26 agosto 2009

Brasil: terra de Acabes e Nabotes

Sucedeu, depois disto o seguinte: Nabote, o jezreelita, possuía uma vinha ao lado do palácio que Acabe, rei de Samaria, tinha em Jezreel. Disse Acabe a Nabote: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está perto, ao lado da minha casa. Dar-te-ei por ela outra, melhor; ou, se for do teu agrado, dar-te-ei em dinheiro o que ela vale. Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu dê a herança de meus pais. Então, Acabe veio desgostoso e indigando para sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jezreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, voltou o rosto e não comeu pão.


Porém, vindo Jezabel, sua mulher, ter com ele, lhe disse: Que é isso que tens assim desgostoso o teu espírito e não comes pão? Ele lhe respondeu: Porque falei a Nabote, o jezreelita, e lhe disse: Dá-me a tua vinha por dinheiro; ou, se te apraz, dar-te-ei outra em seu lugar. Porém ele disse: Não te darei a minha vinha. Então, Jezabel, sua mulher, lhe disse: Governas tu, com efeito, sobre Israel? Levanta-te, come, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita.


Então, escreveu cartas em nome de Acabe, selou-as com o sinete dele e as enviou aos anciãos e aos nobres que havia na sua cidade e habitavam com Nabote. E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum e trazei Nabote para a frente do povo. Fazei sentar defronte dele dois homens malignos, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois levai-o para fora e apedrejai-o, para que morra. Os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que nela habitavam fizeram como Jezabel lhes ordenara, segundo estava escrito nas cartas que lhes havia mandado. Apregoaram um jejum e trouxeram Nabote para a frente do povo. Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu. Então, mandaram dizer a Jezabel: Nabote foi apedrejado e morreu.


Tendo Jezabel ouvido que Nabote fora apedrejado e morrera, disse a Acabe: Levanta-te e toma posse da vinha que Nabote, o jezreelita, recusou dar-te por dinheiro; pois Nabote já não vive, mas é morto. Tendo Acabe ouvido que Nabote era morto, levantou-se para descer para a vinha de Nabote, o jezreelita, para tomar posse dela.


Então, veio a palavra do SENHOR a Elias, o tesbita, dizendo: Dispõe-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que habita em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde desceu para tomar posse dela. Falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Mataste e, ainda por cima, tomaste a herança? Dir-lhe-ás mais: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de nabote, cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo. Perguntou Acabe a Elias: Já me achaste, inimigo meu? Respondeu ele: Achei-te, porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau perante o SENHOR. Eis que trarei o mal sobre ti, arrancarei a tua posteridade e exterminarei de Acabe a todo do sexo masculino, quer escravo, quer livre, em Israel. Farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías, por causa da provocação com que me irritaste e fizeste pecar a Israel. Também de Jezabel falou o SENHOR: Os cães devorarão Jezabel dentro dos muros de Jezreel. Quem morrer de Acabe na cidade, os cães o comerão, e quem morrer no campo, as aves do céu o comerão. Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o SENHOR, porque Jezabel, sua mulher, o instigava; que fez grandes abominações, seguindo os ídolos, segundo tudo o que fizeram os amorreus, os quais o SENHOR lançou de diante dos filhos de Israel. (1 Reis 21:1-26)
Em um mundo ideal, as lideranças de um país ou de uma instituição são exemplos a serem mostrados para as crianças. Pessoas que deveriam nos inspirar, mostrar o caminho e tomar decisões que beneficiem toda a sua comunidade. Afinal, elas recebem o poder do povo para servi-lo, e, por isso, supõem-se que são dignas e exemplares, modelos para todos nós. Mas não é o que acontece no Brasil.

O que a imprensa noticia é de fazer corar. O presidente da República dá ordem para que senadores de seu partido salvem o presidente do Senado, acusado de vários crimes e irregularidades. Mais: vemos os dois unidos a um outro senador que teve as despesas de uma pensão alimentícia pagos por um lobista de  empreiteira e a um ex-presidente da República, o único cassado por corrupção. A ministra-chefe da Casa Civil é acusada pela ex-secretária da Receita de mandar "apressar as investigações" de irregularidades em empresas do senador a ser salvo, e as fitas que poderiam provar ou não o encontro entre elas já foram apagadas. Fora todas as notícias já corriqueiras: o escândalo das passagens aéreas de deputados, desvios no Bolsa Família e os escândalos, muito mais freqüentes, que acontecem nos Estados e municípios do Brasil.

