28 dezembro 2010

Um só Deus, um só corpo

Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.

Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.

E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto;
porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Efésios 2:11-22)
Aprendemos na escola que o ser humano é um ser social e nascido para viver em coletividade. Faz parte da educação do século XXI aprender a ceder os desejos individuais em nome do bem-estar de outros. Mais do que isso: ganha força a ideia de que não devemos pensar apenas nos interesses de nossa "tribo" ou nação, mas sim que devemos buscar o bem-estar de todos, já que dividimos o mesmo mundo.

Contudo, nada parece mais difícil do que promover a união dos diferentes. Vejamos o mais básico dos relacionamentos: o casamento. Já achamos um milagre quando encontramos duas pessoas que conviveram a vida toda com amor, respeito e fidelidade. Se unir de forma duradoura duas pessoas já é algo extraordinário, imagine o que é fazer com que diferentes grupos, etnias ou nações vivam em paz, em torno de um objetivo comum, em uma paz permanente!

Qual é, então, o caminho da unidade?

As respostas erradas
A resposta pós-moderna a esse dilema é a tolerância e o respeito ao diferente. O pluralismo é o caminho pelo qual todas as diferenças podem ser resolvidas. A teoria é bela, mas não é o que mostra a prática. Nem todos os pontos de vista são aceitos, como mostra as críticas feitas ao pastor Augustus Nicodemus por reproduzir o posicionamento da Igreja Presbiteriana do Brasil, contra a aprovação do PL 122. A tolerância de uma Holanda (quer tolerância maior?) não a tornou livre da ameaça de atentados terroristas, mesmo tendo acolhido 27 mil refugiados somalis. Nem mesmo uma fila de pessoas em busca de comida consegue escapar da violência, como mostra um atentado suicida no Paquistão. O relativismo, o pluralismo e até mesmo a solidariedade não conseguem por fim às divisões.

Uma outra resposta é a separação. Nós aqui, eles ali. Essa é a postura que marca muitos dos conflitos com imigrantes e chega a ser endossada por religiosos. Lamentavelmente, essa também é a marca de vários cristãos e é visível nas igrejas que se concentram apenas em um determinado grupo étnico, classe econômica ou faixa etária. Já que é difícil agradar a todos, vamos nos dividir em grupos homogêneos, onde será mais fácil obter a união. Mas é impossível dividir o mundo em ilhas que não se comunicam. Fatalmente os interesses dos grupos irão colidir...e aí, você já viu o final do filme.

O grande defeito dessas soluções é que elas ignoram a verdadeira raiz da desunião entre os homens. Por esta razão, a "paz" que elas promovem é apenas temporária, frágil e superficial.
Sem Cristo, quanto tempo dura essa paz?

Um novo homem
E qual é essa raiz? A inimizade que existe dentro do coração humano. Ela é a parede que, efetivamente, nos mantém separados uns dos outros.

Veja o que acontecia entre os judeus e os não-judeus (gentios) na época de Jesus. Os judeus se sentiam superiores aos gentios porque eles eram descendentes de Abraão, haviam recebido a Lei de Moisés e eram herdeiros das promessas de Deus. Na cabeça de muitos, Deus era como se fosse uma propriedade de Israel. A arrogância era tão grande que eles nem comiam com os gentios, pelo medo de se tornarem impuros caso se associassem a eles. Amavam a separação.

Já os gentios odiavam os judeus, não só por suas atitudes, mas também porque eles não participavam das festividades pagãs típicas do Império Romano. Eles não entendiam e nem respeitavam a fé judaica. Para eles, era fácil ser tolerante com todos...menos com os judeus.

No fundo, o problema que os dividia é algo que faz parte da natureza humana. O testemunho bíblico é o de que a inimizade e suas irmãs são obras próprias à nossa carne:
Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. (Gálatas 5:19-21)
A grande questão é que esses pecados estão presentes tanto no coração de judeus como de gentios. Por esta razão, os judeus não podiam pensar que eram superiores, tanto eles como os demais, todos são condenáveis diante de Deus. Apenas Jesus Cristo pode destruir esse pecado.

E isso Jesus fez na sua carne, quando morreu na cruz, sofrendo no lugar dos pecados de judeus e gentios. Quando os homens se identificam com Cristo, unem-se a Ele na sua morte (morrem para uma velha vida) e na sua ressurreição (ressuscitando para uma nova). Por isso, um pouco antes, a Bíblia diz:
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, -pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. (Efésios 2:4-7)
Em Cristo, judeus e gentios podem viver em paz...porque eles podem morrer para a inimizade e ressuscitar para a unidade. Ambos ressuscitam e se tornam novos homens, já libertos do domínio da inimizade.

Um só corpo
E aí, quando isso acontece, algo extraordinário acontece. Uma vez que antigos inimigos se voltam para Jesus e ressuscitam, o passado fica para trás. Não importa mais se estamos falando de judeus ou gentios, de ricos ou pobres, de Montecchios ou Capuletos ou de gremistas e colorados, em Cristo, essas distinções acabam:
Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. (Gálatas 3:28)
Deus não criou duas igrejas separadas: uma para judeus e outra para não-judeus. Ele não veio ao mundo para que cada um viva em paz no seu gueto. Não: Jesus quer que todos vivam em um único corpo. Se antes estávamos distantes de Deus e ignorávamos as bênçãos de sermos seus filhos...isso não importa mais! Se já conhecíamos isso tudo...também não importa...porque somos tão pecadores quanto os demais e eles hoje têm os mesmos privilégios!
Jesus aboliu a Lei na forma de mandamentos e ordenanças, acabou com o parâmetro pelo qual os judeus se mediam para se sentirem superiores aos demais. Nele, em Cristo, o jovem não pode rir do velho nem o velho do jovem: ambos são herdeiros das mesmas promessas. O rico não pode humilhar o pobre, e nem o pobre deve se sentir melhor que o rico: em Jesus, ambos possuem o mesmo acesso a Deus.

Por esta razão, não devemos buscar uma igreja para os judeus e outra para os gentios, uma para jovens e outra para as "famílias", uma para os ricos e outra para os pobres. Todos somos iguais, não somos melhores ou piores do que os nossos irmãos. Jesus veio para nos reconciliar e nos conduzir à paz.

O fundamento da unidade
No entanto, há um questionamento no ar. As diferenças continuam existindo, não? De modo prático, como Jesus pode garantir a realidade dessa união de judeus e não-judeus?

Em primeiro lugar, a pedra angular em cima da qual se assenta o projeto da igreja é o próprio Jesus. Ele é a base em torno da qual diferentes grupos se unem para formar o povo de Deus. Isso significa que, em última análise, o sucesso do processo de reconciliação é garantido, porque depende de Cristo. Ele mesmo chama pessoas diferentes e trabalha em seus corações, fazendo com que elas se unam em torno d'Ele.

E o instrumento principal que será usado por Jesus neste processo é o "fundamento dos apóstolos e dos profetas". Há quem entenda que essa expressão se refere aos apóstolos e profetas em si. Embora o trabalho desses homens de Deus tenha servido para consolidar a Igreja, a grande marca que fica de seus ministérios é exatamente a Bíblia. Por isso, eu prefiro identificar a Palavra de Deus como sendo o fundamento, já que ela foi escrita pelo Espírito Santo usando os apóstolos e os profetas. 

É por meio das Escrituras que o Cristo dá a todos os mesmos valores e a mesma fé, é por meio delas que Deus une pessoas de culturas diferentes em um mesmo povo. Mais do que isso, a Palavra também é o meio pelo qual as distorções são corrigidas. Jesus usa a Bíblia para repreender os que estão errados, levar os seus irmãos a ser perdoarem mutuamente e a se arrependerem de suas más ações. Até mesmo ações sociais, que diminuem a pobreza, podem ser feitas tendo como inspiração o fundamento apostólico e profético.

