29 julho 2009

Colônia de férias para crianças atéias

O G1 traz uma matéria bem interessante, sobre colônias de férias (ou acampamentos) para crianças e adolescentes ateus. A ideia é exatamente a de um trabalho apologético, ou seja, de mostrar, desde cedo, argumentos a favor do ateísmo. A reportagem pode ser lida em http://bit.ly/jtvUz.

Aqui, no Reforma e Carisma, gostaria de destacar um trecho na matéria:
"Os participantes aprendem que o comportamento ético não depende de crença religiosa e doutrinas, que essas são às vezes um obstáculo para o comportamento moral e ético, que pessoas sem religião também são boas e totalmente capazes de viver uma vida feliz e cheia de significado", afirma o site do acampamento na internet.
Aos apologetas cristãos, cabe aqui lembrar que essas continuam sendo duas perguntas complicadas para ateus responderem:

1) Se não há Deus, não há vida após a morte, se tudo se resume ao que podemos ver, ao mundo material, então quem vai definir o que é certo ou errado e por que eu preciso seguir essas regras?

2) Se não fomos criados, se somos produtos do acaso, da ação de forças impessoais, então qual o sentido da vida?

Vale lembrar que, sem Deus, não há qualquer esperança, de que a justiça seja algo mais que uma ilusão. Alguns farão coisas abomináveis do ponto de vista ético (como a pedofilia, o racismo ou os assassinatos), viverão como reis e, no fundo, tudo bem...porque tudo depende da aprovação da sociedade. Reis de antigamente que estupravam, roubavam, matavam e deram vazão a todos os seus apetites carnais (assim como ditadores fazem hoje em dia, por exemplo, na Coreia do Norte e na África) é que viveram a vida boa. Conceitos como fidelidade no casamento e não aproveitar um caso de corrupção não têm, no final das contas, valor algum. Se o infiel ou o corrupto não for pego, pode dormir com a consciência tranqüila e, quando ele morrer, vai ter o mesmo destino de alguém que tenha renunciado aos bens materiais, sido celibatário e dedicado toda a sua vida a combater a pobreza no mundo.

Quanto ao sentido da vida, ateísmo e darwinismo precisam da mesma resposta. Se não há Deus, somos produto de leis do Universo (que não podemos explicar porque foram fixadas da forma "A" e não da "B"...ou melhor, não podemos explicar porque elas existem, ao invés de tudo ser aleatório) e do acaso, da aleatoriedade de probabilidades. E, no final das contas, a humanidade toda vai morrer mesmo...engolida pelo Sol quando ele virar uma gigante vermelha ou quando o Universo entrar em colapso. Não há eternidade...tudo o que fizermos, de bom e de ruim, é temporário e acabará no nada, cedo ou tarde. Qual o sentido da vida nessas circunstâncias?

Quanto à Bíblia, a maior prova que ela dá da existência de Deus continua sendo a criação. Quanto mais se estuda o Universo, mais se percebe como a Terra é um lugar especial. Quanto mais se estudam os organismos vivos, mais vemos como tudo é complexo (veja, por exemplo, o DNA). O mesmo pode ser dito até dos seres não vivos (ou você acha que física quântica é fácil?).
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coração insensato. (Romanos 1:20-21)

17 comentários:

Anayran Pínheiro de disse...

É intrigante como as pessoas se esquecem que os valores morais cristãos são os mais coerentes...
E a partir disso, ainda negam a existência Dele, pois essa foi uma coisa que necessitou de um criador, tais valores não foram criados ao acaso...

Ivonete Silva disse...

Cruzes uma EAF. Escola "Atéia" de férias.

Daniel Reynaldo disse...

"1) (...) então quem vai definir o que é certo ou errado e por que eu preciso seguir essas regras?"

Resp.: Para mim e para grande parte dos ateus como eu, o que vai definir se determinada ação é certa ou errada é a reflexão sobre os resultados desta ação para mim e para a coletividade enqunato estamos vivos.

Não preciso ter medinho do inferno para fazer o bem, querer viver em uma sociedade mais justa, com melhores índices de saúde, educação... menores índices de violência et cetera já basta para moldar meu caráter.

Ao contrário do que você ingenuamente supõe não há nenhuma necessidade da (fantasiosa) esperança de vida no paríso (ou medo de queimar no caldeirão do Caramunhão) para ser doador regular de sangue (como eu sou) ou para pagar honestamente os impostos (como eu pago) ou para respeitar regras de convivência (como eu respeito) ou para ajudar quem necessita.