Dentro das igrejas evangélicas, o cenário não é melhor. Apóstolos de uma igreja muito conhecida foram presos nos Estados Unidos e, ao que me consta, não pediram perdão pelo crime e se fizeram de perseguidos. Agora estão soltos no Brasil. Uma outra igreja, ainda mais conhecida, está sendo acusada pelo Ministério Público, de desviar o dinheiro dos dízimos para fins não lícitos, como uma forma de evitar o pagamento de impostos. Fora os casos já corriqueiros: pastores que, na prática, seguem a Teologia da Prosperidade, pedindo ofertas de 900 reais ou vendendo orações a 7; adultérios; assédio moral contra fiéis; venda de votos em troca de regularização de terrenos ou empregos para os correligionários. Tem até denominação comemorando aniversário e feliz porque o presidente da República discursou no culto de aniversário...não seria melhor se manter longe, quando há tantas suspeitas de corrupção no governo dele?

Dentro e fora da igreja, aqueles que deveriam ser exemplos de moral e conduta, se tornam exemplos sim, do que não devemos fazer quando se trata de ética e moral. E, pior, ao invés de denunciar, de sermos como Elias e confrontarmos o pecado das lideranças, a maioria dos filhos de Deus se cala e aceita tudo como se fosse normal. Assim como nos dias de Acabe e Nabote, em Israel.

Mas o que faz um Acabe?

1) Cobiça. Acabe reinou em Israel entre 874 e 852 antes de Cristo e possuía um palácio em Samaria, além de outras propriedades, como uma residência na agradável planície de Jezreel. Era um homem rico e podia construir hortas, pomares ou jardins em vários outros lugares. Mas encrencou que queria fazer uma horta no lugar onde ficava a vinha de Nabote.

Nabote não queria vender sua vinha. Aquela foi a terra que Deus deu à sua família, onde seus antepassados trabalharam. Ele mesmo era um trabalhador, aparentemente honesto, que era apegado (no bom sentido) à sua propriedade.

Mas Acabe era um homem dominado pela cobiça. Quando Nabote recusou-se a vender, embora o rei fosse homem de várias propriedades, Acabe ficou infeliz e reagiu como uma criança: foi pro quarto, virou-se pra parede e não quis comer! Sem aquela vinha, ele não podia ser feliz! E Acabe não teve pudores em tomar posse dela quando soube da morte de Nabote.

O problema hoje é o mesmo. Um senador, por exemplo, ganha mais de 16 mil reais por mês, fora os benefícios. Salários invejáveis, benefícios idem, mas parece que não é o suficiente para eles. Pastores já têm a honra de serem ministros da Palavra e governantes da igreja de Deus, mas a cobiça os faz querer ser bispos, apóstolos e engordarem alucinadamente suas contas bancárias. Servir ao Senhor já não é suficiente, sem que as cobiças não sejam satisfeitas!

E o mesmo acontece com quase todos. Segundo a Bíblia, se temos comida e vestes, podemos viver uma vida de contentamento:
Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. (1 Timóteo 6:8)
E, mesmo assim, não estamos felizes com a nossa vida...e dizemos que jamais seremos felizes...se não tivermos a mulher do próximo, o carro do próximo, o emprego do próximo...não é à toa que a cobiça, o desejo indevido por aquilo que não é nosso, está na raiz de todo pecado:
Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. (Tiago 1:14-15)
A igreja precisa pregar que, ao contrário do ensino da sociedade, a cobiça é pecaminosa. Devemos aprender a sermos gratos com o que temos e que a felicidade não está no que possuímos, e sim em Deus. Pregar que somente Ele, por meio de Jesus e do Espírito Santo, pode mudar o coração. E que essa mudança é essencial para que os roubos e violências cessem.

2) Hipocrisia. Um coração cheio de cobiça não pode ser parado, nem que para isso ele tenha que sujar as coisas mais puras e santas de uma sociedade. Como disse acima, um rei deveria ser um símbolo de justiça e retidão. Talvez apenas o sacerdote e o culto a Deus devessem ser mais santos. Mas nem isso foi respeitado por Acabe!

