21 dezembro 2009

Última resposta a Leandro Quadros - Parte X

A parte anterior da resposta está aqui.


A expiação limitada na oração de Jesus
Uma das conseqüências da doutrina da predestinação é o ensino da expiação limitada. Ou seja, Jesus não morreu em favor de todos os homens, mas apenas dos seus eleitos. Na verdade, essa afirmação pode ser obtida de maneira lógica, sem apelar para a Escritura. Se há pessoas predestinadas ao céu e outras ao inferno, então não faz sentido que Jesus tenha morrido por todas as pessoas, incluindo as condenadas, porque aí o Seu sacrifício não seria eficaz.

Mas a Bíblia ensina, claramente, que o Senhor não morreu por todos. E isso já foi apontado por mim ao professor Leandro Quadros em meu artigo "Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
15) Cristo não morreu por todos os homens, morreu apenas pelos salvos. Jesus morre por suas ovelhas, não por lobos: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10:15). Mais à frente, Cristo diz: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26). Logo, Jesus morreu pelas ovelhas...e , se quem não crê não é ovelha...Cristo não morreu por todos. Na oração sacerdotal, Jesus se recusa a orar pelos não-eleitos “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (João 17:9).

16) Logo, Cristo não morreu por todos os homens. Morreu por todo tipo de homem, mas não por todos...Ele até se recusou a orar por todos! Cristo veio morrer pelo seu povo: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21). Mais versículos nesse post http://teologia-vida.blogspot.com/2008/10/calvinismo-na-bblia-iii-expiao-limitada.html (Helder Nozima)
A resposta do professor Leandro Quadros, no artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados... foi a seguinte:
15) Na oração sacerdotal Cristo não orou apenas pelos já eleitos nos dias dEle, mas, também por aqueles que viessem a crer. Aqui, o calvinismo também não encontra guarida.
Jesus não morreu “apenas pelos salvos”, mas, “para que todos sejam salvos” (se assim quiserem): “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” João 17:20. O fato de pessoas crerem em Jesus por intermédio da Palavra (Romanos 10:9) confirma João 16:8-10, de que o Espírito Santo convence o indivíduo pela Bíblia de que ele é um pecador e que precisa de Jesus para continuar predestinado e salvo.
Sobre João 10:15 e 26, tais versos são compreendidos corretamente quando se lê também o verso 16: “Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.”
Em suma: Cristo tem as ovelhas que já O aceitaram (porque o Pai as trouxe a Ele) e tem ovelhas que ainda não O aceitaram (por que elas não permitiram ao Pai conduzi-las). (Leandro Quadros)
Creio que a resposta do professor não desmonta a minha argumentação original, mas vou fazer algumas ponderações.

Em primeiro lugar, João 17:20 não contraria o ensino da predestinação. Ali, Jesus diz que não rogava somente por estes (os discípulos que ouviam a oração naquele instante), mas também por aqueles que vierem a crer. O que o professor não percebe, ou não quer que seus leitores percebam, é que Jesus não fala que está orando por todos os homens. Os que não crerão são, deliberadamente, excluídos por Jesus de Sua intercessão. Logo, o Senhor ora apenas por pessoas que, efetivamente, serão salvas, ou seja, os eleitos, como já mostramos em partes anteriores dessa resposta.

Em segundo lugar, o professor ignorou João 17:9:
É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus... (João 17:9)
Isso fica mais evidente quando se analisa alguns outros versículos na oração. Após adorar o Pai, Jesus enfatiza que Ele manifestou o nome de Deus aos homens que o Pai deu a Ele:
Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, to mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. (João 17:6)

Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:12)

E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. (João 17:19)

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, também estejam comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja. (João 17:24-26)
Em todos estes casos, Jesus faz uma clara diferenciação. Ele ora apenas pelos homens que o Pai deu a Ele. Sobre estes homens, Jesus diz:

1) Que manifestou o nome de Deus a eles (e não a todos os homens);
2) Que era por eles que Ele rogava (e não por todos os homens);
3) Que eles eram guardados e protegidos (aplica-se aos Doze, exceto Judas, mas pode ser estendido a todos os salvos);
4) Que Cristo se santificava por eles (e não por todos os homens);
5) Que a vontade de Cristo é a de que os que Ele recebeu do Pai estejam com Ele (e não todos os homens);
6) Que os que o Pai deu a Cristo são os que entendem que Jesus é enviado de Deus (e não todos os homens);
7) Que eles são os que Jesus fez que conhecessem o nome de Deus (e não todos os homens);
8) Que o amor com que o Pai o amava esteja nestes, que o Pai deu a Jesus, e que Cristo esteja neles também (e não a todos os homens).

