31 outubro 2009

1, 2, 3, 4, 5 Calvinistas

No princípio eram Cinco Solas: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e Soli Deo Glória. Os reformadores proclamavam a suficiência das Escrituras, a salvação somente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, o único mediador, tudo para a glória de Deus somente. Negavam com isso a autoridade do papa e dos concílios como infalíveis, a capacidade do homem e o valor das obras para a salvação, a mediação humana e dos sacramentos, atribuindo toda a glória da salvação ao Deus vivo e verdadeiro.

Depois vieram os Cinco Pontos dos Cânones de Dort, provocados pelos também Cinco Pontos da Remonstrância. O acróstico TULIP proclamou a total depravação contra o livre-arbítrio, a eleição incondicional em oposição à eleição mediante fé prevista, a expiação limitada aos eleitos ao invés da expiação universal, a chamada eficaz em lugar do poder de veto do homem sobre a vontade divina e a perseverança do crente pela fidelidade de Deus e não por obras de obediência.

Agora, no aniversário da Reforma, chega à blogosfera o “5 Calvinistas”. Não tem nada da importância histórica e teológica dos “Cinco Solas” e dos “Cinco Pontos”, mas procura ser fiel a eles. São cinco blogueiros, de confissões religiosas e filiações denominacionais diferentes, mas que têm em comum o calvinismo como visão de mundo e expressão do Evangelho de Jesus Cristo, além da disposição de expor e defender a “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 1:3).

Seja bem vindo!

Texto de Clóvis Gonçalves, do Cinco Solas. Eu também sou um dos 5 Calvinistas. Os outros são o Allen Porto, o Leonardo Galdino e o Roberto Vargas Jr. Não deixe de nos visitar!

28 outubro 2009

Resposta a um anônimo

Peço perdão aos leitores do Reforma e Carisma, mas às vezes é preciso responder a textos para mostrar que os reformados têm sim argumentos para defender suas posições.

Publico aqui uma resposta ao comentário de um anônimo no blog Cinco Solas, que para defender o arminianismo citou a tradução de um texto feita por um apologeta adventista, o Prof. Azenilto Brito. Não vou por a tradução aqui, quem quiser pode lê-la no site do professor.

Abaixo segue a minha resposta:

O papel de Cristo na predestinação
Em seu artigo, Robert Brinsmead acusa a doutrina da predestinação de não ser cristocêntrica (acusação 1) e de que Jesus Cristo não é o ponto de partida (acusação 2).

Começo dizendo que o conceito de Cristo como Centro não quer dizer que Jesus tenha que ser o Agente ou Determinante em todas as atividades divinas. Por exemplo, devemos orar ao Pai, é Ele quem primordialmente, deve receber nossas orações e respondê-las. Os dons são relacionados primariamente ao Espírito Santo, e não a Jesus. E a morte na cruz, quem a sofreu foi apenas Cristo, e não o Pai ou o Espírito Santo.

Assim sendo, de fato, a Bíblia ensina que o decreto da predestinação é feito pelo Deus Pai:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo...assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo...nos predestinou para ele, para a adoção de filhos (Efésios 1:3-5)

...eleitos, segundo a presciência de Deus Pai...(1 Pedro 1:2)
Mas, não há erro algum nem heresia alguma no fato de o Pai ser o ponto de partida e o Autor do decreto salvífico, ao invés de Cristo. Isso é o que a Bíblia ensina...Jesus não precisa fazer tudo.

Por outro lado, Brinsmead ignora que Cristo é o meio pelo qual a predestinação acontece. É Jesus quem faz com que o decreto seja, de fato, cumprido:
nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça (Efésios 1:5-7)
Além disso, Cristo também é glorificado pela predestinação, porque o objetivo do decreto, a vontade de Deus, o beneplácito do Pai é que tudo convirja para Cristo:
desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra (Efésios 1:9-10)
Logo, ao contrário do que afirma o articulista Jesus não é apenas "visão abstrata, filosófica e especulativa que se introduz diretamente na divina glória não velada". Na visão reformada, e na Bíblia, Cristo é o Agente que torna real a determinação do Pai, e será glorificado quando o decreto de Deus for finalmente cumprido.

Deus e o pecado
Em relação à acusação 3, já tratei deste assunto de modo mais longo no artigo "Deus decreta pecados?". Aqui cabe apenas destacar alguns pontos.

Em primeiro lugar, os reformados concordam com a Bíblia que diz, claramente, que Deus não tenta ninguém, não é o Autor do mal:
Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. (Tiago 1:13)

IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensarão mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo.
Ref. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17. (CFW, cap. V, art. IV).
No entanto, Deus é sim capaz de usar até o mal para a Sua glória e, dessa forma, conseguir os resultados desejados. A própria morte e ressurreição de Cristo são uma prova disso: por meio do maior pecado já cometido no mundo, o assassinato do Filho de Deus, a vida veio para os eleitos:
Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos... (Atos 2:22-23)

porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram..." (Atos 4:27-28)
Os textos acima mostram uma verdade ensinada na Bíblia e pelos reformados. Deus decretou todas as coisas, até mesmo o mal, mas os homens são responsáveis pelo mal que cometem. Os judeus crucificaram a Cristo porque quiseram, mas isso aconteceu segundo um desígnio já predeterminado por Deus. Como diz a Confissão de Fé de Westminster:
I. Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor.
Ref. Nee, 9:6; Sal. 145:14-16; Dan. 4:34-35; Sal. 135:6; Mat. 10:29-31; Prov. 15:3; II Cron. 16:9; At.15:18; Ef. 1:11; Sal. 33:10-11; Ef. 3:10; Rom. 9:17; Gen. 45:5. (CFW, cap. V. art. 1)

I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza.
Ref. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. (CFW, cap. IX, art.1)
Trata-se do paradoxo da predestinação. Deus decreta tudo o que acontece, mas os homens agem como agem porque assim o quiseram, e são responsáveis por isso. Por exemplo, tanto é Deus quem endurece o coração de Faraó, como é o Faraó quem endurece o seu próprio coração:
Faraó mandou ver, e eis que do rebanho de Israel não morrera bem um sequer; porém o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir o povo. (Êxodo 9:7)

Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e este não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés. (Êxodo 9:12)
O paradoxo existe e é real. De um lado, Deus endurece o coração, de outro, o homem endurece o seu próprio coração. Como resolver? Afirmando os dois lados, sem negar nenhum deles. É isso o que o calvinismo faz sobre o mistério da soberania de Deus e da responsabilidade do homem.

A mesma regra é usada com a doutrina da Trindade: o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, mas só há Um Deus, e não Três Deuses. Como conciliar? Não se tenta, apenas se aceita a verdade bíblica, cientes de que não há em nós a capacidade de compreendermos adequadamente como é a relação entre as pessoas da Trindade.

O problema de Brinsmead é ignorar o paradoxo, como se ele não fosse possível. Se ele acha impossível conciliar as duas verdades, então o problema dele não é com o calvinismo, mas sim com a Bíblia, que ensina tanto a soberania absoluta de Deus como a responsabilidade humana.

A pregação do calvinismo
A acusação 4 de que o calvinismo é uma doutrina que não pode ser pregada é risível e uma prova de ignorância histórica. Em primeiro lugar porque grandes pregadores falaram de eleição e predestinação no púlpito, como Charles Spurgeon, Jonathan Edwards e John Owen. Aliás, é só estudar o movimento puritano para ver o absurdo de achar que não se pregava sobre eleição. A dedicação deles em missões é tratada por vários autores, como John Piper. Uma pequena amostra pode ser lida aqui.

Além disso, é sim ponto pacífico em relação à necessidade de pregar o Evangelho a todas as pessoas. Missões não era um assunto discutido na época da Assembléia de Westminster, mas, recentemente, foi acrescentado um capítulo onde o assunto é tratado:
I Em seu amor infinito e perfeito - e tendo provido no pacto da graça, pela mediação e sacrifício
do Senhor Jesus Cristo, um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a toda a raça humana
decaída como está - Deus determinou que a todos os homens esta salvação de graça seja anunciada
no Evangelho.
Ref. Jo.3:16; I Tim.4:10; Mc.16:15 (CFW, XXXIV, I).
Pelo menos para a Igreja Presbiteriana do Brasil, pregar o Evangelho a todos e ensinar a predestinação é ponto pacífico.

O amor e a justiça de Deus
As acusações 5 e 6 são relacionadas. A 5 diz que o calvinismo "nega a descrição bíblica de Deus como Ser integralmente movido por amor e justiça" e torna o cristianismo "reduzido à lógica fria e dura onde não há nem emoção, nem lágrimas" e que leva a um "determinismo cruel e de punhos cerrados que é absolutamente insensível à tragédia humana". A 6 diz que o calvinismo "quase chega a ser um fatalismo frio e rígido".

Para refutar o autor, é preciso entender o conceito de depravação total. Quando Adão pecou, ele perdeu a capacidade de ir naturalmente até Deus. Uma argumentação mais extensa sobre isso pode ser vista em outro artigo meu: "Porque o homem não se volta voluntariamente para Deus". Mas, à luz de Romanos 3:10-12, fica clara essa incapacidade:
Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3:10-12)
A predestinação não é o ato de um Deus frio, que elege e condena sem emoções. Na verdade, sem a predestinação, ninguém se salvaria, porque ninguém, espontaneamente, se volta para Deus. Trata-se, não de um ato frio, mas sim de uma prova de amor! Um amor tão grande que resolve intervir na realidade para salvar.

Também é justo, porque Jesus paga a pena que seria imputada aos eleitos. Agora, de fato, é uma questão de graça. E graça não é obrigação, Deus dá a quem quer. Como está escrito:
Que, diremos pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. (Romanos 9:14-16)
Deus salva a quem quer, escolhe para quem Ele vai manifestar a Sua misericórdia. Não, ela não é manifesta a todos, e alguns acham isso injusto. Mas a Bíblia diz, claramente, que isso não é injustiça.

Se, mesmo assim, Brinsmead considera a eleição um ato desprovido de amor e justiça, então o problema dele é com o apóstolo Paulo e o Espírito Santo, e não com João Calvino.