A unidade, portanto, nunca deve ser feita em cima de heresias ou de concessões em relação à verdade. Ao contrário, a Bíblia e Cristo Jesus são as únicas bases que podem garantir uma Igreja unida e pacificada. Unir-se negociando a correta interpretação da Palavra é apenas construir uma unidade falsa fora do fundamento escolhido por Deus.

E o resto da sociedade?
Todavia, sabemos que nem todos aceitarão unir-se em torno de Jesus e de Sua Palavra. Mesmo assim, os cristãos devem ter fé de que por meio das orações, da pregação e da vivência dos ensinos cristãos, várias guerras e conflitos (pessoais inclusive) podem ser encerrados. Em nossa "diplomacia", quer estatal, quer pessoal, temos duas bússolas apontando na direção dos valores e estratégias que podem promover a paz, ainda que ela não seja duradoura.

As oposições a este projeto sempre existirão, inclusive dentro da Igreja. Nesses casos, o dever dos cristãos é o de permanecerem alicerçados na pedra angular e no fundamento apostólico-profético, lembrando sempre que um dia Jesus voltará e porá fim às rupturas e desuniões que tanto afligem a humanidade.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

19 dezembro 2010

Última resposta a Leandro Quadros - Parte XIV - Final

A parte anterior da resposta está aqui.

Essa é a décima quarta e última parte de minha última resposta ao artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados..., publicado no blog Na Mira da Verdade em 8 de novembro de 2009.

Predestinação e julgamento
Vou começar tratando do item 25 da defesa de Quadros:
25) Preocupante o senhor considerar João 3:18 e não explicar o verso juntamente com os que citei. O fato de uma pessoa que não crer em Jesus ser declarada perdida em nada muda o fato de que um dia ela possa aceitar e ser declarada salva. Esse é o evangelho da graça.

O tipo de juízo do qual os eleitos não fazem parte (se perseverarem – Lucas 21:19) é o juízo condenatório. Esse é o significado de João 3:18 e 5:24. A palavra grega para juízo em João 5:24 é krisis e se refere ao juízo de condenação. Isso não contradiz uma das doutrinas fundamentais do cristianismo , que é o juízo de todas as pessoas: dos justos e eleitos, para o universo comprovar quem realmente é de Deus e quem não é (1 Pedro 4:17; 2 Coríntios 5:10) e dos injustos, para dar a punição que escolheram (João 5:28, 29).

Recomendo que leia Romanos 14:12 e veja que, mesmo os salvos, passarão por uma avaliação no tribunal celeste. Afinal, os anjos não são Oniscientes (1 Pedro 1:12) e precisam saber o desenrolar da história do conflito entre o bem e o mal e o que vai no coração de cada um:

“Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” Romanos 14:12.

Cada um de nós se refere aos crentes eleitos de Roma. Como o senhor me explica esse verso com base na teologia de Calvino?

Resumindo: o juízo para os justos é de vindicação, livramento (Daniel 7:9, 10, 25-27). Não precisamos temê-lo. Para os ímpios, de condenação (João 3:18). (Leandro Quadros)
Como digo sempre, é bom ver um versículo em um contexto maior. João 3:16-21 fala de modo específico do Juízo Final. Jesus não está aqui abrindo possibilidade de uma pessoa ser condenada e depois se arrepender: Ele está dizendo o que vai acontecer no último dia.
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus. (João 3:16-21)
Negritei o trecho referente a João 3:18-19. Repare que Jesus fala de pessoas que já mostraram a sua condenação amando mais as trevas do que a luz, ou seja, amaram mais uma vida de pecado do que o Evangelho de Cristo Jesus. Nesse contexto, a sentença proferida por Jesus é definitiva.

Isso nos ajuda a entender o significado da palavra "mundo" em João 3:16. Jesus não veio salvar todas as pessoas individualmente, vem salvar aqueles que crerem. Esses já são declarados como livres do julgamento (que, em João 3, pode ser interpretado como condenação). Os demais já estão condenados.

De fato, justos e injustos serão julgados...mas o resultado já é conhecido de antemão. Os eleitos de Deus são os que creem, as pessoas por quem Jesus morreu. Pra essas, o Juízo é formalidade, é a declaração de que em Cristo elas são inocentes. Para os outros, também é formalidade, apenas a confirmação do que já foi decretado por Deus e anunciado por Jesus. Não haverá surpresas de última hora.

Só um adendo: essa discussão em cima de João 3:18 é porque o professor considera que a doutrina da predestinação torna o julgamento inútil, uma vez que o resultado já é conhecido. O que eu mostro é que o Juízo Final vai acontecer sim...com as cartas já todas marcadas. É só declaração solene do resultado. Não há conflito entre predestinação e julgamento.

Todos têm o livre arbítrio?
O item 26 da defesa do professor é uma resposta a questionamentos meus feitos no texto Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
26) Sobre 1 Coríntios 15:22, o todos ali se refere a todos os salvos. Se você acha que são todos os homens, então me prove que todos serem vivificados em Cristo é igual a todos terem livre arbítrio. E me explique como alguém pode ser vivificado em Cristo e ir para o inferno. (Helder Nozima)
Ao que ele responde:
26) Olhei o texto que havia postado para o irmão Clóvis e não vi nada no meu parágrafo que negasse ser a vivificação para os salvos:
“Paulo escreveu que, do mesmo modo que todos morrem por causa de Adão (não por causa de Deus), todos serão vivificados em Cristo – se quiserem. Lembre-se de Apocalipse 22:17 e João 3:16”. Atente para as palavras se quiserem.

A Bíblia prova que o crente vivificado TEVE – e TEM – o livre-arbítrio:

“A vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade” Romanos 2:7.

Se o eleito tem que perseverar e procurar a incorruptibilidade, é claro que isso é uma escolha do indivíduo que recebeu de Deus a capacidade de fazer as próprias escolhas. (Leandro Quadros)
Vamos ler os textos citados por Quadros. Em primeiro lugar, 1 Coríntios 15:20-24.
Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.
Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.
Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. (1 Coríntios 15:20-24)
Repare que o verso 23 ajuda a entender o 22. Todos serão vivificados em Cristo: primeiro o próprio Jesus e depois os que são dele. Depois vem o fim. Os que não são de Jesus estão excluídos do processo de vivificação, que aqui, se refere à ressurreição que dá a vida, e não ao livre-arbítrio. Querer enxergar em um texto que fala da ressurreição de corpos no último dia uma referência ao livre-arbítrio é coisa de gente muito imaginativa...que talvez por imaginar tanto tenha conseguido ser chamado de professor. Além do mais, Apocalipse 22:17 e João 3:16 também não ensinam a universalidade do livre-arbítrio. De João 3:16 já falei acima, repito aqui Apocalipse 22:17: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalipse 22:17) Quem vai é quem foi predestinado por Deus a ir. Esse texto só convida quem quiser a ir...não diz que todos têm, em si mesmos, sem a interferência de Deus, a capacidade ou o desejo de atenderem ao convite. Como de hábito, Quadros enxerga nos textos mais do que eles dizem de fato.

O eleito pode perder a salvação?
Quadros continua o item 26 tratando da possibilidade de um crente perder a salvação:
Em relação ao seu segundo desafio: “E me explique como alguém pode ser vivificado em Cristo e ir para o inferno.”, deixo que a Bíblia novamente lhe responda (citarei outro texto ignorado pelo senhor):

“Porque, se vivermos [Os Eleitos!] deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o QUAL FOI SANTIFICADO [O QUE UM DIA ACEITOU A CRISTO PODE REJEITÁ-LO!], e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Hebreus 10:26-31.

Deixar que a Bíblia se explique é a melhor forma de não cairmos no perigo de darmos a ela nossas próprias interpretações.