Para isso, ele contava com a ajuda de sua esposa, Jezabel. Se existem casamentos em que um ajuda o outro a fazer o bem, o casamento de Acabe e Jezabel parecia perfeito para a prática do mal. Acabe queria o mal e tinha o poder para fazê-lo, mas não tinha coragem. Jezabel não tinha o poder, mas não lhe faltava disposição em cometer pecados e atrocidades. Uma união perfeita, os dois se completavam.

E Jezabel não teve receios em usar o nome de Deus para fazer o mal. Em nome de Acabe, ela tramou o assassinato de Nabote...em um jejum!!! Tudo deveria parecer justo, santo e correto. Primeiro, um jejum para "buscar a vontade de Deus" ou "pedir perdão por um grande pecado" ou alguma outra finalidade "piedosa". Depois, duas testemunhas falsas deveriam acusar Nabote de blasfêmia...contra Deus...e contra o rei. Não bastava acusá-lo de trair a pátria, era preciso acusá-lo de trair a Deus! A justiça secular e a religiosa foram manipuladas, com o consentimento de anciãos e nobres (que se calaram e não questionaram a Jezabel), para condenar um justo!

Hoje acontece o mesmo nas nossas igrejas. Pastores usam o nome de Deus...orações...jejuns...até mesmo a Bíblia...para manipular o povo e relizarem suas cobiças! Hipócritas, que não têm vergonha de sujar e torcer o que há de mais santo...para controlar a vida das pessoas (usando o argumento da autoridade), roubar-lhes dinheiro (indo além dos dízimos, para a venda de amuletos sem poder, golpes como dente de ouro, pedindo que membros vendam casas e bens e doem tudo para a igreja em troca de mais bens!), fazer com que pecados sejam tolerados (como o aborto, a fornicação e o homossexualismo, tão amados por certos pastores) e outras injustiças! Pessoas estão sendo exploradas, material, emocional e espiritualmente em nome de Jesus!

Na sociedade acontece o mesmo. Os homens que são responsáveis pela elaboração das leis, usam as leis em benefício próprio e não aprovam leis justas. Usam o seu poder de legislar, a estrutura do Governo e até mesmo compram sentenças em tribunais para explorarem o povo. Corrompem o que há de mais sagrado no Estado para fazerem o mal.

Nós, cristãos, precisamos parar de ser hipócritas. Devemos parar de chamar de "irmãos" esses pastores e líderes, que são lobos disfarçados. Precisamos parar de pedir a bênção e o favor de líderes que usam o Governo para se perpetuarem no poder e realizar suas cobiças malignas. Esses não só nossos amigos, são Acabes que devemos confrontar.

Mas, para isso, é preciso lutarmos contra a hipocrisia nossa de cada dia. Nos esforçarmos para viver uma vida correta, sem roubar os outros, buscando respeitar as leis e vivendo, de verdade, o Evangelho que dizemos acreditar.

3) Violência.
A hipocrisia é filha da cobiça, mas tem uma outra irmã, chamada violência. Quando a cobiça quer algo, ela se vale da violência para alcançar o que ela deseja. Nem que para isso vidas humanas tenham que ser destruídas.

A cobiça de Acabe levou a morte de um homem inocente e a um roubo. Aquilo que Nabote não quis vender, custou a vida dele e foi tomado à força. E é isso que a cobiça faz: toma à força, com violência, aquilo que ela não consegue conquistar de outra maneira.

Quando um homem cobiça a mulher do próximo e a conquista, há uma violência emocional. Quando um pastor cobiça o dinheiro do próximo e o engana para consegui-lo, há um roubo, uma violência emocional e uma espiritual. O ladrão que rouba machuca o semelhante. E o político que rouba o dinheiro do Governo, que recebe comissão de uma empresa para fraudar licitações, também comete violência! Ele está nos roubando, e roubando também quem não paga imposto! Ele desvia dinheiro que podia ser usado em escolas, hospitais, estradas...destrói o pouco que nos resta de moral, de noções de certo ou errado...comete uma violência que, no final, pode até mesmo estar, literalmente, matando pessoas que morrem por causa de falta de recursos ou eficiência do serviço público. Danos reais acontecem quando a cobiça gera o pecado.

E, se há violência, a Igreja não deve se calar. Calar-se é consentir com o erro, é ser como os anciãos de Jezreel que seguiram as ordens de Jezabel. Ao contrário, devemos ser como o profeta Elias.