A verdadeira natureza da fé
A acusação 8 (não esqueci a 7) diz que o calvinismo "distorce o sentido da ação humana de aceitação da fé". Na verdade, é o arminianismo quem faz essa distorção, quando ensina que o homem pode escolher ir até Deus. Sim, porque ensinar que o homem pode, voluntariamente, ir até Deus e escolhê-Lo, é ir contra Romanos 3!

Sim, porque até mesmo a fé e o arrependimento do cristão não vem dele, mas sim de Deus:
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. (Efésios 2:8)

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Romanos 2:4)
O ensino reformado encontra respaldo bíblico e se harmoniza com a depravação total, ensinada em Romanos 3. Logo, se alguém distorce o sentido da fé...não são os reformados.

O sentido da História
A acusação 7 diz que o calvinismo "torna a história irrelevante". Afinal, "Se todos os eventos foram determinados antecipadamente por decreto divino, como podemos nós, ou mesmo Deus, levar a história a sério? E uma vez que o evangelho é história, como podemos levar a sério o evangelho? Uma visão determinística da história não a esvazia de qualquer conteúdo real?"

Minha resposta é diferente. Se a História é um evento em aberto, e Deus não tem controle absoluto sobre ela, como Ele pode garantir que ela terminará, como descrito na Bíblia?

A acusação é absurda, porque até os arminianos creem que Deus já decretou o curso da História, tanto que revelou como ela vai terminar em várias profecias e no Apocalipse. A verdade é que a História tem o sentido e o conteúdo que Deus quiser dar a ela. Sem os decretos divinos, torna-se irracional a crença nas profecias bíblicas sobre o fim da História. E que, necessariamente é assim é indicado em várias passagens como Isaías 37:24-26
Por meio dos teus servos, afrontaste o Senhor e disseste: Com a multidão dos meus carros, subi ao cimo dos montes, ao mais interior do Líbano; deitarei abaixo os seus altos cedros e os ciprestes escolhidos, chegarei ao seu mais alto cimo, ao seu denso e fértil pomar. Cavei e bebi as águas e com a planta de meus pés sequei todos os rios do Egito. Acaso, não ouviste que já há muito dispus eu estas coisas, já desde os dias remotos o tinha planejado? Agora, porém, as faço executar e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades fortificadas. (Isaías 37:24-26).
O anônimo que me mandou o texto que me responda, então, que sentido ele dá a Isaías 37:24-26. Afinal, para ele, se Deus já havia determinado muito antes que seria assim, a história não tem sentido...

Senso de segurança
A acusação 9 é a de que o calvinismo "inspira um falso senso de segurança", pois "o crente Reformado pode somente firmar sua certeza de eleição em sua experiência subjetiva". Discordo, a segurança da eleição pode ser mostrada nos frutos:
Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. (Mateus 7:16-17)
O apóstolo Paulo reconhecia a eleição dos crentes da igreja de Tessalônica:
reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição (1 Tessalonicenses 3:4)
E o próprio Paulo reconhecia ter sido eleito por Deus antes de ter nascido:
Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve... (Gálatas 1:15)
Logo, não há um falso senso de segurança. Podia ainda citar Tiago, mas digo que as obras, os frutos, mostram a eleição ou não de uma pessoa. Tanto que Paulo pôde testificar a salvação de toda uma comunidade. A acusação é falsa.

Os frutos do calvinismo
A última acusação de Brinsmead é a de que os frutos do calvinismo não são bons, e aí ele atribui o apartheid na África do Sul e outras formas de discriminação racial. Diz ele: "Alguns dos frutos da visão calvinista não são nada positivos, como certas atitudes conflitantes desenvolvidas ao longo da história, como a outrora dominante filosofia do apartheid na África do Sul e outras situações de discriminação racial, grandemente inspirados por tal cosmovisão teológica."

Bom, de fato houve calvinistas racistas e o apartheid floresceu no ambiente calvinista sul-africano. Mas daí a dizer que o racismo é fruto do calvinismo...onde, pergunto...onde Calvino ensinou a superioridade de uma raça sobre a outra? Isso é uma calúnia!

Além do mais, a Ku Klux Klan abrigou protestantes de várias correntes ideológicas em seu interior, incluindo muitos arminianos e talvez adventistas! Aliás, sobre racismo e adventismo, há um site com umas citações interessantes de Ellen Gould White proibindo o casamento entre brancos e negros.

Daí que, infelizmente, racismo não é privilégio de calvinista, arminiano ou adventista. Se fosse, todos teriam que ser acusados de frutos ruins. Mas a doutrina calvinista não ensina o racismo, de forma alguma.

Sobre os bons frutos do calvinismo, é só estudar a vida dos puritanos ou as reformas que Calvino introduziu em Genebra. Você pode ler uma reportagem secular sobre essa influência de Calvino clicando aqui. Um post curto sobre um livreto de Augustus Nicodemos sobre o assunto pode ser lido aqui. Não sei se Brinsmead sabe, mas importantes universidades, como Harvard, Princeton e Yale são calvinistas. O calvinismo ajudou a construir uma moralidade e mentalidade que contribuíram para a prosperidade de países como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a Suíça e a Holanda.

Quanto à piedade, o calvinismo produziu uma geração de santos, reconhecida no movimento puritano e em seus avivamentos. Basta estudar a vida e obra de homens como John Knox, George Whitefield e Jonathan Edwards, entre muitos outros, para ver os bons frutos do calvinismo.

27 outubro 2009

Neemias: tipo de Cristo (VII) - O bom governador

Foi grande, porém, o clamor do povo e de suas mulheres contra os judeus, seus irmãos. Porque havia os que diziam: Somos muitos, nós, nossos filhos e nossas filhas; que se nos dê trigo, para que comamos e vivamos. Também houve os que diziam: As nossas terras, as nossas vinhas e as nossas casas hipotecamos para tomarmos trigo nesta fome. Houve ainda os que diziam: Tomamos dinheiro emprestado até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e sobre as nossas vinhas. No entanto, nós somos da mesma carne que eles, e nossos filhos são tão bons como os deles; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem escravos, algumas de nossas filhas já estão reduzidas à escravidão. Não está em nosso poder evitá-lo; pois os nossos campos e as nossas vinhas já são de outros.

Ouvindo eu, pois, o seu clamor e estas palavras, muito me aborreci. Depois de ter considerado comigo mesmo, repreendi os nobres e magistrados e lhes disse: Sois usurários, cada um para com seu irmão; e convoquei contra eles um grande ajuntamento. Disse-lhes: nós resgatamos os judeus, nossos irmãos, que foram vendidos às gentes, segundo nossas posses; e vós outra vez negociaríeis vossos irmãos, para que sejam vendidos a nós? Então, se calaram e não acharam o que responder. Disse mais: não é bom o que fazeis; porventura não devíeis andar no temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nossos inimigos? Também eu, meus irmãos e meus moços lhes demos dinheiro emprestado e trigo. Demos de mão a esse empréstimo. Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como tambem o centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite, que exigistes deles. Então, responderam: Restituir-lhes-emos e nada lhes pediremos; faremos assim com dizes. Então, chamei os sacerdotes e os fiz jurar que fariam segundo prometeram.

Também sacudi o meu regaço e disse: Assim o faça Deus, sacuda de sua casa e de seu trabalho a todo homem que não cumprir esta promessa; seja sacudido e despojado. E toda a congregação respondeu: Amém! E louvaram o SENHOR; e o povo fez segundo a sua promessa. Também desde o dia em que fui nomeado seu governador na terra de Judá, desde o vigésimo ano até ao trigésimo segundo ano do rei Artaxerxes, doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão devido ao governador. Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo e lhe tomaram pão e vinho, além de quarenta siclos de prata; até os seus moços dominavam sobre o povo, porém eu assim não diz, por causa do temor de Deus. Antes, também na obra deste muro fiz reparação, e terra nenhuma compramos; e todos os meus moços se ajuntaram ali para a obra. Também cento e cinqüenta homens dos judeis e dos magistrados e os que vinham a nós, dentre as gentes que estavam ao nosso redor, eram meus hóspedes. O que se preparava para cada dia era um boi e seis ovelhas escolhidas; também à minha custa eram preparadas aves e, de dez em dez dias, muito vinho de todas as espécies; nem por isso exigi o pão devido ao governador, porquanto a servidão deste povo era grande. Lembra-te de mim para meu bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo. (Neemias 5:1-19)
Em certos momentos da vida, os problemas não chegam sozinhos. Perde-se o emprego e, logo depois, surge uma doença na família. A namorada resolve nos deixar justo quando acabamos de fracassar na prova mais importante do semestre na faculdade. Os filhos adoecem quando o casamento também começa a ir mal.

Algo ainda mais sério acontece com países. Raramente é preciso enfrentar um grande problema, mas sim uma combinação de obstáculos. Pegue o exemplo do Brasil. O que devemos enfrentar primeiro? A violência das grandes cidades ou a do campo, com invasões de propriedade? Será que não deveríamos, primeiro, centrar esforços na melhoria da educação básica? Ih, mas estamos nos esquecendo dos hospitais...da corrupção, da infra-estrutura das rodovias e ferrovias, das enchentes, da ocupação desordenada e criminosa do espaço público...ah, quem dera o único problema fosse a violência!

E é exatamente isso o que Neemias descobre no capítulo 5. Inicialmente, vemos um Neemias que acreditava que a reconstrução dos muros de Jerusalém seria suficiente para ajudar os judeus a saírem de uma situação de miséria e desprezo (Ne 1:3). Toda a ação do livro estava girando em torno da obra. Parecia até o Brasil, onde em muitos lugares as pessoas acham que grandes obras é que resolvem o problema.

Mas aqui, no capítulo 5, Neemias descobre que a miséria e o desprezo não estão nos muros caídos, e sim no coração do próprio povo de Judá. Afinal, quando os judeus mais ricos começam a explorar e até a escraviza seus irmãos mais pobres...é sinal de que o pecado e a cobiça já roubaram o lugar de Deus e do próximo nos corações da elite.

