28 fevereiro 2011

A rebelião cessacionista

Ler a Bíblia é deparar-se com o sobrenatural em cada página. Além de ser um livro divinamente inspirado (2 Timóteo 3:16), é possível encontrar muitos relatos de milagres, visões, sonhos e profecias. Embora as Escrituras mencionem que há épocas em que essas manifestações eram raras (1 Samuel 3:1), elas ensinam que os últimos dias seriam marcados por profecias, sonhos e visões:
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Atos 2:16-21)
No entanto, estranhamente, um grupo de protestantes recusa a ideia de que Deus continue dando sonhos, visões e profecias sobre seus servos nos dias de hoje. Argumentam eles que tais manifestações estavam restritas aos dias dos apóstolos, juntamente com outras, como as orações em línguas e as pessoas com dons de curas e milagres. Há que vá além e chame de hereges e apóstatas os que acreditam na continuidade destes eventos no século XXI.

Contudo, acreditar na contemporaneidade dos dons miraculosos do Espírito Santo não é exclusividade pentecostal, muito menos uma novidade do início do século XX. Ao contrário, o cessacionismo é que seria uma novidade teológica, já que os ramos mais tradicionais do cristianismo, representado pela Igreja Católica Apostólica Romana e pelas igrejas ortodoxas, sempre reconheceriam a existência de pessoas que realizaram milagres e tiveram sonhos, visões e profecias, a quem elas chamam de santos. Mesmo dentro do protestantismo, há relatos históricos de que vários reformadores escoceses, inclusive John Knox, acreditavam na contemporaneidade da profecia (os relatos podem ser achados em português no livro Surpreendido Com a Voz de Deus, de Jack Deere, da Editora Vida, já esgotado). Atualmente, além dos pentecostais, o continuísmo é ensinado por vários representantes do novo calvinismo, como John Piper, Wayne Grudem e Mark Driscoll.
John Knox: o reformador escocês também cria em profecias

Os mandamentos não explicados
Mas o maior problema não é o histórico, e sim o bíblico. Os cessacionistas não encontram uma base bíblica clara para fundamentar a cessação dos chamados dons extraordinários (profecia, milagres, curas, línguas, interpretação e outros). Na verdade, sequer conseguem explicar uma base bíblica para classificar os dons em ordinários e extraordinários, já que os mesmos sempre são relacionados lado a lado, de modo indistinto.

Como se não bastasse, há um problema ainda pior. O cessacionismo fere de modo frontal uma série de mandamentos bíblicos relativos a busca e a prática de dons cuja continuidade é negada por eles:
Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. (1 Coríntios 14:1)

Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação. (1 Coríntios 14:5)

Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas. (1 Coríntios 14:39)

Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar. (1 Coríntios 14:13)

Não desprezeis as profecias; (1 Tessalonicenses 5:20)

Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria. (Romanos 12:4-8)
Não é preciso dar muitas explicações adicionais: os textos são claros. São mandamentos bíblicos que a Igreja deve buscar os dons, principalmente o de profecia. As línguas não devem ser proibidas e Paulo chegou a desejar que todos os coríntios orassem em línguas. Quando o apóstolo instrui a igreja de Roma sobre os dons, ele ordena que profetas exerçam seu dom segundo a medida de sua fé.

E aí há sim uma questão delicada a ser respondida pelos cessacionistas. Baseados em quê eles se negam a cumprir os mandamentos bíblicos? Por que proíbem o falar em línguas? Por que estimulam a busca de dons como o do ensino, mas põem a profecia em último lugar? Por que impedem que profetas exerçam seu dom dentro da igreja? O ônus da prova recai sobre eles, e não sobre os continuístas.

A Bíblia inútil
Uma outra consequência da visão cessacionista é tornar inúteis grandes porções do Novo Testamento. Por exemplo, se profecias e línguas não existem, boa parte das instruções de culto que são dadas em 1 Coríntios 12 a 14 são inúteis. Tratam-se de uma mera curiosidade histórica, uma espécie de "dispositivos transitórios", que valeram apenas por um curto período de 60 anos.

Uma rápida lida nestes capítulos mostra o quanto estes dons são importantes para o apóstolo. Os dons "extraordinários" são mencionados na lista de 1 Co 12:4-11. Os profetas, operadores de milagres, pessoas com dons de curar e variedades de línguas são mencionados em 1 Co 11:28-30 como partes do Corpo de Cristo. Profecia e línguas são dons mencionados no argumento de Paulo sobre o amor em 1 Co 13:1-3. E todo o capítulo de 1 Co 14 trata especificamente do lugar e do uso correto das línguas e da profecia no culto.

Aliás, este capítulo é emblemático. Possui 40 versículos que, segundo os cessacionistas, não encontram mais uma aplicação clara no século XXI. Ora, se estes dons cessaram, por que gastar tanto espaço explicando:

- A utilidade da profecia para a igreja (edificação, consolo e exortação);
- A relação entre línguas e profecia;
- A necessidade de interpretação no culto bíblico;
- A razão de quem ora em línguas orar para poder interpretar o que ora;
- O impacto das línguas e da profecia nos visitantes;
- Quantas pessoas devem orar em línguas nos cultos;
- Quantos podem profetizar nos cultos;
- Como as profecias devem ser examinadas;
- Porque não devem ser proibidas as línguas e buscada a profecia.