Se todos se calaram...porque quem pecou foi o rei (e ele não é uma pessoa como as outras) ou porque isso já é comum, Elias não se calou. Ao invés de buscar a aprovação de Acabe, Elias o confrontou. Declarou a ele que Deus vingaria a morte de Nabote. Pronunciou o justo juízo de Deus sobre os homens violentos, que se levantam para fazer o que Deus condena.

Se a sociedade se calar, a Igreja não pode fazer o mesmo. Precisamos denunciar os Acabes cobiçosos, hipócritas e violentos que oprimem os Nabotes no Brasil e dentro de nossas próprias igrejas! Dizer, com todas as letras que, se eles permanecerem nesses pecados, Deus os condenará ao fogo do inferno! Que, se a justiça dos homens se cala, a de Deus certamente os alcançará. Se não fizermos isso, então seremos apenas outros seguidores do maldito séquito de Acabe e Jezabel.

Que Deus tenha misericórdia do Brasil e de sua Igreja, para que não caiamos no mesmo erro da igreja em Tiatira:
Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas também seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. (Apocalipse 2:20)
Tem misericórdia de nós, Senhor!

25 agosto 2009

Notícias de John Stott

E-mail recebido da Diocese Anglicana do Recife, escrito por Dom Robinson Cavalcanti, bispo diocesano do Recife.


Notícias de John Stott
Abro o envelope familiar com emoção. Depois de tantos anos de recebê-lo com regularidade periódica, ele parecia haver cessado, pois não o tivemos no último Natal. Era a carta informativa que o Rev. John Stott envia para a sua lista de amigos em todo o mundo. Essa agora vinha datada de julho.
Como se sabe, Stott havia se mudado em agosto de 2007 do seu antigo apartamento (12 Weymouth Street), a um quarteirão da Paróquia de All Souls, no centro de Londres, para as instalações do St. Barnabas College, em Surrey, a quarenta minutos da capital inglesa, o campus de uma antiga faculdade transformado em residência de idosos para ministros anglicanos aposentados. Quando eu estive com ele, há três anos, percebi que seria impossível para ele continuar no velho (e espartano) apartamento com aquela escada íngreme entre o térreo e o primeiro andar, depois de duas isquemias e uma fratura de fêmur, que haviam afetado a sua visão e os seus movimentos, embora ele ainda caminhasse relativamente firme com a sua bengala. Ele passou a usar o que recebe das duas aposentadorias (do governo e do fundo de pensão da Igreja) para pagar a mensalidade no St. Barnabas. Em suas palavras, seria a sua verdadeira aposentadoria.
No primeiro ano ele ocupou um apartamento de quarto, sala e banheiro, com telefone convencional, telefone celular e uma escrivaninha com computador. Manteve-se relativamente ativo, respondendo pessoalmente as correspondências, e indo uma vez ou outra a Londres. No segundo ano, sua saúde se deteriorou, com um aumento de déficit na visão, que não o permite mais contemplar os seus pássaros (seu passatempo favorito), e o impede de andar mais do que alguns passos, passando a usar uma cadeira de rodas. Agora está em um quarto confortável, com cama hospitalar, e os cuidados de um auxiliar de enfermagem filipino, que o emociona ao chamá-lo de lolo (vovô). Nos últimos doze meses foi apenas duas vezes a Londres.
Sua secretária de mais de meio século, Frances, continua a dar expediente algumas horas por semana no escritório do antigo apartamento, e, todas as terças-feiras, vai “despachar” com ele em St. Barnabas. Ele continua gozando do prazer de receber visitas, mas prefere que escrevam diretamente para Frances (franceswhitehead@gmail.com). Ele está alegre por ter terminado o que considera o seu último livro Discípulo Radical, cuja publicação está prevista para o Ano Novo.
Depois da biografia autorizada, em dois alentados tomos, escrita pelo historiador e bispo anglicano aposentado Timothy Dudley-Smith, que cobre 80 anos de sua vida, a Inter-Varsity Press (ABU Editora) designou Roger Steer para escrever um texto mais popular, John Stott – The Inside Story, cujos manuscritos, revisados por Stott e por Frances está em fase de editoração.
Suas propriedades, acervos e direitos autorais continuam a ser geridos pela Langham Partenership, que tem como curador o Rev. Chris Wright, especialista em Antigo Testamento e ex-reitor do All Nations Christian College. Stott sente falta, particularmente, de sua casa de campo em uma colina diante do mar frio e revolto do País de Gales, denominada de “The Hookses”, transformada por ele em um pequeno centro de encontro, onde recebia seminaristas, universitários e jovens pastores para encontros de reflexão.
Com dificuldades de visão e movimento, ele também sofre de uma colite microscópica, mas mantém uma invejável lucidez e senso de humor. Diante das limitações da idade, diz agradecer pelo que ainda tem.
Lembro-me, há 18 anos, no seu aniversário dos 70 anos, quando tivemos um culto de ação de graças (na Paróquia então liderada pelo Rev. Michael Greene) e uma festa no Oxford Centre for Christian Studies (OCMS), ocasião que o presenteei com um artesanato de Olinda. Nos dias seguintes ministrou para um grupo internacional exposição bíblica em Colossenses. Em um momento de melancolia, disse, então: “Em breve estarei morto e esquecido”. Continua vivo e, cada vez mais, traduzido e lido em todo o mundo, influenciando milhares de vidas, como um dos mais usados estadistas do Reino de Deus para o seu tempo.
Mantendo com ele um relacionamento de 42 anos, que evoluiu para uma amizade, oro por sua saúde e agradeço a Deus pelo que tem representado para minha formação. Jamais esquecerei o apoio decidido que me emprestou durante a crise em que, juntamente com o clero e o povo da Diocese do Recife, sofremos a violência institucional e moral perpetrada pela casta liberal que domina a província anglicana do Brasil.