Basta que se queira viver ESTA única vida que temos da melhor maneira.

Quanto a isso eu sugiro que você dê uma pesquisadinha na internet pelos resultados do Eurobarômetro 2005. É interessante notar como, ao contrário da sua tese furada, os países menos religiosos da Europa (Suécia, França, Noruega, Dinamarca...) são os que têm as populações mais responsáveis socialmente, as que mais promovem igualdade entre os gêneros, as que mais se preocupam com questões ambientais e sociais... em suma: as que mais distiguem o certo do errado.

Já os mais religiosos (Itália, Portugal, que pape...) bom, procure aí pelo Eurobarômetro, dê uma olhada nos resultados, se dispa um pouquinho do seu fanatismo cristão e tire as conclusões por si só.

"2) Se não fomos criados, se somos produtos do acaso, da ação de forças impessoais, então qual o sentido da vida?"

Sentido é uma palavra (como tantas outras) de múltiplos sentidos. Se você é jornalista formado pela UNB como afirma ser deve saber disso.

Dito isto: "sentido" na acepção de "finalidade para a qual vida tenha aparecido" não há nenhum, e nós, ateus, não precisamos inventar nenhum nas nossas caraminholas. Convivemos bem com a idéia mais razoável de que estamos aqui por acaso, não precisamos inventar nenhum deus ou curupira ou fada-madrinha pra nos consolar de nosso caráter ocasional... não somos tão metidos a besta a ponto de inventarmos uma estoria da carochinha para nos convencermos de que somos bichos especiais e amados por uma espécie de SaciPerere Todo Poderoso (quando na verdade não passamos de macacos um pouco mais hábeis que a média)

Agora "sentido" na acepção "motivação para que nossas vidas possíveis e limitadas sejam o mais aprazíveis possível" existem aos montes: o principal deles é viver o tempo que temos da maneira mais prazerosa possível (e ao contrário do que você possa imaginar isto não resulta em barbárie e egoísmo: resulta em civilidade e altruísmo, porque eu preciso do bem-estar alheio para que eu mesmo esteja bem)

Helder Nozima disse...

Daniel,

Contanto existam ateus preocupados com "um mundo melhor", a grande verdade é que não há uma base racional consistente para agir assim. Se, em suas palavras, não há sentido enquanto "finalidade para a qual vida tenha aparecido", se tudo o que existe é a matéria, e até mesmo o planeta e o Sol estão fadados à destruição (implicação lógica da ciência), no fim das contas todo esforço de construção de um mundo melhor é inútil. Se você sente prazer fazendo o bem, mas eu sinto prazer fazendo o "mal", você não tem uma base para me condenar, exceto o julgamento das pessoas, que varia conforme o tempo e o lugar. Na verdade, dentro de um ateísmo consistente, mundo melhor ou pior, moldar um caráter bom ou mau, nada disso faz sentido. A discussão simplesmente não cabe. "Certo" e "errado" são construções sociais.

Cristãos, os verdadeiros cristãos, não fazem boas obras por medo do inferno. As fazem por gratidão ao Senhor. Nem sempre as boas obras são recompensadas com reconhecimento dos outros, como a morte de Jesus bem o prova. E, sendo bem honesto, a satisfação psicológica não compensaria as dores da crucificação. Os que entregam a vida por causa de Deus, o fazem por entenderem que estão vivendo de acordo com princípios maiores que o instinto de sobrevivência ou mesmo que o medo do inferno. O fazem com a fé de que serão recompensados, que defendem o que é correto e verdadeiro e que seu sacrifício contribuirá para melhorar o mundo.

Sobre os países do EuroBarômetro, muitos dos países citados por você possuem uma forte herança cristã protestante, como você mesmo deve saber. Se, por um lado, há avanços em áreas como ecologia e responsabilidade social, essas não são as únicas áreas pelas quais a Bíblia julga a obediência de uma população ao Senhor. Divórcios, consumo de drogas, tolerância a pecados sexuais, materialismo, idolatria, tudo isso é pecado também. E, a bem da verdade, segundo o padrão bíblico, nenhuma nação ainda está perto de atingir o que deveria. E, assim como todos os homens erram e são igualmente condenáveis, o mesmo com as nações. Os pecados são diferentes, mas são pecados.

