29 julho 2009

Colônia de férias para crianças atéias

O G1 traz uma matéria bem interessante, sobre colônias de férias (ou acampamentos) para crianças e adolescentes ateus. A ideia é exatamente a de um trabalho apologético, ou seja, de mostrar, desde cedo, argumentos a favor do ateísmo. A reportagem pode ser lida em http://bit.ly/jtvUz.

Aqui, no Reforma e Carisma, gostaria de destacar um trecho na matéria:
"Os participantes aprendem que o comportamento ético não depende de crença religiosa e doutrinas, que essas são às vezes um obstáculo para o comportamento moral e ético, que pessoas sem religião também são boas e totalmente capazes de viver uma vida feliz e cheia de significado", afirma o site do acampamento na internet.
Aos apologetas cristãos, cabe aqui lembrar que essas continuam sendo duas perguntas complicadas para ateus responderem:

1) Se não há Deus, não há vida após a morte, se tudo se resume ao que podemos ver, ao mundo material, então quem vai definir o que é certo ou errado e por que eu preciso seguir essas regras?

2) Se não fomos criados, se somos produtos do acaso, da ação de forças impessoais, então qual o sentido da vida?

Vale lembrar que, sem Deus, não há qualquer esperança, de que a justiça seja algo mais que uma ilusão. Alguns farão coisas abomináveis do ponto de vista ético (como a pedofilia, o racismo ou os assassinatos), viverão como reis e, no fundo, tudo bem...porque tudo depende da aprovação da sociedade. Reis de antigamente que estupravam, roubavam, matavam e deram vazão a todos os seus apetites carnais (assim como ditadores fazem hoje em dia, por exemplo, na Coreia do Norte e na África) é que viveram a vida boa. Conceitos como fidelidade no casamento e não aproveitar um caso de corrupção não têm, no final das contas, valor algum. Se o infiel ou o corrupto não for pego, pode dormir com a consciência tranqüila e, quando ele morrer, vai ter o mesmo destino de alguém que tenha renunciado aos bens materiais, sido celibatário e dedicado toda a sua vida a combater a pobreza no mundo.

Quanto ao sentido da vida, ateísmo e darwinismo precisam da mesma resposta. Se não há Deus, somos produto de leis do Universo (que não podemos explicar porque foram fixadas da forma "A" e não da "B"...ou melhor, não podemos explicar porque elas existem, ao invés de tudo ser aleatório) e do acaso, da aleatoriedade de probabilidades. E, no final das contas, a humanidade toda vai morrer mesmo...engolida pelo Sol quando ele virar uma gigante vermelha ou quando o Universo entrar em colapso. Não há eternidade...tudo o que fizermos, de bom e de ruim, é temporário e acabará no nada, cedo ou tarde. Qual o sentido da vida nessas circunstâncias?

Quanto à Bíblia, a maior prova que ela dá da existência de Deus continua sendo a criação. Quanto mais se estuda o Universo, mais se percebe como a Terra é um lugar especial. Quanto mais se estudam os organismos vivos, mais vemos como tudo é complexo (veja, por exemplo, o DNA). O mesmo pode ser dito até dos seres não vivos (ou você acha que física quântica é fácil?).
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato. (Romanos 1:20-21)

19 julho 2009

Como vencer os falsos mestres?

E eu mesmo, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde; mas, quando ausente, ousado para convosco, sim, eu vos rogo que não tenha de ser ousado, quando presente, servindo-me daquela firmeza com que penso devo tratar alguns que nos julgam como se andássemos em disposições de mundano proceder. Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.

Observai o que está evidente. Se alguém confia em si que é de Cristo, pense outra vez consigo mesmo que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos. Porque, se eu me gloriar um pouco mais a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação e não para destruição vossa, não me envergonharei, para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. Considere o tal isto: que o que somos na palavra por cartas, estando ausentes, tal seremos em atos, quando presentes. (2 Coríntios 10:1-11)
Quando olhamos para as igrejas evangélicas brasileiras nesse início de século XXI, o cenário é, de fato, desolador. Falsos ensinos e heresias conquistaram a maior parte dos corações e das mentes, e isso em todas as denominações. Se, por um lado, o materialismo e a Teologia da Prosperidade imperam, em outro o relativismo ético, moral e doutrinário são a regra. Se os mais pobres parecem andar à procura de dinheiro, curas e milagres, os mais abastados procuram uma igreja que fale menos de pecado, seja tolerante com a libertinagem e adote ideologias que agradam o mundo, mas ferem o ensino da Palavra de Deus.

E quando pregadores ou leigos se levantam para questionar estes ensinos e chamar à igreja para uma volta à Palavra de Deus, a resposta da maioria vem sobre a forma das acusações. "O seu Deus não resolve o problema de ninguém", gritam os teólogos da prosperidade. "Onde está o poder do seu Deus, que não cura minha doença. Pelo menos lá, naquela igreja ali, o pastor está cheio da unção, embora ele não pregue a Palavra", acusam outros. "Seu Deus não ama as pessoas", acusam os libertinos, que querem salvar a todos, mesmo aqueles que não se arrependem e descem ao túmulo blasfemando o nome de Deus. "Ignorante" é a qualificação dada pelos liberais aos que ainda dizem acreditar na suficiência e na inerrância das Escrituras e insistem em ver o mundo de acordo com a ótica bíblica.

Mas, nada no mundo da heresia é realmente inédito...tudo já aconteceu antes. E esse mesmo cenário era o que o apóstolo Paulo encontrava na igreja de Corinto. Uma igreja com um histórico de divisões (1 Coríntios 3:4), imoralidade sexual e libertinagem (1 Co 5:1-2), disputas na Justiça Comum entre irmãos (1 Co 6:1), embriaguez em plena Ceia do Senhor (1 Co 11:21) e abusos no uso dos dons espirituais, especialmente o de línguas (1 Co 14:1-40). Na primeira carta aos coríntios, o apóstolo Paulo já escrevera para atacar esses problemas e alcançara algum sucesso. Mas, quando ele escreveu 2 Coríntios, um novo problema surgiu: o questionamento de sua autoridade apostólica.