Peço que me explique tais versos com base na teologia de João Calvino. (Leandro Quadros)
O professor ignora a distinção entre igreja visível e invisível. A igreja visível é a instituição humana que se auto-nomeia como "igreja" formada por pessoas salvas e não-salvas. A igreja invisível é aquela que só Deus sabe quem faz parte ou não e é formada exclusivamente pelos salvos. O autor da carta aos Hebreus fala a uma igreja VISÍVEL, logo, a uma instituição onde há pessoas que foram eleitas por Deus para a salvação e outras que não são salvas, porque nunca creram de verdade em Deus. Logo, o vivermos do verso 26 se aplica a igreja visível, e não aos eleitos. Quem acha que é cristão e vive deliberadamente no pecado, depois de ter ouvido o Evangelho...só pode esperar mesmo é o fogo do inferno. Não é e nunca foi eleito.

Sobre o sangue de Jesus, trago Judas como exemplo para esclarecer as coisas. Judas nunca foi, de fato, salvo, como ensina o Evangelho de João:
Isto disse ele (Judas), não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. (João 12:6)
Contudo, ele recebeu todos os benefícios dos demais apóstolos, inclusive o poder de expulsar demônios e fazer curas. Ele foi abençoado, agraciado (recebeu favores que não merecia) simplesmente por estar no meio do grupo...até o momento em que se revelou quem ele era. De certa forma, foi sim santificado por estar andando com Cristo, contudo, ele não recebeu a graça salvadora. Ele tinha que se perder, como disse o próprio Jesus:
Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. (João 17:12)
Da mesma forma, hoje há muitos não-salvos dentro das igrejas que estão sim recebendo bênçãos por isso...mas não herdam a salvação, porque, na verdade, a rejeitam e não foram escolhidos por Deus.

Em Hebreus 10, há ainda uma coisa a destacar. Mais à frente, o autor da carta se exclui do grupo dos falsos cristãos, ao dizer:
Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma. (Hebreus 10:37-39)
No verso 39 sim, o nós se refere a eleitos.

A ira de Deus e a predestinação
Mas uma coisa o senhor Quadros acerta! De fato, o calvinismo anula a ideia de que Deus está irado com todos os homens. Deus continua irado com o pecado, mas os eleitos não precisam mais temer a ira de Deus, porque Jesus pagou o pecado deles. A ira só será derramada sobre aqueles que não são escolhidos pelo Senhor. Diz Quadros:
27) O calvinismo mostra na prática que anula a ideia de que a ira de Deus é sobre todos os homens, pois, se na Onisciência do Eterno Ele já predestinou alguns para se perderem, isso deixa evidente que a ira dEle só recaiu sobre os não eleitos. Para que a ira Divina seja tirada de todas as pessoas por meio de Jesus, todas elas têm de ter sido chamadas para a salvação. (Leandro Quadros)
Jesus não retira a ira de Deus sobre todas as pessoas, só remove a ira sobre os eleitos. Com essa ressalva, milagre, concordei em alguma coisa com Quadros! De fato, a ira de Deus só será derramada, no Juízo, sobre os não-eleitos.

João 15:6
Mas o item 27 ainda fala de João 15:6. Quadros afirma:
Sobre sua frase: “Graça amigo, é graça. Se for obrigação, já não é graça…por isso Cristo deu a quem quis.”, no item 5 transcrevi João 1:12 provando que Cristo não escolheu alguns, mas quem quis permanecer nEle! “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.” João 15:6. Outro texto sobre o qual o pastor deve orar e pedir a Deus esclarecimentos. (Leandro Quadros)
Já disse antes...só permanece em Cristo quem Ele escolheu. Como Ele mesmo diz em João 15:16.
Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. (João 15:16)
Ao mesmo tempo que Jesus fala que vai ficar com quem permanecer n'Ele, Ele diz, com todas as letras, que os onze apóstolos (Judas já tinha se retirado) não escolheram a Jesus, mas foram escolhidos. Simples assim.

Conclusão
Quadros termina assim o artigo:
28) Sendo que já comentei isso na introdução, o que espero é que o pastor dessa vez considere todos os 48 textos que citei, as perguntas retóricas de ambos os artigos e me forneça explicações bíblicas e contextualizadas para os versos que lhe apresentei. Estarei postando a presente tréplica no meu blog (juntamente com sua réplica), no de Clóvis.

Meu desejo é que o pastor não faça de Calvino os seus olhos para ler a Bíblia, mas sim o Espírito Santo.

Finalizo com o depoimento de um membro de sua igreja que leu meu artigo e viu nele a Bíblia falar (e não eu):

“Vocês não perceberam uma coisa!

“Que o rapaz refutou exemplarmente os argumentos deste site, usando o contexto bíblico.

“E vocês não tiveram a humildade e respeito em ler a explicação do rapaz lá do NA MIRA DA VERDADE. Pois ele foi muito respeitoso, educado e cristão ao falar dos pontos discordantes com nossa doutrina.

“Gostei muito do que vi. E vou procurar assistir ao programa dele. Informei-me que é toda quarta no canal 141 da SKY, às 21h.

“Gostei, porque ele usou a Bíblia o tempo todo e sempre usando o contexto! O que não acontece regularmente na nossa igreja e fico triste por isso. Que Deus nos a ajude a ter humildade ao estudar a Bíblia e reter o que é bom!

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (1 João 4:7)

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 João 4:20)

“O que é nascido de Deus não vive pecando.” ( 1 João 5:18)

Assis – Recife
(Grifos acrescentados).

Parabéns, irmão Assis, por fazer da Bíblia a sua única regra de fé e prática!

Um abraço,

Leandro Quadros.
Minha falta de paciência me impede de reproduzir os grifos colocados por Quadros. Mas eu espero que tenha mostrado:

1) Não apelei pra Calvino em momento algum nessa defesa. Apelei pra Bíblia. Sou calvinista porque os calvinistas apenas interpretaram o que está escrito na Bíblia.

2) O professor é que distorceu o sentido original dos textos, descontextualizando-os. Podem ser 48, 96, 1024...se analisados corretamente, não há um único versículo bíblico que ensine a heresia de Quadros (que é ainda pior que o arminianismo).

3) Não sei se o tal Assis é real ou não. Fato é que muitos pastores presbiterianos negligentes, irresponsáveis e até mesmo despreparados, não se dão ao trabalho de explicar a predestinação às igrejas pelo medo de serem impopulares ou porque receam perder o debate...ou mesmo porque não acreditam e não tem vergonha na cara de deixar a Igreja Presbiteriana do Brasil. Mas, se mesmo assim o tal Assis não acredita, lamento. Esse debate confirma uma teoria minha: na maioria das vezes as pessoas rejeitam a predestinação por questões emocionais, e não intelectuais. Como é intolerável a certos espíritos a doutrina de que Deus escolhe uns e rejeita a outros, eles rejeitarão o ensino claro da Palavra e acreditarão em qualquer coisa que apoie o que eles querem aceitar. Paciência.

Espero nunca mais ler um ai de Leandro Quadros em minha vida. Mas o Clóvis, do Cinco Solas, continua a refutá-lo. O último texto está aqui.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

28 novembro 2010

Última resposta a Leandro Quadros - Parte XIII

A parte anterior da resposta está aqui.

Esta já é a décima terceira parte de minha última resposta ao professor adventista Leandro Quadros referente ao artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados..., publicado no blog Na Mira da Verdade há mais de um ano, em 8 de novembro de 2009. Trata-se de uma defesa do calvinismo contra uma visão muito particular de predestinação defendida por Quadros.

Os salvos perdem a salvação?
Um dos pontos de divergência é a possibilidade de uma pessoa salva perder a salvação em Cristo Jesus. Diz o professor:
19) Não sou um ignorante (como o senhor disse) na forma como entendo Atos 7:51. Sou honesto em aceitar a Bíblia como ela é e não adaptá-la a credos e opiniões pessoais.

Sua crença sobre o que é “graça irresistível” não possui a mínima aprovação de Deus, pois, se até mesmo os eleitos podem cair (1 Coríntios 10:12 – outro texto que o pastor fez questão de “esquecer”), isso significa que a pessoa pode resistir ao Espírito Santo, mesmo tendo sido salva antes. Se a graça fosse “irresistível” para os eleitos no sentido de não poderem escolher o destino deles, não há lógica no texto de Hebreus 10:37-39:

“Pois, como ele diz nas Escrituras Sagradas: “Um pouco mais de tempo, um pouco mesmo, e virá aquele que tem de vir; ele não vai demorar. E todos aqueles que eu aceito terão fé em mim e viverão. Mas, se uma pessoa voltar atrás, eu não ficarei contente com ela.” Nós não somos gente que volta atrás e se perde. Pelo contrário, temos fé e somos salvos.” Hebreus 10:37-39 NTLH)

O texto não pode se referir aos “não eleitos”, pois, quem não é predestinado já está atrás, na fila da perdição. Não pode “voltar atrás”. (Leandro Quadros)
Inicialmente, Atos 7:51 não cabe na discussão, por se tratar de uma repreensão feita a Estêvão ao Sinédrio e aos judeus que o condenavam, pessoas que obviamente não eram salvas...e que nunca foram, porque sempre se opuseram ao ministério de Cristo. Daí Estêvão os repreende dizendo:
Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. (Atos 7:51)
Para entendermos 1 Coríntios 10:12, é preciso vermos os versículos 1 a 13 do capítulo:
Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.

Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. (1 Coríntios 10:1-13)
A ordem bíblica de "aquele que pensa estar em pé veja que não caia" diz respeito à luta contra o pecado e as tentações. Cair ali significa ceder ao pecado e não perder a salvação, tanto que logo a seguir Paulo fala de tentações, de fugir da idolatria e das coisas sacrificadas a demônios, do que pode ou não ser comprado e consumido. A não ser que o autor queira concluir que todos os israelitas que não entraram na Terra Prometida tenham perdido a salvação (inclusive Moisés e Arão, já que eles não entraram porque falharam no deserto) e que somente Calebe e Josué foram ao céu. Mas o simples fato de Moisés estar presente na transfiguração de Jesus Cristo já derrubaria esta ideia. Logo, 1 Coríntios 10:12 não é prova de perda de salvação.

O outro texto citado é Hebreus 10:37-39, na Nova Tradução Para a Linguagem de Hoje. Peço licença para usar outra versão, a Revista e Atualizada.
Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma. (Hebreus 10:37-39)
Há duas coisas que precisam ser notadas quando lemos a Bíblia. A primeira é que, embora o salvo nunca possa perder a salvação, é bom que ele seja advertido. As advertências bíblicas são instrumentos que Deus usa para manter os Seus filhos. Logo, elas não são, por si mesmas, provas de que a salvação possa ser perdida.

A segunda coisa a se notar é que os livros e cartas da Bíblia se dirigiam à igrejas onde sempre há uma mescla de salvos e condenados. Não é porque alguém era membro de uma igreja cristã que essa pessoa, em algum momento da vida, foi salva. Logo, as advertências servem como um chamado aos não-salvos para que revejam sua fé e se arrependam.

Indo a Hebreus 10:37-39, note que o próprio autor de Hebreus, evidentemente salvo, se exclui do grupo dos que retrocedem. Ele diz "nós (eu e vocês) não somos dos que retrocedem, somos da fé, para a conservação da alma". Quem retrocede não é do grupo da fé, ou seja, não creu. Não é salvo. Nunca foi. É o que diz, por exemplo, João:
Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. (1 João 2:19)
Quem retrocede, Leandro, retrocede em relação à uma confissão nominal de fé e prova que, na verdade, nunca teve a fé salvadora em Jesus. Por esta razão, Hebreus 10:37-39 fala é dos cristãos que nunca foram salvos de verdade e não ensina a perda da salvação.

João 3:16
Um argumento clássico contra o calvinismo é usar João 3:16 para provar que todos os homens podem escolher a salvação. Sobre isso, disse Leandro Quadros:
20) O pastor afirma que “João 3:16 não diz que todo o que nele crê inclui não eleitos”. Se o argumento do silêncio é válido, como poderá contestar o “meu argumento silencioso” ao replicar: “João 3:16 não diz que todo o que nele crê inclui só os eleitos”?

Nós Adventistas do Sétimo Dia também amamos João 3:16. Alguém disse sabiamente que o texto é um resumo da Bíblia.
Voltando à Bíblia, que diz João 3:16?
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)
Jesus apenas fala que Ele foi dado pelo Pai para que os que creem n'Ele não pereçam. Como o calvinista afirma que todos os que creem são eleitos, e apenas eleitos? Por causa de outros textos, como estes, ditos por Jesus Cristo no próprio Evangelho de João.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:44)

E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. (João 6:65)
Uma regra de interpretação bíblica muito bem colocada por Calvino diz que a Escritura explica a Escritura. É o próprio Jesus Cristo quem ensina que só pode ir até Ele quem for trazido pelo Pai. Os demais nunca irão até Ele. Por isso João 3:16 se refere aos eleitos somente, e não a todos os homens. Simples assim.

1 João 2:2
Quadros insiste em sua argumentação.
21) Além de não atentar para toda a análise que fiz de 1 João 2:2, o irmão não se ateve a um detalhe importante do verso: o acréscimo de um grupo de pessoas que também pode desfrutar da salvação se quiser continuar predestinado. Veja:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”

1) Ele é a propiciação pelos nossos pecados – eleitos que já aceitaram a salvação;
2) Ele é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro – que ainda não aceitou a graça.

A palavra grega para “inteiro” – holos – significa “tudo”, “inteiramente”, “completo”. O termo grego em si, aliado à palavra kosmos (mundo) destrói a tese calvinista sem piedade!

Aceite a verdade bíblica pastor e não coloque nos textos Sagrados ideias alheias aos mesmos.
Já expliquei isso antes. Cartas possuem destinatários. Uma interpretação possível de 1 João 2:2 é a seguinte: "nossos" refere-se aos leitores da carta, "do mundo inteiro" refere-se aos outros que serão salvos, em todos os lugares do mundo, para Cristo Jesus.

Por que a interpretação dada pelo professor não pode ser correta? Por causa de outros textos bíblicos, que restringem a morte de Jesus apenas a um grupo de pessoas.
E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. (Mateus 1:21)

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu. (Isaías 53:10-12)
Quem quiser ler mais, pode ver outro artigo meu aqui.

O paradoxo da soberania de Deus e liberdade humana
Há mais um ponto que o professor não entende. Há textos bíblicos dizendo claramente que Deus escolhe quem é salvo e outros que responsabilizam os seres humanos sobre a resposta que eles dão ao Evangelho. Como resolver essa aparente contradição? Respondi isso no texto Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
22) Sobre a responsabilidade do pecador, acreditamos na regra do paradoxo. Deus é Um, mas o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito é Deus. São Três Deuses ou Um Deus? Forma certa de resolver: quando você não entende os dois lados do paradoxo, afirme os dois igualmente. Ou você consegue me explicar exatamente como funciona a Trindade? A mesma regra vale para a predestinação. Deus escolhe, mas nós somos responsáveis. Não consegue resolver logicamente? Tudo bem, a loucura de Deus é maior que a sabedoria humana, não vamos entender mesmo. O condenado é condenado porque é responsável por seus pecados e também porque Deus o escolheu para o inferno.

23) Se ficar complicado demais, a Confissão de Fé de Westminster, documento que ensina o que os calvinistas acreditam (cuja leitura recomendo ao senhor, para que, no mínimo, saibas o que é calvinismo), esclarece melhor. (Helder Nozima)
Sobre isso, diz Leandro Quadros:
22) Concordo que nossa lógica não é a de Deus e acrescento: nossa lógica humana deve ajoelhar-se diante da lógica dEle (Isaías 55:8, 9). Mas, em termos de salvação Deus não deixou nenhum um mistério que nos impedisse de conhecermos o ESSENCIAL para chegarmos ao reino dos Céus. O fato de não podemos explicar a Trindade completamente (há uma explicação bíblica bem interessante com base nos termos hebraicos que aparecem em Deuteronômio 6:4 e Gênesis 2:24 – mas, esse não é o assunto em pauta) não significa que a salvação esteja oculta, pois, tal mistério “Deus nos revelou pelo Espírito” (1 Coríntios 2:10). [Parte dele, pois, nem Paulo entendia o mistério da piedade – 1 Timóteo 3:16].

Por isso, creio que a sua argumentação não foi uma defesa à Soberania de Deus ou à lógica dEle, mas, uma brecha enorme para um racionalista (que precisa ser alcançado) não aceitar jamais a salvação (por favor: não venha com a ideia de que “ele não foi predestinado” por que isso é tapar o sol com a peneira…). (Leandro Quadros)
O professor faz umas afirmações sobre o que eu digo que eu não entendo. Eu nunca disse que Deus não nos revela o essencial para sermos salvos. Aliás, na minha modesta opinião, se alguém não entender nunca nada sobre predestinação, esse alguém pode ser salvo. Agora, não dá pra entender tudo, ou seja, não dá pra compreender toda a mecânica de como Deus pode determinar 100% de nossos dias com a nossa responsabilidade e liberdade reais. Mas a Bíblia mostra vários versículos mostrando as duas verdades. A melhro forma de articular é ensinar as duas coisas, e não tentar fazer conciliações que acabam negando um dos lados, como faz o professor, negando a soberania absoluta de Deus.

Sobre o racionalismo, contento-me em dizer que homens como Agostinho, Calvino, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, Lutero, Kuyper e tantos outros, que usaram (e muito) a razão, são calvinistas. Logo, o paradoxo não é prova de ignorância ou impossível de ser aceito por um racionalista.

Sobre a Confissão de Fé de Westminster, eu a citei apenas para explicar melhor o texto bíblico. Mas não me cabe a acusação feita por Quadros:
23) Conheço a Confissão de Fé de Westminster, mas, ela não é minha regra de fé e prática (João 5:39; João 17:17). (Leandro Quadros)
Também não é a minha. Mas que ela reflete as verdades bíblicas com mais precisão que o professor, creio que isso é incontestável.

Os enganos de outros
Diz o professor Leandro Quadros:
24) Se não é pensamento geral da liderança Presbiteriana que o indivíduo será salvo mesmo vivendo no pecado, recomendo que esclareçam aos demais pastores e membros de vossas igrejas que constantemente mantêm contato conosco manifestando preocupação por tal ponto de vista.
Não posso me responsabilizar pelo erro de outros. Se há pastores presbiterianos que não sabem disso, devem ser de outros ramos presbiterianos e não da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que deixa bem claros os seus posicionamentos na Confissão de Fé de Westminster e em seus seminários. No caso, cabe a estes pastores criarem vergonha na cara e estudarem.

Quanto aos membros, reconheço que muitos pastores têm sido negligentes no estudo da predestinação. Por isso, muitos têm dúvidas simples, que podem ser resolvidas por meio de leituras, estudos e sermões. Lamento a ocorrência desta falha.

Paro por aqui. O resto fica para um próximo post.

23 outubro 2010

Moral do petista

A sua reação, se exagerada, torna você pior que o agressor. Aliás, aguente calado invasão de terra, agressão física, quebra de sigilo...seja uma boa vítima.

Se eu quebro o seu sigilo e você reclama e põe a boca no trombone, a culpa é sua. Só eu posso reclamar de qualquer coisa.

Empresa privada tem que atender aos interesses públicos (na verdade, público é o interesse do PT), e não os particulares, do dono. Já o Estado serve para atender a interesses particulares, desde, claro, que sejam dos amigos.

Não somos chavistas, mas queremos controlar e calar a Globo, como Chávez fez com a RCTV. Imprensa pode, mas só aquela que é favorável, as outras são ruins e devem ser controladas.


Vamos dizer que o adversário vai privatizar aquilo que ele nunca disse que faria e negar o que a Dilma já disse sobre aborto. Nós podemos!

Vamos dizer que tudo que nosso adversário fez é ruim e nos apropriar de tudo o que ele fez, como Bolsa Alimentação e a economia. Privatizar a Vale foi ótimo, mas não vamos dizer isso na campanha.

Nossos pecados não importam (mensalão, dólar na cueca, quebra de sigilo, dossiês...) o nosso adversário é sempre igual ou pior.

27 maio 2010

Última resposta a Leandro Quadros - Parte XII

A parte anterior da resposta está aqui.

Começo este texto com um pedido de desculpas pela demora em continuar essa refutação. Mas realmente essa série acabou se revelando maçante para mim e outros leitores. Contudo, dívida é dívida...vamos continuar a refutação do artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados..., do professor adventista Leandro Quadros, que é a resposta dele ao artigo Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade".

João 3:36
Diz o professor Leandro Quadros sobre João 3:36:
18) Aqui o irmão fugiu dos aspectos textuais que abordei. Peço que os releia novamente. Para facilitar, transcrevo:
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.”
“Que coerência há em Deus predestinar alguns para a perdição sendo que há a possibilidade clara de uma pessoa se manter rebelde? É claro que o “se manter rebelde” é uma atitude humana diante da predestinação Divina.
“Outro detalhe: na expressão “quem crê no Filho” não há a mínima hipótese de fazer uma “eisegese” e dizer que o texto não se aplica a todos.”
João 3:36 não compartilha de sua ideia, de que quem se mantém rebelde é porque foi predestinado para isso, pois, seria afirmar ser Deus o autor do pecado e das decisões erradas dos pecadores. Mesmo crendo de coração na sinceridade sua e demais irmãos calvinistas, cada vez mais me conscientizo de que a predestinação determinista é diabólica por denegrir o caráter de Deus e limitá-Lo a própria Onisciência dEle.

Já expliquei antes aqui uma simples regra de hermenêutica, ignorada pelo professor e por muitos não-calvinistas. Se a Bíblia ensina duas verdades aparentemente contraditórias, as duas devem ser afirmadas igualmente. Uma conciliação em que a verdade A suplanta a B é um erro de interpretação bíblica. Quem quiser, explico melhor aqui.

A Bíblia ensina duas verdades de difícil conciliação:

- Deus decreta e determina todas as coisas e escolhe aqueles que serão salvos e os que serão condenados.
- As pessoas são condenadas porque, voluntariamente, se mantém rebeldes a Deus.

O erro é entender que ou Deus endurece o coração dos condenados ou o condenado escolhe, por vontade própria, a condenação. O que acontece é que tanto Deus endurece o coração humano como o pecador, voluntariamente, se rebela contra Deus: Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés:
Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (Romanos 9:14-18)

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. (Romanos 1:18-23)
No mesmo livro, as duas verdades são ensinadas. Logo, isso deve estar em mente quando analisamos João 3:36.

O erro do professor Quadros é exatamente o de sacrificar uma verdade em detrimento da outra em sua análise. Como os reformados interpretam João 3:36?

- De fato: todas as pessoas que creem no Filho de Deus têm a vida.
- Só que, à luz de outros textos, entendemos que apenas creem aqueles que são predestinados, alcançados pela misericórdia de Deus.
- De fato: todos os que se mantêm rebeldes contra o Filho de Deus não verão a vida, e sentirão a ira divina.
- Só que, à luz de outros textos, entendemos que esses são todos reprovados por Deus para a salvação antes da fundação do mundo.

