Aqueles que vêem na ciência a fonte última e definitiva da verdade, vão se enganar. Em primeiro lugar porque as leis e postulados da ciência são provisórios. À medida em que a ciência evolui, conhecimentos dados como certos podem se revelar duvidosos ou completamente errados. O tratamento de doenças com sanguessugas é um bom exemplo disso. Em segundo lugar, porque há limites para a investigação científica. Em princípio, não é possível reproduzir em laboratório as condições de surgimento do Universo, assim como não é possível observar partículas menores que uma certa dimensão, entre outros. A tecnologia venceu e pode vencer várias limitações, mas é de se questionar se ela, de fato, pode avançar ao ponto de superar todos os limites de observação e investigação existentes. Em terceiro lugar, tocando mais no caso do evolucionismo, porque certas afirmações tidas como científicas não foram, até agora, comprovadas. Por exemplo, os evolucionistas admitem a idéia de que a vida surgiu a partir de uma organização cada vez mais complexa de moléculas orgânicas. Pois bem, que cientista conseguiu produzir um organismo vivo de uma molécula orgânica complexa? Ao que me consta, a abiogênese é uma hipótese a ser comprovada. Em quarto lugar, porque a ciência é uma interpretação de fatos. O que existe não é o darwinismo ou o criacionismo, o que existem são os seres vivos, os fósseis, substâncias químicas e outros fatos. Tanto o darwinismo como o criacionismo são discursos, interpretações de fatos...que permanecem "válidos" até que se consiga uma interpretação que explique melhor as coisas. E há problemas, por exemplo, no registro fóssil, que mostra muito menos espécies de transição do que os evolucionistas gostariam. Até porque, parece que a evolução se dá em "saltos", e não de forma gradual quando se vêem as evidências fósseis. (Para mais informações, "Como Tudo Começou?", de Adauto Lurenço, Editora Fiel).

O homem precisa admitir que ele é finito e limitado. Em conseqüência, a ciência também o é. A razão, idem. Ciência e razão só podem ir até um certo ponto, principalmente se Deus for excluído. Se não há Deus, a vida surgiu como daquilo que não é vivo? Se não há Deus, como explicar que, em tantas probabilidades, a que prevaleceu foi a que gerou tamanha diversidade de espécies funcionais? E, mesmo quando o design não parece inteligente, precisamos nos lembrar que o pecado trouxe imperfeições à criação divina:
Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. (Romanos 8:19-20).
Apelação? Não, é apenas uma outra forma de se explicar os fatos. Ah, mas como explicar o tamanho do Universo, as camadas geológicas, entre outros? A Bíblia mostra Deus criando um Universo maduro, assim como Adão já foi feito homem. A luz, por exemplo, pode ter sido criada "a caminho"...outros argumentos, desenvolvidos por quem tem mais autoridade que eu, podem ser achados em livros e sites específicos.

Se somos evangélicos e acreditamos na Bíblia, precisamos aceitar os limites da ciência e compreender que é só em Cristo que podemos entender tudo. Como está escrito:
(...) Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. (Colossenses 2:2b-3)
3) Rejeitar o criacionismo é rejeitar a fé em Cristo e desagradar a Deus. Para os que se dizem cristãos, esse ponto é o mais importante de todos, e se baseia nos versículos que abrem esse post. A criação do mundo pela Palavra pode ser provada cientificamente? Segundo a Bíblia, não. Entendo que isso acontece pelos próprios limites da ciência. Não podemos voltar no tempo e ver o início. Não podemos reproduzir em laboratório a hipótese "um ser onipotente fez tudo do nada por meio de sua palavra". Acreditar nisso é uma questão de fé. A mesma fé que os antigos tiveram em Deus e que deve existir nos que buscam ao Senhor, se quisermos agradá-Lo. Desta fé depende até a nossa crença na divindade de Cristo, porque Jesus apela para Adão e Eva quando vai tratar do divórcio:
Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? (Mateus 19:4-5)
Jesus tinha fé de que Deus era o Criador, e que Ele nos fez (não nos evoluiu) homem e mulher. Se o criacionismo está errado, a nossa fé cai junto com o criacionismo, e aí não há razão de existirem escolas evangélicas, igrejas evangélicas ou mesmo fé evangélica.

Por estas razões, devemos sim apoiar o ensino criacionista nas escolas. Se apenas o evolucionismo é ensinado, a fé cristã é mostrada como obscurantismo e charlatanismo. No entanto, é preciso que as pessoas saibam que mestres e doutores, em países como Estados Unidos, Portugal e até na Unicamp, aqui no Brasil, professam o criacionismo e repudiam o evolucionismo, e são cientistas! Que existem vários buracos que o evolucionismo também precisa explicar (e que podem ser vistos em boa literatura sobre o assunto). É na educação que se ganham as batalhas ideológicas do futuro.

Por isso, se puderem...matriculem seus filhos em escolas evangélicas boas e sérias. Dediquem-se a estudar ciência, de modo profundo, e ouçam os argumentos de cientistas criacionistas. Comprem livros sobre o assunto, bloguem, escrevam artigos sólidos sobre isso. Essa é uma batalha que vale a pena lutar!

07 fevereiro 2009

Geração perversa: cem jovens assistem à briga de gangues em Brasília

Não tenhas inveja do homem violento, nem sigas nenhum de seus caminhos; porque o SENHOR abomina o perverso, mas aos retos trata com intimidade. A maldição do SENHOR habita na casa do perverso, porém a morada dos justos ele abençoa. (Provérbios 3:31-33)

A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:13-18)
Um dos meus desenhos favoritos é o "Static Shock", ou "Super Choque", como ficou conhecido no Brasil. O herói vive em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, e perdeu a mãe durante um tiroteio entre gangues de adolescentes. Os maiores inimigos de Virgill Hawkins são os "transformados", adolescentes, assim como ele, só que com superpoderes e ligados a violência das gangues.