Se tais dons não existem mais, é de se perguntar: por que Deus daria tanto espaço na Bíblia para coisas tão passageiras? E 1 Coríntios 14 não é o único caso. Além de Corinto, há instruções ou menções sobre a profecia e outros dons miraculosos para outras igrejas, como Roma (já citado), Tessalônica (já citado), Éfeso (Ef 4:11-16) e Galácia (Gl 3:5). O autor da carta aos Hebreus considerava possível a visita de anjos (Hb 13:2). Pedro também deu instruções que incluem a profecia e as línguas (1 Pe 4:10-11).

A relação é ainda maior quando se lê o livro de Atos dos Apóstolos, onde há eventos sobrenaturais em quase todos (se não em todos) os capítulos. Mesmo considerando o argumento cessacionista de que os dons extraordinários estavam ligados aos apóstolos, há vários exemplos de uso desses dons por pessoas que não eram apóstolas...e que os exerciam sem a presença "supervisora" apostólica:

- O diácono Estêvão fazia prodígios e grandes sinais, com certeza, milagres (At 6:8). Além disso, fez um discurso, cheio do Espírito, que é facilmente enquadrado como profecia (At 7);
- O evangelista Filipe não era apóstolo e não pede autorização apostólica para fazer sinais e expulsar demônios em Samaria (At 8:4-13). Os apóstolos chegam depois. Filipe também vê anjos e é arrebatado em Atos 8:26-39;
- Ananias tem uma visão do próprio Cristo e efetua um milagre na vida de Paulo...e estava em Damasco, uma igreja onde não havia nenhum apóstolo. Não se diz nada de Ananias...nem se ele era pastor, presbítero ou diácono. Talvez fosse só um crente "comum" (At 9:10-19);
- Ágabo não era apóstolo e profetizou uma fome, que gerou inclusive campanhas de coleta de donativos nas cartas de Paulo (At 11:27-30). Ele parecia itinerante, já que reaperece em Cesareia, profetizando a prisão de Paulo (At 21:10-11);
- Há profetas na igreja de Antioquia e eles enviam Paulo e Barnabé em missões por causa de uma revelação do Espírito Santo (At 13:1-3);
- Profetas falaram sobre a prisão de Paulo em Tiro, outra igreja sem presença apostólica (At 21:4);
- Filipe morava em Cesareia, outra igreja sem apóstolos em seu quadro, e tinha quatro filhas donzelas profetisas (At 21:9).

Se os cessacionistas estão corretos, há um sério problema então para todo pregador que escolha um texto de Atos dos Apóstolos. Afinal, boa parte do livro não teria mais aplicabilidade para a igreja contemporânea. Pior: há que se ter um cuidado redobrado. Isto porque, se fizermos um estudo da vida normal da igreja em Atos, podemos tirar conclusões erradas, como a de que profecias podem orientar decisões eclesiásticas ou a de que milagres são sinais que acompanham a pregação evangélica.

O ônus da prova
Por todas as razões acima, pelo grande peso das evidências favoráveis ao continuísmo, o ônus de provar o seu ponto deveria ser dos cessacionistas, e não dos continuístas. É preciso um argumento exegético sólido para justificar porque tantos mandamentos e passagens bíblicas devem ser ignoradas. E, diga-se de passagem, este post não traz todos os argumentos que podem ser usados para defender o continuísmo. Ao contrário, ele mostra é o tamanho do nó que precisa ser desatado se insistirmos em uma posição cessacionista.

Creio também que é o momento de cessacionistas encararem os continuístas de outra maneira. O continuísmo não é uma quebra do primeiro ponto da Reforma, o Sola Scriptura, que ensina que a Bíblia é nossa autoridade máxima em questões de fé e prática. Ao contrário, o continuísmo é uma obediência a este ponto, já que o peso da evidência bíblica é favorável aos continuístas, e não aos cessacionistas. Já é chegada a hora de parar as acusações de que somos hereges e apóstatas ou de que nossa teologia é inferior.

Afinal, sendo bem sincero: considerando tudo o que foi apresentado aqui, quem faz a melhor exegese bíblica: cessacionistas ou continuístas? Ao meu ver, a resposta é clara. E, se estou correto, os cessacionistas estão em rebeldia contra o Senhor. E precisam se arrepender deste pecado.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

P.S: Quem quiser saber mais sobre meus pontos de vista sobre o assunto, é só clicar aqui e aqui.

25 fevereiro 2011

Frutos de um país sensual

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem.

Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe.

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Quanto mais estes se multiplicaram, tanto mais contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha. Alimentam-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente.

Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago das suas obras. Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à sensualidade, mas não se multiplicarão, porque ao SENHOR deixaram de adorar. A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento.

O meu povo consulta o seu pedaço de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus. Sacrificam sobre o cimo dos montes e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, dos choupos e dos terebintos, porque é boa a sua sombra; por isso, vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram. Não castigarei vossas filhas, que se prostituem, nem vossas noras, quando adulteram, porque os homens mesmos se retiram com as meretrizes e com as prostitutas cultuais sacrificam, pois o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição.

Ainda que tu, ó Israel, queres prostituir-te, contudo, não se faça culpado Judá; nem venhais a Gilgal e não subais a Bete-Áven, nem jureis, dizendo: Vive o SENHOR. Como vaca rebelde, se rebelou Israel; será que o SENHOR o apascenta como a um cordeiro em vasta campina?

Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo.