Diz o professor:
“Que coerência há em Deus predestinar alguns para a perdição sendo que há a possibilidade clara de uma pessoa se manter rebelde? É claro que o “se manter rebelde” é uma atitude humana diante da predestinação Divina.
Respondo eu:

1) Tanto a pessoa se mantém rebelde como Deus a predestina à perdição. Simples, não? E bíblico também.
2) O professor Leandro Quadros acredita que todos são predestinados à salvação. Por isso, ele diz que se manter rebelde é uma atitude humana contra à predestinação divina. Aí sou quem pergunto:

- Qual o sentido de Deus pré-destinar alguém se a destinação depende da reação da pessoa? Aí não seria predestinação, seria pós-destinação...erro de português, de lógica e de teologia.
- Como fica Romanos 9:14-18 onde Deus diz claramente que têm misericórdia de uns (eleitos para a salvação) e endurece aos outros (predestinados à perdição)?

Mas Quadros continua:
“Outro detalhe: na expressão “quem crê no Filho” não há a mínima hipótese de fazer uma “eisegese” e dizer que o texto não se aplica a todos.”
Sim, professor, se aplica a todos os homens. Todos os que creem são salvos. Perfeito! O senhor só esqueceu que todos eles, sem exceção, são predestinados também. Todos eles, e somente eles.

Para fechar, Quadros afirma:
João 3:36 não compartilha de sua ideia, de que quem se mantém rebelde é porque foi predestinado para isso, pois, seria afirmar ser Deus o autor do pecado e das decisões erradas dos pecadores. Mesmo crendo de coração na sinceridade sua e demais irmãos calvinistas, cada vez mais me conscientizo de que a predestinação determinista é diabólica por denegrir o caráter de Deus e limitá-Lo a própria Onisciência dEle.
Sobre Deus e o pecado, recomendo o texto Deus decreta pecados? que pode ser lido neste blog. Quanto ao determinismo da predestinação, ela não anula a onisciência divina. Deus sabe de tudo, claro, porque Ele decretou tudo o que vai acontecer. E, sim, claro, Deus conhece todos os cenários possíveis e impossíveis para o desenvolvimento da História. A predestinação não diminui um milímetro da onisciência divina.

Agora, o ponto de vista defendido por Quadros é que diminui...a onipotência e a soberania divinas. Deus não é alguém que reage aos acontecimentos. Ele usa ativamente o Seu poder, quando Lhe convém, para controlar tudo o que acontece.

Ainda tem mais. Aguardem.

O próximo post está aqui.

01 março 2010

Pecado, arrependimento e perdão: conceitos patéticos

Calma. O blogueiro não apostatou da fé. A opinião exposta no título é da psicanalista Betty Milan, colunista do site de Veja.

No post Desconsolo, de 9 de setembro de 2009, Milan expõe a seguinte opinião sobre o budismo e as grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo):
...você pode se aprofundar no ensinamento do budismo, que não é uma religião, e sim uma filosofia. O budismo dispensa toda relação pessoal com um Deus, porque é uma doutrina essencialmente ateia, em que não há nem crente e nem divindade. Diferentemente do judaísmo, do  cristianismo e do islamismo, não sabe o que é pecado, arrependimento e perdão, três conceitos patéticos. (grifo meu)
E aí, fica a pergunta. Como os cristãos podem aceitar a psicoterapia como uma forma válida de ciência ou aconselhamento se três pilares básicos da salvação cristã e da vida cristã são tachados como "conceitos patéticos"? Como pastores podem conciliar a Bíblia com a psicoterapia se os pontos de partida são tão díspares?

O post de Milan é mais uma prova da inexistência da neutralidade nas ciências, especialmente na psicologia. Prova que não é possível conciliar a Bíblia com tudo o que tem sido produzido nas universidades. E essa afirmação não é um fundamentalismo, é uma realidade. Ou se ignoram os pilares colocados pela Bíblia ou se ignoram os pilares em torno dos quais certas escolas científicas se baseiam. Fatalmente alguém será sacrificado nessa conciliação.

Aos que pretendem seguir o caminho da Bíblia, fica o desafio. É preciso trabalhar, seriamente,  na construção de uma abordagem de aconselhamento verdadeiramente cristã, que responda às crises e angústias do homem pós-moderno...ou vamos deixar de lado a Palavra de Deus. É preciso mostrar que pecado, arrependimento e perdão são conceitos centrais e essenciais para que o ser humano seja realmente completo e feliz e que, sem lidar com esses "conceitos" (na verdade, realidades), não há verdadeira cura ou libertação para o ser humano.

Jesus veio pagar pelos nossos pecados e nos conduzir ao arrependimento. Jesus veio mostrar a nós o perdão do Pai e nos ensinou a fazermos o mesmo com o nosso próximo. Aos que duvidam:
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém}! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens {as suas ofensas}, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. (Mateus 6:9b-15)

11 fevereiro 2010

Carta enviada à Revista Ultimato em referência ao texto "Deus – Pai ou Mãe?"

Extraído do Blog Fiel. O link do post original está no título.
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Franklin Ferreira
Conquanto a revista Ultimato tenha um lugar de importância entre os periódicos evangélicos publicados no Brasil, alguns de seus autores têm difundido repetidas vezes opiniões que vão além do que nos é revelado nas Escrituras e em oposição à tradição evangélica. Em sua edição 318, de maio-junho de 2009, esta revista publicou o texto "Deus – Pai ou Mãe?", escrito por Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, e presidente da JOCUM (Jovens com Uma Missão). Em 9 de junho de 2009 escrevi uma carta para a revista sobre este texto. Somente em 26 de agosto de 2009 recebi um tipo de resposta-padrão da editora: "Recebemos seu comentário, ele é sempre bem-vindo. Por uma questão de espaço nem toda correspondência que recebemos é publicada. Suas críticas, sugestões e/ou observações serão encaminhadas ao diretor-redator e articulistas para que eles tomem conhecimento".
Abaixo, posto minha correspondência para a revista, ligeiramente revisada e editada.



Prezados irmãos,

Preciso confessar que já há algum tempo ando desencantado com a revista Ultimato. Quando servi na equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre 2000-2007, minha esposa cuidou da livraria daquela comunidade. Fazíamos questão de promover a revista Ultimato, inclusive por meio de assinaturas, mesmo discordando de um ou outro texto - especialmente os de Ricardo Gondim e, algumas vezes, os de Robinson Cavalcanti e Paul Freston. Aliás, antes disso até, minha esposa já divulgava a Ultimato através de uma assinatura coletiva que mantinha com seus colegas de trabalho.

Hoje sirvo na equipe pastoral de uma igreja batista em São Paulo, e não tenho mais como indicar a revista como referência para os membros destas igrejas. O último escrito da Bráulia é um exemplo do que quero dizer. O texto intitulado "Deus - Pai ou Mãe?" é generalista, grosseiro e pagão.
Por exemplo, ela escreve a partir de sua experiência pessoal: "Minha experiência não é diferente do que é vivenciado pela maioria da população brasileira e do mundo. Mãe pra nós é igual amor caloroso, quente, cheiroso, vivo. Pai já é mais complicado. Pra muitos, infelizmente, pai significa abuso, violência, abandono, dor". Bom, me permita compartilhar minha experiência. Eu sou pai de uma filha; ela tem oito anos. Não só a compreensão que tenho do que a Bíblia ensina sobre Deus o Pai, mas o que ela ensina sobre a paternidade me ajuda a agir para ser um pai de verdade para ela; duvido que a minha filha (inteligente e perceptiva que só) concorde com o que a Bráulia escreveu. E minha experiência como filho de igual forma não me permite concordar. Aliás, preciso notar que a autora consegue saltar de sua experiência pessoal para uma generalização infundada. Se ela supõe falar em nome de "muitos", ela tem que provar seu argumento. Ela precisa mostrar quem são a "maioria da população brasileira e do mundo" que concorda com ela. Ou, se não, que ela restrinja-se a falar somente a partir de sua experiência pessoal, e pare de se esconder atrás de supostos "muitos". Por outro lado, muito irônica a reportagem do Fantástico no domingo retrasado (24 de maio de 2009); uma mãe oferecendo sua filha para um "programa sexual" por... quatro garrafas de cerveja. E, depois, querendo vender sua filha por míseros R$ 500,00. Puxa! Isto é que é "amor caloroso, quente, cheiroso, vivo"! Segundo o Jornal Nacional, essa mãe foi presa na terça-feira passada (2 de junho de 2009). Mas esse é apenas um dos milhares de exemplos negativos em nosso país, em que há fartos exemplos de mães abandonando seus filhos ainda recém-nascidos. Menos generalidades superficiais, por favor. Em vez de fazer uma caricatura da paternidade, contrapondo-a superficialmente à suposta "perfeição" da maternidade (como se o pecado não desfigurasse igualmente maternidade e paternidade), ela faria muito melhor se mostrasse o que vem a ser a verdadeira paternidade e maternidade à luz da Bíblia. Não será ridicularizando ou rebaixando a paternidade que ela ajudará os homens a serem homens de verdade e verdadeiros maridos e pais.

Mais adiante, Bráulia escreveu: "Na América Latina, o continente onde o pai veio de longe e ao nos estuprar nos concebeu bastardos, vivemos no vazio da imagem masculina do amor. O pai se foi, e dói em nossa alma órfã". Presumo que ela fale aí dos estrangeiros que vieram prá cá, para povoar e trabalhar nesta terra, em meio a grande sacrifício, fugindo da fome e da guerra no Velho Mundo e no Japão. Como muitos brasileiros, meu pai era português. O único membro da família que se converteu ao evangelho. Literalmente, morreu de tanto trabalhar (e ainda estudava num seminário teológico à noite, pois almejava servir no ministério pastoral) para dar uma vida digna para sua família. Exemplo de retidão e paixão pelo evangelho. Mais uma vez, Bráulia só pode falar por ela. Generalizações são toscas.

No fim, o pior. Ela terminou o texto orando com um ímpeto típico daqueles influenciados pela teologia feminista: "Pai-Mãe nosso celestial, acima do gênero e falhos modelos humanos, tenha piedade de nós, nos ajude a conhecer o verdadeiro amor..." Tomo a liberdade de citar, abaixo, o que escrevi com meu colega Alan Myatt na Teologia Sistemática que Edições Vida Nova publicou em 2007 (páginas 248-249). Respondemos ao uso indevido de imagens femininas para caracterizar Deus – prática bastante comum entre os pagãos do Antigo Testamento, que atribuíam sexualidade à divindade, como Baal e Astarote. Ao ir além da linguagem bíblica inspirada, que, no que se refere a Deus, é analógica – como ensinou João Calvino há muito tempo atrás, é a linguagem da acomodação da misericórdia divina –, Bráulia se colocou ao lado dos que abraçaram a teologia liberal e das feministas pagãs de nossa era. Se ela não se limitar agora à linguagem bíblica, não será um suposto "bom senso" que irá impedi-la de, em pouco tempo, tratar a deidade por... "Deus/a" ou, pior, "deusa".

Lamento muito que a Ultimato promova este tipo de texto em suas páginas. Como disse, não foi o primeiro texto publicado na revista a gerar forte desconforto em mim. Por isto, reitero: por amor aos membros da igreja em que sirvo, não posso mais promover de boa fé a revista entre eles. Textos como este, longe de edificar, semeiam a contenda, a confusão e, no fim, uma representação pagã do Deus da Bíblia – majestoso, transcendente, cheio de glória, e que oferece o seu único Filho, em quem ele tem todo o prazer, para morrer por pecadores. Não preciso ir além da linguagem da Bíblia para, diante da revelação e beleza do evangelho, afirmar com as Escrituras que Deus Pai é amor, e sabemos disto, pois ele ofereceu seu único Filho como propiciação pelos nossos pecados, e este amor experimentamos em toda a sua exuberância por o Espírito Santo ter sido derramado sobre nós.

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Ao responder às feministas, notamos que tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento usam o gênero masculino quando se referem a Deus. Uma dessas analogias é a analogia paterna.1 Isto seria um indício de que Deus é do gênero masculino? Alister McGrath escreve:


Falar em Deus como pai é dizer que o papel do pai no antigo Israel permite compreendermos melhor a natureza de Deus. Isso não significa dizer que Deus seja do gênero masculino. Nem a sexualidade masculina, nem a sexualidade feminina devem ser atribuídas a Deus. Pois a sexualidade é um atributo que pertence à ordem da criação, sendo inadmissível aceitar uma correspondência direta entre esse tipo de polaridade (homem/mulher), conforme se observa na criação, e o Deus criador.

Na verdade, o Antigo Testamento evita atribuir funções sexuais a Deus, devido à ocorrência de fortes traços pagãos nesses tipos de associações. Os cultos à fertilidade dos cananeus davam ênfase às funções sexuais tanto dos deuses quanto das deusas; portanto, o Antigo Testamento recusa-se a endossar a idéia de que o gênero ou a sexualidade de Deus seja uma questão importante.
Então, para McGrath, qualquer tentativa de atribuir sexualidade a Deus representa uma volta ao paganismo. Ele continua: "Não há a menor necessidade de trazer de volta as idéias pagãs dos deuses e deusas para resgatar a noção de que Deus não é nem masculino nem feminino; essas idéias já estão potencialmente presentes, se não forem negligenciadas, na teologia cristã".2

Na verdade, existem imagens maternais de Deus na Escritura. Deus é revelado como uma mãe pássaro (Rt 2.12; Sl 17.8; Mt. 23.37), uma mãe ursa que luta para proteger seus ursinhos (Os 13.8) e como uma mãe que consola seus filhos (Is 66.13). A presença de imagens paternais e maternais é evidência que apóia a conclusão de McGrath. Deus transcende as categorias do gênero humano. Não obstante, em lugar nenhum a Bíblia chama Deus de "mãe". Portanto o título "mãe" não deve ser próprio para se falar da pessoa de Deus. Podemos reconhecer a plenitude da riqueza das imagens bíblicas de Deus, sem ir além da linguagem que a própria Bíblia emprega ao descrevê-lo.



1 - Cf. o capítulo 2, onde analisamos a natureza analógica da linguagem teológica.
2 - Teologia sistemática, histórica e filosófica, p. 315-316. Vale a pena ler toda a argumentação de McGrath nesta obra, com especial atenção para a citação final, da mística medieval Juliana de Norwich.

26 janeiro 2010

formspring.me

Como é ser um reformado não-cessacionista? :)

Depende do lugar onde você está. Aqui em Brasília, onde quase ninguém é reformado, ninguém pega no meu pé pelo cessacionismo, mas sim por ser reformado demais. Afinal, crer na dupla predestinação, ao céu e ao inferno, é hipercalvinismo até para alguns supostos calvinistas...

Mas, quando você está em um meio reformado, onde quase todos são cessacionistas, aí sim as pessoas me incomodam com o meu ponto de vista sobre os dons do Espírito Santo. Acho que elas não aceitam que eu fale sobre Sola Scriptura e não sou visto como um aliado.

Mas, tudo bem, estar na companhia de John Piper, Wayne Grudem, Samuel Storms, Vincent Cheung e Mark Driscoll até que não é tão mau assim. :-D

Pergunte o que quiser...apenas se lembre que posso te responder o que quiser tb.

Jesus acreditava na comunicação com os mortos?

Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. (Deuteronômio 18:9-12)

Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem dessa maneira, jamais verão a alva. (Isaías 8:19-20)

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. (Jesus Cristo, em Mateus 5:17)
É o espiritismo kardecista uma religião cristã? Muitos espíritas insistem em dizer que sim, tanto que um dos livros-base usados por essa corrente é O Evangelho Segundo o Espiritismo. Embora os espíritas rejeitem a divindade de Cristo, O consideram como sendo um dos espíritos mais elevados que já encarnaram e até enxergam a Bíblia como sendo uma revelação da verdade, embora seja imperfeita e menos evoluída do que as informações coletadas por Allan Kardec ao ouvir os espíritos de pessoas mortas.


Contudo, se o espírita realmente considera que Jesus Cristo foi um espírito iluminado, a ponto de muitos colocarem o espritismo dentro do cristianismo, é razoável supor que Jesus tinha mais luz e conhecimento do que muitos "espíritos" que se revelaram a Kardec. Contudo, embora a fonte primária onde possamos ler os ditos e as obras de Jesus seja a Bíblia, os espíritas enxergam nas revelações dos "espíritos desencarnados" a fonte primária de sua doutrina. Entre a Bíblia e as manifestações mediúnicas, a escolha kardecista é a de que os fenômenos merecem mais crédito que a Palavra.

No entanto, vale a pena registrar que, mesmo para estudiosos seculares, a Bíblia permanece como o registro principal dos discursos e das ações de Jesus. E, de todos esses discursos, o Sermão do Monte, registrado no Evangelho de Mateus, capítulos 5 a 7, é o mais conhecido de todos.

E é lá, no monte, que Jesus faz uma afirmação à qual damos pouco valor e os espíritas não prestam atenção. Jesus não veio revogar, anular, descumprir o Antigo Testamento, destacado na Lei e nos Profetas. Jesus veio cumprir e obedecer ao Antigo Testamento: o Novo Testamento, na verdade, não é, em nada, a anulação do que veio antes, e sim a sua continuação.

Portanto, se queremos saber o que Jesus pensava da comunicação com os mortos, precisamos saber o que a Lei e os Profetas têm a dizer sobre o assunto.

A comunicação com os mortos é abominável a Deus
Abri esse post citando Deuteronômio 18. Lá, Deus dá instruções ao povo de Israel sobre coisas que eles não deveriam fazer após entrarem na terra de Canaã. As proibições vão desde o sacrifício de filhos a divindades cananéias até a adivinhação, incluindo-se aí a necromancia e a consulta aos mortos.

A razão dada por Deus é simples: essas práticas são abomináveis a Ele. A abominação é uma palavra mais forte do que um simples "algo que Ele reprova". Na verdade é uma palavra que evoca nojo e horror, algo que desagrada profundamente a Deus, que lhe provoca repulsa e não pode ser tolerado. Tanto que a ideia é repetida em outro texto da Lei:
Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. (Levítico 19:31)
Mais do que isso, a promessa de Deus é a de destruir quem segue essas práticas:
Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e e o eliminarei do meio do seu povo. (Levítico 20:6)
A história que melhor mostra esse princípio é a morte do rei Saul. Depois que o rei fora abandonado por Deus, devido à sua desobediência aos mandamentos do Senhor, ele resolveu procurar uma médium. O resultado dessa ação está em 1 Crônicas 10:13-14:
Assim, morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o SENHOR, por causa da palavra do SENHOR, que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante e não ao SENHOR, que, por isso, o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé. (1 Crônicas 10:13-14)
A história da consulta feita por Saul é narrada em 1 Samuel 28:1-25, e é nela que alguns eruditos evangélicos se baseiam para dizer que a comunicação com os mortos é possível. Mesmo assim, vale destacar alguns detalhes:

- A consulta, independente de ser possível ou não, é retratada como sendo um erro grave de Saul. Logo, a necromancia, quer seja possível ou não, é um pecado que seria condenado por Jesus;

- Deus não respondia a Saul de modo algum. Ele se recusava a falar com o rei. Será mesmo que Deus mandaria o espírito de um servo fiel seu para falar, se Ele já não estava falando antes? E faria isso usando um meio abominável pra Ele?

- O texto não diz, com clareza, que era Samuel que subiu. A médium diz que viu um "deus" (elohim) que subia da terra, na forma de um ancião com capa (1 Sm 28:13-14). Ela não diz que era Samuel, diz a Saul que viu um ancião. Saul entendeu que era Samuel (1 Sm 28:14). Isso mostra um subjetivismo na interpretação da visão, cuja inspiração, aliás, não pode ser divina (Deus contrariaria a sua própria Lei?). O primeiro relato do que aconteceu ali só pode ter sido feito por uma testemunha ocular, provavelmente um dos servos de Saul. E o contexto indica claramente que eles acreditavam na necromancia, senão não teriam protegido a médium se seu próprio senhor. Daí pode se explicar porque o espírito é chamado de Samuel em alguns momentos, embora o relato deixe claro que a mulher não disse que era mesmo Samuel.

- O suposto Samuel erra a profecia. Esses erros podem ser comprovados em outro estudo bíblico, que pode ser acessado aqui. Mas do verdadeiro Samuel é dito que Deus não deixou nenhuma de suas palavras cair em terra (1 Sm 3:19).

Logo, o ensino do Antigo Testamento é claro: a necromancia é condenada por Deus. Como Jesus veio cumprir a Lei e os Profetas, ele partilhava da mesma opinião.

A Lei e o Testemunho
O ponto de vista bíblico é o de que a consulta aos mortos não é um meio válido para se comunicar com Deus e descobrir a verdade. Qual é, então, o veículo autorizado por Deus como forma de revelação bíblica?

A resposta foi dada pelo profeta Isaías no início desse post. A favor dos vivos, os mortos não podem ser consultados...e quem fizer isso não deve ver a alva (um eufemismo para a morte prevista na Lei de Moisés). A resposta está na Palavra de Deus: na Lei e no Testemunho, nos símbolos de fé dados pelo próprio Deus:
Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem dessa maneira, jamais verão a alva. (Isaías 8:19-20)
E é essa a grande lição que Jesus ensina na parábola do rico e de Lázaro, que está em Lucas 16:19-31 (o texto é muito longo, por isso não o publicarei aqui, mas você pode lê-lo aqui). Quer se acredite ou não na literalidade da parábola, é ponto pacífico que ela traz lições a serem aprendidas. E a grande lição é essa: se as pessoas querem ser salvas, devem ouvir a Lei e os Profetas, a Bíblia (Lc 16:29-31)! O pedido do rico, de que Lázaro volte e fale com os seus parentes é rejeitado, porque a Palavra já está disponível. Aqueles que querem saber a vontade de Deus devem rejeitar a comunicação com os mortos e voltarem sua atenção para a Bíblia.

Registre-se também que, segundo Abraão, só havia uma maneira de Lázaro falar com os parentes do rico; E não era indo em espírito, mas sim ressuscitando (Lc 16:31). Logo, segundo a parábola, a única forma de um morto falar a vivos é voltando a viver. O que mostra que, para Jesus, não foi Samuel quem falou com Saul em 1 Samuel 28.

A única conclusão possível
Dessa maneira, a única conclusão possível é que o Jesus descrito na Bíblia não acreditava, de modo algum, na comunicação com os mortos e a via como um pecado abominável aos olhos de Deus. E, se isso é verdade, toda a doutrina espírita se sustenta em uma forma de revelação espúria aos olhos de Cristo, e, por isso, o espiritismo não pode reivindicar para si a posição de religião cristã.

A não ser, é claro, que o espiritismo apele para algumas saídas:

- A Bíblia não é um livro santo, uma revelação de Deus e deve ser descartada (o que seria a saída mais coerente);
- A Bíblia não é confiável para dar informações sobre Jesus Cristo (mas aí eles teriam que responder onde poderíamos ter essas informações...e porque eles insistem em usar a Bíblia em suas reuniões);
- O Jesus da Bíblia não tinha o mesmo conhecimento dos espíritos que, séculos depois, falaram com Allan Kardec (e aí veríamos uma contradição na doutrina kardecista).

Quanto a mim, prefiro seguir o conselho de Jesus e a profecia de Isaías. A Bíblia, ou seja, a Lei e o Testemunho, são as fontes onde busco as verdades sobre Deus.

Louvado seja o Senhor!