"Afinal, quem é Paulo para ficar nos dizendo o que devemos ou não fazer?" Era isso o que um grupo dentro da igreja dizia do apóstolo. Assim como hoje os pregadores fiéis da Palavra de Deus são atacados e desrespeitados, com piadas ou ataques diretos, Paulo também era atacado. Diziam que ele era "grave e forte" nas cartas, mas, provavelmente em tom de galhofa, diziam que ele tinha uma presença pessoal fraca e que sua oratória era desprezível (2 Co 10:10). Pior, levantavam suspeitas sobre o seu caráter, dizendo que ele andava como um mundano (2 Co 10:2). O objetivo era claro: esse grupo de falsos mestres queria desacreditar o apóstolo para poderem espalhar à vontade suas heresias e doutrinas malignas.

Hoje, os pastores, os leigos e as igrejas que ainda se mantèm fiéis à Palavra precisam saber como enfrentar esses falsos mestres, que querem desacreditar a Bíblia e todos os que andam segundo a Palavra. E, para fazer isso, precisamos aprender algumas lições com o apóstolo Paulo:

1) Usar armas espirituais, e não carnais. A primeira coisa que precisamos aprender é que não devemos usar as mesmas armas usadas pelos nossos inimigos. Como cristãos, devemos usar as armas espirituais que Deus nos dá para vencermos a batalha contra os falsos mestres.

Vejam o versículo 3. Lá, Paulo diz que, embora ele vivesse na carne, ou seja, neste mundo, ele não militava, não lutava com as armas usadas no mundo. E que armas seriam essas? As mesmas usadas pelos inimigos do apóstolo: as piadas, o deboche, as calúnias dirigidas contra Paulo. A oratória paulina não era elaborada como a dos mestres pagãos do século I, cheia de recursos de estilo e entonações para impressionar os ouvintes. Paulo não se exaltava diante dos outros e nem humilhava os que o ouviam, como faziam os falsos mestres (2 Co 11:19-20).

Se Paulo não agia assim, como ele se comportava? Que armas ele usava para enfrentar a fofoca, as piadas, os sermões vistosos e a auto-exaltaçao de seus adversários? Parte da resposta podemos encontrar em Efésios 6:13-18:
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de ter vencido tudo, permanecer inabaláveis. estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da , com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos...
Enquanto mentiam sobre Paulo, caluniando-o, o apóstolo se defendia com a verdade. Paulo buscava a justiça, preparou-se no evangelho da paz e conservou a fé em Deus, mesmo sendo atacado duramente por seus adversários. Firmado em sua salvação, ele usou a Palavra de Deus e a oração para atacar seus oponentes e defender a pureza do evangelho de Cristo.

Mais do que isso, voltando a 1 Coríntios 2:4-5, vemos que Paulo não tentava impressionar pela oratória rebuscada, mas pregava com simplicidade para que a fé da igreja estivesse firmada em Deus:
A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.
Enquanto os falsos mestres exaltavam-se a si mesmos e até humilhavam os outros, Paulo usava a sua autoridade apostólica para edificar a igreja (2 Co 10:8) e, ao invés de se exaltar, exaltou a sua fraqueza, para que Cristo fosse glorificado: Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte. (2 Coríntios 12:9-10)

Hoje, não é difícil encontrar pastores tão cheios de si mesmos, que se chamam de apóstolos. Cultos que parecem programas de auditório, para impressionar os ouvintes. Pastores abusados, que humilham os fiéis, expondo o que não devem diante de toda a igreja. E crentes igualmente arrogantes, que não aceitam correção e ficam falando mal dos pastores e dos irmãos que tentam corrigi-los.

Que possamos respondê-los com orações no lugar das calúnias, com a Palavra de Deus no lugar dos shows, com a verdade no lugar das mentiras, com a simplicidade e humildade de Cristo, no lugar da arrogância e auto-exaltação dos falsos cristãos.

2)Levar o pensamento à obediência de Cristo. Para vencermos os falsos mestres, não precisamos apenas das armas certas, precisamos também do objetivo correto, que é o de levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo (2 Co 10:5).

E aqui precisamos entender uma coisa. Não basta apenas falar de Jesus ou ter uma simpatia pela pessoa de Cristo. O verdadeiro cristão não é aquele que conhece a Jesus, como nós dizemos, mas sim aquele que O conhece e O obedece. Aqueles que falam de Cristo, mas não O obedecem, devem ser punidos, como Paulo fala no versículo 6. A nossa submissão a Cristo deve ser completa, e isso inclui a nossa mente, os nossos pensamentos, os nossos valores.

Muitas vezes os evangélicos ficam incomodados, quando falamos, por exemplo, sobre doutrina. Dizem que doutrina é chato e que isso não tem reflexo algum sobre a nossa vida prática.

O problema é que não é assim que pensamos em relação a outras áreas da nossa vida. na escola, aprendemos que um pensamento pode mudar a História de nações. A idéia, por exemplo, de que todos os homens são iguais, ajudou a derrubar monarquias e é a mãe das democracias. Ligamos a tevê e ouvimos que a educação é a melhor forma de desenvolver um país. Foram os estudos que fizeram o Japão e a Coreia do Sul deixarem de ser nações em desenvolvimento para serem países desenvolvidos. Mas não acreditamos que isso se aplica à igreja. E aí, como diz o Pr. Gildásio, de uma igreja batista reformada de Brasília, "doutrina errada, vida errada". E doutrina errada leva sim as pessoas para o inferno.