Tendo acabado de beber, eles se entregam à prostituição; os seus príncipes amam apaixonadamente a desonra. O vento os envolveu nas suas asas; e envergonhar-se-ão por causa dos seus sacrifícios. (Oséias 4:1-19)
Países árabes em convulsão, discussão de salário mínimo, ameaças à Constituição...aposto com você que nenhum destes assuntos ganha do Big Brother Brasil em qualquer rodinha de conversa. Afinal de contas, nenhum assunto é tão importante a ponto de interessar mais do que um show onde você pode ver mulheres se beijando, transexualismo, pegação...e traições. E participar disso tudo é um sonho. Lembra de quando misses eram mulheres exemplares e deviam conservar a virgindade? Hoje, sonho de miss é  posar nua, e isso depois de trair o namorado em rede nacional. Tudo normal. Os que criticam são invejosos.

Na verdade há sim um rival: o Carnaval! Quer algo mais brasileiro do que mulheres seminuas rebolando em carros alegóricos? Os mesmos jornalistas que vociferam contra a corrupção e a criminalidade se derretem em elogios quando estão diante de uma passista. Assim como a imprensa acompanhou o drama do resgate de fluminenses desaparecidos nas enchentes que atingiram a região serrana do Rio, também foi dada ampla cobertura ao incêndio na Cidade do Samba. O que mudou foi só a velocidade com que veio a ajuda.

Qual o problema disso tudo? Será que eu tenho algum tipo de recalque sexual para falar negativamente de reality shows e de Carnaval? Bom, pode até ser...mas a verdade é que, ao contrário do que é ensinado por aí, a sensualidade é sim um sintoma de uma sociedade em decadência. Os comerciais de cerveja, a nudez carvalanesca, a pornografia...são coisas tão nocivas para o nosso país como o uso de drogas como o crack e os crimes. Acha radical? A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai além, quando afirma que os reality shows brasileiros ferem a dignidade da pessoa humana.

Falta de conhecimento
Na verdade, há várias similaridades entre o Brasil do século XXI e Israel no século oitavo antes de Cristo, nos dias do profeta Oséias. Homicídios em alta, roubos...a criminalidade era algo comum. Perjúrios, mentiras, corrupção...tudo isso também estava na ordem do dia dos sacerdotes, dos príncipes do povo. Na falta de drogas pesadas, o álcool em excesso ajudava a completar os problemas israelitas.

E não faltava nem mesmo o ingrediente picante dos adultérios e imoralidades sexuais, inclusive alguns casos de incesto. Só que o profeta ao invés de comentar sobre a sensualidade com o olhar de aprovação do jornalismo atual, confronta a conduta de seu povo como sendo um pecado reprovável. Praticar a prostituição e o adultério é correr para a perdição (Os 4:14).

Mas a raiz de tanta iniqüidade é mais profunda. Israel não segue a verdade e o amor (Os 4:1), porque o povo não tem conhecimento de Deus (Os 4:1 e 6). Os sacerdotes abriram mão do seu dever de ensinar o povo e ele perdeu os referenciais de certo ou errado. Esqueceu-se de quem é o verdadeiro Deus, do que é bom e do que é ruim e por isso entregaram-se a todo tipo de pecado.

Por que o Brasil está igual a Israel de Oséias

A sensualidade tira o entendimento
E um dos ensinos que são perdidos é o de Oséias 4:11. A sensualidade é como uma droga. Assim como o vinho e o mosto fazem com que as pessoas percam o bom senso, falem o que não devam, dêem escândalos, vomitem e até matem...a sensualidade também desvia os homens (e mulheres) daquilo que é bom e correto.

Sensualidade aqui não é sinônimo de sexualidade, mas sim um tipo de comportamento e atitude mental que colocam o prazer sexual em evidência, estando acima de outros valores, até mesmo do casamento. Acontece quando a menina pisca pro namorado da amiga e também quando ele responde com um olhar lascivo. Acontece quando pais estimulam crianças de três anos a se beijarem e batem palma quando ela imita as dançarinas sensuais. Acontece quando adolescentes se vestem de forma provocante porque querem ser desejados pelos outros.

E é assim que nascem mazelas maiores. O adultério de hoje começa com a traição de ontem no namoro. As modelos que se masturbam numa câmera pública e beijam homens e mulheres começam com as adolescentes se vestindo para cativar os homens. A dificuldade em achar alguém pra casar e formar uma família estável é filha de uma geração que aprende sobre sexo vendo pornografia e achando que o legal é beijar sem compromisso (ficar).

Pense bem. Quem não é capaz de ser fiel à mulher que um dia disse que amava...como pode ser fiel ao povo que o elegeu? Se criminosos são fruto de famílias desestruturadas, por que ninguém aponta a sensualidade como culpada pela criação de um bandido? Sim...porque em uma sociedade onde os homens vão para a Bahia disputar quem beija mais...e as mulheres aceitam...como essa sociedade pode gerar casamentos onde haja fidelidade e uma família estável?

Mas, se é como era em Israel...onde as mulheres e as noras traíam e os homens saíam com as prostitutas de Baal (um deus cananeu)...que esperança há? Se a infidelidade é a regra em casa, só podemos esperar coisas piores quando se sai para a rua.

Você pode até achar tudo lindo, bonito e natural. Mas se parar e pensar...vai ver que a sensualidade ataca as relações humanas mais básicas. Ela destrói o amor...e também as famílias. Inclusive a vida de quem não tem nada a ver com o adultério dos pais.