Daniel Reynaldo disse...

***Sobre "bases intelectuais consistentes": bem, se você considera a expectativa de ganhar como prêmio por ser bonzinho uma passagem para um lugar imaterial onde as ruas são de ouro e todas as pessoas têm corpos imateriais embora se vistam de branco é "base intelectual consistente"... quem sou eu pra discordar.

***Sobre "cristãos de verdade" eu poderia refutar com a mesma falácia, dizendo que "ateus de verdade" são os que fazem o bem e que os ateus que praticam o mal são na verdade presbiterianos enrustidos... esta é a velha falácia do "escocês de verdade": consiste em reduzir um grupo qualquer aos indivíduos que nós gostaríamos que representassem este grupo e eliminar os que de fato são do grupo mas que não nos soam bem colocando-os no grupo adversário.

***"Se, por um lado, há avanços em áreas como ecologia e responsabilidade social, essas não são as únicas áreas pelas quais a Bíblia julga a obediência de uma população ao Senhor. "
Você é um dos poucos religiosos com quem eu discuto e que provavelmente possue melhor conhecimento bíblico que eu, afinal é teólogo, deve ter estudado este livrinho à exaustão.

De qualquer modo eu quero lembrar que a Bíblia é um livro cheio de ordens divinas para que se esquarteje crianças, para que se espanque os filhos, para que se subjugue mulheres, para que se escravise... não me venha com essa de que esta coleção antiga de livros mitológicos serve como algum tipo de manual ético e moral.

***"Divórcios, consumo de drogas, tolerância a pecados sexuais, materialismo, idolatria, tudo isso é pecado também."
Pois é, a vantagem de um sistema moral não focado em religião é que ações que repercutem apenas na vida do próprio indivíduo, que não são da conta dos outros, não são julgadas pela sociedade. Numa sociedade menos religiosa o "com quem você faz sexo" não tem importância moral mas o "onde você joga seu lixo" ou o "como você lida com seus vizinhos" sim. Esta é a vantagem da não-religiosidade: concentrar as preocupações onde faça sentido e esquecer estas coisas mesquinhas como regular o uso que o coleguinha faz do seu membro sexual.

***Quanto ao histórico protestante das nações citadas... bem, eu sabia que você ia usar isso pra dar uma alfinetadinha nos seus irmãos religiosos católicos. Mas perceba que o processo de secularização destes países já dura décadas e eles só fazem melhorar moralmente, economicamente, socialmente... não parece que a falta da religiosidade esteja produzindo qualquer dano, ao contrário da sua tese.

Helder Nozima disse...

Daniel,

A consistência intelectual não se mede pelo critério "creio em Deus" ou "não creio", e sim pela coerência das posições. A partir do momento que você se posiciona, a consistência de seus argumentos depende das bases lógicas de seu raciocínio.

E, ao contrário do que você disse, a Bíblia não ensina um céu imaterial com corpos imateriais. Não ganho prêmio por ser bonzinho, porque a salvação é pela fé em Cristo Jesus e não depende em NADA do que eu fiz ou deixei de fazer.

Sobre a restrição do grupo, sigo a Bíblia também. É ela quem diz que nem todo o que chama Jesus de Senhor é, de fato, seu seguidor.

Sobre sua opinião sobre a Bíblia, ela não ensina "esquartejamento de crianças" (prove com o versículo), mas ensina sim a destruição de povos no Antigo Testamento, o que deve ser entendido dentro de um contexto específico. Não ensina "espancamento de crianças", ensina o uso de disciplina física. Não ensina escravidão de mulheres, ensina a submissão feminina, mas cobrando do homem um amor tão grande que ele morra pela mulher. Você fala do que não conhece, de um livro que não leu, aí fica difícil mesmo debater.

A Bìblia ensina o perdão, o amor aos inimigos, a verdade, a pureza sexual, o amor pela vida toda...ela é o verdadeiro manual ético.

E, como o blog é espaço pessoal, não vou permitir um novo comentário seu, caso contenha termos desrespeitosos no tratamento do livro. Pode divergir, mas sem acidez.

Sobre sexualidade, pergunte a uma mulher abandonada pelo marido como ela se sente e veja como a sexualidade, ao contrário do que você diz, afeta sim a vida dos outros...da mulher, de filhos e de outras pessoas.