Quase toda religião no Brasil fala de Jesus. Mas, de que adianta chamar Jesus de Deus, e rezar a uma multidão de santos, que é algo que Jesus condena? De que adianta chamar Jesus de espírito de luz, e consultar os mortos, que é algo que Jesus abomina? De que adianta chamar Jesus de Senhor e negar a verdade e a autoridade desse próprio Jesus, vivendo do mesmo jeito que as pessoas que não chamam Jesus de Senhor?

Esse é o pecado dos falsos mestres: falar de Jesus, usar o nome de Jesus, mas não seguir o que Jesus manda. Não se arrepender dos pecados. Não acreditar no sacrifício que Ele fez na cruz e tentar ser salvo pelos seus próprios méritos. Isso tudo é pecado, é desobediência. E, se for preciso punir a desobediência para levar as pessoas a Cristo, é isso o que precisamos fazer.

Ao contrário da imagem que alguns têm de Paulo, ele não tinha prazer em punir ou destruir as pessoas. Muito pelo contrário, o objetivo dele era edificar a igreja (2 Co 10:8). Mas, exatamente por isso, ele precisava combater com firmeza todo pensamento e toda altivez contrárias a Cristo (2 Co 4:5). E, se para isso, ele precisasse, de fato, tomar atitudes graves e fortes, como suas cartas (2 Co 10:11), ele estava preparado. Como ele mesmo dizia, Paulo estava pronto para punir toda desobediência, inclusive as da mente (2 Co 10:6).

Meus amados, falamos muito sobre o sacrifício de Jesus na cruz e que precisamos receber a Cristo pela fé, e paramos aí. Mas essa mensagem está incompleta. Precisamos ter fé em Jesus para recebê-lo como nosso Senhor. Vejam o que diz Romanos 10:13:
Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Não é uma invocação qualquer, é invocar a Cristo como Senhor. É salvo quem invoca a Cristo, disposto a mudar de vida, a abandonar o pecado e a desobediência e a viver uma vida de completa submissão a Jesus. E, para isso, é preciso que os nossos pensamentos sejam levados cativos a Cristo.

Sabe por que é tão fácil pecar? Porque é com facilidade que entregamos os nossos pensamentos ao pecado, a filosofias, mensagens e até mesmo pregações que não são bíblicas. Mas aquele que, quando tem um pensamento pornográfico, não o alimenta, mas ora e pede a Deus o livramento, e tenta ocupar a mente com outra coisa, esse vai cair menos que o libertino que vê a pornografia e passa o dia inteiro imaginando como será realizar aquilo que ele vê no computador, na televisão ou na revista.

Conclusão
Amados, o prejuízo causado pelos falsos mestres é real. Graças a eles, a igreja de Corinto viu fiéis deixarem o verdadeiro Evangelho e sofreu muito com pecados e divisões. Hoje, por causa dos falsos mestres, os evangélicos não têm credibilidade na sociedade. Somos chamados de ladrões, ignorantes e arrogantes. Os hospitais psiquiátricos estão repletos de evangélicos que sofreram abuso de falsos pastores e falsos apóstolos. O pecado encontra espaço cada vez maior nas mocidades, em jovens relativistas, que não dão tanto valor ao que ensina a Palavra e às advertências do próprio Jesus.

Que, ao invés de entregar os pontos, possamos, juntos, orar e nos revestir das armas espirituais do Senhor para combatermos todo falso ensino. E que possamos também ter em mente o nosso objetivo, que é o de levar cativo o pensamento de todos á obediência de Cristo, mesmo que para isso tenhamos que lançar mão da disciplina eclesiástica. Afinal, se os pensamentos de alguém estiverem em Cristo, podemos ter a certeza de que toda a sua vida também estará aos pés do Senhor Jesus.

Sermão proferido no culto noturno da 1ª Igreja Presbiteriana de Águas Claras, no dia 19 de julho de 2009

Pro inferno

Dizem por aí, sem pensar
Numa teologia que parece conversa de bar
Amontoam-se pessoas com a mesma opinião
E então começa a transbordar o que está no coração:

"Ficou tão fácil acreditar
Agora que eu mesmo digo
O que quero e como sigo
E quem é aquele que vai ter que me salvar.

"É bem mais fácil resolver
Decidir e perceber
Que sou eu quem faz o caminho
As regras, são todas minhas
E quem discordar, eu rebato com piadinhas.

Mais em http://quasefacil.blogspot.com/2009/07/pro-inferno.html

16 julho 2009

O batismo infantil à luz da Bíblia ou Porque eu batizo crianças

Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:15)
Um ponto em comum entre as igrejas presbiterianas, luteranas e metodistas com a Católica, a Anglicana e a Ortodoxa é a prática do batismo de crianças (ou pedobatismo), incluindo-se aí os bebês. No entanto, a prática é condenada por quase todo o restante das igrejas evangélicas, principalmente os batistas, mas incluindo também igrejas pentecostais e neopentecostais. Dentro do ponto de vista dos batistas, o pedobatismo seria um ranço do catolicismo romano dentro das igrejas protestantes, uma prática sem amparo bíblico e até mesmo perigosa, por induzir os pais a acreditarem que seus filhos já nascem salvos.

Antes de irmos a uma análise bíblica propriamente dita, é preciso esclarecer que a visão presbiteriana do batismo é diferente da visão católico-romana. Para os católicos, o batismo é um sacramento essencial à salvação. E os presbiterianos, como enxergam esse sacramento?

1) O batismo é sinal e selo da aliança entre Deus e a Igreja
O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.

Mat. 28:19; I,Cor. 12:13; Rom. 4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20. (CFW, XXVIII, I)
2) O batismo não salva e nem é essencial à salvação de ninguém
Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.

Luc.7:30; Exo. 4:24-26; Deut. 28:9; Rom. 4:11; At. 8:13, 23. (CFW, XXVIII, V)
3) Embora o batismo não salve, ele, de fato, comunica alguma graça aos que o recebem
A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.