O abandono de Deus
E como resolver tudo isso? Revertendo o problema mais básico de todos: o abandono de Deus. Brasileiros, israelenses e seres humanos de todas as épocas correm para o pecado por um motivo bem simples: eles abandonaram a Deus!

Pode parecer simplista, mas é verdade. A razão pela qual as pessoas são violentas, mentirosas, antiéticas e sensuais é porque elas amam mais estes pecados do que ao Senhor. Por que os poderosos no nosso país são corruptos? Porque o povo o é: nós somos como os nossos "sacerdotes", por isso eles são os nossos chefes. Elegemos aqueles que seguem o que nós amamos. O povo de Israel amava apaixonadamente a desonra tanto quanto os seus príncipes.

A pregação de Oséias denuncia este amor pelo erro. É por esta razão que Deus anuncia ter uma contenda, não só com os israelitas, mas com os habitantes da terra (Os 4:1). O abandono humano prejudica até mesmo plantas e animais (Os 4:3), se materializa em uma série de pecados e encontra o seu ápice na prostituição espiritual de Israel, ou seja, na adoração dos ídolos (Os 4:12).

Embora em seus dias a maioria da nação tenha ignorado os apelos do profeta, todavia um grupo se arrependeu. Essas pessoas entenderam que Oséias era um profeta de Deus e preservaram o seu livro. Alguns efetivamente deixaram os ídolos e permaneceram ao lado do Senhor. A profecia trouxe salvação a alguns.

Hoje Jesus prega a mesma mensagem aos que vivem no país do Carnaval. Por meio da Igreja, Cristo nos adverte que a sensualidade atenta contra a dignidade humana. Vou além: a sensualidade, o culto a deuses falsos (santos, orixás, guias...) ou não (dinheiro, sexo, poder, fama), a violência e a corrupção...todas essas coisas nos deformam e diminuem nossa humanidade. Abandonar a Deus é ser enganado (Os 4:12), é caminhar para um destino de destruição. Mas, se O amarmos novamente, Ele se dará a conhecer e seremos libertos daquilo que rouba o nosso entendimento.

Essa volta só pode ser feita por meio da fé em Jesus:
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6)

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:16-18)
Independente de sua religião, é hora de abandonar a sensualidade em sua vida. Hoje é o momento para compreendermos que a sensualidade é um pecado que traz morte e rouba o nosso entendimento, assim como acontece com as drogas. É a hora de levarmos a sério o protesto de Deus contra os nossos pecados e nos reconciliarmos com o Senhor, por meio de Jesus Cristo. Que Ele nos ajude a lutarmos contra o pecado em nossas vidas e em nossa cultura.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

21 fevereiro 2011

O silêncio dos "profetas"

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Moabe e por quatro, não sustarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os reduzir a cal. Por isso, meterei fogo a Moabe, fogo que consumirá os castelos de Queriote; Moabe morrerá entre grande estrondo, alarido e som de trombeta. Eliminarei o juiz do meio dele e a todos os seus príncipes com ele matarei, diz o SENHOR.

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Judá e por quatro, não sustarei o castigo, porque rejeitaram a lei do SENHOR e não guardaram os seus estatutos; antes, as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais. Por isso, meterei fogo a Judá, fogo que consumirá os castelos de Jerusalém.

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel e por quatro, não sustarei o castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. Suspiram pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome. E se deitam ao pé de qualquer altar sobre roupas empenhadas e, na casa do seu deus, bebem o vinho dos que foram multados.

Todavia, eu destruí diante deles o amorreu, cuja altura era como a dos cedros, e que era forte como os carvalhos; e destruí o seu fruto por cima e as suas raízes por baixo. Também vos fiz subir da terra do Egito e quarenta anos vos conduzi no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu. Dentre os vossos filhos, suscitei profetas e, dentre os vossos jovens, nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? - diz o SENHOR. Mas vós aos nazireus destes a beber vinho e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis.

Eis que farei oscilar a terra debaixo de vós, como oscila um carro carregado de feixes. De nada valerá a fuga ao ágil, o forte não usará a sua força, nem o valente salvará a sua vida. O que maneja o arco não resistirá, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco o que vai montado a cavalo salvará a sua vida. E o mais corajoso entre os valentes fugirá nu naquele dia, disse o SENHOR. (Amós 2:1-16)
O ano de 2011 começa com uma grande agitação nos países árabes. No momento em que escrevo este post, os governos na Tunísia e no Egito já foram derrubados, enquanto a Líbia se divide em uma disputa entre oposicionistas e partidários do governo de Muammar al-Gaddafi. Enquanto isso, protestos estouram em outros países árabes, como o Iêmen.

Trata-se, sem a menor sombra de dúvidas, do acontecimento mais importante dos últimos anos em todo o mundo, com reflexos que podem alterar o equilíbrio de forças entre as nações. Dependendo do rumo das revoluções o cristianismo pode encontrar uma oportunidade para avançar ou então mergulhará em perseguições ainda mais radicais que as já existentes no norte da África e Oriente Médio.
Egípcios reunidos na Praça Tahrir, no Cairo.

Porém, enquanto o mundo acompanha atentamente o que acontece naquela região, as igrejas cristãs brasileiras se calam. Pior: ignoram o assunto. Não há mobilizações visíveis de intercessão pelos países árabes. Os pastores não pregam sobre que valores devem ser defendidos neste momento. Ao invés de um clamor para que o Senhor defenda Seu povo e Seus missionários, há um silêncio ensurdecedor. Talvez porque as agitações ocorram em países distantes, exóticos para nós, fingimos que o problema não é conosco.