Olinda (PE), 22 de agosto de 2009.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
Secretaria Episcopal
Diocese do Recife - Comunhão Anglicana
Escritório Maceió - AL
(das 8h às 13h)


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"E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado. O menor virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; eu, o Senhor, ao seu tempo o farei prontamente" (Isaías 60:21-22).

24 agosto 2009

Olhando para trás...para enxergarmos o futuro

Leia o post anterior clicando aqui.
No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.

Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.

E disse Deus: haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus. Houve tarde e manhã, o segundo dia.

Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom. E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia.

Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o quarto dia.

Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus. Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves. Houve tarde e manhã, o quinto dia.

Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez. E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. (Gênesis 1:1-2:3)
Quem somos nós? Por que estamos aqui? Existe alguma finalidade na existência humana? E quanto a minha existência individual, qual o sentido da minha vida? São perguntas que, de modo geral, afligem toda a humanidade. Tanto que, em todas as culturas, foram feitas tentativas de responder a essas questões, seja por meio da religião, da filosofia e/ou da ciência. Ainda que a resposta seja algo como "somos apenas matéria, fruto das reações químicas e de um processo evolutivo aleatório, sem uma razão específica para existirmos e responsáveis por criarmos nós mesmos um sentido para a nossa vida".

Mas, se queremos entender o nosso presente e o nosso futuro, precisamos compreender o nosso passado. É nas origens que encontramos o caminho que explica o nosso fim. Segundo a Bíblia, a existência e funcionamento do Universo já são provas suficientes de que Deus existe. E, ao olharmos sobre como Ele criou todas as coisas, podemos achar pistas sobre o sentido da nossa vida. E o que aprendemos?

1) Deus é bom e criou um mundo bom. No relato bíblico da criação, cinco vezes lemos que Deus viu algo na criação, que Ele considerou bom. Quando Ele contempla o resultado final (incluindo o ser humano), a conclusão era que tudo era muito bom.

Algumas pessoas evitam se aproximar de Deus pensando que Ele é mau e cruel. Mas, se olharmos para a natureza e vermos como as estações do ano se sucedem, trazendo chuva e Sol para as plantas crescerem, a forma como as plantas e os animais interagem em um ecossistema, a variedade e a beleza dos diferentes tipos de seres, a beleza do céu, das cachoeiras ou o azul do mar...tudo isso é fruto da bondade de um Criador.

Mas, e as doenças, as catástrofes naturais, as deficiências físicas? A existência dessas coisas ruins não seria a prova de que Deus é mau? Não necessariamente. Elas refletem ou a maldade de Deus ou que algo ou alguma coisa corrompeu algo que o Senhor fez perfeito. Sobre isso, falarei posteriormente.