Brasília não é Dakota, mas ontem, dia 6 de fevereiro, cerca de cem jovens foram assistir a uma briga de gangues, marcada pela Internet, no Parque da Cidade, a maior área pública de lazer do Distrito Federal. A briga era entre moradores de regiões nobres e de classe média de Brasília: Asa Sul e Asa Norte contra Sudoeste e Cruzeiro. Trinta pessoas foram presas e encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente, todas estudantes de escolas particulares.

O fato, lamentável, mostra que a violência não é apenas uma questão socioeconômica, como parecem defender muitos intelectuais do nosso país. Os ricos e mimados também são violentos: queimando moradores de rua, espancando pessoas em pontos de ônibus, marcando (e filmando) brigas de gangues e colocando o material na Internet. Professores de escolas particulares também são vítimas da violência dos alunos. Em uma escola evangélica de Brasília, alunos do ensino médio fizeram uma brincadeira com um professor, que acabou tendo que fazer fisioterapia por causa de dores na coluna geradas pela "brincadeira", enquanto seus alunos riam e gargalhavam, ao invés de condenarem o ato lamentável. O bullying é muito comum nessas escolas, e o autor do artigo sofreu várias vezes esse tipo de violência, seja no Colégio Militar ou em escolas particulares.

Por que essas coisas acontecem? Por que pessoas bem de vida, educadas, com família, se entregam a esse tipo de violência?

1) A violência é fruto da natureza depravada do homem. Precisamos entender que a violência é, antes de tudo, um problema de ordem espiritual e moral. Em Romanos 3:10-18, Paulo descreve o estado natural do homem sem Deus. O retrato é marcado por corações que amam o mal, línguas venenosas, prontidão para fazer o mal (pés velozes, ou seja, prontos para derramar sangue) e ausência de temor a Deus. O texto nos mostra que, independente de nossa condição econômica ou educacional, o mal, a violência, o desejo de ferir, tudo isso faz parte de nossa natureza. Para vencer definitivamente a violência, é preciso que Cristo mude o interior dos homens, como está escrito "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". (2 Coríntios 5:17)

2) A violência é fruto da falta de temor ao Senhor e do medo da punição. Os adolescentes que se metem nesse tipo de briga, que ofendem os professores ou fazem bullying em seus colegas estão confiantes de que não serão punidos pelo que fizeram. Podem até mesmo matar, que cumprirão, no máximo, uma pena de três anos de medidas socioeducativas e sairão como réus primários, sem antecdentes criminais quando atingirem a maioridade, os 18 anos. Além disso, a imagem que a sociedade tem sobre Deus é que Ele é um Ser distante, perdoador e frouxo na hora de punir os maus. Como diz Paulo, são pessoas sem o temor do Senhor nos olhos. Se esses adolescentes temessem a Deus, considerariam que Ele abomina os perversos e os amaldiçoa. Assim sendo, teriam medo do castigo divino. Mas uma geração que não teme a justiça dos homens, como pode temer a justiça divina? A solução para este problema está no próximo ponto:

3) A violência é fruto da falta de educação familiar. O livro de Provérbios é estruturado na forma de conselhos ou instruções de um pai ao seu filho. Ou seja, Provérbios mostra um pai explicando ao seu filho porque ele não deve amar o caminho da violência. Mas não basta apenas falar e aconselhar. Crianças e adolescentes precisam aprender, desde cedo, que seus atos geram conseqüências e devem ser punidos, inclusive fisicamente. A vara, embora seja um método violento de educação, é muito útil para afastar a estupidez (estultícia) do coração das pessoas:
A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. (Provérbios 29:15)

A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela. (Provérbios 22:15)

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno. (Provérbios 23:13-14)

O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina. (Provérbios 13:24)

porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12:6)
Os pais precisam disciplinar os seus filhos, inclusive com a vara, se necessário. É claro que, em se tratando de filhos adolescentes que se encontram para trocar socos e chutes, a vara talvez não seja tão eficaz. Mas, que tal cortar a mesada? Tirar o computador do quarto? Confiscar o celular? Não adianta apenas conversar e passar a mão na cabeça...o amor também precisa se fazer presente por meio de punições justas e adequadas.

E nós, evangélicos, o que devemos fazer diante de cenários assim? Abaixo segue a minha plataforma:

1) Investir na verdadeira evangelização de crianças e adolescentes. Lembrando que evangelizar vai até o ensinar a fazer tudo o que Jesus ordenou, é muito mais do que convencer pessoas a aceitarem a Cristo.
2) Exercer a disciplina em nossas famílias. Lembrando que a vara deve ser usada de modo sábio e equilibrado...não é sair punindo e espancando crianças a torto e a direito. A instrução também deve estar presente e deve sempre preceder as punições.
3) Ensinar em nossas igrejas sobre a necessidade da disciplina familiar.
4) Lutar por uma sociedade em que haja punição para os que praticam o mal (Romanos 13:4). Isso significa exigir que alunos que desrespeitem professores ou se metam em brigas e bullying sejam suspensos e até mesmo expulsos das escolas. Que a legislação penal seja mais rigorosa com os que fazem o mal. E, na minha visão, batalhar para que a maioridade penal seja reduzida para 16 anos, e que os menores infratores não sejam considerados réus primários quando chegam a essa idade. Quem pode votar e escolher governantes pode também responder penalmente por seus atos.