07 fevereiro 2009

Geração perversa: cem jovens assistem à briga de gangues em Brasília

Não tenhas inveja do homem violento, nem sigas nenhum de seus caminhos; porque o SENHOR abomina o perverso, mas aos retos trata com intimidade. A maldição do SENHOR habita na casa do perverso, porém a morada dos justos ele abençoa. (Provérbios 3:31-33)

A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:13-18)
Um dos meus desenhos favoritos é o "Static Shock", ou "Super Choque", como ficou conhecido no Brasil. O herói vive em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, e perdeu a mãe durante um tiroteio entre gangues de adolescentes. Os maiores inimigos de Virgill Hawkins são os "transformados", adolescentes, assim como ele, só que com superpoderes e ligados a violência das gangues.

Brasília não é Dakota, mas ontem, dia 6 de fevereiro, cerca de cem jovens foram assistir a uma briga de gangues, marcada pela Internet, no Parque da Cidade, a maior área pública de lazer do Distrito Federal. A briga era entre moradores de regiões nobres e de classe média de Brasília: Asa Sul e Asa Norte contra Sudoeste e Cruzeiro. Trinta pessoas foram presas e encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente, todas estudantes de escolas particulares.

O fato, lamentável, mostra que a violência não é apenas uma questão socioeconômica, como parecem defender muitos intelectuais do nosso país. Os ricos e mimados também são violentos: queimando moradores de rua, espancando pessoas em pontos de ônibus, marcando (e filmando) brigas de gangues e colocando o material na Internet. Professores de escolas particulares também são vítimas da violência dos alunos. Em uma escola evangélica de Brasília, alunos do ensino médio fizeram uma brincadeira com um professor, que acabou tendo que fazer fisioterapia por causa de dores na coluna geradas pela "brincadeira", enquanto seus alunos riam e gargalhavam, ao invés de condenarem o ato lamentável. O bullying é muito comum nessas escolas, e o autor do artigo sofreu várias vezes esse tipo de violência, seja no Colégio Militar ou em escolas particulares.

Por que essas coisas acontecem? Por que pessoas bem de vida, educadas, com família, se entregam a esse tipo de violência?

1) A violência é fruto da natureza depravada do homem. Precisamos entender que a violência é, antes de tudo, um problema de ordem espiritual e moral. Em Romanos 3:10-18, Paulo descreve o estado natural do homem sem Deus. O retrato é marcado por corações que amam o mal, línguas venenosas, prontidão para fazer o mal (pés velozes, ou seja, prontos para derramar sangue) e ausência de temor a Deus. O texto nos mostra que, independente de nossa condição econômica ou educacional, o mal, a violência, o desejo de ferir, tudo isso faz parte de nossa natureza. Para vencer definitivamente a violência, é preciso que Cristo mude o interior dos homens, como está escrito "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". (2 Coríntios 5:17)

2) A violência é fruto da falta de temor ao Senhor e do medo da punição. Os adolescentes que se metem nesse tipo de briga, que ofendem os professores ou fazem bullying em seus colegas estão confiantes de que não serão punidos pelo que fizeram. Podem até mesmo matar, que cumprirão, no máximo, uma pena de três anos de medidas socioeducativas e sairão como réus primários, sem antecdentes criminais quando atingirem a maioridade, os 18 anos. Além disso, a imagem que a sociedade tem sobre Deus é que Ele é um Ser distante, perdoador e frouxo na hora de punir os maus. Como diz Paulo, são pessoas sem o temor do Senhor nos olhos. Se esses adolescentes temessem a Deus, considerariam que Ele abomina os perversos e os amaldiçoa. Assim sendo, teriam medo do castigo divino. Mas uma geração que não teme a justiça dos homens, como pode temer a justiça divina? A solução para este problema está no próximo ponto:

3) A violência é fruto da falta de educação familiar. O livro de Provérbios é estruturado na forma de conselhos ou instruções de um pai ao seu filho. Ou seja, Provérbios mostra um pai explicando ao seu filho porque ele não deve amar o caminho da violência. Mas não basta apenas falar e aconselhar. Crianças e adolescentes precisam aprender, desde cedo, que seus atos geram conseqüências e devem ser punidos, inclusive fisicamente. A vara, embora seja um método violento de educação, é muito útil para afastar a estupidez (estultícia) do coração das pessoas:
A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. (Provérbios 29:15)

A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela. (Provérbios 22:15)

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno. (Provérbios 23:13-14)

O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina. (Provérbios 13:24)

porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. (Hebreus 12:6)
Os pais precisam disciplinar os seus filhos, inclusive com a vara, se necessário. É claro que, em se tratando de filhos adolescentes que se encontram para trocar socos e chutes, a vara talvez não seja tão eficaz. Mas, que tal cortar a mesada? Tirar o computador do quarto? Confiscar o celular? Não adianta apenas conversar e passar a mão na cabeça...o amor também precisa se fazer presente por meio de punições justas e adequadas.

E nós, evangélicos, o que devemos fazer diante de cenários assim? Abaixo segue a minha plataforma:

1) Investir na verdadeira evangelização de crianças e adolescentes. Lembrando que evangelizar vai até o ensinar a fazer tudo o que Jesus ordenou, é muito mais do que convencer pessoas a aceitarem a Cristo.
2) Exercer a disciplina em nossas famílias. Lembrando que a vara deve ser usada de modo sábio e equilibrado...não é sair punindo e espancando crianças a torto e a direito. A instrução também deve estar presente e deve sempre preceder as punições.
3) Ensinar em nossas igrejas sobre a necessidade da disciplina familiar.
4) Lutar por uma sociedade em que haja punição para os que praticam o mal (Romanos 13:4). Isso significa exigir que alunos que desrespeitem professores ou se metam em brigas e bullying sejam suspensos e até mesmo expulsos das escolas. Que a legislação penal seja mais rigorosa com os que fazem o mal. E, na minha visão, batalhar para que a maioridade penal seja reduzida para 16 anos, e que os menores infratores não sejam considerados réus primários quando chegam a essa idade. Quem pode votar e escolher governantes pode também responder penalmente por seus atos.

Um comentário:

Daniel. disse...

De acordo. Excelente post.