Mesmo assim, se formos sinceros, veremos que ainda há muito mais bondade e perfeição do que falhas no mundo em que vivemos. Há alimentos para todos, o problema é a distribuição. Haveria água e ar limpo para todos, se os seres humanos não poluíssem e desmatassem em ritmo selvagem. Muitas catástrofes são, na verdade, fruto da irresponsabilidade humana em cuidar do mundo.

2) Deus é um Deus de ordem e propósito. Ao contrário do ensino evolucionista ateu, que diz que a vida surgiu do não vivo e que a evolução é fruto da ação cega de forças da natureza, a Bíblia ensina uma criação com ordem e propósito. O tempo todo vemos um Deus transformando uma terra "sem forma e vazia" em um lugar ordenado e cheio de vida. Assim, o Senhor não apenas cria, como Ele intervém na criação, organizando coisas, fazendo separações (como luz e trevas, terra e água). As coisas são criadas com propósitos definidos: Sol e Lua para marcarem o tempo, plantas para servirem de alimento, animais que podem ser domesticados e outros que viverão na natureza.

Acreditar ou não no relato bíblico é uma questão de fé, mas é notável que há uma harmonia entre esse ensino e a observação da natureza. Embora o evolucionismo ensine a aleatoriedade, o Universo é regido por uma série de leis fixas. As coisas não acontecem de qualquer maneira. O nascimento e a morte de planetas, estrelas e seres vivos, as mutações, o movimento dos mares, as estações do ano...são fenômenos que acontecem segundo certos padrões. O que mostra um Universo onde há ordem...assim como ensina a Bíblia.

3) O homem é a imagem e semelhança de Deus. Ora, achei que você ia me ajudar a entender as grandes questões da humanidade e você só fala de Deus...é isso que, talvez os meus leitores estejam pensando. Mas, veja só: quando a Bíblia define quem somos nós, ela diz que os homens são "a imagem e a semelhança de Deus". Em outras palavras, a identidade humana depende da identidade de Deus. Não há como definir quem são os seres humanos se ignorarmos quem Deus é.

Ser a imagem e semelhança não significa que somos pequenos deuses. Assim como uma foto, uma caricatura, um vídeo ou até mesmo um holograma não são pequenos seres humanos. Mas, quando olhamos para uma imagem, ela retém algo do ser original. Da mesma forma, os seres humanos não são deuses, mas há algo de Deus em nós, algo que deveria fazer com que nos lembremos do Senhor.

Isso fica marcado na ordem divina de que o ser humano deve dominar e sujeitar a criação. Em outras palavras, Deus entregou o mundo ao ser humano, incluindo plantas e animais. Assim como Deus é Senhor, nós devemos ser senhores da criação. Assim como Deus foi Criador, os homens devem ser fecundos. Deus é bom, a humanidade foi abençoada. E, sempre que tivermos dúvidas sobre como devemos agir, é para Deus que devemos olhar.

Ah, mas os homens são maus, cruéis, imperfeitos...como podem ser a imagem de Deus? Bom, há imagens que refletem mais fielmente a realidade que outras. Um holograma seria mais preciso que uma foto. E uma foto nova e limpa mostra melhor a realidade do que uma foto velha, rasgada e embolorada. Mas, mesmo no pior dos assassinos-pedófilos-imorais, ainda há algo da imagem divina. E é exatamente por isso que pode haver esperança até para o mais cruel dos pecadores.

E aqui já temos umas respostas. Somos a imagem de Deus, criados para dominar a criação d'Ele e refletirmos o caráter de Deus. Temos um papel especialíssimo a desempenhar: o de sermos a representação de Deus no mundo.

Mas, como uma criação tão maravilhosa se perdeu? Como os homens se desviaram tão profundamente de sua missão? Não percam o próximo post da série "O Caminho da Salvação".

19 agosto 2009

Não dê as costas para Deus

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim como o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. (Romanos 1:18-21)
Você acredita em Deus? No Brasil, a maioria das pessoas ainda diz que sim, embora a impressão seja a de que o ateísmo esteja crescendo, principalmente nas universidades. Mas, se ainda são poucos os ateus professos, muitos dos que dizem acreditar em Deus, vivem na prática como ateus, ignorando a existência e a vontade do Senhor.

Deus existe? Segundo a Bíblia, sim. Qual a prova da existência de Deus? A resposta bíblica seria algo do tipo "olhe ao seu redor e veja Deus em cada detalhe da criação".

