21 junho 2009

A soberania de Deus e a gratidão

Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. (1 Tessalonicenses 5:18)
É mais ou menos um consenso entre as religiões que devemos ser gratos, seja a Deus, a deuses ou a espíritos-guias, amigos, mestres e similares pelas coisas boas que recebemos. O cristianismo e outras religiões, como o espiritismo, vai além e diz que devemos ser gratos inclusive pelas coisas ruins que acontecem em nossa vida (os espíritas, porque elas são o pagamento do carma, os cristãos, porque é Deus tratando o nosso caráter).

No entanto, a Bíblia vai além de um agradecer pelas coisas boas e ruins que nos acontecem ou que recebemos. Nós devemos ser gratos por tudo...em todas as circunstâncias...mesmo quando pecamos e erramos.

Mas, como louvar a Deus quando cometemos erros e pecados que podem ter destruído um sonho do nosso futuro? Como agradecer ao Senhor quando somos injustiçados, maltratados, derrotados em nossos propósitos? Ou em meio a dores e sofrimentos que são legitimos, por que são fruto de nossas escolhas ruins?

A resposta está na soberania de Deus. Devemos ser gratos a Deus, mesmo quando tudo vai mal, mesmo nos momentos em que pagamos por nossos erros, porque cremos em um Deus que controla e dirige todas as coisas. Mais do que isso: é graças à soberania de Deus que podemos entender que tudo em nossa vida, até mesmo os erros e desgraças, no final das contas, trará algum bem para nós. Como está escrito:
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8:28)
Todas as coisas...mesmo as ruins...cooperam para o bem dos escolhidos de Deus. Essa realidade pode ser vista de modo bem marcante na vida de José do Egito e seus irmãos. José foi vendido como um escravo pelos seus próprios irmãos, movidos pela inveja. Depois, José não quis se deitar com a esposa de seu senhor e terminou preso. Mas foi na prisão que José começou a interpretar sonhos, e por causa disso, ele acabou interpretando um sonho de Faraó e se tornou o segundo homem do Egito. Pelo sonho, viriam sete anos de fartura e sete de fome...e era preciso guardar a comida dos anos gordos para os anos magros que viriam.

Acaba que, no final das contas...se José não tivesse sido vendido pelos irmãos, ele nunca seria tão importante...e milhares de egípcios teriam morrido de fome. Mais que isso, os próprios irmãos de Jacó não estariam vivos...porque a fome chegou até Canaã, e só havia comida no Egito, graças a José. Acabou que, por meio de um pecado, Deus fez o bem...até mesmo, pasmem, para os próprios pecadores. Como disse José:
Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem colheita. Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. (Gênesis 45:5-7)

Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. (Gênesis 50:20)
Quem levou José ao Egito: os irmãos ou Deus? Os dois. Os irmãos, movidos pelo pecado da inveja. Deus usou o pecado dos irmãos de José para fazer um bem maior...inclusive aos próprios pecadores.

José deveria ser grato...porque Deus tirou da injustiça uma grande bênção para ele. Os irmãos também...não exatamente por terem pecado...mas porque Deus, foi tão bom, tão misericordioso, que usou o pecado deles para abençoar a vida dos pecadores.

Só um porém aqui...não é que pecar seja bom. Pecar não é nada bom...e é só ler a história de José, nos capítulos 37 a 50 de Gênesis para ver as dores que os irmãos de José sofreram por causa do pecado. Também não devemos dizer "Senhor, obrigado por pecar". A lição é que, mesmo quando pecamos, quando pisamos feio na jaca, ainda podemos ser gratos ao Senhor.

Como Deus faz isso, tirar o bem do mal? Simples...Ele é Soberano. Ele conhece todas as coisas...e dirige tudo, nos mínimos detalhes, que acontece no mundo:
Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos. (Jeremias 10:23)

O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos. (Provérbios 16:9)

Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda. (Salmo 139:16)
Por que podemos dar graças a Deus em tudo, mesmo quando pecamos ou sofremos o mal? Porque, mesmo quando tudo dá errado, podemos descansar, sabendo que tudo foi determinado por Deus. E, ainda que não entendamos, mas até mesmo o mal é por Ele controlado...e pode sim ser usado pelo SENHOR para o cumprimento de Seus propósitos santos.

2 comentários:

Robson disse...

Não sei se você também notou, mas os versículos iniciais de Romanos 3 entram nesse assunto de "tirar o bem do mal" (versos 3 a 8). Paulo faz três perguntas retóricas (versos 5, 7 e 8), e até se desculpa por estar fazendo perguntas aparentemente blasfemas ("falo como homem", no verso 5).

Ele imita o homem que se perverteu, ao ponto de imaginar que, como a injustiça realça a justiça de Deus (v. 5), então é bom pecar, pois Deus aí seria mais glorificado (v. 8).

Robson disse...

Cara, só agora percebi que esse posta é do meio do ano passado! Tomara que você tenha algum sinalizador de comentários aí!