Sobre o avanço de países "ateus", em casos como Suíça ou Holanda, eles constroem em cima de heranças protestantes. Se existe hoje escola pública, por exemplo, Lutero foi o primeiro a exigir que todos aprendessem a ler (para ler a Bíblia) e Calvino construiu a Academia de Genebra e deu instrução gratuita a quem não podia pagar.

O avanço de "nações atéias" (acho que só na França o ateísmo, é, de fato, mais de 50% da pop) se dá, em muitos casos, devido a sementes e valores construídos pelo protestantismo.

E eu não defendo o teísmo católico ou islâmico, defendo o teísmo bíblico. Espero que, pelo menos, você reconheça o inimigo que se propôs a combater.

Daniel Reynaldo disse...

(1ª parte)

Tem uma charge da qual eu gosto muito que é assim:

No primeiro quadro há um pastor batendo com uma cruz na cabeça de um ateu e gritando: "Seu impuro, assassino, cruel, pior espécie de gente, renegado, você não tem amor no coração, filho da besta, demônio!!!!". No segundo quadro o ateu toma a cruz das mãos do crente e ameaça quebrá-la (à cruz, não ao crente), ao que é interpelado pelo pastor: "Ei, pera aí, eu exijo um pouco de respeito aqui!"

Lembre-se que não fui eu a fazer uma postagem dizendo que ateus são mais propensos à corrupção, ao homicídio, à pedofilia... (mesmo que as estatísticas digam o oposto). Então se quiser bloquear meu post... o blog é seu e a Google Inc. disponibilizou este recurso é pra isso mesmo.

Mas não seja hiopócrita, não se faça de vítima.
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Quanto ao contexto das atrocidades bíblicas, é engraçado esta apelação que vocês fazem, para que se leia as atrocidades bíblicas sob uma ótica antropológica relativista (até porque relativismo moral é algo do qual os religiosos dizem ter nojo). Engraçado pensar que um deus oniciente, onibenevolente, onipresente e onipotente como o seu esteja preso à cultura de um povo de modo que mande esquartejar crianças (Josué 6, 7-21), apedrejar os filhos comilões até a morte (Deuteronômio 21, 18-21), espancar filhos (Provérbios 19, 18) de acordo com a cultura local.

Ora, se eu fosse um deus bonzão e sabiozão e poderozão e visse um povo que tivesse o costume cultural de matar os filhos alcólatras a pedradas em praça pública eu não pediria ao meu profeta que repetisse esta recomendação. Antes o contrário: eu mandaria que ele escrevesse uma recomendação para que o povo abandonasse tal hábito.

Que vantagem tem um deus que é mal quando o povo é mal e que evolui À MEDIDA que o povo abandona seus hábitos primitivos? Se o deus do VT era carniceiro e o deus do NT não é mais é sensato pensar que não tem deus nenhum e que é o povo que está a inventar deuses que reflitam o pensamento da época.
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Daniel Reynaldo disse...

(2ª parte)

"E eu não defendo o teísmo católico ou islâmico, defendo o teísmo bíblico."

Os católicos também juram de pés juntos que defendem o deus da Bíblia. Em quem eu acredito?

Você consegue com clareza perceber que os outros trocentos mil deuses são falsos (em que pese haver sobre eles também livros milenares e apesar dos milhões de fiéis que os adoram e apesar de muitos milagres serem atribuidos a eles). Não é irônico que ao mesmo tempo você tenha absoluta certeza da existência do deus no qual você foi catequizado?
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"Espero que, pelo menos, você reconheça o inimigo que se propôs a combater."

Eu espero que você faça um exame de conciência e admita que eu só estou aqui para refutar um texto postado POR VOCÊ no qual VOCÊ afirma que pessoas que não creem em amigos imaginários são mais propensas a cometer crimes e atos contra seus semelhantes (embora quem tenha cometido o crime de preconceito religioso ao escrever tais teorias tenha sido você).

Eu não tenho problema nenhum com o fato de você acreditar em um amigo invisível todo-poderoso. Eu mesmo fui criado em lar presbiteriano e embora tenha duvidado da existência desta entidade desde pequeno (aos 7 anos eu já questionava a veracidade de tudo que ouvia na EBD e aos 12 parei de ir à igreja) tive dúvidas quanto a isso até os 20 anos de idade.