Mas enxergar Deus na criação é impossível, dizem muitos. Por acaso, é possível sabermos qual a Sua forma ou composição química? Existe alguma fórmula matemática pela qual possamos detectar a Sua presença? A conclusão, dizem, é a de que não é possível afirmar a existência de Deus.

Qual a alternativa? O acaso. As formas de vida, a posição da Terra em relação ao Sol, nada disso é produto de uma mente pessoal, mas sim da ação de forças físicas impessoais que são regidas pelo acaso. No meio de sei lá quantas combinações possíveis, tivemos a "sorte" de cair em uma que produziu um Universo com vida.

Mas, se o mundo é produto da aleatoriedade, como ensina o evolucionismo e o ateísmo, como explicar a própria existência de leis que explicam o funcionamento do Universo? Será que a aleatoriedade produz a ordem? Bom, se fosse assim, alguém já teria descoberto uma equação para explicar a ordem dos números da loteria. Se isso parece impossível, como explicar um universo tão cheio de ordem, funcionando em cima de leis que se mantêm constantes?

Aliás, como provar, sem sombra de dúvida, que as experiências científicas de hoje terão os mesmso resultados em um milhão de anos? A própria ciência parte dos pressupostos de que existem leis que explicam o funcionamento do Universo e que essas leis se mantêm fixas ao longo do tempo.

Como explicar tanta ordem e constância...tanta variedade de vida...tantas variáveis na medida certa (como distância do Sol, intensidade do campo magnético da Terra e até mesmo a composição atmosférica) apenas com a aleatoriedade? A resposta bíblica é a de que a existência de Deus explica o que os nossos sentidos captam ao nosso redor.

Não há desculpas para ignorarmos a existência de Deus. Negá-la é, simplesmente, escolher a resposta mais difícil e absurda para explicar o mundo e a nossa própria existência.

E o que isso tem a ver com o coração?
Mas há uma implicação para aqueles que vivem no ateísmo, seja ele intelectual ou apenas prático. Os que se recusam a admitir a existência de Deus e não vivem levando-O em consideração, se tornam nulos em seus raciocínios e têm o coração insensato.

Se Deus não existe, não há nada como justiça após a morte, com prêmios para os bons e punições para os maus. Na verdade, sem Deus, não há verdades morais absolutas, a moral é ditada pelos homens, conforme o tempo e o lugar. O pedófilo, o estuprador, o assassino...se não forem pegos, podem dormir tranqüilos, terão praticado perversões e jamais serão punidos por isso. Na verdade, a pedofilia, o estupro e os assassinatos não são atos maus...a maldade deles é apenas fruto de construções históricas humanas, e podem, perfeitamente, ser desconstruídas. É só vermos o que está acontecendo com a homossexualidade, abominação nos anos 50, mas se tornando um comportamento perfeitamente aceitável e defensável nos dias de hoje. Ou com o racismo, que era superaceito nos anos 50 e é crime no Brasil do século XXI.

Quando negamos a existência de Deus, ou vivemos como se Ele não existisse, também ignoramos Suas verdades, Suas leis, Sua moral. Vivemos como queremos. E porque somos pessoas imperfeitas e finitas, cada um cria sua própria moral e não seguimos o correto, porque, deliberadamente, nos recusamos a enxergar ao Senhor.

Sem Deus, o clamor por justiça é inútil. Afinal, todos os dias alguém inocente sofre injustamente e um culpado escapa da pena que merecia. Sem Deus, não há base real para louvarmos um comportamento e condenarmos outro. Sem Deus, não há base real para a ordem que existe no Universo. Sem Deus, perdemos todas as bases pelas quais podemos construir o conhecimento, a moral da sociedade...e o sentido de nossa própria existência.

Por isso, não dê as costas para Deus. Não basta apenas acreditar, é preciso que essa crença influencie a sua vida. Volte-se para o Senhor!

O próximo post da série está aqui.

13 agosto 2009

Política de comentários do Reforma e Carisma

Olá, leitores,

Gostaria de fazer alguns esclarecimentos sobre os comentários no blog:

1) O Reforma e Carisma não aceita comentários anônimos. A Constituição Federal garante a liberdade de opinião e expressão, mas veda o anonimato. Qualquer um é livre para comentar, mas desde que assuma a responsabilidade nominal por sua opinião.

