27 maio 2010

Última resposta a Leandro Quadros - Parte XII

A parte anterior da resposta está aqui.

Começo este texto com um pedido de desculpas pela demora em continuar essa refutação. Mas realmente essa série acabou se revelando maçante para mim e outros leitores. Contudo, dívida é dívida...vamos continuar a refutação do artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados..., do professor adventista Leandro Quadros, que é a resposta dele ao artigo Resposta ao Professor Leandro Quadros - "Na mira da verdade".

João 3:36
Diz o professor Leandro Quadros sobre João 3:36:
18) Aqui o irmão fugiu dos aspectos textuais que abordei. Peço que os releia novamente. Para facilitar, transcrevo:
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.”
“Que coerência há em Deus predestinar alguns para a perdição sendo que há a possibilidade clara de uma pessoa se manter rebelde? É claro que o “se manter rebelde” é uma atitude humana diante da predestinação Divina.
“Outro detalhe: na expressão “quem crê no Filho” não há a mínima hipótese de fazer uma “eisegese” e dizer que o texto não se aplica a todos.”
João 3:36 não compartilha de sua ideia, de que quem se mantém rebelde é porque foi predestinado para isso, pois, seria afirmar ser Deus o autor do pecado e das decisões erradas dos pecadores. Mesmo crendo de coração na sinceridade sua e demais irmãos calvinistas, cada vez mais me conscientizo de que a predestinação determinista é diabólica por denegrir o caráter de Deus e limitá-Lo a própria Onisciência dEle.

Já expliquei antes aqui uma simples regra de hermenêutica, ignorada pelo professor e por muitos não-calvinistas. Se a Bíblia ensina duas verdades aparentemente contraditórias, as duas devem ser afirmadas igualmente. Uma conciliação em que a verdade A suplanta a B é um erro de interpretação bíblica. Quem quiser, explico melhor aqui.

A Bíblia ensina duas verdades de difícil conciliação:

- Deus decreta e determina todas as coisas e escolhe aqueles que serão salvos e os que serão condenados.
- As pessoas são condenadas porque, voluntariamente, se mantém rebeldes a Deus.

O erro é entender que ou Deus endurece o coração dos condenados ou o condenado escolhe, por vontade própria, a condenação. O que acontece é que tanto Deus endurece o coração humano como o pecador, voluntariamente, se rebela contra Deus: Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés:
Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (Romanos 9:14-18)

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. (Romanos 1:18-23)
No mesmo livro, as duas verdades são ensinadas. Logo, isso deve estar em mente quando analisamos João 3:36.

O erro do professor Quadros é exatamente o de sacrificar uma verdade em detrimento da outra em sua análise. Como os reformados interpretam João 3:36?

- De fato: todas as pessoas que creem no Filho de Deus têm a vida.
- Só que, à luz de outros textos, entendemos que apenas creem aqueles que são predestinados, alcançados pela misericórdia de Deus.
- De fato: todos os que se mantêm rebeldes contra o Filho de Deus não verão a vida, e sentirão a ira divina.
- Só que, à luz de outros textos, entendemos que esses são todos reprovados por Deus para a salvação antes da fundação do mundo.

Diz o professor:
“Que coerência há em Deus predestinar alguns para a perdição sendo que há a possibilidade clara de uma pessoa se manter rebelde? É claro que o “se manter rebelde” é uma atitude humana diante da predestinação Divina.
Respondo eu:

1) Tanto a pessoa se mantém rebelde como Deus a predestina à perdição. Simples, não? E bíblico também.
2) O professor Leandro Quadros acredita que todos são predestinados à salvação. Por isso, ele diz que se manter rebelde é uma atitude humana contra à predestinação divina. Aí sou quem pergunto:

- Qual o sentido de Deus pré-destinar alguém se a destinação depende da reação da pessoa? Aí não seria predestinação, seria pós-destinação...erro de português, de lógica e de teologia.
- Como fica Romanos 9:14-18 onde Deus diz claramente que têm misericórdia de uns (eleitos para a salvação) e endurece aos outros (predestinados à perdição)?

Mas Quadros continua:
“Outro detalhe: na expressão “quem crê no Filho” não há a mínima hipótese de fazer uma “eisegese” e dizer que o texto não se aplica a todos.”
Sim, professor, se aplica a todos os homens. Todos os que creem são salvos. Perfeito! O senhor só esqueceu que todos eles, sem exceção, são predestinados também. Todos eles, e somente eles.

Para fechar, Quadros afirma:
João 3:36 não compartilha de sua ideia, de que quem se mantém rebelde é porque foi predestinado para isso, pois, seria afirmar ser Deus o autor do pecado e das decisões erradas dos pecadores. Mesmo crendo de coração na sinceridade sua e demais irmãos calvinistas, cada vez mais me conscientizo de que a predestinação determinista é diabólica por denegrir o caráter de Deus e limitá-Lo a própria Onisciência dEle.
Sobre Deus e o pecado, recomendo o texto Deus decreta pecados? que pode ser lido neste blog. Quanto ao determinismo da predestinação, ela não anula a onisciência divina. Deus sabe de tudo, claro, porque Ele decretou tudo o que vai acontecer. E, sim, claro, Deus conhece todos os cenários possíveis e impossíveis para o desenvolvimento da História. A predestinação não diminui um milímetro da onisciência divina.

Agora, o ponto de vista defendido por Quadros é que diminui...a onipotência e a soberania divinas. Deus não é alguém que reage aos acontecimentos. Ele usa ativamente o Seu poder, quando Lhe convém, para controlar tudo o que acontece.

Ainda tem mais. Aguardem.

O próximo post está aqui.