O meu problema não é sua crença em deuses (ou em fadas ou gnomos). É você usar este espaço para destilar seu discurso preconceituoso e ainda querer se fazer de vítima. Perceba que eu não postei comentário em nenhum de seus posts sobre religião em si. Não me importa que você tenha um amigo imaginário que ressucitou três dias depois de morrer. Se você está feliz com esta crença seja feliz com ela.

Agora, me importa um pouco (só um pouco) que você afirme que ateus são propensos à pedofilia ou ao homicídio ou à qualquer tipo de ato lesivo a outrem. Mas se você quer viver com seu preconceito, seja feliz com ele.
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"Sobre sexualidade, pergunte a uma mulher abandonada pelo marido como ela se sente e veja como a sexualidade, ao contrário do que você diz, afeta sim a vida dos outros...da mulher, de filhos e de outras pessoas."
Sobre sexualidade, pergunte a uma mulher (ou a um homem) que viva em um país onde a sexualidade seja considerada questão pública e onde as pessoas sejam obrigadas pelo estado a viverem maritalmente mesmo quando não querem mais por conta das leis de alguma religião para ver que as coisas não são tão simples.
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"Sobre o avanço de países "ateus", em casos como Suíça ou Holanda, eles constroem em cima de heranças protestantes."
Nisso eu até concordo... o protestantismo se destaca das religiões exatamente por ser mais secularizado, e esta maior secularização resulta em maior aproximação do saber científico, do conhecimento acadêmico... o que impulsiona o abandono do pensamento mítico-religioso.
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"A Bìblia ensina o perdão, o amor aos inimigos, a verdade, a pureza sexual, o amor pela vida toda...ela é o verdadeiro manual ético."
É certo que estamos falando de livros diferentes.

Helder Nozima disse...

Daniel (1a parte da minha resposta),

O que eu disse é que o ateísmo, ao meu ver, não dá uma base sólida para a condenação da pedofilia, da corrupção e outros pecados. Não dá porque o ateísmo leva ao materialismo (tudo o que existe é a matéria) e ao relativismo (sem Deus, sem absolutos). Se o ateísmo está certo, a condenação de problemas como a corrupção é apenas algo convencionado socialmente. E, se um senador desses não for condenado jamais, lucrar com os benefícios de sua corrupção e não ter a consciência abalada, tudo bem. Ele pode ter tido uma vida muito mais feliz e prazerosa do que um abnegado que viveu para ajudar os outros. Mas, tudo bem, se o ateísmo está certo, felicidade e prazer são apenas reações químicas da matéria.

Acho que tenho o direito de falar abertamente o que penso do ateísmo. E acho que há uma diferença: meu blog, minha casa...assim como minha igreja. Assim como em blogs ateus, os cristãos podem ser chamados de obscurantistas, irracionais, ilógicos, hipócritas, defensores do pior tipo de moralidade. Não somos os EUA, mas vivemos em um país livre. Não posso proibi-lo disso, e vice-versa. Mas podemos moderar os comentários um do outro em nossos espaços. Direito meu, que pretendo usá-lo. Se quiser fazer o mesmo em seu site, direito seu. Graças a Deus, aqui não é a China, Cuba ou a Coréia do Norte, países onde, por causa do marxismo, o ateísmo foi adotado como “religião” oficial e onde há severas restrições religiosas, que não existem em nenhum país de maioria protestante.

Não tenha a esperança de me fazer desistir do meu ponto de vista sobre as conseqüências do ateísmo sobre a moral. Apesar da sua argumentação, continuo pensando a mesma coisa; assim como você continua pensando o mesmo sobre evangélicos. Não precisamos concordar.

Bíblia, nesse espaço é, literalmente, coisa sagrada. Aqui é minha casa, não sua. Se você não respeita, na minha casa, algo que considero sagrado, tenho todo o direito de botar-lhe no olho da rua, sim. Agora, se você achincalhar a Bíblia na rua, ou na sua casa, beleza. Mas aqui não.

Helder Nozima disse...

Daniel, (2a. parte)

Sobre o que você chama de “atrocidades bíblicas”, meu conceito de moral é diferente do seu. Deus não pode ser julgado pelos nossos critérios de moralidade, é Ele quem define o que é moral ou não. Se Ele manda matar, o certo é matar. Quando Ele manda não matar, naquele caso, o certo é não matar. Não me cabe julgar a Deus ou definir o que é certo ou errado, cabe-me seguir o que Ele ordena. E ponto.