Confrontando o pecado de outras nações
Mas essa não era a postura que tinham os profetas do Antigo Testamento. Um bom exemplo é o de Amós, que viveu no século oitavo antes de Cristo, quando o reino de Israel estava dividido em dois: Judá (reunindo as tribos de Judá, Benjamim e Levi), ao sul e Israel (juntando as demais tribos), ao Norte. Em seus dias, tanto o reino de Israel como o de Judá estavam distantes dos caminhos de Deus. A idolatria e as injustiças sociais eram pecados comuns e causavam tantos problemas que era de se esperar que Amós se concentrasse apenas em pregar ao seu próprio povo.

Contudo, o livro de Amós abre com uma série de mensagens proféticas dirigidas a outras nações. Antes de falar de seu país (Israel), o profeta denuncia os pecados cometidos por sete nações: Síria, Filístia, Fenícia, Edom, Amom, Moabe e Judá. A mensagem que o Senhor entrega por meio do profeta é clara: Deus não olhava apenas para os israelitas, Ele é o Juiz de todos os povos. O profeta fala não apenas para os "filhos de Deus", sua mensagem diz respeito a todo o mundo.

No recorte que fiz neste post, os moabitas são condenados pelos exageros na guerra contra os edomitas e os judeus pela sua rebeldia em seguir as leis do Senhor (a Lei de Moisés). Antes, há condenações por outros abusos de guerra: excesso de violência, venda de prisioneiros, assassinato cruel de grávidas e falta de misericórdia.

Hoje o ensino é o mesmo: Jesus é o Juiz não apenas dos cristãos, mas também de muçulmanos, judeus, espíritas, hindus e até de ateus. Não somos chamados para confrontar somente o pecado de quem adora a Cristo. Assim como Amós, os pregadores de hoje também devem proclamar o juízo do Senhor sobre as nações pecaminosas.

Os países árabes sempre freqüentam as primeiras posições nas relações de países que mais perseguem a Igreja, feita pela Missão Portas Abertas. Assassinatos, queimas de templos, prisões injustas, mutilações à mulheres, restrições às liberdades fundamentais e até proibição de conversões são algumas das transgressões cometidas nessa região. Para piorar, há a possibilidade de que grupos radicais, como a Irmandade Muçulmana, no Egito. tomem o poder e mantenham ou agravem várias dessas perversidades. São pecados e alertas que precisam ser denunciados no século XXI.
A Igreja continua perseguida, como nos dias de Roma

Hoje o meu desafio é o de chamar as igrejas à oração por estes países. Agora é o momento de pastores pregarem contra estes pecados e liderarem os fiéis em intercessões, pedindo ao Senhor que use este momento para fortalecer o Evangelho em países que estão mergulhados em trevas espirituais.

Confrontando o pecado dentro de casa
Por outro lado, o ensino bíblico não se restringe a confrontar os pecados distantes. Os pecados "de casa", aqueles cometidos dentro das igrejas ou nas comunidades onde elas estão inseridas devem ser enfrentados com um rigor ainda maior.

Crimes de guerra são graves, mas Israel conseguia ser ainda pior. Juizes vendendo sentenças, orgias incestuosas, idolatria associada à imoralidade sexual, corrupção dos que consagravam ao Senhor (nazireus) e perseguição religiosa eram o pano de fundo da sociedade israelita. Embora Israel fosse o herdeiro das promessas divinas e daqueles que foram libertos pelo Senhor, a nação insistia em se manter rebelde contra Deus. Já que Israel agia como as outras nações, também teria o mesmo castigo que elas.

Nada muito diferente do que acontece nas igrejas cristãs do Brasil. Pastores torcem a Palavra em troca de dinheiro. A imoralidade sexual é combatida de boca, mas é tolerada cada vez mais, a ponto de existirem igrejas que se recusam a chamar o homossexualismo de pecado. A idolatria volta, travestida de culto a apóstolos, uso de objetos "mágicos" e avareza. Os membros que se levantam e protestam são ignorados, calados, tachados de rebeldes e até expulsos.

E vem a ser o mesmo que acontece no Brasil. Compra de sentenças, louvor à sensualidade (o país do Carnaval e do BBB), idolatria, culto aos mortos e à imagens...qual a diferença em relação aos dias de Amós? O Brasil chegou a um ponto tal onde nos perguntamos se vale a pena ser honesto, correto e decente.

Mas há sim uma diferença. Enquanto os árabes dizem basta e vão às ruas, o Brasil não se move. No fundo, o povo aceita e aprova tudo o que acontece. O único lamento da maioria é não ser o político que rouba, a rainha de bateria que posa em revistas pornográficas ou o ídolo que controla a multidão. Não há indignação ao pecado, senão sairíamos às ruas.

E a Igreja é cúmplice desta passividade. Em nome de uma ética duvidosa, diz-se que igrejas não podem fazer política. E o resultado é que políticas pecaminosas são aprovadas e os cristãos se calam. Os governantes erram e não são confrontados. Poucos questionam, por exemplo, porque escolas de samba recebem ajuda do governo antes de desabrigados pela maior tragédia natural da história do Brasil. Mais uma vez: não há chamados à oração, mobilização para que os cristãos ganhem as ruas, publicação de manifestos...quase nada.
Para o Brasil, as escolas valem mais que os desabrigados pelas chuvas no RJ

Onde estão os profetas?
Creio que falta a todos os cristãos o entendimento sobre qual a verdadeira missão de Jesus. Ele não veio nos livrar da culpa do pecado, Ele veio destruí-lo. Jesus não vem dar uma solução para que os cristãos possam conviver harmoniosamente com o pecado. Cristo veio não apenas morrer na cruz, Ele também veio confrontar os pecadores.