E, o mais importante de tudo: Neemias não finge que o problema não existe. Aqui ele deixa de ser um mero reconstrutor de muros...para se tornar o reedificador da moral de uma nação. Para isso, o governador Neemias implementou o seguinte programa de governo:

1) As pessoas valem mais que os bens. Ao contrário dos ensinos de certas correntes de esquerda, a Bíblia reconhece sim o direito à propriedade. Nem é preciso de versículo para isso: o simples fato de existir um mandamento que proíbe o roubo só tem cabimento se houver o reconhecimento do direito à propriedade.

A Bíblia também reconhece a necessidade de se pagarem dívidas. Também aqui não vou citar versículos, apenas vou lembrar que uma das figuras usadas para explicar a salvação é exatamente a de Alguém (Cristo) que paga a dívida dos homens (morte) com um Credor (Deus).

Mas quando as pessoas hipotecam suas terras, suas plantas e suas casas...quando elas chegam ao ponto de pegar empréstimo "no banco" para pagar impostos...e os "irmãos" mais ricos vão à casa dos irmãos mais pobres para transformar seus filhos e filhas em escravos, é preciso dar um basta! Não há dívida material que valha uma vida humana. O devedor não deve perder os meios de sobreviver e nem a sua liberdade por causa de um bem material.

A Bíblia permitia a escravidão de estrangeiros, de pessoas fora de Israel. E é verdade que, em caso de dívida impagável, um hebreu podia se vender a outro, mas não podia ser tratado como escravo:
Também se teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como jornaleiro e peregrino estará contigo; até ao Ano do Jubileu te servirá; então, sairá de tua casa, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família e à possessão de seus pais. Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como escravos. Não te assenhorearás dele com tirania; teme, porém, ao teu Deus. (Levítico 25:39-43)
Quando Neemias chegou à Jerusalém, uma de suas primeiras atitudes foi a de comprar e libertar todos os judeus que eram escravos dos estrangeiros. Agora, ele estava obviamente aborrecido: pessoas ricas, que não precisavam de dinheiro, estavam oprimindo pobres que não tinham como pagar. E, ao invés de perdoarem a dívida, eles queriam sugar seus devedores até o último centavo, nem que para isso eles tivessem que passar por cima da Lei!

A mesma atitude é encontrada no ensino de Jesus sobre o perdão. Isso pode ser visto claramente na "Parábola do Credor Incompassivo", que pode ser lida em Mateus 18:23-35. Aqui, por questões de espaço, reproduzo apenas o final da parábola:
Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, e do íntimo não perdoares cada um a seu irmão. (Mateus 18:32-35)
Normalmente aplicamos a parábola somente a "dívidas morais", mas acho que também se aplica às financeiras, pelo menos em alguns casos. Quando a dívida é, de fato, impagável...o devedor não é mal-intencionado e o credor não necessita do pagamento, creio que Jesus e Neemias nos aconselhariam (ou ordenariam?) o perdão do débito. Não foi o que Cristo fez por nós, pecadores miseráveis sem condições de pagar a nossa dívida celeste?

Que possamos entender que pessoas valem mais que casas, fazendas, carros e outros bens.

2) Coragem e confrontação. Ultimamente, chamar de púlpito os pecadores de...pecadores é algo fora de moda, e que gera profundas convulsões e pesadas críticas ao coitado do pastor! Agora imagine reunir um monte de ladrões e dizer, na cara deles: "Seus ladrões!" Era caso de expulsão pastoral na hora, se não de processo na Justiça Comum. É o politicamente correto invadindo as igrejas.

Mas, louvado seja Deus, porque Neemias não tinha medo de dar nome aos bois, na frente deles, encarando o chifre das feras. E o Senhor seja louvado de novo, porque Neemias não escolheu se aliar aos pecadores, como o presidente Lula acha que deve ser feito aqui no Brasil.

Assim que Neemias soube do pecado, foi lá repreender os nobres e os juízes de Judá, dizendo-lhes na cara: "Sois usurários!" (Ne 5:7). Não contente, Neemias ainda convocou uma assembleia e descascou as elites em público, deixando-os sem resposta (Ne 5:8-9).

O problema é que a usura, a cobrança de juros em empréstimos, era proibida quando o devedor fosse um hebreu, um irmão:
Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor que impõe juros. (Êxodo 22:25)
Não vou entrar aqui na discussão (interessante) sobre se os juros devem ou não ser cobrados atualmente. Calvino concordava que sim, em certas condições, mas cabe aos interessados ir atrás da argumentação do reformador (uma análise pode ser lida aqui).

O que interessa aqui é que, naquela época, sem a menor sombra de dúvidas, a cobrança era pecaminosa. E que a confrontação foi justa, pública e com uma exortação ao arrependimento, incluída aí uma sugestão de como consertar o erro. E graças à firmeza do governador no combate ao erro, houve constrangimento e as terras foram devolvidas, além do centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite exigidos.

Jesus também fez essa confrontação dura e pública várias vezes em Seu ministério. Um dos meus capítulos favoritos é justamente Mateus 23, exatamente por causa dessa denúncia de Cristo. Lá lemos, por exemplo:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! (Mateus 23:23)
Mas hoje o que não falta é pastor fariseu, exigindo o dízimo, explorando os mais pobres exigindo que eles deem até o que não têm e negligenciando a justiça, a fé e, sobretudo, a misericórdia!

Esse e outros pecados devem ser, severamente, combatidos e denunciados hoje em dia, com termos que definam, exatamente, o quanto é hediondo o procedimento de igrejas como a Universal do Reino de Deus e da Renascer em Cristo! Assim como nos dias de Neemias, a exploração começa dentro daqueles que se dizem povo de Deus! Isso precisa ser denunciado e atacado, em alto e bom som!

3) O bom exemplo. Mas, de pouco adiantaria o protesto de Neemias, se ele mesmo não desse o exemplo. Mas Neemias era um governador daqueles que parecem não existir nos dias de hoje, um honesto, que vive o que prega nos palanques.

Além de ter coordenado a campanha de libertação dos judeus escravos de estrangeiros, Neemias (e seus irmãos e moços) ainda emprestou dinheiro aos mais pobres...e abriu mão do empréstimo (Ne 5:10)! Ele abriu mão de receber um direito que ele tinha.

Mais do que isso. Enquanto no Brasil a onda é sempre aumentar os gastos públicos e os impostos pagos pela população, Neemias renunciava a prerrogativas da lei persa para os governadores. Assim, ele abriu mão do pão devido ao governador (Ne 5:14), mesmo tendo o dever de dar comida a cento e cinquenta hóspedes (Ne 5:17-18).

Já no Brasil, deputados e senadores só querem aumentar os salários, as verbas de gabinete...o Poder Executivo pede aumento dos gastos públicos...e ninguém considera grande a servidão do povo brasileiro (Ne 5:18).

Mas Neemias, além de se compadecer da situação dos judeus, também tinha temor de Deus (Ne 5:15). Por isso, enquanto os governadores anteriores (e seus moços) oprimiam o povo, tomando pão, vinho e prata, Neemias preferiu um governo mais austero e menos gastador.

De Jesus Cristo...que exemplo maior haveria do que o próprio Filho de Deus abrir mão de Sua glória por alguns anos, para viver como servo no nosso meio e morrer na cruz por todos os eleitos?
Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. (Filipenses 2:5-8)
Faltam-nos hoje líderes políticos e eclesiásticos como Neemias e Jesus. Pessoas que vivam o que pregam, que evitem ao máximo aumentar a opressão e a exploração econômica de seus liderados, que busquem otimizar a administração e cortar gastos. Chega de impostos abusivos...e chega de pastores falsos, exigindo dízimos, ofertas abusivas e os bens de quem, muitas vezes, não tem nada!

Que o Senhor nos transforme em líderes exemplares, para a honra e glória d'Ele.

Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade"

Amados,

O post é enorme, e peço desculpas para isso. Para entendê-lo, é preciso ler antes dois posts anteriores.

"O Clóvis, do excelente blog 5 Solas, assistiu a uma edição do programa de TV adventista, o "Na Mira da Verdade", onde o professor Leandro Quadros tratou da predestinação. E aí, o Clóvis escreveu um post fazendo uma crítica ao ponto de vista apresentado pelo professor. O texto pode ser lido clicando aqui.

O professor respondeu, com um longuíssimo texto, com várias críticas ao calvinismo e algumas incoerências históricas. Quem quiser, pode ler a resposta do Na Mira da Verdade clicando aqui.

Eu escrevi uma resposta ao professor Leandro Quadros, que publiquei no blog dele e no Cinco Solas no dia 22 de outubro, quinta-feira. O Clóvis publicou, mas meu comentário até agora, terça-feira, dia 27 de outubro, está censurado no site do Na Mira da Verdade.

Dessa maneira, publico abaixo a minha resposta ao professor Leandro, já que ela foi censurada no blog dele. Em tempo, o Clóvis também já deu a tréplica dele e está preparando mais um post, sobre Romanos 9. Para ler, clique aqui.

Bom, para entender a minha resposta é preciso que se leia o texto do professor Leandro e o post original do Clóvis, cujos links postei acima. Peço perdão pelo tamanho, mas é importante a publicação, em nome do contraditório e da liberdade de expressão do pensamento teológico.

"Prezado Professor Leandro,

Sou pastor presbiteriano, amigo do Clóvis e blogueiro do Reforma e Carisma. Gostaria de colocar alguns pontos e questionamentos ao senhor. São 28, mais de 5 páginas no Word e respondem a essa postagem. Também colocarei esses comentários no Cinco Solas, do Clóvis.

1) As posições de um teólogo, seja ele Berkouwer, Berkhof ou Bavinck (pra ficar em 3 com B) não quer dizer que seja a posição bíblica, como o senhor enfatiza bem em relação à Calvino. Vou tentar seguir o raciocínio de que, o que deve prevalecer é a Bíblia, sem apelar a teólogos, embora ache que Calvino entendeu corretamente o ensino bíblico da predestinação.

2) Não sei qual a enciclopédia que o senhor utiliza, mas ela é muito ruim. Os 5 pontos do calvinismo foram estabelecidos no Sínodo de Dort, em 1618/19, na Holanda. João Calvino morreu em 1564. A não ser que o irmão ache que Calvino baixou em uma sessão espírita, seria impossível para ele definir os 5 pontos, consagrados no acróstico TULIP e também conhecidos como Cânones de Dort.

3) A morte de Cristo não dá livre arbítrio à humanidade. Na verdade, o pecado torna impossível que o homem, voluntariamente, de livre e espontânea vontade, se volte para Deus. Em Romanos 3:10-12 Paulo diz “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. A não ser que o irmão queira contrariar a Bíblia, não tem como afirmar que o homem, livremente, escolhe ir até Deus porque assim o deseja. Lembro que Paulo escreve após a ressurreição de Cristo, e cita o Salmo 14 e o Salmo 53. Logo, as afirmações em negrito são válidas antes e após a crucificação e ressurreição do Messias. Essa doutrina é conhecida como a da depravação total.

4) Em apoio a depravação total, cito ainda Romanos 8:5-8 “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas o que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:5-8). Ora, antes de sermos salvos por Cristo, todos nós estávamos na carne. Mas, se o pendor da carne não pode estar sujeito à lei de Deus e não pode agradar a Deus, como é possível que, na carne, possamos decidir ficar ao lado de Deus?

5) Ainda questionando sua visão de que “na cruz Cristo devolveu o livre-arbítrio para o ser humano”, questiono como o senhor interpreta João 1:12-13: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder se serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” Se os filhos de Deus não nascem da vontade do homem, mas sim de Deus, como é possível que, usando o livre-arbítrio, homens carnais escolham servir a Deus?

6) Sobre os versículos de escolha, como Jeremias 21:8, lembro que às vezes Deus manda sim que a Palavra seja pregada a pessoas que não ouvirão. Ou melhor, Deus manda pregar para endurecer corações. Já leste Isaías 6:8-10? “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.” O versículo é citado em Marcos 4:11-12 com a clara idéia de que Jesus pregava por parábolas para que algumas pessoas não fossem salvas: “Ele lhes respondeu: A vós outros é dado conhecer o mistério do reino, mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam, ouçam e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”.

7) Logo, simplesmente apelar para versículos do tipo Jeremias 21:8, de escolher o caminho, não prova nada, pois os versículos acima mostram que o profeta Isaías e Jesus Cristo tiveram que pregar de modo que as pessoas não se convertessem. O sentido dessas pregações é o de aumentar a culpa dos ouvintes e aumentar a glória de Deus, por ter alertado até os que se perdem. Essa afirmação pode ser deduzida de Romanos 9:22, quando Paulo dá razões pelas quais Deus predestina algumas pessoas para a perdição: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Romanos 9:22-24)

8) Sobre o “todas as famílias da terra”, o termo “famílias” também pode ser traduzido por “nações”. Logo, ali a promessa é de que, em Abraão, todas as nações da terra seriam abençoadas, porque, em Cristo, a salvação alcançaria pessoas de todas as nações.

9) Algumas vezes “todos” significa “todo tipo de gente”, e não “todas as pessoas”. Mas, mesmo que eu conceda e fale que, em Abraão, todas as famílias são abençoadas, se uma única pessoa de cada família for eleita para a salvação e todas as outras eleitas ao inferno, as famílias foram abençoadas! Afinal, o justo seria que todos fossem condenados ao inferno, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3:23). Logo, se em cada família só um fosse eleito ao céu e os demais condenados, seria uma bênção! Já seria mais do que a Justiça previa.

10) Assim sendo, o “todas as famílias” não implica em livre-arbítrio. E é bom o senhor não insistir nesse ponto, para não correr o risco de ensinar que todas as famílias são salvas e negar a existência do inferno, se tornando desta maneira um universalista.

11) Os calvinistas não creem que Deus empurre a salvação goela abaixo dos predestinados. Relendo João 1:12-13, vemos que os eleitos nascem de novo. Ora, o senhor escolheu nascer? Não, foi decisão dos pais, mas você não diz que eles empurraram a você goela abaixo o dom da existência! Ora, se não culpas os pais, por que culpar a Deus caso Ele, em Sua Soberana Vontade, decida nos fazer nascer de novo, com uma natureza que O agrada?

12) Na verdade, sem esse novo nascimento, não há salvação: “A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:5). O erro é que o senhor e os partidários do livre-arbítrio esquecem que nascer é o início da vida. Logo, primeiro o eleito nasce de novo, depois ele crê. Mas o entendimento arminiano é que primeiro se crê, depois se nasce. Que não pode ser assim é mostrado em João 1:13, os filhos de Deus não nascem da vontade do homem.

13) Sobre Apocalipse 22:17 e textos similares, calvinista algum nega que a salvação é para quem quer. Vai a Cristo quem quer. O problema é que, sem nascer de novo, ninguém quer ir a Deus (Romanos 3:10-12). Primeiro, Deus faz a pessoa nascer de novo (João 3:5) e depois a pessoa, com sua nova natureza, vai até Deus. Logo, a pessoa é salva porque quer. Mas só quer porque Deus a fez nascer de novo, assim como o senhor só existe porque seus pais o fizeram nascer, sem consultá-lo, e o senhor não vê nada de mal nisso. Por que então vês o mal em Deus?

14) Deus escolheu sim que mais pessoas se percam do que se salvem. Jesus não disse “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mateus 22:14)? Jesus disse também: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Mateus 7:13-14). Se, para você, o Deus da Bíblia só é amoroso com amor de mãe se salvar ou escolher a maioria, é bom rever o seu conceito de amor e de Deus. Jesus diz, claramente, que a maioria se perderá. Os salvos são poucos.

15) Cristo não morreu por todos os homens, morreu apenas pelos salvos. Jesus morre por suas ovelhas, não por lobos: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10:15). Mais à frente, Cristo diz: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26). Logo, Jesus morreu pelas ovelhas...e , se quem não crê não é ovelha...Cristo não morreu por todos. Na oração sacerdotal, Jesus se recusa a orar pelos não-eleitos “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (João 17:9).

16) Logo, Cristo não morreu por todos os homens. Morreu por todo tipo de homem, mas não por todos...Ele até se recusou a orar por todos! Cristo veio morrer pelo seu povo: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). Mais versículos nesse post http://teologia-vida.blogspot.com/2008/10/calvinismo-na-bblia-iii-expiao-limitada.html

17) Sobre Deus desejar que todos os homens sejam salvos (1 Timóteo 2:4), desejar não é sinônimo de predestinar, nem de deu possibilidade para que todos sejam salvos. Desejar é só desejar, o versículo não derruba um único ponto calvinista. Todo arminiano enxerga demais em um desejo...como se desejo fosse sinônimo de plano ou de ter que abrir uma possibilidade.

18) Sobre João 3:36, também não prova nada...todos nós nos mantemos rebeldes, se deixados à solta, como falei antes. Quem se mantém rebelde é porque foi eleito para a perdição...mas nem por isso Deus deixa de avisá-lo de seu destino.

19) Sobre Atos 7:51, o senhor é que demonstra ignorância do que os calvinistas dizem sobre graça irresistível. Ela é irresistível para os eleitos somente. Claro que há seres humanos que resistem ao Espírito...àqueles que não foram eleitos!

20) Sobre João 3:16, Deus amou o mundo, logo, não quis destruí-lo todo, quis salvá-lo. Todo o que nele crê é salvo. Muito bem! Todo o que crê é eleito. João 3:16 não diz que todo o que nele crê inclui não eleitos...o versículo não cabe no debate porque não fala de predestinação, simples assim! Nós, calvinistas, amamos João 3:16!

21) Sobre 1 João 1:22, do mundo inteiro não quer dizer “de todas as pessoas”. É interpretação sua. Cristo morreu não só pelas pessoas que receberam a carta (nossos pecados), mas por pecados de eleitos em todo o mundo (mundo inteiro).

22) Sobre a responsabilidade do pecador, acreditamos na regra do paradoxo. Deus é Um, mas o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito é Deus. São Três Deuses ou Um Deus? Forma certa de resolver: quando você não entende os dois lados do paradoxo, afirme os dois igualmente. Ou você consegue me explicar exatamente como funciona a Trindade? A mesma regra vale para a predestinação. Deus escolhe, mas nós somos responsáveis. Não consegue resolver logicamente? Tudo bem, a loucura de Deus é maior que a sabedoria humana, não vamos entender mesmo. O condenado é condenado porque é responsável por seus pecados e também porque Deus o escolheu para o inferno.

23) Se ficar complicado demais, a Confissão de Fé de Westminster, documento que ensina o que os calvinistas acreditam (cuja leitura recomendo ao senhor, para que, no mínimo, saibas o que é calvinismo), esclarece melhor.

24) O verdadeiro eleito vive de acordo com a vontade de Deus. Calvinistas não ensinam que o eleito é salvo, mesmo que viva em pecado, ao contrário, dizemos que os verdadeiros eleitos são aqueles que creem e vivem a Palavra! Quem se diz eleito, mas vive como um devasso, não é eleito. Acusação falsa essa contra os calvinistas!

25) Sobre como fica a necessidade do julgamento, se todos já foram escolhidos, se o senhor tem problemas com isso, tem problemas com João 3:18 “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” É Jesus quem diz que já estão todos julgados antes do Juízo Final, por que então ele vai acontecer?

26) Sobre 1 Coríntios 15:22, o todos ali se refere a todos os salvos. Se você acha que são todos os homens, então me prove que todos serem vivificados em Cristo é igual a todos terem livre arbítrio. E me explique como alguém pode ser vivificado em Cristo e ir para o inferno.

27) Sobre Efésios 2:3, o calvinismo não anula a ira de Deus. Lembra da depravação total, em Romanos 3:10-12? Pois é, predestinação é assim: se Deus não predestinar, ninguém é salvo, porque ninguém vai até Deus. E Cristo tem que morrer, tem que sofrer a ira no lugar dos eleitos! Não é injusto, Deus faz justiça. Por que Cristo não faz por todos? Já respondi isso no item 7. Mas, graça amigo, é graça. Se for obrigação, já não é graça...por isso Cristo deu a quem quis.

28) Os outros assuntos...seria apenas repetir argumentos já apresentados acima. No Word já deram 5 páginas de resposta, acho que posso ficar por aqui. Mas, quem persevera até o fim...são os eleitos. Quem era da igreja e apostata nunca foi eleito. Como diz 1 João 2:19 – “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”.

Espero que, pelo menos agora, tenha ficado mais clara a posição calvinista e nossa argumentação bíblica.

Reverendo Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro"

Mianmar, China e Irã: campeões da intolerância religiosa

Por que se enfurecem os gentios
E os povos imaginam coisas vãs?
Os reis da terra se levantam,
E os príncipes conspiram
Contra o SENHOR e contra o se Ungido, dizendo:
Rompamos de nós os seus laços
E sacudamos de nós as suas algemas.

Ri-se aquele que habita nos céus;
O Senhor zomba deles.
Na sua ira, a seu tempo lhes há de falar
E no seu furor os confundirá.
Eu, porém, constituí o meu Rei
Sobre o meu santo monte Sião
Proclamarei o decreto do SENHOR:
Ele me disse: Tu és meu Filho,
Eu, hoje, te gerei.
Pede-me, e eu te darei as nações por herança
E as extremidades da terra por tua possessão.
Com vara de ferro tu as regerás
E as despedaçarás como um vaso de oleiro.

Agora, pois, ó reis, sede prudentes;
Deixai-vos advertir, juízes da terra.
Servi ao SENHOR com temor
E alegrai-vos nele com tremor.
Beijai o Filho para que se não irrite
E não pereçais no caminho;
Porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira.
Bem-aventurados todos os que nele se refugiam. (Salmo 2:1-12)
A liberdade religiosa ainda é apenas uma expectativa em muitos países. Tanto que há uma missão cristã, a Portas Abertas, especificamente para tratar da perseguição, seja estatal ou social, movida em vários países contra as igrejas evangélicas. Essa missão possui, inclusive, um ranking com as nações onde a perseguição é mais intensa.

Aparentemente, a liberdade religiosa não é um dos assuntos considerados prioritários na diplomacia internacional (Brasil incluído...quando foi a última vez que você ouviu falar de algum protesto brasileiro nesse sentido). Mas, periodicamente, os Estados Unidos divulgam um relatório sobre a liberdade religiosa. No último, Mianmar, China e Irã são apontados como os campeões da intolerância religiosa. Venezuela e Cuba também ganham "menções honrosas" no assunto aqui na América Latina.

É de se lamentar que, em pleno século XXI, a liberdade religiosa ainda seja uma ficção em boa parte do mundo. Mas, biblicamente falando, é previsível.

O Salmo 2 começa descrevendo a realidade das nações. Reis e príncipes (hoje chefes de Estado e de Governo) sempre conspiram contra Deus. O desejo íntimo dos países é escapar do governo de Cristo, "romper laços" e "sacudir algemas". Para a ampla maioria dos reinos, repúblicas e ditaduras, servir a Cristo é uma prisão ou escravidão. Daí, é natural a intolerância religiosa.

Mas a Bíblia diz que Deus ri dessas pretensões. Deus está apenas aguardando o tempo para manifestar a Sua ira e furor para falar às nações e confundi-las. O Senhor ri porque o Rei das Nações já está constituído e não será derrubado.

Sim, de fato, Cristo pediu e terá todas as nações como Sua herança e possessão. Jesus reina, e reinará visivelmente, sobre todos os países. Os "reis" que se opõem a Ele sentirão o toque da vara de ferro e serão quebrados. Sim, Jesus reinará sobre Mianmar, China, Irã, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Brasil, Estados Unidos e todo o mundo. E essa palavra é um consolo para todos os cristãos humilhados e perseguidos no mundo.

E aos chefes de Estado e Governo do mundo (ouviu, Lula?), segue o conselho do salmista. Sejam prudentes. Deixem que Cristo os advirta. Sirvam ao Senhor, alegrem-se em Cristo, beijem o Rei dos Reis. Façam as pazes com Ele, antes que chegue o dia em que Ele derrame sua ira sobre todos os povos.

23 outubro 2009

Posição da IPB sobre acordo entre Brasil e Vaticano e sobre a "Lei das Religiões"

A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, representada pelo Presidente do seu Supremo Concílio, diante do momento atual, em que forças organizadas da sociedade manifestam sua preocupação pela aprovação do texto do Acordo que vem labutar contra a laicidade do Estado Brasileiro e cercear a liberdade religiosa através de manifesta preferência e concessão à Igreja Católica Apostólica Romana de privilégios por parte do Estado Brasileiro, em face dos termos do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, firmado no dia 13 de novembro de 2008, vem a público, considerando que:

I. - O Vaticano, embora um Estado Soberano e Pessoa Jurídica de Direito Público Internacional, é a sede política e administrativa da religião Católica Apostólica Romana e, portanto, um Estado Teocrático. Todo acordo entre Ele e o Brasil que contemple matéria envolvendo assuntos referentes à dimensão da fé e não a assuntos temporais agride o princípio da separação entre Estado e Igreja, que é uma conquista obtida pela nação brasileira e se constitui na base da nossa República;

II. - Para Igreja Católica Apostólica Romana, as demais religiões e seus ritos próprios são apenas “elementos de religiosidade” preparatórios ao cristianismo verdadeiro, do qual ela é exclusiva detentora: “Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os corações dos homens a se abrirem à ação de Deus. Não se lhes pode, porém atribuir à origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos. (DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS" SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA);

III. - A identidade jurídica peculiar do Vaticano, a apresentar-se ora como Estado, ora como Religião, facilita a tentativa de ingerência e pode confundir administradores sobre os limites das concessões, quando tratam de assuntos que transcendem aqueles meramente administrativos e temporais. E, por ser o Vaticano um Estado, não pode impor ao Estado Brasileiro a aceitação de sua religião e da Igreja que representa para a obtenção de privilégios e vantagens diferenciadas;

IV. - É inegável que tal Acordo é flagrantemente inconstitucional, pois fere a Constituição da República, que destaca em seu artigo 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; (..); III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. Ora, o Estado do Vaticano é o REPRESENTANTE da Igreja Católica Apostólica Romana. O ACORDO, portanto, é INCONSTITUCIONAL e não pode prosperar num Estado Democrático de Direito, pois fere a cláusula pétrea da Constituição da República no caput do Artigo 5º, ou seja, o princípio Constitucional da ISONOMIA;

V. - Que o referido Acordo Internacional nos artigos 7º, 10º e, principalmente, 14º, impõe DEVERES ao Estado Brasileiro para com a Igreja Católica Apostólica Romana nos planejamentos urbanos a serem estabelecidos no respectivo PLANO DIRETOR, que deverá ter espaços destinados a fins religiosos de ação da Igreja Católica Apostólica Romana, contemplando a referida Igreja com destinação de patrimônio imobiliário;

VI. - O termo católico após a expressão “ensino religioso”, contido no Acordo, afronta a previsão do § 1º do artigo 210 da Constituição da República, que preceitua: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. O Acordo com a Santa Sé consignou no § 1º do artigo 11 que: “O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental...”. Trata-se de evidente discriminação religiosa;

VII. – a aprovação pelo Congresso Nacional do referido Acordo conferiu privilégios históricos à Igreja Católica Apostólica Romana em nosso País reconhecendo-os como direitos, constituindo norma legal, uma vez que acordos internacionais, conforme a Constituição de 1988, têm força de lei para todos os fins. Aquilo que a história legou, a cultura vem transformando e o Direito não pode aceitar por consolidar dissídio na sociedade brasileira, que tem convivido de forma tolerante com o legado, mas não o admitirá como imposição contrária ao direito à liberdade de consciência, de crença e de culto, amparado pela Carta Magna e pelo Direito Internacional;

VIII. - De igual forma, o Projeto de Lei n.º 5.598/2009 e o PLS 160/2009 denominado “Lei Geral das Religiões”, já aprovado pela Câmara Federal e pelo Senado, mero espelho do Acordo, incorre nos mesmos equívocos de inconstitucionalidade e desprezo à laicidade do Estado Brasileiro, estendendo as pretensões da Igreja Católica Apostólica Romana a todos os demais credos religiosos. O nivelamento no tratamento pelo Estado às religiões não pode ser amparado por fundamentos manifestamente inconstitucionais que agridem a soberania do Brasil e retrocede-nos ao indesejável modelo do “padroado” no Império.

Ante o exposto, em consonância com a Palavra de Deus, sua única regra de fé e prática, e com a sua doutrina, a IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL manifesta-se contra a aprovação do Congresso Nacional do referido Acordo Internacional ou de qualquer norma legal que privilegie determinada religião/denominação em detrimento de outras; não considerando a cidadania dos ateus e agnósticos também presentes no Brasil, consagrando ingerência de Estado Estrangeiro sobre o Estado Brasileiro e afrontando a separação entre o Estado e a Igreja, preservada em todas as Cartas Constitucionais da República Brasileira.

A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL reitera sua submissão e intercessão em favor das autoridades constituídas, mas não abre mão de seu ministério profético nesta geração a denunciar todo e qualquer desvio contrário ao Estado de Direito e à Lei de Deus.

Brasília – DF, outubro de 2009
Rev. Roberto Brasileiro Silva
Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil

22 outubro 2009

Neemias: tipo de Cristo (VI) - O guerreiro

Tendo Sambalate ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus. Então, falou na presença de seus irmãos e do exército de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão? Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas? Estava com ele Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, vindo uma raposa, derribará o seu muro de pedra.

Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo desprezados; caia o seu opróbrio sobre a cabeça deles, e faze com que sejam despojo numa terra de cativeiro. Não lhes encubra a iniqüidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois te provocaram à ira, na presença dos que edificavam.

Assim, edificamos o muro, e todo o muro se fechou até a metade de sua altura; porque o povo tinha ânimo para trabalhar.

Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali. Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite.

Então, disse Judá: Já desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos; de maneira que não podemos edificar o muro. Disseram, porém, os nossos inimigos: Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra. Quando os judeus que habitavam na vizinhança deles, dez vezes, nos disseram: De todos lugares onde moram, subirão contra nós, então, pus o povo, por famílias, nos lugares baixos e abertos, por detrás do muro, com as suas espadas, e as suas lanças, e os seus arcos; inspecionei, dispus-me e disse aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa.

E sucedeu que, ouvindo os nossos inimigos que já o sabíamos e que Deus tinha frustrado o desígnio deles, voltamos todos nós ao muro, cada um à sua obra. Daquele dia em diante, metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade empunhava lanças, escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam por detrás de toda a casa de Judá; os carregadores, que por si mesmos tomavam as cargas, cada um com uma das mãos fazia a obra e com a outra segurava a arma. Os edificadores, cada um trazia a sua espada à cinta, e assim edificavam; o que tocava a trombeta estava junto de mim. Disse eu aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamso no muro mui separados, longe uns dos outros. No lugar em que ouviedes o som da trombeta, para ali acorrei a ter conosco; o nosso Deus pelejará por nós.

Assim trabalhávamos na obra; e metade empunhava as lanças desde o raiar do dia até ao sair das estrelas. Também nesse mesmo tempo disse eu ao povo: Cada um com o seu moço fique em Jerusalém, para que de noite nos sirvam de guarda e de dia trabalhem. Nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes; cada um se deitava com as armas à sua direita. (Neemias 4:1-23)
Reconstruir uma cidade caída e acabar com a miséria e o desprezo de um povo. Quem, em sã consciência, se oporia a tal bondade? Seria a mesma coisa que se opor a outras causas nobres, como o fim do tráfico de drogas, da corrupção no Brasil ou da seca no Nordeste!

De fato, sempre que se quer fazer o bem, algum interesse será contrariado. E é quase certo que os contrariados estarão dispostos a fazer tudo, inclusive matar, para tentarem alcançar o seu objetivo. Na verdade, quem quiser seguir a Cristo terá que suportar a oposição:
Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. (2 Timóteo 3:12)
E foi o que aconteceu com a reconstrução dos muros de Jerusalém nos dias de Neemias. Aos olhos dos outros povos ao redor, era bom que a cidade e os judeus ficassem na miséria. Afinal, eram mais pobres que podiam ser explorados, escravizados, discriminados e inferiorizados pelos estrangeiros. Isso sem falar no interesse espiritual diabólico em tentar frustrar a confiança dos judeus no Senhor.

E a oposição era séria. Discursos inflamados feitos diante de um exército (Ne 4:2), planos de ataque e perturbação da paz (Ne 4:8) e até mesmo de promover assassinatos inesperados (Ne 4:11), tudo para impedir o avanço das obras. Havia um risco real de perda de vidas humanas.

Hoje muitas obras missionárias, evangelísticas e até mesmo pastorais se encontram sob ameaça. Seja um governo que proíbe a pregação do Evangelho, líderes religiosos promovendo ataques a templos até ameaças de morte a pastores. Não tenho relatos aqui, mas imagino que esse tipo de constrangimento deve existir, por exemplo, em áreas dominadas pela criminalidade no Brasil. Há também outras ameaças menores, como a de falsos pastores querendo processar blogs que denunciam seus erros, de pregadores genuínos da Palavra sendo caluniados e até expulsos de igrejas e a pura e simples ofensa verbal dirigida aos que querem viver piedosamente em Cristo.

Aliás, quanto a isso, ser perseguido é apenas andar nas pisadas do Senhor, como mostram os dois exemplos a seguir:
Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida. (Mateus 12:14) Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo. Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se. (Lucas 4:28-30)
O que fazer nestas situações? Entendo que cada caso é um caso, mas Neemias nos dá lições importantes para estes casos.

1) Ore. Neemias era um homem de ação, corajoso e realizador, mas, antes de tudo isso, ele era alguém que orava. Orou para planejar a reconstrução da cidade, para falar com o rei e agora para pedir proteção para Jerusalém. A esperança de Neemias era a de que Deus fosse em seu socorro, por isso podia dizer que Deus pelejaria pelos judeus (Ne 4:20). Acertadamente, ele também atribui ao Senhor à frustração dos planos de atacar a Judá (Ne 4:15)

Até mesmo na hora de escrever o que aconteceu, Neemias colocou uma oração imprecatória, pedindo o juízo de Deus sobre os seus oponentes. Entendo que, no Novo Testamento, as imprecações não caibam mais, antes, deve-se orar pelos inimigos:
Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. (Mateus 6:44)
Mas, isso não quer dizer que não possamos condenar, verbalmente até, quem se levanta contra a vontade de Deus. O próprio Jesus chegou a xingar seus opositores:
Serpentes, raças de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mateus 23:33)
Vale lembrar aqui que, quando oramos, não apenas a nossa posição é colocada diante de Deus. As ações dos opositores ao Evangelho também são expostas perante o Senhor. Orar não apenas é um pedido de proteção, é também um pedido de justiça divina.

2) Não pare. Não se ora apenas em busca de livramento dos perigos, ora-se também é para que a obra continue e seja terminada. As ameaças, inclusive de morte, não podem impedir que o bem seja feito. Podem até adiar a obra por algum tempo...mas as orações e os esforços dos perseguidos deve ser no sentido de continuar, não de desistir.

O problema é que, muitas vezes, as pressões não vem apenas de fora: os próprios judeus colocavam dificuldades. "Os operários estão fracos, tem muito escombro para ser retirado" (Ne 4:11). "De todo lugar, virão nos matar" (Ne 4:12). Em situações normais, nós já reclamamos das dificuldades em se trabalhar para Deus. Quando há ameaças físicas então...tudo vira motivo para fugir.

Mas Neemias foi firme. Em momento algum ele permitiu que a reconstrução fosse encerrada. Adaptações tiveram que ser feitas, o ritmo ficou mais lento, mas a obra continuou. Da mesma forma, nem Jesus e nem os apóstolos jamais deixaram de pregar o Evangelho e de socorrer o povo, apesar das ameaças de morte e até de prisões e martírios. Temos que perseverar.

Cabe, no entanto, um porém:
Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem. (Mateus 10:23)
Fugir para salvar a vida não é pecado, é ordem divina. Mas é fugir para continuar pregando, em outra cidade, em outro lugar. Não é calar a boca.

Contudo, algumas vezes a ordem é sim, para ficar e morrer, se for preciso. Uma história que ilustra bem esse ponto é o martírio de Policarpo.Aqui, não sou dogmático. Deus mostrará o que fazer em cada caso. Mas o importante é não parar de fazer a vontade de Deus, mesmo que isso custe a vida.

3) Prepare-se para a luta. Entregar os problemas em oração e descansar no Senhor não significa ficar deitado, de papo pro ar, esperando que os inimigos sejam destruídos pelo sopro da boca de Jesus. Por outro lado, também não é para, afobadamente, se pegar em espadas e fazer um ataque preventivo. O homem sábio irá preparar-se para as eventualidades.

Foi o que fez Neemias. Além de orar, ele colocou guardas na cidade (Ne 4:9), de dia e de noite. Também armou as famílias (Ne 4:13), estabeleceu turnos de trabalho e vigilância (Ne 4:16-18) e deu instruções para que, em caso de problemas, todos corressem para onde tocasse o som da trombeta (Ne 4:20).

Isso significa que, em caso de ameaça de violência física, os crentes devem organizar milícias? Creio que não. Em princípio, o uso da força física é prerrogativa do Estado:
...visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. (Romanos 13:4)
Ou seja, se há ameaça de violência, é caso sim de procurar as autoridades policiais e alertá-las. Também não veria problemas em contratar vigilantes. Creio até que, em alguns casos, a guerra é sim justificável (Confissão de Fé de Westminster, cap. XXIII, II).

Mas, e se o inimigo é justamente o Estado? Bom, em Atos, em caso de perseguições, os cristãos nunca reagiram de forma violenta. Foram presos e até mortos, sem reagir. Mas, mesmo assim, providências podem ser tomadas, como se reunir em pequenos grupos e locais afastados, selecionar quem é convidado a um culto, formar uma rede de advogados ou pessoas influentes que possam ajudar em caso de prisões e agressões, buscar contatos na imprensa para denunciar abusos, entre outras medidas.

No entanto, na maioria dos casos, devemos nos preparar não para uma luta física, mas sim para uma guerra ideológica e espiritual. Este é o caso do Brasil, onde inimigos como o neopentecostalismo, o ateísmo, a idolatria, o materialismo, a supervalorização do sexo, a idéia do Super-Estado e o hedonismo se opõem ao avanço do ensino e da vivência diária do verdadeiro Evangelho.

E aí os conselhos de Neemias cabem bem:

1) Precisamos formar guardas na cidade, ou seja, apologetas, pessoas treinadas para defender a fé e a verdade;
2) As famílias precisam estar "armadas". É preciso que elas conheçam a espada do cristão, a Bíblia, e saibam manuseá-la e entendê-la. Que invistam na compra de bons livros e se familiarizem com seu conteúdo. Esses deveres não podem ser delegados a "soldados profissionais da fé", são de todos nós.
3) Ação e reflexão (reconstrução e vigilância) devem andar lado a lado. As igrejas devem investir em ensino pesado da Bíblia, junto com obras de ação social e pregação evangelística ativa e atuante. Individualmente, os cristãos devem agir na sociedade, mas sem descuidar da vigilância da mente, por meio da reflexão da Palavra.
4) Em caso de ataques à fé, de irmãos que estejam em dificuldades (sejam elas de fé, intelectuais, emocionais ou materiais), é preciso que a trombeta seja tocada e todos corram para ajudar. Se um só ajuda, fica pesado. Mas, se todos nós ajudássemos os irmãos em crise ou os ministérios com problemas ou os pastores e missionários em dificuldades, se todos respondêssemos ao som da trombeta, seria muito mais fácil lutar.

Adotar esse tipo de medida não fere o ensino de Jesus. Ao contrário...os passivos que dizem estar descansando em Deus e não se preparam para a batalha é que vão contra Cristo, que nos mandou ter cuidado com os homens e ser prudentes como as serpentes:
Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas sinagogas... (Mateus 10:16-17)
A oposição contra o Reino de Deus é sempre real e presente, mesmo que não a percebamos ou que fiquemos lutando contra inimigos imaginários (como acontece em muitas igrejas neopentecostais que seguem um falso ensino de batalha espiritual). Que aprendamos com Neemias a confiar em Jesus e ter fé para a guerra!

20 outubro 2009

Neemias: tipo de Cristo (V) - O edificador

Então, se dispôs Eliasibe, o sumo sacerdote, com os sacerdotes, seus irmãos, e reedificaram a Porta das Ovelhas; consgraram-na, assentaram-lhe as portas e continuaram a reconstrução até à Torre dos Cem e à Torre de Hananel. Junto a ele edificaram os homens de Jericó; também, ao seu lado, edificou Zacur, filho de Inri.

Os filhos de Hassenaá edificaram a Porta do Peixe; colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas. Ao seu lado, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz; junto deste, reparou Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel, a cujo lado reparou Zadoque, filho de Baaná. Ao lado destes, repararam os tecoítas; os seus nobres, porém, não se sujeitaram ao serviço do seu senhor.

Joiada, filho de Paséia, e Mesulão, filho de Besodias, repararam a Porta Velha; colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas. Junto deles, trabalharam Melatias, gibeonita e Jadom, meronotita, homens de Gibeão e de Mispa, que pertenciam ao domínio do governador de além do Eufrates. Ao seu lado, reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives; junto dele, Hananias, um dos perfumistas; e restauraram Jerusalém até ao Muro Largo. Junto a eles, trabalhou Refaías, filho de Hur, maioral da metade de Jerusalém. Ao seu lado, reparou Jedaías, filho de Harumafe, defronte da sua casa; e, ao seu lado, reparou Hatus, filho de Hasabnéias. A outra parte reparou Malquias, filho de Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, como também a Torre dos Fornos. Ao lado dele, reparou Salum, filho de Haloés, maioral da outra meia parte de Jerusalém, ele e suas filhas.

A Porta do Vale, reparou-a Hanum e os moradores de Zanoa; edificaram-na e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas e ainda mil côvados de muralha, até à Porta do Monturo.

A Porta do Monturo, reparou-a Malquias, filho de Recabe, maioral do distrito de Bete-Haquerém; ele a edificou e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas.

A Porta da Fonte, reparou-a Salum, filho de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa; ele a edificou, e a cobriu, e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas, e ainda o muro do açude de Selá, junto ao jardim do rei, até aos degraus que descem da Cidade de Davi. Depois dele, reparou Neemias, filho de Azbuque, maioral da metade do distrito de Bete-Zur, até defronte dos sepulcros de Davi, até ao açude artificial e até à casa dos heróis. Depois dele, repararam os levitas, Reum, filho de Bani, e, ao seu lado, Hasabias, maioral da metade do distrito de Queila. Depois dele, repararam seus irmãos: Bavai, filho de Henadade, maioral da metade do distrito de Queila; ao seu lado, reparou Ezer, filho de Jesua, maioral de Mispa, outra parte defronte da subida para a casa das armas, no ângulo do muro. Depois dele, reparou com grande ardor Baruque, filho de Zabai, outra porção, desde o ângulo do muro até à porta da casa de Eliasibe, o sumo sacerdote. Depois dele, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz, outra porção, desde a porta da casa de Eliasibe até à extremidade da casa de Eliasibe. Depois dele, repararam os sacerdotes que habitavam na campina. Depois, repararam Benjamim e Hassube, defronte da sua casa; depois deles, reparou Azarias, filho de Maaséias, filho de Ananias, junto à sua casa. Depois dele, reparou Binui, filho de Henadade, outra porção, desde a casa de Azarias até ao ângulo e até à esquina. Palal, filho de Uzai, reparou defronte do ângulo e da torre que sai da casa real superior, que está junto ao pátio do cárcere; depois dele, reparou Pedaías, filho de Parós, e os servos do templo que habitavam em Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o oriente, e até à torre alta. Depois, repararam os tecoítas outra porção, defronte da torre grande e alta, e até ao Muro de Ofel.

Para cima da Porta dos Cavalos, repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa. Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa; e, depois dele, Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental. Depois dele, reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanum, o sexto filho de Zalafe, outra porção; depois deles, reparou Mesulão, filho de Berequias, defronte da sua morada. Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives, até à casa dos servos do templo e dos mercadores, defronte da Porta da Guarda, até ao eirado da esquina. Entre o eirado da esquina e a Porta das Ovelhas, repararam os ourives e os mercadores. (Neemias 3:1-32)
Provavelmente a maioria das pessoas pularia o capítulo 3 de Neemias na leitura bíblica. Trechos como genealogias ou longos relatos para dizer quem edificou que parte da cidade são enfadonhos e, aparentemente, sem lições para o homem contemporâneo.

Concordo que a leitura é mesmo cansativa. Mas, se formos observadores atentos, veremos ensinos interessantes do ministério de Neemias.

1) Envolva a todos. Uma rápida passada de olho mostra que diferentes grupos de pessoas participaram da reconstrução dos muros. As obras não foram feitas por profissionais contratados, mas sim pela comunidade. Há pessoas importantes, como o sumo sacerdote Eliasibe ou Refaías, filho de Hur, maioral de metade de Jerusalém. Há classes profissionais, como ourives e mercadores. Há grupos de pessoas que eram nativos de outras cidades, como os tecoítas, de Tecoa. E até mulheres, como as filhas de Salum, filho de Haloés, foram lá por as mãos na massa.

Neemias conseguiu aquilo que seria o sonho de muitos pastores e líderes, em igrejas e (por que não?) outros lugares, como escolas, cidades e até empresas. Ele mobilizou a todos para atingir o objetivo de reerguer os muros de Jerusalém.

Da mesma forma, Jesus chamou vários tipos diferentes de pessoa para serem seus discípulos. Mulheres, uma até que fora endemoninhada, pescadores, coletores de impostos, um ex-rebelde político...o grupo era bem eclético. Jesus chegou a reunir um grupo de setenta pregadores, que o auxiliavam na ministração da Palavra:
Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir. (Lucas 10:1)
Uma das bandeiras da Reforma Protestante é exatamente o sacerdócio universal dos crentes, a doutrina que ensina que cada pessoa salva tem a liberdade de acessar livremente a Deus e apresentar suas orações e confissões de pecados. Mas isso também implica no que eu chamo de "serviço universal dos crentes", a obrigação que todos possuem de contribuir para a edificação do Corpo de Cristo. Como está escrito:
Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é dada a cada um visando a um fim proveitoso. (1 Coríntios 12:4-6)
Diferentes dons, serviços e realizações, tudo é uma obra que o Espírito Santo realiza em todos. Ao contrário do que é ensinado ou vivido em algumas igrejas, a obra deve ser feita por cada eleito, e não só por pastores, "levitas" (que não sabem o tamanho da asneira que é se chamar de levita) e obreiros.

Vale destacar que muitos repararam o muro "defronte de sua casa". Se cada eleito de Deus não fosse negligente em relação aos desafios e trabalhos que Deus coloca na nossa frente e cuidasse só desse pedacinho...imaginem o impacto dessa decisão!

2) Faça uma obra abrangente. Certos detalhes parecem bobos e óbvios, mas acho que o bom pregador é exatamente aquele que consegue percebê-los. É claro que um muro circunda toda uma cidade e que reconstruí-lo significa fazer um canteirinho de obra em toda a volta de Jerusalém. Mas essa obviedade esconde uma preciosidade. Neemias estava recebendo ajuda para fazer algo que provocava mudanças na cidade toda! Nenhum canto ficou de fora. Nenhum setor foi excluído.

Creio que esse é um grande desafio hoje em dia. Como a igreja pode influenciar a sociedade como um todo, sem negligenciarmos área alguma? Creio que, se esta for a nossa ambição (é a minha), pregar apenas não é suficiente. É preciso que exista articulação, mobilização e envolvimento para viver o que é pregado.

Se tivermos um objetivo menor, continua a pergunta. Como fazer uma obra que tenha impacto, dentro de nossa igreja local, em todas as faixas etárias ou de renda? Algo que tenha impactos tanto sobre as crianças como sobre os mais velhos?

Creio que o desafio é enorme, mas legítimo. A vida de Jesus causou reflexos em toda a sociedade. Ele foi orar por crianças e curou a febre da sogra de Pedro, provavelmente uma mulher de idade para a época. Multidões de todas as classes o seguiam, e até mesmo um jovem rico quis conhecê-lo. E em uma de suas últimas ordens aos discípulos, Cristo determinou que a igreja deveria alcançar o mundo:
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. (Mateus 28:19)
A igreja do Novo Testamento parece ter conseguido isso, a ponto de ser perseguida com a seguinte acusação:
Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui... (Atos 17:6)
Creio que a saída não está, exatamente, em exigir que isso seja feito pelas instituições eclesiásticas. A igreja é formada pelas pessoas, não pelas instituições. O caminho seria recuperar a doutrina reformada da vocação, e estimular os cristãos a viverem sua fé e chamado em todas as esferas de suas vidas: educação, trabalho, saúde, política, economia, fé...

É vivendo a Palavra em tudo o que fazemos, deixando que ela influencie nosso viver que conseguiremos levar o Reino de Deus a todos os lugares.

Antes de fechar, só um detalhe: em nenhum lugar se fala que Neemias, filho de Hacalias, reparou um tijolo do muro. Mas ele foi quem liderou o processo. Primeiro Neemias edificou os corações daqueles que, de fato, reconstruiriam os muros de Jerusalém.

Diretrizes para pregadores de rua

Por Kevin Williams
(pregador ligado a um grupo de puritanos)


O Evangelho do Senhor Jesus Cristo nunca intencionou ficar escondido atrás das paredes das igrejas, e pregadores de rua são um maravilhoso meio de levar as boas novas pelas "saídas dos caminhos" (Mateus 22:9).
"Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes." (Mt 22:9 ACF)

Para mim, pregar o Evangelho nas ruas tem sido um privilégio maravilhoso, vendo Deus se mover tanto poderosa como misteriosamente e me conceder um breve deslumbre do que deve ter ocorrido quando Jesus pregava no templo em João 7 (e em outros lugares), com perguntas e objeções vindo de todas as direções e de diferentes tipos de pessoas em um multidão turbulenta, e de como deve ter sido quando Paulo pregava nos mercados.

Neste artigo eu quero dividir com você algumas experiências úteis que aprendi para ser um bom pregador de rua. Eu não pus estes tópicos em uma ordem particular, pois algumas coisas você logo vai entender que nas ruas podem ser impraticáveis. Assim, Deus pode usar este artigo para ajudar você a andar com passos mais firmes na fé e através disto ficar mais perto do Senhor.

Leia o resto em Pc@maral.

19 outubro 2009

Neemias: tipo de Cristo (IV) - O paciente

Cheguei a Jerusalém, onde estive três dias. Então, à noite, me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão o que eu montava. De noite, saí pela Porta do Vale, para o lado da Fonte do Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam assolados, cujas portas tinham sido consumidas pelo fogo. Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei; mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu montava. Subi à noite pelo ribeiro e contemplei ainda os muros; voltei, entrei pela Porta do Vale e tornei para casa. Não sabiam os magistrados aonde eu fora nem o que fazia, pois até aqui não havia eu declarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra.

Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser opróbrio. E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra.

Porém, Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, quando o souberam, zombaram de nós, e nos desprezaram, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei? Então, lhes respondi: o Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós, seus servos, nos disporemos e reedificaremos; vós, todavia, não tendes parte, nem direito, nem memorial em Jerusalém. (Neemias 2:11-20)
Combinar a urgência da realização de uma tarefa com o tempo necessário para preparar a sua execução é um talento raro em líderes. Uma qualidade que Neemias possuía. Tão logo ele ouviu o relato da situação em Jerusalém, ele imediatamente se pôs a orar e a planejar a reedificação da cidade. Mas, uma vez tendo chegado à cidade, ele teve o sangue frio necessário para não começar as obras de maneira afobada.

Hoje, muitos pregadores, líderes e até mesmo pastores e missionários erram por pressa. Antes de por a mão na massa, Neemias sabia que alguns passos eram necessários.

1) Conhecer a realidade. Quem é jornalista sabe que uma coisa é ouvir um relato da realidade feito por alguém. Outra, bem diferente, é ir lá e ver com os próprios olhos. Não é difícil que coisas importantes acabem despercebidas aos olhos de um observador inexperiente.

Por isso Neemias gasta três dias observando o estado de Jerusalém. Sem alarde, ele e poucos homens foram conferir, pessoalmente, os muros caídos e as portas queimadas. Passaram, inclusive, por lugares onde nem mesmo um cavalo ou jumento poderia passar. Sentiram, na pele, a dificuldade dos hierosolimitas.

Esse "observar", esse percorrer os lugares e sentir a vida das pessoas também foi uma marca do ministério de Jesus. Sim, Ele foi muito ativo, mas também teve vários momentos de contemplação da realidade humana:
Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de enfermidades entre o povo. (Mateus 4:23)

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos... (Mateus 5:1)

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. (Mateus 9:36)

Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compedeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas. (Marcos 6:34)
No Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil, aprendi que o bom pastor deve ter "cheiro de ovelha". Ele não deve fazer o sermão de domingo ou traçar as metas da igreja para o próximo ano trancado em seu gabinete pastoral ou na sala de sua residência. É preciso que ele ande pela comunidade, visite a casa de suas ovelhas e conheça as reais dificuldades enfrentadas pela congregação. E isso deve ser feito antes de se pensar no que fazer na igreja.

Mas a regra vale também para o aspirante ao presbiterato ou ao diaconato, para os presidentes de sociedades de homens ou senhoras, de mocidades, professores de Escola Bíblica...para todo líder, enfim.

2) Ganhar a ajuda de outros. A liderança evangélica brasileira padece do mal do individualismo. Há, em muitas denominações e movimentos evangélicos uma ideia de que o líder é o grande realizador, como se as obras daquela corrente fossem mérito de um homem só.

Neemias sabia que sozinho ele não conseguiria reconstruir os muros de Jerusalém. Mais do que isso: Neemias não queria apenas reconstruir muros, mas sim a moral de um povo que estava em opróbrio, ou seja, em uma situação de vexame e vergonha.

Em seu sermão, Neemias lembrou ao povo a miséria de Jerusalém, desafiou-os a mudar a situação e testemunhou como Deus o ajudou e estava dando meios para que a obra fosse feita. Neemias incluiu o povo na obra a ser feita.

Quanto a Jesus, é claro que a grande obra que Ele veio fazer, Ele a fez sozinho.
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Marcos 10:45)
No entanto, Jesus chamou os doze apóstolos para ajudá-lo:
Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios. (Marcos 3:14-15)
A Igreja precisa recuperar o sacerdócio universal dos crentes e recuperar a bandeira de que o avanço do reino de Deus é tarefa de todos. Os bons líderes serão, precisamente, os que entenderem que a obra é coletiva, e não individual.

3) Enfrentou a oposição. Antes mesmo da reconstrução começar, Neemias já teve que enfrentar adversários. A comunidade judaica após o exílio não deixou que os estrangeiros que moravam em Canaã ajudassem na hora de reedificar o Templo:
Ouvindo os adversários de Judá e Benjamim que os que voltavam do cativeiro edificavam o templo ao SENHOR, Deus de Israel, chegaram-se a Zorobabel e aos cabeças de famílias e lhe disseram: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui. Porem Zorobabel, Jesua e os outros cabeças de famílias lhes responderam: Nada tendes convosco na edificação da casa a nosso Deus; nós mesmos, sozinhos, a edificaremos ao SENHOR, Deus de Israel, como nos ordenou Ciro, rei da Pérsia. (Esdras 4:1-3)
A razão da recusa era o sincretismo religioso destes estrangeiros, que, mais tarde, deram origem aos samaritanos do Novo Testamento:
Assim, estas nações temiam o SENHOR e serviam as suas próprias imagens de escultura; como fizeram seus pais, assim fazem também seus filhos e os filhos de seus filhos, até ao dia de hoje. (2 Reis 17:41)
Começava aí o ódio entre judeus e samaritanos. Nos dias de Neemias, esse ódio se traduzia nas acusações levantadas por Sambalate, Tobias e Gesém de que a construção era uma tentativa de revolta contra o rei. Neemias, porém, deu uma resposta firme, de confiança em Deus e de exclusão dos pecadores idólatras na obra do Senhor.

Da mesma forma, a oposição de Satanás a Jesus começou antes de seu ministério público, com a tentativa de Herodes assassinar a Cristo quando ele ainda era um bebê (Mateus 2:1-18) ou na tentação (Mateus 4:1-11). Essa oposição permaneceu, por meio dos fariseus e saduceus, mas não impediu que Jesus, corajosamente, fizesse o Seu ministério, inclusive excluindo do reino de Deus esses opositores, assim como Neemias:
Serpentes, raças de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração. (Mateus 23:33-36)
Hoje, ao invés de enfrentar a oposição, muitos evangélicos têm é se esforçado em simpatizar com os idólatras, como é o caso de Brian McLaren e sua ortodoxia generosa com o erro. São poucos os que têm enfrentado real oposição de Satanás e o tem enfrentado com coragem e determinação.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê novos Neemias!

Novo esporte olímpico: derrubada de helicóptero

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. (Romanos 13:1-7)
Os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro. Quando a notícia saiu, houve festa em todo o país, com direito a políticos tentando aproveitar ao máximo para transformar as olimpíadas em votos nas próximas eleições.

Mas, enquanto o Brasil festeja, o mundo se choca com a violência na Cidade Maravilhosa. A guerra entre duas facções criminosas, com direito a derrubada de helicóptero da Polícia Militar, está sendo chamada acertadamente de terror. Como organizar Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos se traficantes dispõem de poder de fogo para derrubar helicópteros? E pior: o ataque partiu de dentro de um presídio federal.

De quem é a culpa? Com o perdão da sinceridade, mas biblicamente falando é sim do Estado, falando aqui dos Três Poderes do Governo Federal e também do governo estadual.

Por quê? Porque as autoridades brasileiras não cumprem o seu papel bíblico de premiar quem faz o bem e punir, com a espada, quem faz o mal (Romanos 13:4). E aqui, nem falo da pena de morte, que é claramente ensinada no versículo citado e defendida pelo apóstolo Paulo na sua defesa diante de Festo:
Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César. (Atos 25:11)
O problema no Brasil é bem mais grave do que não cumprirmos a exigência bíblica da pena capital. O problema é que aqui os criminosos não são, de fato, entregues à Justiça. E quando o são, encontram liberdade suficiente para continuarem a cometer crimes e ordenar barbaridades, como a que aconteceu no último fim de semana no Rio de Janeiro.

O que não é de se espantar. O Poder Executivo dá dinheiro para uma organização que se diz social, mas é criminosa. Os escândalos no Poder Legislativo já viraram piada, a começar com as acusações contra o presidente do Senado e sua família. E o Poder Judiciário também aplica penas brandas, isso quando não livra a cara do criminoso que pode pagar advogado.

No Brasil, a equação divina é invertida. Os bons são castigados, sendo vítimas da violência e pagando impostos que chegam a 35,8% de tudo o que é produzido no país, mais de um terço. Trabalhamos mais de 4 meses por ano para o Governo e não recebemos, em troca, ordem e justiça. Já os maus...esses continuam dando ordens para derrubar helicópteros.

Uma pena que o esforço governamental, tanto político como econômico, para realizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 não tenha sido usada:

1) Para montar um novo Código Penal e um novo Código Processual Penal;
2) Para convencer os congressistas a aprovar mudanças na lei (em compensação, até viagem para Copenhague foi feita pelas Olimpíadas);
3) Para dar treinamento e aumentar o efetivo das polícias;
4) Para melhorar a estrutura dos presídios no país;
5) Para levar o Estado a áreas que estão sob o domínio da criminalidade.

É uma pena ainda maior que as igrejas estejam mais interessadas em vender votos do que em cobrar do Estado o cumprimento de seu dever bíblico.