A oração é restritiva. Em momento algum, Jesus pede que as bênçãos acima sejam estendidas a todas as pessoas, ao contrário, elas são somente para os homens que o Pai deu a Ele. Quanto aos demais, ao mundo, esses permanecem excluídos até mesmo do rogo de Cristo.

Sobre João 16:8-10 o professor arma uma arapuca para ele mesmo. Diz o texto:
Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. (João 16:8-10)
O texto não diz que Jesus morreu por todos, nem que o Espírito Santo convence a todos os homens. Até porque, se convencesse, o professor teria que me explicar como é possível que existam tantas pessoas que não se achem pecadoras e nem se convençam da justiça de Deus ou da realidade do Juízo Final. Aí só restam três hipóteses: ou Jesus errou, ou o Espírito falhou em Sua missão ou Ele não convence a todos, restringindo esse convencimento aos salvos, ou seja, aos que Deus predestinou para a salvação. Eu fico com a última opção.

Em relação à João 10:14-15 e 10:26, mantenho o que está escrito:
Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (João 10:15).

Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26)
Jesus conhece e dá a vida pelas Suas ovelhas, e são essas as que o ouvem e seguem. E nem todos são ovelhas de Jesus, como mostra João 10:26. João 10:16 não favorece o professor:
Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. (João 10:16)
A questão é que Jesus vai buscar as ovelhas dele. Sobre os apriscos, o que Jesus está dizendo é que Ele não tem só ovelhas do aprisco de Israel (judeus), mas em outras nações (gentios) e que quando Ele as buscasse, então todas seriam um rebanho só, não mais dividido em nacionalidades ou culturas. É simples de entender, não há mistérios. Jesus busca as Suas ovelhas (eleitos), morre por elas, as chama pela voz e é seguido por elas. As ovelhas estão em várias nações (apriscos) e Cristo vai reunir todos em um só rebanho.  Mas há homens que não são ovelhas de Cristo e que, por isso, jamais crerão em Deus e serão condenadas ao inferno.

Ao ignorar o contexto, o professor precisa apelar para eisegeses, ou seja, traz versículos que não são pertinentes ao debate e distorce-lhes o significado, para tentar derrubar o calvinismo. Por outro lado, os calvinistas apenas dizem o que a Bíblia fala, sem acrescentar coisa alguma, e sustentam a verdade.

Continuo depois. Ainda falta muito, infelizmente.

O próximo post é este.

3 comentários:

Leandro disse...

Pr. Nozima e internautas:

Pude separar um tempo para dar as respostas das Escrituras sobre o calvinismo. Disponibilizei no blog do Na Mira 3 partes. As demais irei postando dentro de minhas possibilidades.

Espero que TODOS leiam com a Palavra de Deus aberta e com a mente cheia do fruto da Terceira Pessoa da Trindade (Gal. 5:22, 23).

Em Cristo,

Leandro Quadros.

Helder Nozima disse...

Professor,

Estou em viagem, depois lerei suas respostas com calma, dei uma passada de olho.

Mas mantenho que a série é a última, senão vou ficar discutindo com o senhor até o dia da volta de Cristo.

Ricardo Mamedes disse...

Helder,

Fui lá ler a resposta do Prof. Leandro, mas não consegui terminar. É uma resposta tendenciosa, falaciosa e discrepante. Foge da questão principal, diz mas não diz e ainda tenta desacreditar o antagonista não com argumentos fundamentados, mas com expressões do tipo: "Deus queira que ele venha a compreender..."

Não há refutação propriamente dita.

Eu acredito que você continua em um solilóquio, mesmo com a resposta do Prof. Leandro.

Em Cristo,

Ricardo