26 janeiro 2010

formspring.me

Como é ser um reformado não-cessacionista? :)

Depende do lugar onde você está. Aqui em Brasília, onde quase ninguém é reformado, ninguém pega no meu pé pelo cessacionismo, mas sim por ser reformado demais. Afinal, crer na dupla predestinação, ao céu e ao inferno, é hipercalvinismo até para alguns supostos calvinistas...

Mas, quando você está em um meio reformado, onde quase todos são cessacionistas, aí sim as pessoas me incomodam com o meu ponto de vista sobre os dons do Espírito Santo. Acho que elas não aceitam que eu fale sobre Sola Scriptura e não sou visto como um aliado.

Mas, tudo bem, estar na companhia de John Piper, Wayne Grudem, Samuel Storms, Vincent Cheung e Mark Driscoll até que não é tão mau assim. :-D

Pergunte o que quiser...apenas se lembre que posso te responder o que quiser tb.

Jesus acreditava na comunicação com os mortos?

Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. (Deuteronômio 18:9-12)

Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem dessa maneira, jamais verão a alva. (Isaías 8:19-20)

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. (Jesus Cristo, em Mateus 5:17)
É o espiritismo kardecista uma religião cristã? Muitos espíritas insistem em dizer que sim, tanto que um dos livros-base usados por essa corrente é O Evangelho Segundo o Espiritismo. Embora os espíritas rejeitem a divindade de Cristo, O consideram como sendo um dos espíritos mais elevados que já encarnaram e até enxergam a Bíblia como sendo uma revelação da verdade, embora seja imperfeita e menos evoluída do que as informações coletadas por Allan Kardec ao ouvir os espíritos de pessoas mortas.


Contudo, se o espírita realmente considera que Jesus Cristo foi um espírito iluminado, a ponto de muitos colocarem o espritismo dentro do cristianismo, é razoável supor que Jesus tinha mais luz e conhecimento do que muitos "espíritos" que se revelaram a Kardec. Contudo, embora a fonte primária onde possamos ler os ditos e as obras de Jesus seja a Bíblia, os espíritas enxergam nas revelações dos "espíritos desencarnados" a fonte primária de sua doutrina. Entre a Bíblia e as manifestações mediúnicas, a escolha kardecista é a de que os fenômenos merecem mais crédito que a Palavra.

No entanto, vale a pena registrar que, mesmo para estudiosos seculares, a Bíblia permanece como o registro principal dos discursos e das ações de Jesus. E, de todos esses discursos, o Sermão do Monte, registrado no Evangelho de Mateus, capítulos 5 a 7, é o mais conhecido de todos.

E é lá, no monte, que Jesus faz uma afirmação à qual damos pouco valor e os espíritas não prestam atenção. Jesus não veio revogar, anular, descumprir o Antigo Testamento, destacado na Lei e nos Profetas. Jesus veio cumprir e obedecer ao Antigo Testamento: o Novo Testamento, na verdade, não é, em nada, a anulação do que veio antes, e sim a sua continuação.

Portanto, se queremos saber o que Jesus pensava da comunicação com os mortos, precisamos saber o que a Lei e os Profetas têm a dizer sobre o assunto.

A comunicação com os mortos é abominável a Deus
Abri esse post citando Deuteronômio 18. Lá, Deus dá instruções ao povo de Israel sobre coisas que eles não deveriam fazer após entrarem na terra de Canaã. As proibições vão desde o sacrifício de filhos a divindades cananéias até a adivinhação, incluindo-se aí a necromancia e a consulta aos mortos.

A razão dada por Deus é simples: essas práticas são abomináveis a Ele. A abominação é uma palavra mais forte do que um simples "algo que Ele reprova". Na verdade é uma palavra que evoca nojo e horror, algo que desagrada profundamente a Deus, que lhe provoca repulsa e não pode ser tolerado. Tanto que a ideia é repetida em outro texto da Lei:
Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. (Levítico 19:31)
Mais do que isso, a promessa de Deus é a de destruir quem segue essas práticas:
Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e e o eliminarei do meio do seu povo. (Levítico 20:6)
A história que melhor mostra esse princípio é a morte do rei Saul. Depois que o rei fora abandonado por Deus, devido à sua desobediência aos mandamentos do Senhor, ele resolveu procurar uma médium. O resultado dessa ação está em 1 Crônicas 10:13-14:
Assim, morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o SENHOR, por causa da palavra do SENHOR, que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante e não ao SENHOR, que, por isso, o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé. (1 Crônicas 10:13-14)
A história da consulta feita por Saul é narrada em 1 Samuel 28:1-25, e é nela que alguns eruditos evangélicos se baseiam para dizer que a comunicação com os mortos é possível. Mesmo assim, vale destacar alguns detalhes:

- A consulta, independente de ser possível ou não, é retratada como sendo um erro grave de Saul. Logo, a necromancia, quer seja possível ou não, é um pecado que seria condenado por Jesus;

- Deus não respondia a Saul de modo algum. Ele se recusava a falar com o rei. Será mesmo que Deus mandaria o espírito de um servo fiel seu para falar, se Ele já não estava falando antes? E faria isso usando um meio abominável pra Ele?

- O texto não diz, com clareza, que era Samuel que subiu. A médium diz que viu um "deus" (elohim) que subia da terra, na forma de um ancião com capa (1 Sm 28:13-14). Ela não diz que era Samuel, diz a Saul que viu um ancião. Saul entendeu que era Samuel (1 Sm 28:14). Isso mostra um subjetivismo na interpretação da visão, cuja inspiração, aliás, não pode ser divina (Deus contrariaria a sua própria Lei?). O primeiro relato do que aconteceu ali só pode ter sido feito por uma testemunha ocular, provavelmente um dos servos de Saul. E o contexto indica claramente que eles acreditavam na necromancia, senão não teriam protegido a médium se seu próprio senhor. Daí pode se explicar porque o espírito é chamado de Samuel em alguns momentos, embora o relato deixe claro que a mulher não disse que era mesmo Samuel.

- O suposto Samuel erra a profecia. Esses erros podem ser comprovados em outro estudo bíblico, que pode ser acessado aqui. Mas do verdadeiro Samuel é dito que Deus não deixou nenhuma de suas palavras cair em terra (1 Sm 3:19).

Logo, o ensino do Antigo Testamento é claro: a necromancia é condenada por Deus. Como Jesus veio cumprir a Lei e os Profetas, ele partilhava da mesma opinião.

A Lei e o Testemunho
O ponto de vista bíblico é o de que a consulta aos mortos não é um meio válido para se comunicar com Deus e descobrir a verdade. Qual é, então, o veículo autorizado por Deus como forma de revelação bíblica?

A resposta foi dada pelo profeta Isaías no início desse post. A favor dos vivos, os mortos não podem ser consultados...e quem fizer isso não deve ver a alva (um eufemismo para a morte prevista na Lei de Moisés). A resposta está na Palavra de Deus: na Lei e no Testemunho, nos símbolos de fé dados pelo próprio Deus:
Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem dessa maneira, jamais verão a alva. (Isaías 8:19-20)
E é essa a grande lição que Jesus ensina na parábola do rico e de Lázaro, que está em Lucas 16:19-31 (o texto é muito longo, por isso não o publicarei aqui, mas você pode lê-lo aqui). Quer se acredite ou não na literalidade da parábola, é ponto pacífico que ela traz lições a serem aprendidas. E a grande lição é essa: se as pessoas querem ser salvas, devem ouvir a Lei e os Profetas, a Bíblia (Lc 16:29-31)! O pedido do rico, de que Lázaro volte e fale com os seus parentes é rejeitado, porque a Palavra já está disponível. Aqueles que querem saber a vontade de Deus devem rejeitar a comunicação com os mortos e voltarem sua atenção para a Bíblia.

Registre-se também que, segundo Abraão, só havia uma maneira de Lázaro falar com os parentes do rico; E não era indo em espírito, mas sim ressuscitando (Lc 16:31). Logo, segundo a parábola, a única forma de um morto falar a vivos é voltando a viver. O que mostra que, para Jesus, não foi Samuel quem falou com Saul em 1 Samuel 28.

A única conclusão possível
Dessa maneira, a única conclusão possível é que o Jesus descrito na Bíblia não acreditava, de modo algum, na comunicação com os mortos e a via como um pecado abominável aos olhos de Deus. E, se isso é verdade, toda a doutrina espírita se sustenta em uma forma de revelação espúria aos olhos de Cristo, e, por isso, o espiritismo não pode reivindicar para si a posição de religião cristã.

A não ser, é claro, que o espiritismo apele para algumas saídas:

- A Bíblia não é um livro santo, uma revelação de Deus e deve ser descartada (o que seria a saída mais coerente);
- A Bíblia não é confiável para dar informações sobre Jesus Cristo (mas aí eles teriam que responder onde poderíamos ter essas informações...e porque eles insistem em usar a Bíblia em suas reuniões);
- O Jesus da Bíblia não tinha o mesmo conhecimento dos espíritos que, séculos depois, falaram com Allan Kardec (e aí veríamos uma contradição na doutrina kardecista).

Quanto a mim, prefiro seguir o conselho de Jesus e a profecia de Isaías. A Bíblia, ou seja, a Lei e o Testemunho, são as fontes onde busco as verdades sobre Deus.

Louvado seja o Senhor!

22 janeiro 2010

Ajude a Viver a ajudar quem quer estudar

Para quem não sabe, o Distrito Federal é cheio de terrenos invadidos, muitas vezes por pessoas pobres de outras regiões do Brasil, que vem para Brasília sonhando com um futuro melhor. Mas ninguém conta a elas que é muito difícil achar emprego aqui, a não ser que você passe em um concurso público, e que isso é um sonho muio distante para quem não teve educação de qualidade.

O resultado são enormes invasões, como a Cidade Estrutural, conhecida por abrigar um enorme lixão. Para ajudar as pessoas que moram neste lugar, um grupo de presbiterianos fundou a Viver - Associação dos Voluntários Pro-Vida Estruturada.

E neste início de ano, a Viver está montando kits de material escolar para doar a 400 alunos carentes da Estrutural. Quem quiser ajudar, basta mandar um e-mail para viver@viver.org.br ou ligar para o telefone (61) 3036-4310.

Fecho esse post com o cartaz da campanha. Que o Senhor abençoe esse trabalho!


21 janeiro 2010

Porque não recomendo mais o Genizah e o Júlio Severo

Poucos blogs evangélicos dão mais ibope do que o Genizah e o Júlio Severo. O primeiro conta, às 16h46 do dia 21 de janeiro, com 2095 seguidores. O segundo, com 675. O meu tem apenas 54. Os dois, com missões, a princípio, nobres: a de combater heresias e fazer apologética. O foco do Genizah são as seitas e heresias que surgem dentro do evangelicalismo, já o Júlio Severo é o de combater o homossexualismo, denunciar os perigos da esquerda ao cristianismo (sim, sou de direita, e pretendo justificar o porquê em momento oportuno) e outros pecados, como a prostituição e a idolatria.

Eventualmente, leio artigos tanto de um blog como de outro, muitas vezes concordando com tudo, mas também enxergando ressalvas. Até que elas se tornaram grandes demais na polêmica envolvendo o terremoto no Haiti.

Tudo começou quando Júlio Severo, em seu artigo "Será necessário um terremoto?" defendeu o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, que relacionou o terremoto que afetou o país centro-americano à prática da "macumba":
Portanto, dá para entender a declaração do cônsul haitiano Gerge, que disse sobre o terremoto no Haiti: “Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...”

Não é difícil decifrar as palavras do cônsul, ainda que ditas de forma impensada. Onde há muitos descendentes de africanos, há muito vodu e candomblé. E onde há muito vodu e candomblé, há muitos descendentes de africanos. E onde há muito vodu e candomblé, há muita maldição. Pelo menos, essa é a pura realidade do Brasil e do Haiti. (Júlio Severo)
A resposta do Genizah foi:
Depois dos tristes comentários de Pat Robertson, do Cônsul do Haiti e do blogueiro Julio Severo, todos fieis servidores de Jeová Cerol, este “deus” vingativo que estabelece a sua justiça por meio de catástrofes naturais e fala através de pastores legalistas e blogueiros esquizofrênicos não pude deixar de me perguntar o porquê desta gente dizer que serve a Jesus... Já que a mim, me parecem mais sintonizados com um destes deuses pagãos, cultuados por gente igualmente maluca que se sente compelida a matar gente inocente em troca de um bacanal com 40 virgens em um motel celestial qualquer...

Esta entidade a quem estas pessoas servem não me parece Jesus, que de fato cumpriu toda a lei, mas que veio nos libertar com Seu Amor e Seu sangue inocente vertido pelos nossos pecados.

Que raios de cristianismo é este que esta gente prega? Um deus que mata a todos que abomina? (Danilo Fernandes)
Júlio Severo acabou escrevendo uma resposta ao Genizah que pode ser lida aqui. Até o momento, o Genizah não treplicou. Antes de jogarem pedras em um e baterem palmas para o outro, gostaria de mostrar erros que os dois blogs cometem.

Onde o Genizah erra?
Danilo diz não acreditar em um Deus que julga as pessoas por meio de catástrofes naturais e que mata a todos os que abomina. Se é sincero, então ele não acredita, por exemplo, na autenticidade da história de Noé:
A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. (Gênesis 6:17)
Aqui, vemos claramente um Deus prestes a destruir a humanidade por causa do pecado, e que faria isso por meio de uma catástrofe natural. Antes que digam que o dilúvio não conta por ser uma história veterotestamentária, convém ler o que o apóstolo Pedro escreve em sua segunda carta:
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fiz vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia uando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles), é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia do Juízo...(2 Pedro 1:4-9)
A interpretação é simples. Os homens devem se arrepender de seus pecados e se lembrarem de que o Senhor é sim um Deus que castiga os pecadores. Interessante notar que Pedro usa catástrofes naturais, como o dilúvio e a destruição de Sodoma, junto com o inferno, como exemplos do castigo divino. Sodoma, aliás, é posta como exemplo para todas as pessoas que vivem na impiedade.

E, neste sentido, não há como não concordar com Júlio Severo quando ele diz:
Contudo, é preciso deixar claro que as maldições sobre eles não são por serem negros, mas por causa de predominantes práticas religiosas. Quando essas práticas de maldição são renunciadas, há mudança real. De acordo com a Bíblia, quem está em Cristo é nova criatura, seja branco, negro, amarelo ou azul. Onde há negros salvos, libertos e transformados pelo sangue de Jesus, não há as maldições costumeiras do vodu e o candomblé. Essa é uma realidade diferente e bela, que o Haiti e seu cônsul de São Paulo desconhecem. O que eles conhecem é a realidade de destruição do vodu. (Júlio Severo)
De fato, a idolatria no Haiti ajudou sim o país a descer ao nível de degradação em que a nação já se encontrava antes do terremoto. Fomes, corrupção, violência...tudo isso é fruto do pecado humano, e não deixa de ser o julgamento de Deus sobre aquela nação. E, uma vez que Pedro usou o dilúvio e a destruição de Sodoma como exemplos de que Deus usa sim catástrofes naturais para punir pecadores, não posso concordar com a postura do blog Genizah.

Onde Júlio Severo erra?
Contudo, Júlio Severo erra ao defender o cônsul haitiano e atribuir esse castigo, especificamente, ao vodu. Como bem mostram outros blogueiros que criticaram Severo, o ensino de Jesus é que, quando uma tragédia acontece, isso não é um sinal de que as vítimas sejam mais pecadoras do que as outras pessoas: Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Ele, porém, lhes disse:
Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. (Lucas 13:1-5)
Logo, os haitianos não são mais pecadores do que os norte-americanos ou brasileiros.

Além disso, convém não esquecer que os justos também são vítimas de catástrofes assim. O exemplo de Jó ilustra bem isso. Logo, esse tipo de catástrofe não acomete apenas a pecadores, mas atinge também a homens e mulheres que servem piedosamente ao Senhor. Desta maneira, quando Júlio Severo sugere uma certa imunidade dos cristãos a desastres, ele erra:
Entretanto, o critério de Leonardo e, por extensão, de seus aliados no Genizah e Teologia Pentecostal, parece ser: “Arrependendo-se ou não, todos de igual modo perecereis!” A distância entre essa idéia e as palavras de Jesus é abismal.

Mas se tivermos de seguir esse tipo de teologia, então tanto faz você se arrepender ou não: uma torre vai cair sobre sua cabeça. Tanto faz você invocar um exu ou orar a Jesus: uma torre vai cair sobre sua cabeça.

O rei Davi não seguia essa teologia. Ele orava muito, sendo autor de vários Salmos de oração por proteção, e nunca nenhuma torre desabou sobre a cabeça dele. Ele morreu em boa velhice, de causas naturais, não acidentais.
Segundo a Bíblia, torres podem sim cair na cabeça de um crente ou de um satanista convicto. Não é da morte física ou de acidentes e desastres que Jesus se comprometeu a nos salvar. O Senhor se comprometeu a nos salvar da ira vindoura, da morte espiritual (que é o verdadeiro sentido de "perecer" em Lucas 13:1-5) e do grande juízo de Deus sobre o mundo, que incluirá uma série de catástrofes naturais. E, nesse ponto, a teologia de Júlio Severo se aproxima muito do legalismo.

Qual o sentido bíblico de terremotos então?
Toda catástrofe natural é sim um juízo de Deus sobre uma humanidade pecadora. Afinal, todos nós somos pecadores:
Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3:10-12)
Por conta disso, todo ser humano na face da terra é digno de morte:
porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Mesmo os salvos morrem fisicamente, como um castigo pelo pecado original, e pelos nossos próprios também. Ganhamos a vida eterna e, em Cristo, somos salvos da morte espiritual, mas Deus não nos livra de enfermidades, acidentes ou catástrofes. Morremos, como todos os outros. Por isso, mesmo os cristãos podem sim ser castigados com um terremoto, por exemplo.

Por outro lado, não há como saber se este terremoto foi, de fato, um juízo de Deus pela idolatria haitiana. Terremotos e outros desastres acontecem em todo o mundo. A idolatria não é o único pecado do Haiti. Não temos como saber...e, a não ser que Deus revele isso a alguém, não sabemos quais as razões específicas que levaram o Senhor a decretar a ocorrência de um terremoto neste início de ano no Haiti.

Por que não os recomendo mais?
Ao meu ver, os dois blogs, portanto, incorreram em erro. Mas não concordo com tudo o que é escrito em todos os blogs indicados por mim. Por que então os removo de minhas indicações?

O Genizah por defender um Deus que não é bíblico. Jesus é amor, mas sua morte também é justiça para a humanidade, para aqueles que O rejeitarem. Deus se ira e usa sim todos os acontecimentos do mundo, inclusive acidentes e fenônemos naturais, para executar a Sua justiça. E, por mais miserável que seja o ser humano, ele ainda tem mais do que ele realmente merecia: o inferno.

Já Júlio Severo parece ter uma visão legalista de Deus. Os que amam a Deus escaparão sim de muita coisa neste mundo e terão livramentos. Mas o ímpio também pode ter um livramento divino. E, definitivamente, acidentes e desastres afetam a muitos servos obedientes de Deus, dentro ou fora da Bíblia. A obediência não é um seguro de vida.

São erros sérios, ao meu ver. Por isso, eles não serão mais indicados aqui.

Uma visão mais profunda sobre o que penso deste terremoto no Haiti pode ser lida em outro blog.

19 janeiro 2010

Última resposta a Leandro Quadros - Parte XI

A parte anterior da resposta está aqui.


1 Timóteo 2:3-4
Como já disse antes, um dos erros de interpretação mais comuns é querer ver no texto mais do que ele, efetivamente, afirma. É o que acontece com muitos não-calvinistas ao interpretar 1 Timóteo 2:3-4. Para resolver o problema, amplio o texto e colo 1 Timóteo 2:1-6:
Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Medidador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.(1 Tm 2:1-6)
Qual a interpretação bíblica correta desta passagem? Em primeiro lugar, repare que Paulo começa falando que devemos orar em favor de todos os homens. Mas, ao especificar que "todos" seria esse, ele se refere a uma classe de pessoas, os reis e os que foram investidos de autoridade. Não é preciso fazer orações para os 6 bilhões de seres humanos que habitam a Terra, mas sim em favor de todos os tipos de pessoas. Logo, se levarmos em consideração o contexto próximo, o "todos" do versículo 4 e do versículo 6 deve ser considerado "todos os tipos de gente". Isso já resolve a questão, até porque a Bíblia não pode se contradizer, e ela ensina, claramente, que Jesus não morreu por todas as pessoas (quem quiser se aprofundar, tratei dessa questão em outro blog. O texto pode ser lido aqui).

Em segundo lugar, Deus deseja, não é dito que Deus salva, predestina ou dá a todos a oportunidade de escolherem a salvação. Isso já havia sido apontado por mim no artigo "Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade":
17) Sobre Deus desejar que todos os homens sejam salvos (1 Timóteo 2:4), desejar não é sinônimo de predestinar, nem de deu possibilidade para que todos sejam salvos. Desejar é só desejar, o versículo não derruba um único ponto calvinista. Todo arminiano enxerga demais em um desejo...como se desejo fosse sinônimo de plano ou de ter que abrir uma possibilidade.
Contudo, o professor Leandro Quadros, em 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados... afirma:
17) O pastor disse que “desejar não é sinônimo de predestinar”. Então, está me insinuando que o desejo do Deus Soberano está subordinado à própria Onisciência dEle?” Que conceito é esse? Por que explicar novamente o que já está explicado em 1 Timóteo 2:4? Se Deus só deseja salvar todos e ao mesmo tempo predestina uns para a perdição, isso é o mesmo que ensinar que Deus tem “dupla personalidade”. Deus é Absoluto: não tem como separar os desejos dEle de Suas ordens e ações.
Há aí uma conseqüência que o professor, talvez, não tenha pensado ao escrever este texto. Se não há como separar o desejo de Deus de suas ações, ou, em outras palavras, se Deus tem que fazer tudo o que deseja, então todos os homens são salvos! Sim, não há porque pregar o Evangelho a ninguém, afinal, independente de como as pessoas reagirem diante de Deus, elas não serão condenadas, porque, como Deus deseja, Ele é obrigado a salvar a todas elas! A grande implicação disso é a de que o inferno não existe nessa visão. Eis aí a conseqüência lógica do ensino do professor Leandro.

Que Deus não faz tudo o que deseja é indicado quando combinamos 1 Timoteo 2:4 com outros textos, tais como Mateus 7:13-14:
Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porqu estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. (Mateus 7:13-14)
Sim, professor, Deus deseja que todos os homens sejam salvos, mas Jesus afirma que poucos são os que, efetivamente, andarão no caminho da vida. Veja, portanto, que Deus age de modo diferente de Seu desejo. A não ser que o senhor queira me dizer que Jesus estava enganado.

E por que então Deus não salva a todos? Simples: Deus tem um desejo maior e mais forte que o de salvar as pessoas: mostrar a Sua glória. Em nome de um desejo maior, o Senhor não executa o seu desejo menor de salvar a todos os homens (isso supondo que 1 Tm 2:4 se refira a todas as pessoas da Terra, uma interpretação com a qual discordo por razões apresentadas no início desse post).

As razões pelas quais o Senhor predestinou uns para a salvação, e outros para a perdição, estão em Romanos 9:22-24:
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Romanos 9:22-24)
Alguns são salvos e outros condenados porque:

1) Deus queria mostrar a Sua ira. Ele não poderia fazer isso sem condenar pessoas. Aliás, sem culpados, a justiça e a ira divinas (que são atributos perfeitos de Deus, segundo a Bíblia) jamais seriam manifestas de modo pleno, daí a necessidade de predestinados à perdição.

2) Deus queria mostrar o Seu poder. Tanto a salvação dos eleitos, vencendo a morte e o diabo, como a existência do inferno mostram como Deus é Poderoso.

3) Deus queria mostrar a riqueza da Sua glória em vasos de misericórdia. O amor de Deus só poderia ser pleno se Ele amasse a pessoas que não são dignas desse amor. A misericórdia só é possível se houver pessoas que não a mereçam, caso contrário, Deus estaria apenas dando a cada um o que lhe é devido.

A princípio, esses motivos podem parecer mesquinhos a alguns. Afinal, em resumo, Deus tem um desejo maior em mostrar todos os Seus atributos de forma máxima, incluindo-se aí ira e justiça, do que em salvar a todas as pessoas.

Isso nos parece errado apenas porque estamos acostumados a pensar que o objetivo máximo de Deus é a felicidade dos seres humanos, como se o centro do Universo fôssemos nós. Mas isso está errado. O objetivo supremo de Deus é a glória d'Ele, e não a glória ou bem-estar humanos:
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Romanos 11:36)
Deus criou todas as coisas, inclusive os seres humanos, para Ele mesmo, para usufruto e benefício divinos. Trato mais disso em outro post.

Logo, não é que o desejo de Deus esteja subordinado à sua onisciência, como entendeu, erroneamente, o professor Quadros. Na verdade, Deus sabe de todas as coisas porque, antes delas existirem, Ele decretou tudo o que aconteceria. E, ao decretar, Deus decretou o que quis, priorizando os desejos que Lhe pareceram melhores.

E sobre o conflito de desejos, isso é perfeitamente explicável. Uma pessoa pode, por exemplo, desejar agredir alguém que o tenha agredido. Mas ela pode escolher não revidar, porque o desejo dela de agradar a Deus é maior do que o de fazer com justiça com as próprias mãos. Assim como isso não indica dupla personalidade nos seres humanos, também não indica em Deus.

A série de respostas continua, mas sem o vigor de antes, até porque confesso que o assunto me cansou. Mas vou terminar a série, talvez intercalando com outros assuntos.

Louvado seja o Senhor, que faz todas as coisas para a Sua glória! Amém!

O próximo post está aqui.

Como ajudar o Haiti


Quer ajudar a população do Haiti e não sabe como? A Visão Mundial é uma organização missionária cristã interdenominacional e está recebendo doações para os haitianos. Depósitos podem ser feitos em duas contas, uma do Bradesco e outra no Banco do Brasil:

Visão Mundial
CNPJ: 18.732.628/0001-47

Bradesco
Ag 3206-9
CC 461666-9
ou
Banco do Brasil
Agência 0007-8
CC 16423-2

A Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira também está recebendo doações. Informações sobre como doar pelo telefone (21) 2122-1901 ou clicando aqui.

Quem quiser, também pode fazer a sua doação pelo Banco do Brasil. Os dados necessários para a doação estão abaixo:

Favorecido: Embaixada da República do Haiti
Agência: 1606-3
Conta corrente: 91.000-7
Caso seja necessário, informe o CNPJ da Embaixada: 04.170.237/0001-71

Envolva-se, não deixe de ajudar.