27 abril 2011

O pecado de William e Kate

Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. (Gênesis 2:24)

Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros. (Hebreus 13:4)
Histórias de amor envolvendo príncipes e princesas nem precisam ser reais para atrair o sonho e a imaginação das pessoas. Os noivos podem até ser ogros, como em Shrek, e mesmo assim a história desperta o interesse de gerações. E quando o "conto de fadas" se torna real, aí sim você tem um verdadeiro frisson. Afinal, não é todo dia que a plebeia se casa com o príncipe...e ainda mais com um que tem tudo pra se tornar rei!

E é grande o otimismo com que tem sido noticiado o casamento do príncipe William com Kate Middleton. Há até quem levante razões para invejar Kate. O casal é apontado como um exemplo de discrição, correção e até de modéstia, já que o príncipe trabalha como militar, foi voluntário em serviços humanitários e mora em uma propriedade modesta para um nobre. Tudo perfeito. De fato, William e Kate despontam como uma história de amor exemplar para o início do século XXI.
O príncipe William e sua noiva, Kate Middleton.

Exemplar? Bom, até poderia ser, não fosse por um pequeno "detalhe":
Kate costuma passar longas temporadas na casa do príncipe, algo impensável há 30 anos. Quando os pais de William se uniram, em 1981, a virgindade de Lady Di era uma condição fundamental. Hoje, os súditos nem se importam com o fato de os noivos já viverem juntos antes do casamento. E, cada vez mais, querem ver os futuros vizinhos como rei e rainha. William é o segundo na linha de sucessão, logo depois do pai, o príncipe Charles. (Do G1, com informações do Fantástico)
William e Kate começaram a viver como marido e mulher antes de se casarem. Já não são mais virgens, praticamente "moram junto" há alguns anos e isso não está mais sendo discutido, nem mesmo pelos nobres bispos da Igreja da Inglaterra. Isso pode não ser um problema para a sociedade não-cristã, mas ainda é para aqueles que se importam com a Bíblia.

O que é um casamento?
Puxa, mas que caretice! Por que eu deveria me importar com a virgindade? Os tempos são outros, não é mesmo? E, além do mais, casamento é uma convenção que varia conforme o tempo e o lugar, certo? Não, errado.

Em primeiro lugar, a Bíblia é o livro de Deus escrito para todos os seres humanos, de todos os lugares e em todas as épocas. Ela deve sim ser interpretada levando em conta a cultura e a história do momento em que foi escrita, mas trata-se de um livro com verdades eternas. Mesmo naquilo que é "cultural", há princípios que devem ser percebidos e observados por todos, sem distinção.

O casamento, aliás, é um bom exemplo. Embora a forma como ele se realiza varie ao longo dos anos, o casamento foi instituído por Deus no momento da criação, antes que houvesse pecado. Trata-se, portanto, de uma convenção divina, que reúne quatro elementos segundo Gênesis 2:24:

- Independência (deixa o homem pai e mãe);
- Unidade (e se une);
- Monogamia (à sua mulher);
- Amor e sexualidade (tornando-se os dois uma só carne).

O versículo mostra uma gradação de intensidade. Os noivos adquirem independência, ou seja, as condições de se sustentarem sem a ajuda paterna. Havendo o desejo da união, eles se casam e dão todos os passos acima, um mais intenso do que o anterior, separando-se da família anterior e formando uma nova.

Claro, nada contra alguém morar sozinho e deixar os pais antes de se casar. Os celibatários, como Jesus, fazem isso e não pecam. Mas o unir-se a mulher (que também pode ser entendido como "morar junto" e suas implicações afetivas) e principalmente o "tornar-se uma só carne" (a relação sexual) são, claramente, partes de um casamento.

Logo, se William e Kate coabitam sexualmente antes de se casar, eles pecam. Quem quer ver uma análise bíblica mais profunda mostrando que o sexo antes do casamento é pecado, pode clicar aqui.

O leito sem mácula
O sexo pré-marital já não credencia William e Kate como exemplos. Eles podem ser príncipes, William pode até ser o futuro "cabeça da Igreja da Inglaterra", mas o que determina os nossos modelos é a Bíblia e não a posição social ou o título eclesiástico.

E o que a Bíblia diz que devemos valorizar é o "leito sem mácula", ou seja, o casamento puro. Os casais que devemos elogiar são aqueles que respeitam os vínculos do casamento e vivem em fidelidade e pureza. Os que são impuros e adúlteros não devem receber nossa admiração, mas sim o nosso alerta de que serão julgados por Deus.

Há uma ótima razão para ser assim. O casamento humano é um símbolo do casamento espiritual que vai acontecer entre Jesus e a Igreja, no último dia.
Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. (Efésios 5:31-32)
E este casamento é entre dois entes puros. Sim, a Igreja é formada por pecadores de todos os tipos, inclusive de gente extremamente impura e adúltera. Mas ela é purificada por Jesus, que terá, no último dia, uma noiva santa, sem mácula e sem defeito.
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. (Efésios 5:25-27)
Por isso, quando os bispos anglicanos e até mesmo os pastores protestantes se calam sobre a coabitação dos príncipes, nós pecamos, porque não advertimos os fiéis sobre a ameaça do julgamento divino para quem macula (mancha) o seu leito. Erramos quando toleramos as impurezas sexuais em nossas igrejas. Erramos quando achamos normais os namorados que traem, as fornicações e outros tipos de impureza sexual. Erramos porque assim manchamos o simbolismo humano do casamento espiritual de Jesus.
Abadia de Westminster.
O casamento humano é  uma representação do casamento de Jesus com a Igreja.

Mas erra ainda mais quem acha um avanço o fato dos pecados sexuais não serem mais confrontados. Não há nada de exemplar nas fornicações reais, nisso eles não são o nosso exemplo! Quem deveríamos honrar e valorizar são os virgens, os que preservam um namoro santo, os que se recusam a trair, os que são imaculados! Mas estes, coitados, hoje em dia são alvo de gozações e piadas. Contudo, no final, os puros é que serão exaltados pelo Senhor.

E se o leito já foi maculado?
Mas agora que tudo aconteceu...o casamento de William e Kate é amaldiçoado? Deus jamais lhes será favorável? Bom, depende.

Assim como William e Kate, muitos cristãos também não conseguiram manter a sua pureza sexual e pecaram. Nem por isso eles estão condenados à infelicidade. Aliás, muitos deles tiveram (e têm) ótimos casamentos. Há graça e bênção para os que se arrependem do pecado e decidem recomeçar.

Arrepender-se é reconhecer o pecado e decidir mudar a direção. É optar por não repetir o mesmo erro, entregando-se a Deus. Em grego, é uma metanoia, ou seja, "mudar de mente". Havendo arrependimento, há purificação, inclusive para os príncipes.

Como lemos acima, Jesus se entrega pela Igreja para santificá-la e purificá-la, deixando-a sem mácula e defeito. E todos os que fazem parte da Igreja, todos, sem exceção, possuem manchas e defeitos. Só que a graça de Deus é maior do que os pecados cometidos, por isso, quando Jesus nos limpa, é como se nunca tivéssemos pecado.

Que o Senhor possa abençoar os príncipes com o genuíno arrependimento. E que Ele recompense os que optaram por seguir os padrões da Bíblia e rejeitaram os valores do mundo.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

10 comentários:

Kamylla disse...

Oi Helder,
eu não poderia deixar de comentar esse texto, em uma palavra: brilhante! Mostra como os valores do mundo sem Deus estão perdidos e que as pessoas que assim creem são muitas vezes ridicularizadas, mas que há conforto para estas no Dia final. Para os que caíram a certeza de que Deus é fiel e justo para purificar de toda a injustiça. Que Deus continue usando a sua vida poderosamente. um beijo.

Sayro Lucas disse...

Hoje em dia, pelo menos no Brasil, há a união estável, que é uma forma de "casamento" admitida pelo legislação civil, que ocorre pelo reconhecimento do convívio como casal, sem ter acordo escrito na sociedade civil e religiosa.
No caso de Isaque, a Bíblia relata que a primeira vez que ele viu a mulher já a levou para a cama, não relata se houve ou não uma cerimônia de casamento, como houve com Jacó. Porém esse "casamento" de Isaque é considerado um casamento.
Tendo isso em vista, não se pode admitir que eles já casaram desde que se deitaram juntos a primeira vez, uma vez que se mantém juntos desde então. Agora irão fazer uma festa, algo meramente formal para manter os padrões da família real?
A união estável pode ser considerada casamento?

Helder Nozima disse...

Sayro,

A forma como os elementos de Gênesis 2:24 são reconhecidos como casamento varia, daí, por exemplo, o caso de Isaque. Mas, mesmo assim, houve um acerto. Foi pago um "dote" (joias), a mão foi pedida...seguiu-se o costume da época. A união foi publicamente reconhecida e teve aprovação familiar.

Não posso aceitar a ideia de que "transou", "casou". Quando há transa sem compromisso, há é concubinato. O verdadeiro casamento precisa ser publicamente reconhecido. No caso dos príncipes, o casamento ainda vai acontecer, tanto que Kate ainda não é chamada de princesa.

Mesmo no Brasil a união estável não é idêntica a casamento de papel passado. Para tirar visto, por exemplo, há diferenças. Logo, eu não aceito que "união estável" é a mesma coisa que "casamento" na lei brasileira.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Kamylla,

Muito obrigado pelo seu comentário. Um outro beijo pra você. =)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Patrick disse...

Adão e Eva pecaram assim também?
A que se dá o casamento, o matrimônio em igreja, o papel passado em cartório?

Penso que o casamento se dá a partir da união social, carnal e espiritual de um casal.

No velho testamento não se fala em cartório, nem mesmo em casamentos em igreja, muito menos na obrigatoriedade da monogamia. Por questão de ordem eram discriminadas as mulheres que faziam sexo sem seguir unida de seu parceiro e as que se uniam e constituiam casal (casamento).

Na bíblia também abre o direito ao divórcio, por diversas razões. Era preciso um motivo para isso, tanto como a traição quanto o fato da esposa não vir virgem.

Seja como for, Deus apartou a força de Sansão, o nazireu, por este ter os cabelos cortados e não pelas relações sexuais indevidas.

Penso que o casal William e Kate já estão casados. Agora estão apenas oficializando... Mas para quém? Pra eles, pra Deus, pra nós?
Sim, para nós. Nós é que queremos que os outros sigam a mesma ordem que seguimos. Pois Deus é onipresente e lá já está, eles já se casaram e bem sabem disso, nós é que precisamos de algo para oficializar os outros.

Pollyana Tavares disse...

Pastor Helder,

Excelente o seu post! Estou agradecida por tê-lo lido, de verdade!
Que Deus o abençoe com muita sabedoria e te conserve servo fiel, um vaso perfeito, perfeitamente preparado para toda boa obra!

Um abraço,

Pollyana Tavares

Helder Nozima disse...

Patrick,

Há algumas inconsistências no seu raciocínio. Adão e Eva estavam um Estado pré-Queda, diferente do que vivemos hoje. Não havia sociedade, já que só havia dois seres humanos no mundo. Usá-los é, no mínimo, forçar muito a barra.

O casamento bíblico não é apenas algo que diga respeito ao casal. A Lei de Moisés traz prescrições sobre o assunto e mostra, claramente, a necessidade de oficializar a relação de modo formal, para todos. A formalização era feita perante a comunidade. Hoje o cartório é apenas a forma contemporânea de se fazer isso.

Quanto à monogamia e ao divórcio, recomendo que você leia o que Jesus ensina a partir de Adão e Eva em Mateus 19. Lá ele deixa claro que a ordem de Deus é monogamia e sem divórcios, e que estes existem apenas por causa da dureza do coração humano.

Sobre Sansão, a prostituição dele foi uma quebra do seu voto de nazireu. Engana-se você ao pensar que Sansão só perdeu a força por causa do corte. Analisando com mais calma, você verã que Sansão quebrou sistematicamente todo o voto de nazireado: tocando cadáveres, se prostituindo e cortando o cabelo. Quando ele quebrou o último laço, Deus o deixou. A prostituição, aliás, foi o que o levou a confiar em Dalila.

Respeito o seu direito de pensar diferente. Mas, de modo algum, posso concordar com você e dizer que o seu pensamento reflete uma boa compreensão da Bíblia.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Kamylla disse...

É querer forçar demais dizer que Adão e Eva pecaram, Eva foi criada para ser a mulher de Adão, não foi isso que Deus disse: farei para ele uma adjutora que lhe seja idônea? Sansão pecou deixando para trás o voto de nazireu, não só por ter cortado os cabelos, veja as outras coisas que ele fez, todos os pecados que cometeu e como foi se afastando do Senhor. Ter relações sexuais antes de se casar é abrasar-se e não é isso que a Biblia diz que devemos fazer, não é isso que Deus quer para os seus. A imagem do casamento é claramente mostrada em Jesus e a igreja, Jesus tem um compromisso sério com a sua noiva e não um abrasamento qualquer, Ele dá a sua vida por ela e ela deve estar pura para estar com Ele. O Senhor não morreu na cruz para que vivêssemos uma vida de pecado, mas sim para que nos arrependêssemos e vivessêmos piedosamente.

Leonardo Bruno Galdino disse...

Helder,

de fato, o chamado "casamento do século" já começa com problemas sérios, os quais você habilmente apontou. Oro, sim, para que Deus tenha misericórida do casal e lhes conceda a graça de permanecerem juntos até o fim de suas vidas. Mas não os tomo como referenciais de jeito nenhum, a despeito de sua "realeza" - fico com a Bíblia, a Palavra do verdadeiro e único Rei!

Parabéns pelo post!

Abraços!

Dileninha disse...

Olá Helder,

Aos olhos do homem casamento quer dizer, paixão; amor; romantismo; dinheiro; sexo; beleza; bem-estar e etc.... No entanto o espiritual é posto de lado, ou seja, cumprir os mandamentos que Deus quer para a família é banalidade. Pergunto: Será se um casamento, já oriundo do pecado é abençoado por Deus? Porém o que mais se vê são sacerdotes abençoando esse tipo de união,completando com: “O que Deus uniu, não separe o homem!”