27 março 2009

Quando a homofobia é pecado

O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:39)

Ora, vendo isto, os fariseus perguntaram aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento. (Mateus 9:11-13)

Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação. (Levítico 18:22)

Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos, a merecida punição do seu erro. (Romanos 1:26-27)
De acordo com o dicionário Houaiss, homofobia é "rejeição ou aversão a homossexual e a homossexualidade". Hoje há um intenso debate na sociedade sobre o combate a essa rejeição. Os evangélicos se preocupam com a possibilidade de serem proibidos de pregar contra o homossexualismo. Por outro lado, muitas vezes os homossexuais são espancados e mortos e a igreja se silencia sobre o assunto.

A questão também está na agenda política. O Governo Federal se preocupa muito com os movimentos LGBT, tanto que criou o Prêmio Cultural LGBT 2009, que foi tema do post anterior do blog. A educação também não está fora das preocupações governamentais, tanto que o Ministério da Educação possui o programa Escola Sem Homofobia, que treina professores para conscientizarem os alunos e combaterem a homofobia.

Mas, qual deve ser o posicionamento bíblico em relação ao assunto? Até que ponto é válido criticar o comportamento homossexual? E quando a Igreja pode ser acusada de omissa por se calar na defesa dos homossexuais? Para responder a essa pergunta, precisamos colocar alguns pontos bíblicos.

1) Homossexualismo é pecado. Quanto a isso, não pode existir dúvidas. Tanto versículos do Antigo Testamento como do Novo Testamento deixam claro que o desejo e a prática homossexuais, em todas as suas variantes, são considerados abomináveis pelo Senhor. Não há margem para novas interpretações, defendendo uma diversidade sexual cristã, colocando que Deus aceita todas as formas de amor. Essas novas interpetações são defendidas por algumas igrejas "evangélicas", como a do Acalanto ou a Igreja da Comunidade Metropolitana. Se há dúvidas quanto a isso, é preciso entender que amor e justiça (ou seja, a prática adequada dos mandamentos divinos) andam juntos:
O amor(...) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. (1 Coríntios 13:4a, 6)
Amar não é aceitar tudo o que a pessoa faz ou referendar os desejos das pessoas. O amor é de acordo com a vontade de Deus. E a Bíblia indica claramente que a condenação do homossexualismo não é algo cultural:
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. (1 Coríntios 6:9-10)
Se a condenação ao homossexualismo é cultural, então poderíamos dizer o mesmo do adultério, da idolatria, da bebedice...e talvez até mesmo da idéia em si de uma condenação. Nesse sentido, a Bíblia, Deus e os bons cristãos são sim homofóbicos.

2) Odiar os homossexuais é pecado. Uma coisa é reconhecer que o homossexualismo é pecado, outra coisa é odiar, ofender, agredir ou perseguir homossexuais. Embora a Bíblia condene o pecado, a ordem bíblica é a de que devemos amar o nosso próximo, seja ele quem for, tenha ele o comportamento que tiver. E amar é mais do que simplesmente respeitar, é desejar o bem, é fazer o bem em favor do nosso próximo, mesmo que ele seja homossexual. É pegarmos o texto de 1 Coríntios 13 e o aplicarmos a todas as pessoas, inclusive aos LGBT. Claro que, como disse acima, amor e justiça andam juntos, e, em se tratando de cristãos, amar os homossexuais significa sim desejar que eles deixem a homossexualidade. Significa pregar a eles, proclamar que esse tipo de comportamento é pecaminoso, mesmo que isso signifique atrair o ódio deles.

Aplicações
Toda a prática cristã a respeito da homofobia deve ser orientada pelas duas verdades acima. Mas, como isso se aplica. De várias formas:

1) Os evangélicos devem lutar pelo direito de pregar o que a Bíblia ensina sobre a homossexualidade. Devemos lutar contra qualquer projeto de lei que proíba a condenação do comportamento homossexual.
2) Os evangélicos também tem o direito de manifestar a sua opinião e votar contra o casamento gay ou a adoção de crianças por casais homossexuais.
3) Por outro lado, os evangélicos têm o dever de lamentar e lutar contra a discriminação contra os homossexuais. Uma coisa é a confrontação dura, mas piedosa. Outra é fazer piadas, imitar trejeitos, xingar ou ofender. Ou querer discriminar na hora de contratar, por exemplo. Afinal, se homossexuais são pecadores, os heterossexuais também o são: adúlteros, mentirosos, corruptos, etc. A discriminação é pecaminosa...e devemos nos envolver ativamente no combate a ela.
4) Os evangélicos devem lutar contra toda violência ou agressão física cometida contra os homossexuais. Também devemos nos engajar na luta contra esse tipo de pecado.
5) Os evangélicos devem batalhar para que a educação sexual seja tarefa da família, e não da escola. Para isso, devemos ser bem atuantes na fiscalização do dia-a-dia das escolas. Mas não devemos combater as campanhas educativas de combate a todo tipo de discriminação.

Não é, exatamente, o que tenho visto ser feito pelas igrejas. Aliás, há uma reflexão intensa sobre a condenação ao homossexualismo, mas pouca sobre como devemos lidar com a homofobia e os homossexuais em si (que não será assunto deste post, mas talvez de um próximo). Que este texto seja, digamos assim, a minha modesta (e talvez polêmica) contribuição sobre o assunto.

2 comentários:

Anayran Pínheiro de disse...

post brilhante cara!

Daniel. disse...

Muito bom, mas muito difícil também. Bastante complicado amar as pessoas que estão à frente de um movimento como esse.