2) O Reforma e Carisma não publica ofensas. Opiniões contrárias são publicadas, mas os comentários que o blogueiro considerar ofensivos não serão aceitos. Os comentários que tenham mensagens pessoais, dirigidas apenas a mim, também não serão publicados.

3) Nem toda réplica será respondida. Em caso de réplicas, opiniões contrárias às do blog, nem sempre eu darei uma tréplica, uma resposta à refutação. Acho que, na maioria dos casos, basta que o leitor leia o post e a réplica para saber qual a argumentação é mais consistente.

4) Normalmente não comento os posts do Reforma e Carisma. É uma postura pessoal minha, acho que inflam desnecessariamente os comentários dos posts. Mas vou rever essa posição e responder os comentários que me fizerem perguntas, como acontece em outros blogs.

5) Minhas opiniões sobre seitas não dependem do ICP, CACP ou outras missões evangélicas.
Já recebi comentário (anônimo) cobrando que eu me retratasse de meus pontos de vista sobre as igrejas locais (Pedro Dong e Witness Lee) argumentando que pastores norte-americanos teriam feito o mesmo. Adianto, desde já, que minhas opiniões sobre seitas (e pessoas que julgue hereges) só terão retratação quando eu for convencido de que estava errado. Elas não dependem da opinião de outros pastores, missões e até mesmo igrejas.

Acho que o esclarecimento de minha postura sobre comentários irá ajudar a evitar desentendimentos e outros problemas aqui no blog.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Confissões do blogueiro

Olá, leitores do Reforma e Carisma,

Gostaria de pedir desculpas pela demora nos posts e também nos comentários. Sei que um blogueiro deveria ser atento com os seus leitores (ainda mais quando eles não são muitos) e até por ser jornalista sei que o meu débito com vocês é enorme.

Estou passando por um momento que é ao mesmo tempo promissor e difícil na vida. Estou indo para um novo emprego secular e colhendo vitórias pessoais em outras áreas. Mas, por outro lado, sou um pastor que está sem igreja e desanimado em relação ao ministério pastoral. Sendo bem sincero, não sou o perfil que o sistema atual deseja. Tradicional demais pra uns, renovado para outros, sério demais com umas coisas e frouxo em relação a outras, e uma preocupação mínima se minhas idéias ou ações agradam ou não às pessoas, contanto que minha consciência diga que estou dentro da vontade de Deus.

Além disso, há aquelas dificuldades na luta contra o pecado que, imagino, todos nós enfrentamos. Pergunto-me sempre porque Deus me escolheu e colocou o desejo do ministério pastoral, quando há tantos defeitos que me fazem até duvidar da vocação. A própria publicação desse post (um erro para alguns) já mostra isso. Há a luta contra pecados específicos, contra aquelas trevas interiores que todos nós temos, mas que poucos conseguem vencer ou mesmo falar a respeito. Sobre as minhas trevas, o que posso dizer aqui é que tem sido difícil conviver com elas e vencê-las, e isso aliado a uma série de outras razões, tem me deixado triste e desmotivado, quase que fazendo apenas o que os dias exigem de mim, e nada mais. Daí a demora em postar e responder aos comentários, ou em fazer outras coisas que sei que deveria fazer.

Nem sempre os pastores podem contar com amigos. O receio de que os seus segredos sejam usados contra você é 100% justificado em minha experiência pastoral curtíssima, de menos de 2 anos. Mas escrevo porque acho que devo uma satisfação aos meus poucos leitores habituais e que até pedem que eu escreva alguma coisa aqui no Reforma e Carisma.

Entendo que dividir isso pode ajudar alguém também. Numa sociedade que supervaloriza os pastores, deve ser confortante saber que eles também enfrentam lutas, tristezas e pecados, assim como qualquer outro. E fica aqui o pedido que você também ore pelo pastor da sua igreja e seja amigo dele, especialmente se ele tem andado triste ou apagado. Os pastores têm as mesmas lutas que os outros, e precisam de ajuda, apoio e oração, como qualquer outra pessoa.

O desafio mais difícil para reformar a Igreja, com os carismas do Espírito Santo, está exatamente em começar pela própria vida. Sinto-me ainda muito distante desse alvo e espero encontrar ajuda para viver "Reforma e Carisma" no meu dia-a-dia pessoal. Quem sabe assim, um dia não vou ver realizado o meu sonho de ver uma igreja reformada e carismática, brilhando na face da Terra?

Minhas desculpas.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro