21 janeiro 2010

Porque não recomendo mais o Genizah e o Júlio Severo

Poucos blogs evangélicos dão mais ibope do que o Genizah e o Júlio Severo. O primeiro conta, às 16h46 do dia 21 de janeiro, com 2095 seguidores. O segundo, com 675. O meu tem apenas 54. Os dois, com missões, a princípio, nobres: a de combater heresias e fazer apologética. O foco do Genizah são as seitas e heresias que surgem dentro do evangelicalismo, já o Júlio Severo é o de combater o homossexualismo, denunciar os perigos da esquerda ao cristianismo (sim, sou de direita, e pretendo justificar o porquê em momento oportuno) e outros pecados, como a prostituição e a idolatria.

Eventualmente, leio artigos tanto de um blog como de outro, muitas vezes concordando com tudo, mas também enxergando ressalvas. Até que elas se tornaram grandes demais na polêmica envolvendo o terremoto no Haiti.

Tudo começou quando Júlio Severo, em seu artigo "Será necessário um terremoto?" defendeu o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, que relacionou o terremoto que afetou o país centro-americano à prática da "macumba":
Portanto, dá para entender a declaração do cônsul haitiano Gerge, que disse sobre o terremoto no Haiti: “Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...”

Não é difícil decifrar as palavras do cônsul, ainda que ditas de forma impensada. Onde há muitos descendentes de africanos, há muito vodu e candomblé. E onde há muito vodu e candomblé, há muitos descendentes de africanos. E onde há muito vodu e candomblé, há muita maldição. Pelo menos, essa é a pura realidade do Brasil e do Haiti. (Júlio Severo)
A resposta do Genizah foi:
Depois dos tristes comentários de Pat Robertson, do Cônsul do Haiti e do blogueiro Julio Severo, todos fieis servidores de Jeová Cerol, este “deus” vingativo que estabelece a sua justiça por meio de catástrofes naturais e fala através de pastores legalistas e blogueiros esquizofrênicos não pude deixar de me perguntar o porquê desta gente dizer que serve a Jesus... Já que a mim, me parecem mais sintonizados com um destes deuses pagãos, cultuados por gente igualmente maluca que se sente compelida a matar gente inocente em troca de um bacanal com 40 virgens em um motel celestial qualquer...

Esta entidade a quem estas pessoas servem não me parece Jesus, que de fato cumpriu toda a lei, mas que veio nos libertar com Seu Amor e Seu sangue inocente vertido pelos nossos pecados.

Que raios de cristianismo é este que esta gente prega? Um deus que mata a todos que abomina? (Danilo Fernandes)
Júlio Severo acabou escrevendo uma resposta ao Genizah que pode ser lida aqui. Até o momento, o Genizah não treplicou. Antes de jogarem pedras em um e baterem palmas para o outro, gostaria de mostrar erros que os dois blogs cometem.

Onde o Genizah erra?
Danilo diz não acreditar em um Deus que julga as pessoas por meio de catástrofes naturais e que mata a todos os que abomina. Se é sincero, então ele não acredita, por exemplo, na autenticidade da história de Noé:
A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. (Gênesis 6:17)
Aqui, vemos claramente um Deus prestes a destruir a humanidade por causa do pecado, e que faria isso por meio de uma catástrofe natural. Antes que digam que o dilúvio não conta por ser uma história veterotestamentária, convém ler o que o apóstolo Pedro escreve em sua segunda carta:
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fiz vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios; e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia uando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles), é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia do Juízo...(2 Pedro 1:4-9)
A interpretação é simples. Os homens devem se arrepender de seus pecados e se lembrarem de que o Senhor é sim um Deus que castiga os pecadores. Interessante notar que Pedro usa catástrofes naturais, como o dilúvio e a destruição de Sodoma, junto com o inferno, como exemplos do castigo divino. Sodoma, aliás, é posta como exemplo para todas as pessoas que vivem na impiedade.

E, neste sentido, não há como não concordar com Júlio Severo quando ele diz:
Contudo, é preciso deixar claro que as maldições sobre eles não são por serem negros, mas por causa de predominantes práticas religiosas. Quando essas práticas de maldição são renunciadas, há mudança real. De acordo com a Bíblia, quem está em Cristo é nova criatura, seja branco, negro, amarelo ou azul. Onde há negros salvos, libertos e transformados pelo sangue de Jesus, não há as maldições costumeiras do vodu e o candomblé. Essa é uma realidade diferente e bela, que o Haiti e seu cônsul de São Paulo desconhecem. O que eles conhecem é a realidade de destruição do vodu. (Júlio Severo)
De fato, a idolatria no Haiti ajudou sim o país a descer ao nível de degradação em que a nação já se encontrava antes do terremoto. Fomes, corrupção, violência...tudo isso é fruto do pecado humano, e não deixa de ser o julgamento de Deus sobre aquela nação. E, uma vez que Pedro usou o dilúvio e a destruição de Sodoma como exemplos de que Deus usa sim catástrofes naturais para punir pecadores, não posso concordar com a postura do blog Genizah.

Onde Júlio Severo erra?
Contudo, Júlio Severo erra ao defender o cônsul haitiano e atribuir esse castigo, especificamente, ao vodu. Como bem mostram outros blogueiros que criticaram Severo, o ensino de Jesus é que, quando uma tragédia acontece, isso não é um sinal de que as vítimas sejam mais pecadoras do que as outras pessoas: Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Ele, porém, lhes disse:
Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. (Lucas 13:1-5)
Logo, os haitianos não são mais pecadores do que os norte-americanos ou brasileiros.

Além disso, convém não esquecer que os justos também são vítimas de catástrofes assim. O exemplo de Jó ilustra bem isso. Logo, esse tipo de catástrofe não acomete apenas a pecadores, mas atinge também a homens e mulheres que servem piedosamente ao Senhor. Desta maneira, quando Júlio Severo sugere uma certa imunidade dos cristãos a desastres, ele erra:
Entretanto, o critério de Leonardo e, por extensão, de seus aliados no Genizah e Teologia Pentecostal, parece ser: “Arrependendo-se ou não, todos de igual modo perecereis!” A distância entre essa idéia e as palavras de Jesus é abismal.

Mas se tivermos de seguir esse tipo de teologia, então tanto faz você se arrepender ou não: uma torre vai cair sobre sua cabeça. Tanto faz você invocar um exu ou orar a Jesus: uma torre vai cair sobre sua cabeça.

O rei Davi não seguia essa teologia. Ele orava muito, sendo autor de vários Salmos de oração por proteção, e nunca nenhuma torre desabou sobre a cabeça dele. Ele morreu em boa velhice, de causas naturais, não acidentais.
Segundo a Bíblia, torres podem sim cair na cabeça de um crente ou de um satanista convicto. Não é da morte física ou de acidentes e desastres que Jesus se comprometeu a nos salvar. O Senhor se comprometeu a nos salvar da ira vindoura, da morte espiritual (que é o verdadeiro sentido de "perecer" em Lucas 13:1-5) e do grande juízo de Deus sobre o mundo, que incluirá uma série de catástrofes naturais. E, nesse ponto, a teologia de Júlio Severo se aproxima muito do legalismo.

Qual o sentido bíblico de terremotos então?
Toda catástrofe natural é sim um juízo de Deus sobre uma humanidade pecadora. Afinal, todos nós somos pecadores:
Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3:10-12)
Por conta disso, todo ser humano na face da terra é digno de morte:
porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Mesmo os salvos morrem fisicamente, como um castigo pelo pecado original, e pelos nossos próprios também. Ganhamos a vida eterna e, em Cristo, somos salvos da morte espiritual, mas Deus não nos livra de enfermidades, acidentes ou catástrofes. Morremos, como todos os outros. Por isso, mesmo os cristãos podem sim ser castigados com um terremoto, por exemplo.

Por outro lado, não há como saber se este terremoto foi, de fato, um juízo de Deus pela idolatria haitiana. Terremotos e outros desastres acontecem em todo o mundo. A idolatria não é o único pecado do Haiti. Não temos como saber...e, a não ser que Deus revele isso a alguém, não sabemos quais as razões específicas que levaram o Senhor a decretar a ocorrência de um terremoto neste início de ano no Haiti.

Por que não os recomendo mais?
Ao meu ver, os dois blogs, portanto, incorreram em erro. Mas não concordo com tudo o que é escrito em todos os blogs indicados por mim. Por que então os removo de minhas indicações?

O Genizah por defender um Deus que não é bíblico. Jesus é amor, mas sua morte também é justiça para a humanidade, para aqueles que O rejeitarem. Deus se ira e usa sim todos os acontecimentos do mundo, inclusive acidentes e fenônemos naturais, para executar a Sua justiça. E, por mais miserável que seja o ser humano, ele ainda tem mais do que ele realmente merecia: o inferno.

Já Júlio Severo parece ter uma visão legalista de Deus. Os que amam a Deus escaparão sim de muita coisa neste mundo e terão livramentos. Mas o ímpio também pode ter um livramento divino. E, definitivamente, acidentes e desastres afetam a muitos servos obedientes de Deus, dentro ou fora da Bíblia. A obediência não é um seguro de vida.

São erros sérios, ao meu ver. Por isso, eles não serão mais indicados aqui.

Uma visão mais profunda sobre o que penso deste terremoto no Haiti pode ser lida em outro blog.

13 comentários:

Juan de Paula disse...

Jóia Helder,

equilibrada análise. Até para a blogsfera necessitamos de uma compreensão da Teologia Bíblica como um todo para as nossas postagens.

Um abraço,
Juan

Filipe L. C. Machado disse...

Pelo que entendi (e li diretamente no Genizah) é que ele fez uma resposta geral, principalmente ao Júlio Severo. Não entendi que o Genizah defendeu a ideia de que Deus não julga com catástrofes naturais, mas sim que não é esse o único modo como ele faz isso.

Se for para escolher, prefiro o Genizah do que o Severo. Que até no nome é Severo. rsrs

Abraços!

Helder Nozima disse...

Filipe,

Discordo de você. Talvez o Danilo tenha dito algo que não queria...mas disse. A citação dele que eu coloquei no post...não posso endossá-la. Por isso, deixo tanto um como o outro de lado, pelo menos na doutrina. Na política, confesso que sou mais o Júlio.

Helder Nozima disse...

Juan,

Obrigado pelo comentário. :-)

zwinglio rodrigues disse...

Pr. Nozima, paz!

Muito bem... boa não recomendação... já tirei ambos do "blogroll" de Dokimos... fiz isso hoje...
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Veja aqui minhas razões:
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http://blogs.gospelprime.com.br/dokimos/debate-vazio-e-inutil
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http://blogs.gospelprime.com.br/dokimos/pense-no-haiti-reze-pelo-haiti
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Prazer em conhecer esse seu espaço...
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Abraços!

Ricardo Mamedes disse...

Helder,

Concordo plenamente com você. Inclusive fiz comentários no blog do Julio Severo e no Genizah.

Pois bem, consciente ou inconscientemente o Danilo relativizou até a raiz dos cabelos, fazendo apologia daquele deus bonzinho gondiniano (aliás, defender a ideia do deus dos reformados não é fácil e dá pouco ibope). Ele se situou à beira do abismo, andou pelo 'fio da navalha', quase cruzando a linha tênue que separa o cristão da Verdade.

Foi sim, muito mal o Danilo, não sei se no afã de se contrapor ao rival (de blog), ou por credo sincero. Nos dois casos é lamentável. Escrevi um post sobre o fato, caso queira comentar, faça-me uma visita (http://ricardomamedes.blogspot.com/2010/01/haiti-e-jihad-apologetica.html).

Abraços,

Ricardo

Heitor Alves disse...

Hélder, parabéns pelo post.

Eu li os artigos que o Genizah postou e os artigos do Júlio. Percebi que ambos estavam nos extremos. Já o seu post, achei equilibrado e bíblico!

Eu até que estava quase concordando com o Júlio, mas percebi que as conseqüências de se admitir o que o Júlio admitia beirava ao legalismo. É como se o Júlio defedesse que o cristão tem o "corpo fechado"! Isso é perigoso!!!!!

Realmente estávamos precisando que alguém se posicionasse biblicamente diante dos acontecimentos do Haiti e das polêmicas geradas por blogueiros. E esse alguém foi você.

Mais um belo post!!!
Um abraço!

Observador Cristão disse...

Helder.

Danilo é calvinista dos 5 pontos, formado no RTS, presbiteriano, amigo de diversos grandes nomes na IPB e filiado e membro do diretório do DEM do RJ, se não me engano.

Chamar-lo de Lulista, esquerdista e adepto do teismo aberto chega a parecer hilário a quem o conhece. Voce não o fez. Julio sim. Estes adjetivos são comuns aos seus desafetos. Sempre assim. Todo sno mesmo bolo!

Mas seu juizo no artigo foi precipitado e centrado numa única declaração.

Se voce não o lê com frequencia, muito que bem.

Eu conheço a sua igreja em Brasilia e o titular da mesma. Mas não conheço voce... Apenas por estes poucos dias de visitas. Não me permito julgar que seu proceder é legitimo ou não. Valeria a opinião de seu pastor, seus escritos e muito mais. Podes você faze-lo apenas
por uma frase? Não. Assim é comigo em relação a você.

Fosse qual fosse a frase, jamais iria dizer que Helder me parece arminiano, open teista e flamenguista...


Mas tudo tranquilo. Se conheço bem o Danilo, ele nem levará a sua crítica à sério, com o devido respeito. Não esta ai.

De tudo o que pude perceber a discussão está centrada em torno da postura diante da dor alheia e de um pensar que não fica atribuindo a intenção A ou B de Deus em Seus propósitos, mas ao contrário encontra o aflito.

Sejamos como bons samaritanos e deixemos o juizo para o Juiz.

Pela alma dos homens,

Graça e Paz

DaSilva.

Daniel. disse...

Concordei com o post e com a atitude. Genizah e Julio pisam na bola em seus exageros, a ponto de me fazer pensar que eles estão pouco se lixando por quem vai lá ler.

Helder Nozima disse...

Prezado DaSilva,

Um provérbio chinês diz que algumas coisas não têm volta, uma delas é a palavra depois que ela foi proferida.

Pode até ser que o Danilo não tenha tido a intenção de defender um Deus que é só Amor, e que não usa os eventos naturais e outras "casualidades" como formas de julgamento. Algumas críticas ao "Jeová Cerol" bem poderiam ser feitas ao Deus da Bíblia. E eu não fui o único a ter essa impressão, e o link do Ricardo Mamedes prova isso. Fora os outros comentários de apoio que recebi aqui.

Registre-se que não estou julgando o todo por uma frase. Não disse que o Danilo é um falso irmão, um arminiano, não o liguei ao Gondim (embora não me lembre dele ter sido criticado no Genizah), nada disso...apenas removi o blog dele dos meus recomendados. Isso é um julgamento precipitado?

Disse ainda que tinha outras ressalvas. Não gostei da associação com a Editora Palavra, do sorteio do "Ortodoxia Generosa" (compromete a isenção do blog) e não digo que reconheço o calvinismo em todos os colaboradores. Vi mta energia com o Severo, mas não com o Brian McLaren, e com algumas figurinhas como o Gondim, o Brabo ou até o Caio Fábio, que nunca vi aparecerem no Genizah. Será que Teologia Relacional e open theism não mereciam uma malhação da boa?

Agora, esse post do Severo extrapolou, embora eu também não esteje do lado do Júlio e o tenha criticado pesadamente aqui.

No mais, se ele é amigo de figurinha da IPB, presbiteriano ou não...isso não me diz tanto quanto o que ele falou. E, se pra ele eu for um talibã gospel, tudo bem. Ele não precisa se preocupar comigo, o alcance do meu blog é mínimo comparado aos milhares de seguidores que ele tem.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Zwinglio, Ricardo, Heitor e Daniel,

Obrigado pelo apoio.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Anayran Pínheiro de disse...

Trolling cristão, o que fazer?

Helder Nozima disse...

Anayran,

O que devemos fazer é ser "bereianos", ou seja, examinar tudo o que lemos ou ouvimos para ver se confere ou não com o que está escrito na Bíblia. Cada um pode ler o que quiser...desde que tenha esse cuidado.