As “atrocidades ordenadas por Deus”, dentro da boa teologia reformada, são corretíssimas porque Ele ordenou. E isso é harmônico com o ensino bíblico do inferno. Quando Deus mandou, no Antigo Testamento, que civilizações fossem destruídas por Israel, aquela destruição é juízo de Deus. Segundo a Bíblia, todo homem é pecador e merece o inferno, logo, quando ímpios e até cristãos morrem numa guerra ou num campo de concentração, não podem reclamar...estão recebendo, de forma atenuada, o que merecem.

Eu acredito que a Bíblia não condena a guerra (acho legítimo, por exemplo, lutar contra o nazismo na 2a. Guerra ou contra os comunistas no Vietnã) nem a pena de morte. Creio em um Deus que vai mandar pessoas no inferno, e que lá é muito pior do que o pior gulag soviético ou campo nazista de concentração. Creio que, se Ele disse que todos nós, sem exceção, merecem isso, Ele está certo. E, bem, se creio em um Deus assim, as “atrocidades do Antigo Testamento” estão dentro do esquema. Não há evolução, por assim dizer, o Novo Testamento ensina uma punição muito pior que o Antigo, só que fala para a igreja deixar Deus aplicar diretamente essa pena no fim dos tempos.

Deus é bom, mas quem define a bondade não sou eu e você, é Ele. E o fato de eu ou você não concordarmos com o conceito d’Ele de bondade, não muda nada. E Josué 6:7-21 manda matar todas as pessoas da cidade, o que inclui as crianças. Mas não diz para esquartejá-las. Você não consegue provar uma ordem bíblica para esquartejar crianças :-P

O ponto é: não há diferenças entre o Deus do AT e do NT. No Novo Testamento, Deus diz que se eu minto, se eu te xingo, eu mereço o inferno. Muito mais grave do que apedrejar comilões ou filhos rebeldes. Eu devo amar os meus inimigos, na esperança de que se arrependam. Mas, se não se arrependerem, o Apocalipse mostra os santos jubilosos, felizes quando Deus joga os pecadores que não se arrependeram, que não creram em Cristo, no fogo do inferno. Mostra os santos felizes, dizendo que Deus fez justiça. (continua)

Helder Nozima disse...

Daniel (3a. parte),

Bom, decidi ser teísta, e não ateu. Por que a Bíblia, e não outra revelação ou deus? Questão de fé. Creio no Deus que se revelou a mim, li a revelação dele, achei-a consistente e rendi-me a ela. Sou presbiteriano, creio na predestinação, que a graça irresistível de Deus me alcançou. Acreditei n’Ele, tive experiências com Ele que, se não são suficientes para todos, são suficientes para mim. Era um adolescente suicida, desapontado com o catolicismo, quando Deus me converteu. Devo a Ele a vida. Sou crente por causa de algo emocional, diria você. Sim, pode ser por esse lado. Mas isso não anula, necessariamente, uma explicação espiritual.
Eu não defendo aqui nenhum teísmo ou crença que não seja a bíblica, mais exatamente, como interpretado pela teologia reformada, exceto em questões de pneumatologia (Espírito), como explicitado no cabeçalho do blog. Acho sim que teísmos errados, como o hindu, o budista e o islâmico, mais escravizam do que atrapalham, que só o teísmo bíblico é, de fato, redentor.

Não cometi crime de preconceito religioso, porque sou pastor de uma igreja que, formalmente, crê que todas as outras são erradas. A Constituição protege a liberdade de crença e de culto, o que inclui a pregação. E o exclusivismo é comum ao protestantismo, judaísmo, islamismo...se isso for crime...crer e dizer porque eu creio...que outros movimentos, como o ateísmo, são errados...então tem muito livro (como a Bíblia, que é bem menos boazinha com ateus do que eu) que precisa ser destruído e sacerdote preso. Mas, tudo bem, nos últimos dias, é isso que a Bíblia diz que vai acontecer mesmo.

Entendo que você se doa com minhas opiniões sobre o ateísmo, mas apenas reflito em cima da Bíblia. Me dôo também pelo que outros falam de protestantes em seus sites. Mas...tenho o direito de expor o que a Bíblia ensina. Você tem o direito de criticar esse ponto de vista em seu blog. Eu faço a defesa do protestantismo aqui. E ponto.

Só mais uma coisa: você deve querer questionar o meu ponto de vista sobre amor aos inimigos com o Deus que manda as pessoas para o inferno. Jesus disse que Deus manda a chuva dele sobre maus e bons. Mas, no último dia, Ele casitigará os maus que não se arrependem.

Devo amar os meus inimigos, na esperança de que eles se arrependam...ainda que seja só no leito de morte. Mas, se isso não acontecer...que Deus seja justo. Pra mim, a Bíblia é o manual de ética. Se não é pra você, paciência.

Outros comentários seus, dependendo do conteúdo, serão moderados, dependendo dos termos usados por você.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Anayran Pínheiro de disse...

Se você estudar um pouco de história vai entender perfeitamente que antigamente a coisa mais normal eram povos se destruirem completamente, para conquista de espaço desejado (algo que a bíblia mostra perfeitamente com a retirada dos 600 mil [b]HOMENS[/b], tirando mulheres e crianças) para a acomodação de todas essas pessoas...
Não é preciso ser cristão para entender conceitos históricos que se aplicam a qualquer povo...
E sinceramente caro Daniel, você está usando um argumento pouco preciso, falacioso, pouco consistente e não está buscando unir alguns pontos bíblicos que fazem coerencia com a mesma, o que me prova que você não a leu de maneira entendível... XD

E como ex-ateu eu te falo, se você quer debater o cristianismo, leia uns livros de uma coleção chamada bíblia, principalmente uma parte chamada novo testamento...
Vai te dar um entendimento e tanto sobre o que é o cristianismo... XD

Daniel Reynaldo disse...

Ué, Helder. Você não gosta da Parábola do Bom Samaritano?

Aquela parábola em que a personagem principal do seu livro sagrado predileto (aquele jovem que se dizia filho de um deus) afirma que o posicionamento religioso de um índivíduo não é tão importante para sua "salvação" quanto ser simplesmente bom para com os outros... texto aliás, como eu disse no post que você bloqueou, tão bonito e tão em desacordo com o restante da Bíblia.

Juro que não imaginei que você bloquearia, de tantos textos que escrevi esculhambando a Bíblia, exatamente um post em que eu aplaudo a beleza e humanidade de um texto bíblico (que aliás, contradiz a sua tese de que a religiosidade é o que molda o caráter).

Suspeitei até que você fosse usar de algum malabarismo exegético para sustentar que Jesus (que para mim é só uma personagem fictiícia, mas não nos prendamos a pequeníces) não estava dizendo que é mais importante que a pessoa faça o bem do que tenha uma religiosidade (como de fato é o que a personagem Jesus afirma neste texto).

Mas simplesmente bloquear exatamente o único texto em que eu apresentei algo de elogiável na Bíblia? Me surpreendeu...

Helder Nozima disse...

Daniel Reynaldo,

Ridiculamente fácil responder. A parábola do bom samaritano faz parte de um diálogo maior de Jesus com um intérprete da Lei, que pergunta sobre como herdar a vida eterna.

Ao contrário do que vc afirma, Jesus diz primeiro que é preciso amar ao SENHOR Deus de todo o coração, alma, forças e entendimento e depois é que ele fala de amar ao próximo. Fica claro, portanto, que para Jesus não basta apenas "amar o próximo" (como você defende), mas que é preciso antes amar a Deus. Um amor anda junto do outro. A parábola não é sobre o bom ateu.

Se você, pelo menos, se desse ao trabalho de ler a passagem antes de falar bobagens, talvez eu até precisasse fazer alguma exegese para responder à sua pergunta.

Sobre o bloqueio do seu post, termos como livro que ensina a misoginia são ofensivos e não serão tolerados neste blog. Ainda mais que já fui muito paciente com suas ofensas aqui.

Daniel Reynaldo disse...

"

Samaritanos

Vem da Samaria que chamava-se a principio Shamron que quer dizer lugar de vigília, guardiã, sentinela,
E parecia muito apropriada a uma cidade situada no alto de um monte. Possuía um vale muito fértil com bosques e terras boas para o plantio.
Eram desprezados pelos Judeus pelo fato de ser uma raça misturada com Babilônicos. E árabes. Estes elementos estrangeiros, levaram consigo a sua idolatria. Levantavam imagens de seus deuses nos lugares altos de Israel combinando a IDOLATRIA com o culto de Jehovah (Deus ).
O culto PAGÃO crescia e os judeus sentiam repugnância em manter relações sociais e religiosas com os samaritanos. E não permitiam a adoração deles no Templo de Jerusalém.
Eles então se insularam na Samaria e fundaram o seu próprio templo, sobre o monte Garizim e declaravam não pertencer a mesma raça. E agradavam aos estrangeiros mostrando desejo de que seu templo fosse dedicado a JÚPITER. Defensor dos estrangeiros.

Fonte: http://www.techs.com.br/meimei/historias/historia20.htm
"

As palavras capituladas foram capitualdas por mim. Os Samaritanos estavam definitivamente para os "judeus puros" quanto os ateus estão para os calvinistas. Embora seja certo que a personagem Jesus tenha dito primeiro que era necessário amar deus(Jeová) a inclusão exatamente de um Samaritano é contraditória a este ponto, já que como demonstrado, os Samaritanos adoravam a outros deuses que não a Jeová.

É inegável a valoração que a personagem Jesus Cristo faz do "ser bom" em detrimento do "ser religioso" nesta anedota. E por conseguinte é igualmente inegável que Jesus separa nesta estória tão bonita o "ser bom" do "ser religioso". Ele diz claramente que mesmo as pessoas da 'religião errada', as que adoram aos deuses errados (e que, como você defende, são atéias na prática) podem estar mais próximas da salvação que muitas pessoas da 'religião certa' pelo mero fato de serem boas INDEPENDENTEMENTE de serem "IDÓLATRAS SAMARITANOS" ou algo que o valha.

É claro que para mim isso não faz diferença, visto que eu acho que esta estória toda é apenas um conjunto de lendas.

Mas para o seu discurso de monopólio calvinista da moral é um chute nas canelas.

Para fins judeus ou calvinistas os samaritanos eram de fato ateus já que não adoravam ao "único deus verdadeiro (ou seja: o que você adora)" e como você mesmo afirmou em um outro texto quem não adora o seu deus é na prática ateu.

Helder Nozima disse...

Daniel Reynaldo,

A Bíblia fala, em 2 Reis, sobre a origem do POVO samaritano e do sincretismo religioso que eles faziam.

No entanto, você interpreta erradamente o ensino de Jesus. Jesus nunca criticou o culto a Deus, a verdadeira religião. Tanto que, na parábola do bom samaritano, Jesus cita primeiro o mandamento de amar a Deus. Em Mateus 22:37, Jesus diz claramente que o primeiro mandamento é amar a Deus.

A bondade do bom samaritano não é desvinculada da verdadeira adoração. Até porque ser samaritano não implica, necessariamente, em seguir a religião samaritana. Assim como ser brasileiro não significa ser católico romano.

Na parábola, Jesus critica é a religião falsa, não a religião. Jesus sempre vinculou o mandamento de amar ao próximo com o de amar a Deus. Ele usou o samaritano porque eles eram discriminados, não para aprovar uma fé. Até porque Jesus pregou aos samaritanos (João 4) e para não judeus, pagãos mesmo. Multidões seguiam a Jesus, samaritanos devem tê-lo ouvido, crido nele e abandonado a idolatria. Há aliás evidências de manuscritos cristãos bem antigos de samaritanos. Ou seja, nada impede que vários samaritanos tenham crido em Jesus e deixado os ídolos (João 4:39).

Jesus pregava uma inclusão ÉTNICA, não uma inclusão de pessoas de várias fés. Tanto que Ele disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM." (João 14:6) Ao dizer isso, excluiu outros caminhos, inclusive o da religião samaritana. Mas não excluiu os do povo samaritano que cressem nele.

De fato, doutrina correta sem prática correta não é aprovada por Cristo. Mas ele nunca endossou prática sem fé, como você tenta provar.

Uma tentativa, aliás, inútil sua. Afinal, se os ateus estão certos, posso agir do modo que quiser. Se não for pego, morrerei tendo uma vida sem culpas. E não serei punido por ter agido mal.

Chamar texto bíblico de anedota foi a última gota. Seus comentários NÃO SERÃO MAIS ACEITOS NESTE BLOG. No mesmo capítulo da parábola (Lc 10), Jesus ordena que, se não formos recebidos, devemos sacudir o pó dos nossos pés contra a cidade que não recebe o Evangelho. Você não recebeu, sacudo o pó. Não vou perder tempo discutindo com quem nem sabe o que a Bíblia diz e fica insistindo, sei lá o porquê. Não obstante, saiba que está próximo o reino de Deus (Lc 10:11)

Poyato disse...
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