E essa confrontação não é apenas individual. Pode até funcionar, mas é muito cômodo falar apenas dos dramas e pecados individuais. Jesus não nos chama apenas para isso. Nossos púlpitos devem alcançar as pessoas, as igrejas, a nossa sociedade e outros países do mundo. É para isso que fomos chamados. Se nos calarmos, Deus continuará usando a outros para falar a um Brasil caído.

Que o Senhor possa nos ajudar a erguermos os olhos e termos a mesma visão (e coragem) que Ele colocou em Amós.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

19 fevereiro 2011

Cristo: o nosso Salvador

No post anterior, aprendemos que a Bíblia ensina que todos, sem exceção, são pecadores. Mais do que isso, vimos que o pecado nos torna mortos diante de Deus, merecedores do inferno. Enquanto a culpa do nosso pecado permanecer sobre nós, o que nos aguarda após a morte é apenas a condenação eterna. E isso não é mau ou injusto, é a pura expressão da perfeita justiça divina.

Contudo, Deus não nos criou a humanidade apenas para ver todos os seres humanos ardendo no fogo do inferno. Há uma possibilidade de sermos achados inocentes e justos. E é isso o que nos ensina Efésios 2:1-10:
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:1-10)
Não é pelas obras
O primeiro passo para se livrar do pecado é entender que jamais conseguiremos vencê-lo com nossos esforços pessoais. Não importa o quanto ajudemos os outros, renunciemos à prazeres ou façamos sacrifícios pessoais: nossas obras são inúteis para nos levar ao céu e evitar que Deus nos lance no inferno.

Uma das conseqüências da morte é a incapacidade. Um morto não é capaz, por si só, de fazer coisa alguma. Logo, ele não pode fazer "boas obras". Se, por causa do pecado, estamos mortos, somos incapazes de realizar ações que nos justifiquem diante de Deus. Na verdade, o testemunho bíblico é o de que "seguimos o curso deste mundo", segundo os desejos do "espírito que agora atua nos filhos da desobediência", ou seja, o diabo.

Mesmo quando tentamos fazer o bem, fracassamos. Nossos melhores esforços aos olhos de Deus são inúteis:
Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam. (Isaías 64:6)
O pecado contamina tudo o que existe dentro de nós, inclusive nossos atos de bondade. Por mais que nos esforcemos, nossas obras não irão compensar os nossos pecados. O que acontece é exatamente o contrário: tudo o que fazemos de bom é arruinado pelo mal que habita em nós.

Jesus: a fonte de uma nova vida
Se o pecado nos matou e mancha até o que fazemos de bom, só pode haver esperança fora de nós. Mortos não podem fazer nada, mas Deus pode até mesmo ressuscitar aqueles que já morreram. E a maneira que Ele escolheu para nos vivificar é por meio de Seu Filho: Cristo Jesus.

A maioria das pessoas não imagina que havia um propósito na vinda de Cristo ao mundo: morrer. Mais do que ensinar ou curar pessoas, o objetivo maior da vida de Jesus era morrer na cruz. Isto é o que Ele mesmo diz:
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Marcos 10:45)

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. (João 12:24-27)
Qual a relação da morte de Cristo com a nossa salvação? Simples: Ele sofre a penalidade do pecado no lugar da Igreja. Jesus mesmo não deveria morrer ou sofrer, já que Ele nunca pecou. No entanto, Ele veio morrer no nosso lugar, o justo pelos injustos:
Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito...(1 Pedro 3:18)

Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Romanos 5:6-8)
Um Deus justo não pode simplesmente ignorar o nosso pecado. Os nossos roubos, assassinatos, estupros, mentiras, adultérios, nada disso pode ser ignorado sem mais nem menos. Deus precisa mostrar a seriedade do que fizemos. E é por esta razão que o perdão só é possível por meio de Jesus. Apenas a morte do Deus-Homem poderia pagar os erros cometidos por nós.

No entanto, a cruz é apenas a metade do caminho. Jesus ressuscitou, e Ele nos ressuscita juntamente com Ele. Mais do que isso, aqueles que são salvos por Cristo também sobem ao céu com Ele e sentam nos lugares celestiais. Estes já são filhos amados aos olhos do Pai, e não mais pecadores dignos de morte. E, futuramente, herdarão a suprema riqueza da graça divina.

A graça e a fé: os meios de salvação
Porém essa bênção não se estende a todos. Muitos seres humanos ignoram o sacrifício de Jesus e serão condenados ao inferno. Mesmo no meio dos que se dizem cristãos existem pessoas que não terão seus pecados perdoados. A salvação não é para todo o mundo.

Só existe uma forma de ser salvo do pecado e herdar as supremas riquezas de Deus: por meio da graça e da fé. As obras humanas ou o nosso próprio esforço são inúteis: Deus não quer que ninguém se glorie, pensando que alcançou o céu graças ao esforço pessoal.

