12 junho 2009

Predestinação por presciência? O que Calvino tem a dizer sobre isso?

O termo "predestinação" é fácil de encontrar na Bíblia. principalmente nas cartas de Paulo. Os calvinistas ou reformados entendem que Deus pré-determinou o destino das pessoas, elegendo uns para o céu e outros para o inferno. Já os arminianos entendem a predestinação como sendo uma pré-ciência. Ou seja, não é que Deus determina...Ele escolhe os salvos baseado no pré-conhecimento que Deus tem da resposta que eles vão dar quando receberem o convite do Evangelho.

Calvino refuta esse pensamento dos arminianos baseando-se em Efésios 1:3-4, que diz:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor (o versículo termina aqui, de forma abrupta mesmo)
Como Calvino faz isso? Só ler a citação abaixo:
Podemos então afirmar com segurança: visto que ele nos escolheu a fim de que fôssemos santos, logo não foi porque previu que haveríamos de ser santos. Porque as duas coisas são contraditórias entre si: que os crentes obtenham a sua santidade graças a sua eleição; e que por essa santidade eles tenham sido eleitos. As astúcias sofísticas a que os tais mestres sempre recorrem não têm nenhum valor aqui. No presente caso, eles dizem que, embora Deus não recompense os méritos anteriores à graça da eleição, ele os recompensa pelos méritos futuros. Mas logo se vê que quando se diz que os crentes foram escolhidos para serem santos, significa que toda sa santidade que eles haveriam de ter têm sua origem e seu início na escolha. E com que tipo de coerência se poderá dizerque o que é produto da eleição seja causa desta? Além disso o apóstolo confirma com ainda maior firmeza o que tinha dito, acrescentando que Deus nos escolheu conforme o decreto da sua vontade, que ele determinou em si mesmo. Isso equivale a dizer que ele não considerou coisa alguma fora de si mesmo à qual desse atenção, quando procedeu a essa deliberação. Por isso Paulo acrescenta, logo a seguir, que tudo aquilo em que se resume a nossa eleição tem que ver com este objetivo: 'para louvor da glória de sua graça'. Certamente a graça de Deus só merece ser exaltada em nossa eleição se for gratuita. Ora, não seria fratuita se Deus, ao escolher os seus, atribuísse algum valor às obras de cada pessoa eleita. Daí se vê que o que Cristo disse a seus discípulos é verdade aplicável a todos os crentes. Disse ele: 'Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros'. Com isso ele não somente exclui todos os méritos anteriores, mas também quer dizer que eles não tinham nada em si mesmos que desse motivo para serem escolhidos, pois ele se antecedeu a eles com a sua misericórdia. Nesse sentido devemos também tomar esses dizeres do apóstolo Paulo: 'Quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?' Porque ele quer mostrar que a bondade de Deus de tal maneira se antecipa aos homens que ela não encontra nada neles, nem quanto ao seu passado nem quanto ao futuro, que lhes possibilite cooperar com ela. (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã, 3, VIII, 8, p.43-44, Edição Especial Com Notas Para Estudo e Pesquisa)

4 comentários:

cincosolas disse...

Helder,

Creio que a aceitação da presciência como explicação da eleição, é uma acomodação de algo incômodo para os arminianos.

Lembro que tinha lido na Bíblia sobre a predestinação e ficava incomodado com essa doutrina. Então li um comentário da Escola Dominical da CPAD e explicação trouxe-me um certo alívio. Não se encaixava direito, mas apaziguava um pouco minha mente.

Porém, quando essa explicação foi posta à prova, não resistiu e tive que me sujeitar à verdade bíblica. Com mais leitura bíblica e bons comentários, o que apenas aceitava resignadamente, passei a amar.

Afinal, "em amor nos predestiou...".

Em Cristo,

Clovis

PS.: A propósito, em Como "me reformei" relato como um pentecostal se rendeu às doutrinas da graça.

Isaias Lobao disse...

Carom Hélder, você acertou na mosca. Tanto essa postagem como a anterior sobre o conceito de vontade permissiva demonstram claramente a posição reformada e calvinista. Estou apreciando as suas colocações no blog.

Danilo Fernandes disse...

Ola Helder!
Nossa! Lindo o comentario do Clovis!

Queria convidar você para conhecer o meu blog, o Genizah que horas é pirado e engraçado, horas é exaltado e sério, mas é super do bem e tem como regra levar o Evangelho da Liberdade Verdadeira e a Santa Subversão de Jesus ao mundo egocêntrico e perdido nos seus valores! E, ainda dando tempo, aproveito para tirar uma onda com este pessoal que anda explorando a fé das pessoas e ainda dizendo que são cristãos... Ops!

Por minha vez, já me tornei seu seguidor.

Abraços em Cristo e Paz!

Danilo


http://genizah-virtual.blogspot.com/

Helder Nozima disse...

Clóvis, Isaías e Danilo,

Obrigado pelos comentários...e vamos blogando...para mostrar as pessoas as verdadeiras doutrinas da graça...e não o simulacro que apresentam por aí.