João 3:5, 8; Gal. 3:27; Ef. 5:25-26. (CFW, XXVIII, VI)
Esclarecida, então, a forma como os presbiterianos veem o batismo, podemos passar a uma análise bíblica sobre a prática do batismo de crianças. Em que se baseiam os presbiterianos para batizarem seus filhos, muitas vezes ainda bebês?

O batismo é o substituto bíblico da circuncisão
A circuncisão é a remoção do prepúcio do órgão sexual masculino. Era o sinal da aliança que Deus tinha com Abraão, o patriarca de Israel, no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a circuncisão foi substituída pelo batismo. É o que indica Colossenses 2:11-12:
Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. (Nova Versão Internacional)
O texto afirma que, em Cristo, os salvos estão circuncidados. Diz que a circuncisão significa "o despojar do corpo da carne", uma outra forma de dizer "a morte do nosso velho eu na cruz de Cristo". Mais do que isso, a Bíblia ensina que essa circuncisão acontece "quando vocês foram sepultados com ele no batismo". Essa conexão é reforçada quando o significado do batismo é explicado em Romanos 6:3-4:
Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. (Nova Versão Internacional)
Assim como o batismo, a circuncisão também aponta para a morte de Cristo, de um velho eu. O "despojar do corpo da carne" é representado de modo bem literal. O derramamento de sangue (ou você pensa que não sangra cortar o prepúcio?) também traz à memória a cruz de Cristo. A mudança de vida também é indicada na circuncisão do coração, exigida já na Lei de Moisés:
Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. (Deuteronômio 10:16)
Além de terem praticamente o mesmo significado simbólico, os dois sacramentos são ritos de iniciação à fé, feitos uma única vez. Fazendo um resumo das semelhanças:

a) São ritos iniciáticos;
b) Ambos apontam para a morte de Cristo;
c) Ambos apontam para uma nova vida com Cristo.

Há diferenças? Sim. A circuncisão é um sinal físico permanente, aplicado somente a homens, mas com uma implicação óbvia sobre a descendência (a marca da aliança fica sobre um órgão reprodutor, como uma espécie de vindicação divina sobre a descendência de quem a recebe). O batismo é um sinal físico, mas não permanente, aplicado aos dois sexos e sem um vínculo exterior tão evidente.

No entanto, também há diferenças entre a Ceia e a Páscoa (por exemplo, hoje não comemos cordeiros na Ceia)...e quase não há discussões de que a Ceia é o substituto bíblico da Páscoa. Considerando o texto de Colossenses 2:11-12 e a similaridade tão grande de significado que existe entre a circuncisão e o batismo...por que resistir à ideia de tomarmos o batismo como sendo a circuncisão cristã?

A igreja é o sucessor do povo de Israel do Antigo Testamento
Ao contrário dos dispensacionalistas, doutrina evangélica popular (e recente) que enxerga uma diferença radical entre o Israel do AT e a igreja cristã do NT, os presbiterianos são (ou deveriam ser) aliancistas ou teólogos do pacto. O aliancismo afirma que a igreja do NT nada mais é do que a continuação do Israel do AT. Dessa maneira, a igreja também se torna herdeira das graças prometidas ao povo de Israel.

Como isso pode ser provado? Vamos dar uma olhadinha em alguns textos onde Deus estabelece sua aliança com Abraão:
Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)

Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti ferei nações, e reis procederão de ti. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. (Gênesis 17:4-7)

Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça. (Gênesis 17:5-6)
Agora, vejam o que Paulo diz sobre Abraão e sua descendência:
É o caso de Abraão que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. (Gálatas 3:6-9)
Em outras palavras...na visão de Paulo, os textos de Gênesis onde Deus estabelece a sua aliança com Abraão e à sua descendência, se aplicam para falar dos gentios (não judeus, não descendentes de Abraão segundo a carne) que se converteriam nos dias do NT e fariam parte da igreja. Quando Abraão creu na promessa, creu no evangelho preanunciado a ele. Quando a Bíblia fala que, em Abraão, todos os povos seriam abençoados, ela falava da inclusão dos gentios...na descendência de Abraão! Por isso, "os da fé é que são filhos de Abraão". A mesma ideia é repetida em Romanos 4:
E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado. Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de numerosas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. (Romanos 4:11-17)
As promessas de Deus a Abraão ja estavam apoiadas na fé...na graça que só seria revelada no Novo Testamento. A ideia de que os filhos de Abraão são os da fé também está presente em Jesus:
Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. Mas agora, procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão. (João 8:39-40)
João Batista é ainda mais claro:
e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. (Mateus 3:9)
Quais as conclusões lógicas?

a) A promessa de que Abraão seria pai de numerosas nações referia-se também à salvação dos gentios nos dias do NT;
b) Logo, os gentios salvos são considerados, na Bíblia, filhos de Abraão, herdeiros de Abraão;
c) A promessa feita a Abraão baseava-se na fé, e não na Lei.

E aí, cabe voltar à Gênesis 17:7, quando vemos que a aliança estabelecida por Deus era com Abraão e a descendência dele.

Circuncisão + aliança com Abraão = batismo infantil
A aliança de Deus com Abraão não termina com a chegada de Jesus. Na verdade, a vinda de Jesus, o surgimento de uma igreja formada por várias nações...tudo isso é o cumprimento da aliança abraâmica, que continua em vigor. Uma aliança que, como disse antes, também alcança a descendência. Tanto que o sinal da aliança é aplicado não somente a quem crê, mas também à sua família:
Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carme do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança. (Gênisis 17:9-14)
De fato, no Antigo Testamento, é sempre enfatizada a ligação entre a fé dos pais e de sua descendência:
Saberás, pois que o senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos... (Deuteronômio 7:9)
Foi por causa da fé de Abraão, Isaque e Jacó que, quatrocentos anos depois da morte do último, Deus resolveu libertar o povo de Israel da escravidão no Egito:
Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. E viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição. (Êxodo 2:24-25)
Muitos anos depois, quando o rei Salomão tornou-se idólatra, deixando o SENHOR, ele foi poupado por causa da fé de seu pai.
Por isso, disse o SENHOR a Salomão: Visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo. Contudo, não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o tirarei. Todavia, não tirarei o reino todo; darei uma tribo a teu filho, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, que escolhi. (1 Reis 11:12-13)
Isso não significa que os filhos dos justos eram salvos no Antigo Testamento. Como Paulo alerta:
Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a i, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei. Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. (Romanos 2:25-29)
Apesar disso, pelos textos que lemos antes, de alguma forma, os descendentes dos justos, mesmo quando se entregavam à impiedade, recebiam uma espécie de bênção, uma paciência extra, algum tipo de graça não salvadora da parte de Deus. A circuncisão não salvava ninguém, só tinha eficácia se houvesse obediência a Deus. No entanto, era também o reconhecimento de que Deus tratava de modo diferente os israelitas.

E no Novo Testamento? Deus continua tratando de modo diferente os filhos dos eleitos.
Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. (1 Coríntios 7:14)
Em outras palavras, um único cônjue crente já santifica (não salva) de alguma forma o outro. E essa santificação atinge os filhos também. Agora, os filhos de não cristãos são chamados de impuros.

Que a promessa da salvação também se estende aos filhos é algo que se pode ver no sermão de Pedro no dia de Pentecostes:
Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. (Atos 2:39)
Ora:

1) Se a aliança de Abraão não é anulada, mas sim cumprida em Cristo;
2) Se nessa aliança e em todo o Antigo Testamento, os filhos podem colher benefícios espirituais de seus pais (embora não sejam salvos por causa disso);
3) Se o batismo é o substituto bíblico da circuncisão;
4) Se no Novo Testamento a Bíblia continua falando da santidade dos filhos e que a promessa também os alcança...

Por que não batizar as crianças?

E aí vem uma grande vantagem da posição pedobatista (batismo infantil) sobre a batista. Os pedobatistas reconhecem que as crianças, os filhos dos salvos, estão incluídos na aliança entre Deus e a Igreja. Dão a elas um lugar no povo de Deus, no reino dos céus. Um lugar que, aliás, é dado pelo próprio Jesus.
Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. (Mateus 19:14)
O batismo de famílias
Os batistas ainda argumentam que não há, na Bíblia, um único caso de uma criança, filha de crentes, recebendo o batismo. No entanto, os batistas também não conseguem mostrar um único caso de filho adulto (ou adolescente) de cristão sendo batizado. E por quê? A explicação é simples: porque a Bíblia termina com a primeira geração de seguidores de Cristo. Ela não conta a história da segunda geração, dos filhos dos primeiros seguidores de Jesus. Se a questão é falta de exemplos concretos, ela falta dos dois lados.

Mas, embora não haja uma indicação explícita de crianças sendo batizadas, o batismo infantil está implícito nos vários relatos bíblicos de batismo de casas (famílias):
Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:14-15)

E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. (Atos 16:32-33)

Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. (1 Coríntios 1:16)
Algumas respostas são dadas pelos batistas nesses casos:

1) Pode ser que todos ali tivessem idade suficiente para ouvir e serem convencidos;
2) Em todos os casos houve pregação antes para todos (não é possível provar no caso de Estéfanas e praticamente impossível no de Lídia, ela ouve e quando os apóstolos chegam à casa dela o batismo já acontece).

Mas as duas respostas não fazem jus ao contexto histórico da época. Em primeiro lugar, não havia muito espaço no século I, especialmente nas camadas mais pobres, para um filho não abraçar a fé do pai. Se o chefe de uma casa abraçava uma fé, a casa toda o seguia. Essa história de "meu filho vai escolher a religião dele" não existia.

Em segundo lugar, é preciso considerar o perfil demográfico. Lembra das pirâmides etárias, das aulas de Geografia? Até a Revolução Industrial (século XIX), as sociedades eram marcadas por baixa expectativa de vida e altas taxas de natalidade e de mortalidade. A maior parte das pessoas era criança ou jovem...e como não havia métodos contraceptivos muito eficazes, era comum um número grande de filhos.

Considerando isso, quais as chances de que, em todos os relatos de batismo de famílias, não houvesse ali crianças pequenas, incapazes de compreender o que estava acontecendo, e que acabaram batizadas por causa da conversão dos pais?

Se formos bastante frios, veremos que o peso da evidência histórica é muito mais favorável ao batismo infantil.

Conclusão
Muitas vezes ouvi pessoas falarem que o batismo infantil não tem base bíblica. Acho que o texto é suficiente para mostrar que não é bem assim. Talvez a base bíblica seja até fraca ou inadequada, mas ela existe. Ainda há uma série de ressalvas que poderia fazer sobre o assunto, mas penso que já extrapolei todas as medidas razoáveis para um blog. Se estiver interessado em mais, o post anterior traz um fragmento de Calvino sobre o assunto.

07 julho 2009

Calvino e o batismo de crianças (pedobatismo)

"Mas a Escritura nos conduz a um maior conhecimento da verdade. Porque é plenamente certo que a aliança que no passado Deus fez com Abraão, declarando-se seu Deus e da sua descendência, não se aplica menos aos cristãos hoje do que se aplicava antigamente ao povo de Israel; e esta palavra não se aplica menos aos cristãos do que no passado se aplicava aos pais do Antigo Testamento. Pois, de outro modo, ocorreria esta conseqüência: a vinda de Cristo teria diminuído a graça e a misericórdia de Deus - mas dizer ou pensar isto seria uma horrenda blasfêmia.

Outra coisa: assim como os filhos dos judeus eram chamados linhagem santa, porque eram herdeiros da aliança e eram separados dos filhos dos incrédulos e dos idólataras, assim também os filhos dos crentes são chamados santos, ainda que só o pai ou a mãe seja crente; e o testemunho da Escritura os distingue. Pois bem, depois que o Senhor estabeleceu esta aliança com Abraão, determinou que a mesma fosse selada nas crianças com o sacramento visível e externo. Que desculpa podemos dar para não testificarmos a aliança e não a selarmos hoje como se fazia naquele tempo? E não vale replicar dizendo que o Senhor não instituiu nenhum outro sacramento para testificar esta aliança, senão o sacramento da Circuncisão, que já foi abolido. É fácil responder a essa objeção. Basta dizer que o Senhor instituiu a Circuncisão naquele tempo para confirmar a sua aliança, e que, abolida a Circuncisão, continuou e continua sempre de pé a razão pela qual se deve confirmar a aliança, visto que ela atende tanto a nós como no passado aos judeus. E, portanto, devemos observar sempre o que temos em comum com eles, considerando também o que é semelhante e o que é diferente. A aliança é comum a nós e a eles, e o motivo para a sua confirmação é semelhante; a diferença consiste apenas nisto: eles tinham a Circuncisão para confirmá-la, nós hoje temos o Batismo para esse mesmo fim. De outro modo, a vinda de Cristo teria feito que a misericórdia de Deus se manifestasse menos sobre nós do que o fez para os judeus - se nos fosse tirado o testemunho que eles tinham para os seus filhos.

Se não se pode dizerisso sem fazer grave ultraje a Jesus Cristo, por intermédio de quem a bondade infinita do Senhor foi distribuída e manifestada mais ampla e ricamente que nunca sobre a terra, é necessário conceder que a graça de Deus mediante Jesus Cristo não deve ser mais oculta nem menos segura que o era sob as sombras ou figuras da Lei.

Por essa razão, o Senhor Jesus, querendo mostrar que veio a esse mundo para aumentar e multiplicar as graças de seu Pai, e não para diminuí-las ou restringi-las, recebeu e abraçou bondosamente as crianças que lhe foram apresentadas e repreendeu os seus apóstolos, que queriam impedi-las e procuravam afastar dele, sendo ele o único caminho de acesso aos céus, aqueles aos quais pertence o reino dos céus.

Primeira: mas alguém perguntará: que semelhança há entre esse abraço de Jesus e o Batismo? Porque a narrativa não diz que as crianças foram batizadas, mas somente que ele as abraçou e orou por elas. Se quisermos seguir fielmente o exemplo do Senhor, devemos orar pelas crianças, e não batizá-las, pois ele não as batizou.

Pois bem, devemos examinar a doutrina da Escritura melhor que essa gente, pois não foi alguma coisa leviana ou superficial que levou Jesus a querer que "os pequeninos" lhe fossem apresentados; ele mesmo acrescentou o motivo, dizendo: "Porque dos tais é o reino dos céus". E logo depois manifestou com atos a sua vontade, abraçando-os e orando por eles. Agora, se é razoável levar crianças a Jesus Cristo, por que não há de ser lícito recebê-las para o Batismo, que é o sinal exterior pelo qual Jesus Cristo nos declara a comunhão que temos com ele? Se o reino dos céus lhes pertence, como lhes negar o sinal que nos serve de ingresso na igreja, para que, como membros da igreja, sejamos declarados herdeiros do reino de Deus? Não seríamos maus em expulsar aqueles que o Senhor chama a si? Em negar-lhes o que ele lhes dá? Em fechar-lhes a porta quando Ele a abre para eles? E se a questão é separar do Batismo aquilo que Jesus Cristo fez, que é que devemos considerar maior e mais importante: o fato de que Jesus recebeu os pequeninos, impôs as mãos sobre eles, sinal de santificação, e orou por eles, demonstrando que eles lhe pertencem, ou que, pelo Batismo, testifiquemos que eles pertencem à sua aliança?

As outras astúcias e manobras sutis feitas como meio de escapar da passagem que estamos estudando são por demais frívolas. Claro, pois querer provar que as crianças eram já bem crescidas, visto que Jesus as chamou e lhes disse que viessem a ele é argumento que evidentemente repugna ao texto da Escritura, que se refere àquelas crianças chamando-as de "criancinhas de colo", que precisavam ser carregadas. Dessa forma, a palavra "vir" deve ser interpretada como "aproximar-se" simplesmente. Veja o leitor como os que teimam contra a verdade procuram em cada sílaba matéria para as suas evasivas!

Segunda objeção: afirmar que Jesus não disse que o reino dos céus pertence às crianças, mas aos que são semelhantes a elas, também é outra escapatória. É o que digo porque, se fosse assim, por que motivo o Senhor haveria de mostrar que desejava que as criancinhas se aproximassem dele? Quando ele diz "Deixai vir a mim os pequeninos", não há nada que seja mais certo que o fato de que ele fala de crianças na idade. E para dar a entender que o que faz é razoável, acrescenta: "Porque dos tais é o reino dos céus". Nisso as criancinhas na idade estão necessariamente incluídas. E devemos entender a expressão "dos tais" da seguinte maneira: as crianças e aos que são semelhantes a elas pertence o reino dos céus.

Terceira objeção: já não pode haver quem não enxergue que o Batismo infantil não foi forjado temerariamente pelos homens, pois tem evidente aprovação das Escrituras. E não nos impressiona a objeção feita por alguns, qual seja: não se pode mostrar pela Escritura que alguma criança foi batizada pelos apóstolos. Não nos impressiona essa objeção porque, mesmo admitindo a inexistência de algum texto que o demonstre expressamente, não quer dizer que os apóstolos não tenham batizado crianças, visto que elas não são excluídas quando se faz menção de Batismo aplicado a uma família. Se fôssemos aceitar esse falso argumento, não poderíamos permitir que as mulheres fossem admitidas à Ceia do Senhor, pois nunca se diz na Escritura que elas tenham comungado no tempo dos apóstolos. Mas neste ponto seguimos a regra de fé, pertinente no caso, só levando em conta se a instituição da Ceia lhes convém, e se é da intenção do Senhor que seja ministrada a elas. É o que também fazemos com relação ao Batismo, tendo em vista o seguinte: quando consideramos a finalidade para o qual ele foi ordenado e instituído, vemos que este sacramento não pertence menos às crianças que às pessoas de mais idade. Dessa forma, negar o Batismo às crianças seria fraudar a intenção do Senhor. E o que alguns semeiam é pura mentira, quando dizem que só muito tempo depois dos apóstolos é que se introduziu a prática do Batismo infantil. O fato é que não há nenhuma história antiga, desde o tempo da igreja primitiva, que não testifique que naquele tempo essa prática já estava em uso." (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã, 4, XI, 32-35)

05 julho 2009

A intolerância religiosa dos evangélicos: virtude ou pecado?

Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica; dá a todo o que te pede; e, se alguem levar o que é teu, não entres em demanda. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. (Lucas 6:27-31)
Sou jornalista e fui encarregado de editar matérias sobre a Segunda Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, promovida pelo Governo Federal em junho de 2009. E uma das coisas que me chamaram a atenção foram as constantes queixas dos pais-de-santo entrevistados sobre as atitudes dos evangélicos em relação às religiões afro-brasileiras.

As queixas iam muito além da condenação verbal a essas religiões. Relatos de pessoas andando nas ruas e ouvindo "xô, satanás!" e sendo ofendidas mesmo, com xingamentos e até mesmo maldições. Casos de reuniões sendo interrompidas e até quebra-quebra em terreiro, promovido por pessoas que se dizem cristãs e dizendo estarem agindo em nome de Deus. Um exemplo desses aconteceu no Rio de Janeiro, onde um pastor e um jovem evangélico foram presos pela depredação de um centro espírita.

Pela relativa freqüência com que esse tipo de incidente costuma acontecer aqui no Brasil (quem não se lembra do chute da santa?), entendo ser preciso dizer com todas as letras que esse tipo de intolerância é sim pecaminosa. Mais do que isso...ela prejudica a vida de vários missionários e cristãos que estão sofrendo esse e outros tipos de perseguição religiosa ao redor do mundo.

Mas e o Antigo Testamento?
Uma das desculpas usadas por alguns evangélicos para invadir à força templos de outras religiões ou destruírem, sem permissão, objetos religiosos nas casas de pessoas não evangélicas é a prática do Antigo Testamento. Não foi isso, porventura, o que Deus ordenou a Moisés?
Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando houverdes passado o Jordão para a terra de Canaã, desapossareis de diante de vós todos os moradores da terra, destruireis todas as pedras com figura e também todas as suas imagens fundidas e deitareis abaixo todos os seus ídolos; tomareis a terra em possessão e nela habitareis, porque esta terra, eu vo-la dei para a possuirdes (...) (Números 33:51-52)
No entanto, é preciso que se entendam duas coisas. A conquista de Canaã aconteceu em um contexto histórico diferente do atual. Os deuses eram identificados com os povos...adorar a um deus diferente do seu povo era, de certa forma, traí-lo. Além disso, a conquista de Canaã era, ao meu ver, um símbolo do Juízo Final. Em Hebreus 4, a Bíblia traça um paralelo entre o descanso eterno de Deus (o céu) e a Terra Prometida, especialmente no versículo 8, quando fala de Josué. Canaã era uma figura do céu: onde não haverá nenhum traço de pecado ou idolatria. Os hebreus são o símbolo do povo escolhido para herdar o céu, os cananeus, o símbolo da humanidade que será condenada e destruída pelo Senhor no último dia. Esse contexto teológico não pode ser esquecido em momento algum: Canaã era uma realidade espiritual ímpar, que não se aplica mais nos dias de hoje, quando não há mais uma terra ou um povo superiores nos planos de Deus. (os dispensacionalistas que discordarem dessa doutrina, favor lerem o livro "O Cristo dos Pactos", de O. Palmer Robertson, da Cultura Cristã).

É claro que, como cristãos bíblicos, acreditamos sim que, quando Jesus voltar, Ele julgará a todos os homens...e que apenas os verdadeiros adoradores de Deus permanecerão e o resto da humanidade será condenado. Crenças parecidas são sustentadas por outras religiões que falam do julgamento da humanidade. Mas é pecado querer fazer agora o que Deus fará no último dia. Isso Jesus ensina claramente na parábola do trigo e do joio:
Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado, mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. (Mateus 13:29b-30)
Mas, para alguns evangélicos, esses argumentos não são suficientes; Um outro argumento usado por eles é que a idolatria é, de fato, um pecado:
Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Êxodo 20:3-6)
E, de fato, a Bíblia considera a adoração a outros deuses um pecado, condenado aliás, nos dois primeiros mandamentos. Mas a forma certa de cristãos condenarem o pecado não é usando a violência, a chacota, os xingamentos. A forma certa de confrontar a idolatria é por meio da pregação da Palavra:
E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. (Romanos 10:17)
Embora o contexto da profecia seja outro (mostrar a Zorobabel que não seria com modos violentos que o segundo templo seria reedificado), mas a palavra cabe quando se trata da pregação do Reino de Deus:
Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos. (Zacarias 4:6b)
Não é pela violência que as pessoas serão convencidas a seguirem a Jesus. E nem essa foi a política adotada por Ele e pelos apóstolos.

O exemplo de Jesus e dos apóstolos
Os que leem os Evangelhos não devem se esquecer que, nos dias de Jesus, Jerusalém era uma cidade debaixo do Império Romano. Com certeza, os romanos mantinham seus templos na cidade (ainda que apenas em suas casas) e exercitavam lá a sua devoção a deuses pagãos. No entanto, Jesus, em momento algum, aparece invadindo a casa ou um templo romanos para destruir ídolos. Ao contrário, quando Jesus se vale da violência, foi para purificar o Templo do seu Pai...

Na verdade, a profecia de Isaías sobre o ministério de Jesus não mostra um pregador agressivo, virulento, que saía atacando as pessoas:
Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na preça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito. Não desaminará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina. (Isaías 42:2-4)
Jesus não era um "banana". Basta ler os Evangelhos para vermos palavras duras sendo ditas aos fariseus (Mateus 23) e mesmo discursos em que Ele terminou abandonado por todos por dizer a verdade sobre os pecados de seus próprios seguidores (João 6). Jesus veio com uma missão: estabelecer o direito na Terra, proclamar e tornar reais as leis do Senhor neste mundo em que vivemos. E, até o presente momento, Ele trabalha para que isso aconteça. Mas Jesus não faz isso gritando, de modo escandaloso. Ele não esmaga e oprime as pessoas para fazer isso.

Ora, se Jesus não age assim, quem somos nós para, por meio de berros, fazermos isso? Quem somos nós para esmagarmos canas quebradas? Quanto mais para pecarmos, xingando e ofendendo e até depredando o patrimônio alheio? Jesus não fez isso.

E nem os apóstolos. Muito pelo contrário...na Bíblia os cristãos nunca são os perseguidores violentos...eles é que são os perseguidos e oprimidos por outras religiões.

Um exemplo disso é o ministério de Paulo na cidade de Éfeso, que podemos ler em Atos 19. Segundo o próprio texto bíblico, havia uma grande indústria de ídolos na cidade, que tinha um grande templo dedicado à deusa Diana (ou Ártemis, se usarmos o nome grego ao invés do latino). Lá, Paulo alcançou um grande sucesso, a tal ponto que:
Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. (Atos 19:19)
O sucesso do apóstolo foi tão grande que um ourives da cidade, chamado Demétrio, temeu pela continuidade de seu sustento:
Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram. (Atos 19:27)
A narrativa segue até o versículo 41...e a violência fica a cargo dos pagãos, e não de Paulo e seus seguidores, que foram vítimas de um tumulto e arrastados à força para uma assembléia.

Também em Atenas, quando Paulo fala aos pagãos, em Atos 17, o apóstolo, embora tenha se revoltado com a idolatria da cidade (Atos 17:16), não saiu por aí xingando os atenienses. Quando ele teve a oportunidade de fazer um discurso público, o tom foi respeitoso.

Vale notar que Jesus e Paulo foram homens firmes, que condenaram veemente o pecado e nem sempre foram politicamente corretos, nem para os padrões do século XXI ou para os padrões do século I. Mas as palavras mais duras deles foram dirigidas à "igreja da época", os judeus, e não aos que não eram da igreja. Por que hoje agir diferente agora?

O prejuízo aos missionários
Um princípio bíblico é o de que devemos amar os nossos inimigos. E, como lemos no versículo que abre este post, devemos tratar os outros como queremos ser tratados.

Na verdade, nenhum cristão genuíno gosta de ser xingado, ofendido ou perseguido por causa da fé. Não queremos que entrem em nossos templos e depredem o nosso patrimônio. Até mesmo quando os vizinhos da igreja ligam aquele funk no último volume na hora do culto, já nos sentimos incomodados...quando não agredidos. Por que, então, não tratarmos as outras religiões com o mesmo respeito?

Mas o problema é mais sério. Hoje vários cristãos estão presos por causa da verdadeira perseguição ao Evangelho. E uma de nossas lutas é (ou deveria ser) a de que a liberdade religiosa seja, de fato, um direito humano real em todo o mundo. Mas, como reivindicar essa liberdade, se nós mesmos não fomos capazes de respeitá-la?

E os evangélicos que não se iludam...afinal, somos uma minoria no Brasil e no mundo. Se hoje milhões de brasileiros se declaram evangélicos, a liberdade de crença contou muito. Na Igreja Presbiteriana, há histórias de tocaias armadas para pastores e ameaças de depredação de templos no século XIX. Pastores jubilados falam de apedrejamentos a igrejas evangélicas nas cidades goianas, em pleno século XX. Quando tudo isso foi vencido e superado, quando o respeito à religião evangélica permitiu uma pregação mais pacífica, as igrejas cresceram.

Mas, quando os cristãos decidiram ganhar almas por meio da espada, o resultado nunca foi positivo. Até hoje, as Cruzadas são evocadas pelos muçulmanos para barrar ou limitar a presença de missionários em países islâmicos. As missões católicas no Brasil, convertendo negros e índios à força, produziram um catolicismo sincrético, onde orixás e santos se misturam. Mais do que isso...esse passado histórico cria barreiras que dificultam a evangelização até hoje.

Se é assim com o passado, imaginem quando a intolerância acontece no presente! Os evangélicos intolerantes estão prestando um desserviço ao Senhor da Igreja, pecando e trazendo prejuízos a verdadeira pregação evangélica.

Um porém
Mas, cabe aqui registrar um porém. É dever do cristão pregar a verdade bíblica, e isso significa sim denunciar a idolatria como pecado, uma estrada que leva direto para o inferno, a não ser que haja arrependimento. Precisamos ter a liberdade de pregarmos a Bíblia abertamente e o dever de anunciar aos homens a Lei de Deus e suas penas.

Mas é preciso que entendamos que as outras religiões e correntes têm o mesmo direito. Seria ótimo se toda a humanidade fosse cristã...(os muçulmanos, budistas, hindus e até ateus devem pensar o mesmo sobre suas religiões)...mas não foi assim que Deus decretou. A liberdade religiosa é uma exigência e uma bênção para o mundo em que vivemos hoje. Ela permite os meios para que a pregação do Evangelho seja livre e abundante, e isso é sim ótimo. A liberdade abre a porta para as heresias? Sim. Mas também abre as portas para o Evangelho. E é isso o que verdadeiramente deveria importar.