Mas, o que é graça? Graça é um favor que não merecemos, é algo que nos é dado sem que tenhamos feito qualquer coisa que nos tornasse dignos de receber. Graça acontece quando recebemos dinheiro sem trabalhar, quando somos amados mesmo que sejamos canalhas, quando o juiz nos declara inocentes embora tenhamos cometido um crime, quando Deus nos perdoa e nos chama de filhos, embora sejamos pecadores.

A graça não é algo que possa ser exigido. Ninguém pode ir diante de Deus e reclamar o seu direito à salvação. Não temos méritos, não temos capacidade para sermos salvos. A graça é um favor que Deus dá a quem quer. É algo que depende unicamente d'Ele, e não de nós.

Já a fé é crer naquilo que não se pode ver. Fé é confiar em Deus, é acreditar que Ele diz a verdade, embora não O vejamos com nossos olhos e nem O ouçamos com nossos ouvidos. É acreditar que o Espírito Santo está mesmo falando em nossos corações, que não se trata de algo da nossa cabeça. É ter a certeza de que Jesus é Deus, de que Ele veio mesmo ao mundo morrer por nós, e que Sua morte e Sua ressurreição são suficientes para nos salvar. Fé é abrir mão das outras possibilidades: dos outros deuses, das outras religiões, do nosso esforço e arriscar tudo, apostar todas as fichas naquilo que Jesus fez e ensinou.

A fé também não é algo que nasce da nossa vontade. A Bíblia diz que a salvação, o que inclui a fé, é um dom de Deus. A fé é o sinal de que a graça de Deus nos escolheu. Aqueles que creem, mesmo que relutantemente, mesmo que depois de um período de dúvidas e incertezas, mesmo que seja com uma fé minúscula...esses são os que receberam a graça de Deus. São aqueles por quem Cristo Jesus morreu.

A hora de decidir
Ouvir esta mensagem é algo que exige uma decisão da sua parte. O ensino bíblico é o de que ouvir o Evangelho é um momento definidor em nossas vidas. Se nós respondemos à pregação bíblica com fé, então andaremos em uma vida de boas obras. Teremos lutas, dificuldades e sofrimentos, mas também teremos fé e o apoio de um Deus vivo, que nos promete bênçãos supremas em nossa vida.

Por outro lado, se ouvimos o Evangelho e não o levamos a sério...se não cremos em suas palavras de esperança, se zombamos da mão estendida de Deus; então damos passos decisivos na direção do inferno. Não há uma neutralidade possível, como está escrito:
Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:18)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)
Não há alternativa ou caminho do meio. Ou cremos em Jesus ou enfrentaremos a ira e o justo juízo de Deus.

Entendo que esta é uma decisão séria, que deve ser tomada de modo consciente e não impulsivo. Mas sei também que a nossa vida pode terminar hoje mesmo. Ninguém sabe o dia de amanhã. Por isso, hoje mesmo eu o convido a crer em Jesus. Aceite essa mensagem. Arrependa-se de seus pecados, reconheça que sem Cristo você é morto ou morta e creia que Ele veio ao mundo para morrer a sua morte e dar a você uma nova vida.

Caso esta tenha sido a sua escolha, procure o quanto antes uma igreja evangélica séria. Dê preferência às igrejas da Igreja Presbiteriana do Brasil, mas também há salvos em muitos outros lugares, como entre os batistas, os metodistas, os congregacionais, os cristãos evangélicos e outros. Acima de tudo, busque uma igreja onde a Bíblia seja vivida e pregada com fidelidade.

Nos próximos posts da série Caminho da Salvação, falarei de alguns ensinos que desviam as pessoas do simples evangelho de Cristo e podem comprometer a salvação. Mas não espere por mim...vá hoje mesmo a uma igreja, se possível. Compre uma Bíblia e a leia. Divida o que aprendeu com outras pessoas. Não há nada melhor que você possa fazer pela sua vida.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

04 fevereiro 2011

É pecado se definir como calvinista?

Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.

Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo.

Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?

Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro.

Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo. Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?

Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. (1 Coríntios 1:10-24)
Nenhuma palavra define melhor a pós-modernidade do que o relativismo. Em um mundo sem absolutos morais ou estéticos (o que é belo, afinal?), não é de estranhar que os conceitos tenham se tornado incômodos. Usar nomes para definir posições políticas, econômicas e até mesmo teológicas tornou-se algo abominável, inclusive para cristãos. Rotular ou ser rotulado tornou-se um pecado mortal, a moda é tentar conciliar diferentes correntes, ainda que contraditórias. Quanto mais indefinido, melhor.

Dentro das igrejas protestantes, o repúdio aos rótulos chega a tal ponto que, para muitos, definir-se como calvinista, luterano ou arminiano é um pecado. Seria o mesmo erro cometido pela igreja de Corinto quando um dizia que era de Paulo, outro de Apolo e um terceiro de Cefas (Pedro). O certo é apenas se identificar como cristão. Certo?

Errado. Creio que esse tipo de pensamento é simplista demais. Sim, há horas em que a identificação com o calvinismo ou qualquer corrente teológica se torna algo pecaminoso e doentio. Mas, da maneira apropriada, o rótulo pode sim ser útil. Tudo depende do coração.
A moda é ter várias identidades, tantas, que ninguém possa ser rotulado. Quadro de Andy Warhol.

Quando é pecado
Os rótulos se transformam em um grande problema acontece quando eles nos levam a dividir o Corpo de Cristo. Quando o apóstolo Paulo critica os grupos de Corinto, a sua maior preocupação é manter a unidade da Igreja. Os coríntios estavam tão preocupados em afirmar seus pontos de vista e afinidades que estavam se esquecendo que eram parte de um povo.

Em Corinto, aparentemente, os grupos elegiam um teólogo-modelo e o colocavam acima dos demais, desprezando o trabalho e a teologia de outros apóstolos ou pregadores. Havia diferentes "disposições mentais" e "pareceres". As disputas iam muito além de simples debates: havia ciúmes e brigas, um verdadeiro sentimento de inimizade, causado pela carnalidade de alguns coríntios:
Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é evidente que andais segundo os homens? (1 Coríntios 3:3-4)
A postura desses coríntios era bem semelhante à das seitas: apenas o "meu grupo" é correto, e os demais estão errados. Mesmo quando alguns diziam ser "de Cristo", a atitude era criticada por Paulo. Nesse último caso, apenas os ensinos vindos de Jesus nos Evangelhos eram seguidos, havendo uma desconsideração com o ensino que o próprio Cristo dava por meio dos apóstolos. Era apenas mais um grupo no meio dos outros.

Quando ser calvinista (ou reformado) significa dividir o Corpo de Cristo, não reconhecer o valor de outros irmãos e se isolar em uma atitude de superioridade, o rótulo é sim prejudicial. Isso acontece com calvinistas que começam a questionar a salvação de quem diverge em pontos secundários da fé (como, por exemplo, arminianos ou pentecostais) ou que chegam ao ponto de recusar qualquer tipo de diálogo ou ação conjunta. Na hora em que os apelos à teólogos reformados se tornam tão ou mais importantes do que os versículos bíblicos, no instante em que argumentos de quem não é calvinista são recusados por motivos ad hominem, ou quando há um interesse maior em conhecer os pensamentos de Calvino e seus seguidores do que em Cristo Jesus e Seus apóstolos, com certeza estamos diante de comportamentos pecaminosos.


Claro que esse tipo de atitude não é uma exclusividade do calvinismo. Infelizmente atitudes semelhantes podem ser encontradas em outros ramos do protestantismo e do cristianismo também. Embora seja óbvio que há teólogos que entenderam melhor a Bíblia do que outros, devemos ser capazes de compreender e apreciar a contribuição de santos que não pensam como nós. Afinal, o cristianismo é maior que o calvinismo e não pode ser resumido nos pensamentos de um único teólogo, ainda que ele seja o apóstolo Paulo:
Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. (1 Coríntios 3:5-8)
Quando não é pecado
Entretanto, ao contrário do que imaginamos, os rótulos são sim usados na Bíblia, inclusive por Jesus Cristo. Nem Ele e nem os apóstolos viam qualquer problema em usar nomes para identificar grupos que professavam determinado tipo de pensamento. Em resumo, não há qualquer pecado em rotular com um nome um grupo de pessoas que pensam ou agem de determinada maneira.

Um bom exemplo é ver a forma como os primeiros cristãos reagiram quando eram rotulados pelos demais. Em momento algum do livro de Atos vemos qualquer rejeição da Igreja aos rótulos:
tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. (Atos 11:26)
Paulo chega a se valer de um deles em sua defesa perante Félix:
Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas,...(Atos 24:14)
Os rótulos aparecem até para identificar segmentos distintos do povo de Deus:
Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas (judeus de fala grega) contra os hebreus (judeus de fala hebraica), porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. (Atos 6:1)
E, claro, eles foram usados tanto por Jesus como pelos apóstolos para condenar grupos heréticos (notem que eles generalizavam sem constrangimentos):
E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. (Mateus 16:6)

Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. (Lucas 12:1)

Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. (Tito 1:10)

Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. (Gálatas 2:12)
Não devemos querer ser mais realistas que o Rei dos Reis. Se Jesus e Paulo usaram rótulos, inclusive para criticar, quem somos nós para dizer que eles são pecaminosos? Os pós-modernos querem ser mais santos que o Santíssimo. E, claro, incorrem em erro.

O equilíbrio da interpretação
E aqui nós podemos ver a importância de se analisar toda a evidência bíblica antes de emitirmos certos julgamentos. Isoladas, as críticas de Paulo aos grupos de Corinto parecem uma condenação clara a quem se identifica como calvinista, arminiano ou luterano, mas que também serviria a quem se define como católico, batista ou pentecostal. Quando o contexto é analisado com mais calma e consideramos atitudes de Paulo e de Jesus, vemos que o pecado surge quando a rotulação é fruto da natureza pecaminosa humana e de um espírito faccioso (que provoca facções, divisões), comprometendo a unidade da Igreja.

Por esta razão, não me constanjo em fazer parte de um blog que se autointitula 5 Calvinistas. Também não sou como outros que receam chamar suas posiçõs teológicas pelo nome. Não tenho vergonha em dizer que sou cristão, reformado, presbiteriano, pedobatista, carismático e amilenista. E não entendo os pudores de quem tem cheiro de lobo, cara de lobo, pêlo de lobo, latido de lobo e nega ser lobo. Aliás, só consigo entender isso como má-fé ou como uma rendição ao pós-modernismo, que alguma vezes influencia os cristãos mais do que o próprio Jesus.

Claro que há excessos, e ainda hoje há calvinistas, arminianos, pentecostais e outros que caem no mesmo erro dos coríntios. Mas um erro se corrige com um acerto, e não com outro erro, ainda que seja o do politicamente correto.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro