19 outubro 2009

Novo esporte olímpico: derrubada de helicóptero

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. (Romanos 13:1-7)
Os Jogos Olímpicos de 2016 serão no Rio de Janeiro. Quando a notícia saiu, houve festa em todo o país, com direito a políticos tentando aproveitar ao máximo para transformar as olimpíadas em votos nas próximas eleições.

Mas, enquanto o Brasil festeja, o mundo se choca com a violência na Cidade Maravilhosa. A guerra entre duas facções criminosas, com direito a derrubada de helicóptero da Polícia Militar, está sendo chamada acertadamente de terror. Como organizar Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos se traficantes dispõem de poder de fogo para derrubar helicópteros? E pior: o ataque partiu de dentro de um presídio federal.

De quem é a culpa? Com o perdão da sinceridade, mas biblicamente falando é sim do Estado, falando aqui dos Três Poderes do Governo Federal e também do governo estadual.

Por quê? Porque as autoridades brasileiras não cumprem o seu papel bíblico de premiar quem faz o bem e punir, com a espada, quem faz o mal (Romanos 13:4). E aqui, nem falo da pena de morte, que é claramente ensinada no versículo citado e defendida pelo apóstolo Paulo na sua defesa diante de Festo:
Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César. (Atos 25:11)
O problema no Brasil é bem mais grave do que não cumprirmos a exigência bíblica da pena capital. O problema é que aqui os criminosos não são, de fato, entregues à Justiça. E quando o são, encontram liberdade suficiente para continuarem a cometer crimes e ordenar barbaridades, como a que aconteceu no último fim de semana no Rio de Janeiro.

O que não é de se espantar. O Poder Executivo dá dinheiro para uma organização que se diz social, mas é criminosa. Os escândalos no Poder Legislativo já viraram piada, a começar com as acusações contra o presidente do Senado e sua família. E o Poder Judiciário também aplica penas brandas, isso quando não livra a cara do criminoso que pode pagar advogado.

No Brasil, a equação divina é invertida. Os bons são castigados, sendo vítimas da violência e pagando impostos que chegam a 35,8% de tudo o que é produzido no país, mais de um terço. Trabalhamos mais de 4 meses por ano para o Governo e não recebemos, em troca, ordem e justiça. Já os maus...esses continuam dando ordens para derrubar helicópteros.

Uma pena que o esforço governamental, tanto político como econômico, para realizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 não tenha sido usada:

1) Para montar um novo Código Penal e um novo Código Processual Penal;
2) Para convencer os congressistas a aprovar mudanças na lei (em compensação, até viagem para Copenhague foi feita pelas Olimpíadas);
3) Para dar treinamento e aumentar o efetivo das polícias;
4) Para melhorar a estrutura dos presídios no país;
5) Para levar o Estado a áreas que estão sob o domínio da criminalidade.

É uma pena ainda maior que as igrejas estejam mais interessadas em vender votos do que em cobrar do Estado o cumprimento de seu dever bíblico.

4 comentários:

Roberto Vargas Jr. disse...

Meu caro Helder,

O que esperar de uma nação que, embora de maioria cristã, se orgulha de ser chamada laica? E por laica, na maioria (para não dizer que sempre) quer se referir a atéia. Que esperar se esta maioria cristão o é apenas nominalmente? Que esperar se os cristãos, professos e atuantes, tem uma voz que quase não se ouve em sua própria congregação? O que esperar?

Deus tenha misericórdia de nós!

NEle,
Roberto

Ricardo Mamedes disse...

Olá Helder,

De fato há muitos problemas estruturais nesse nosso país "onde canta o sabiá e aonde se plantando tudo dá".
O Brasil é o país das leis. Leis muito bem alinhavadas, mas que não são cumpridas. Por isso penso que a reforma do Código Penal e Processo Penal, por si só, não trará nenhuma medida efetiva para mudar o caos da insegurança pública. O nó górdio é maior do que isso; um poço ainda mais profundo.
Penso que o Estado tem de atuar de fato, as suas instituições devem funcionar nas suas atividades típicas e mediatas. Há que ter uma nova mentalidade, tanto da nação como um todo, para exigir a atuação honesta e ética dos seus representantes, como destes, para atuar com um mínimo de decência e respeito em prol dos seus representados.
Quanto ao Estado ser laico (como disse o Roberto) nada contra. Ele deve ser laico mesmo, uma vez que as atividades do Estado jamais devem se confundir com a religião.
A teocracia já se provou incompetente para dirimir conflitos privados, levando, outrossim, à insegurança do povo e ao fanatismo dos seus líderes, a exemplo do Irã (não faz diferença a crença professada).
Vi seu comentário no blog do Roberto e resolvi te visitar. Gostei. Estou te seguindo. Caso queira, faça uma visita ao meu blog: ricardomamedes.blogspot.com

Em Cristo.

Roberto Vargas Jr. disse...

Olá, Ricardo.
Sobre o Estado ser laico. Eu também não tenho nada contra. Ao contrário, defendo a separação entre Igreja e Estado. O problema é laico ser entendido como ateu (ou mesmo anti-religioso), como quase sempre é.
Aliás, a propósito disso, ver: Estado laico e discurso religioso.

Abs,
Roberto

Helder Nozima disse...

Roberto e Ricardo,

A laicidade do Estado não quer dizer que seus cidadãos (e que os representantes eleitos por eles no Legislativo) tenham que ignorar sua fé e valores. A Bíblia, a bem da verdade, exige bem menos do Estado do que os esquerdistas esperam dele. Mas a Palavra exige ordem e segurança, é o mínimo, essa é a justificativa paulina para que paguemos os impostos.

Concordo que o problema é moral e vai muito além de uma reforma legal. Mas não acho que nossas leis sejam lá tão boas. Legisla-se demais sobre certas coisas e pouco sobre outras, com penas brandas demais. Como sou pró-pena de morte, ao meu ver, tinha que cair uma cláusula pétrea da CF (impossível...só Deus pode fazer cair), para que tudo fosse "como acho que tinha que ser".

Mas, do jeito que as coisas estão, inclusive dentro da igreja...o negócio é orar e protestar, ainda que seja no blog. Quem sabe assim, Roberto, um dia as coisas mudam?

Abs.