26 maio 2011

Atos 29: quando fui chamado de volta ao Evangelho

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. (Romanos 1:16-17)

E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:14-18)
Participei nesta semana da 2ª conferência promovida pela Atos 29 Brasil, uma rede de plantação de igrejas ligada ao pastor Mark Driscoll. Confesso que o nome "Driscoll" foi uma das razões mais fortes para que eu me interessasse em ir ao encontro. Qual o segredo de um ministério que, mesmo sendo teologicamente conservador, floresceu em uma das cidades americanas mais áridas para se ter uma igreja? Será que as estratégias dele se aplicariam no Brasil? Claro que eu não poderia perder!

A resposta já estava dada no título da conferência: "A Chamada do Evangelho". Parece óbvio, elementar e até infantil: o segredo é o Evangelho de Cristo Jesus. Viva-o radicalmente e Deus estará com você. É simples. Mas percebi que essa "simplicidade" era ainda mais radical e poderosa do que eu poderia imaginar.

Mais do que isso, vi que estava errado em vários pontos. Erros que preciso dividir com você.

O evangelho errado
Minha primeira e mais gritante falha era uma visão errada do Evangelho. Calma, eu não estou dizendo que fui salvo nesta semana e nem que eu pregava a salvação pelas obras ou outra heresia. Mas o meu foco estava no ponto errado.

Como bom protestante, fiz da "justificação pela fé" a pedra em cima da qual erigi minha teologia, minha santificação, meus sermões e até os meus aconselhamentos. Diz Romanos 1:16-17 que o justo viverá por fé e que o Evangelho é de "fé em fé". Não há nada errado com isso, exceto por um pequeno detalhe. Na prática, eu pregava a fé na justificação pela fé, e não em Jesus. O meu foco estava na doutrina e não em Cristo Jesus.

Sim, meus caros, é errado focarmos em convencer as pessoas de uma certa doutrina. Evangelizar não é isso. Não é apenas explicar às pessoas quem é Cristo e como Ele veio ao mundo nos salvar e levá-las a acreditar que a morte de Jesus salva pessoas. Isso é bater na trave, não é marcar o gol.

A justificação pela fé é importante e é o Evangelho, desde que eu a complete com um "em Jesus". O meu verdadeiro objetivo não é convencer as pessoas de que a salvação é pela fé, mas sim de que a salvação é pela fé em Jesus! Na verdade eu tenho que apresentar Jesus aos outros, como eu apresento um amigo a outros. Tenho que mostrar a ela como confiar em Jesus, se relacionar com Ele, ouvi-Lo, senti-Lo e, enfim, depositar a vida dela n'Ele.

A conversão errada
Para que isso aconteça, entendi que devo buscar uma forma nova de conversão. Sabe, até hoje o que eu buscava de todos era uma espécie de "conversão doutrinária". O que eu buscava na minha evangelização era fazer com que as pessoas mudem de doutrina, de teologia, de pensamento. Queria trazê-las à minha forma de pensar e enxergar Deus, igreja e tudo o mais.

Só que a verdadeira conversão é um voltar-se para Jesus. Essa é a razão pela qual todo sermão precisa ser cristocêntrico, o motivo pelo qual Paulo pregava a Cristo, e esse crucificado. A verdadeira batalha não é trocar as obras pela fé ou o pecado pela santidade. O meu objetivo é arrancar os ídolos, as obras e os pecados para colocar Cristo no lugar! As verdadeiras oposições são as obras vs. Jesus, o pecado vs. Jesus. 


Cometi o mesmo erro em vários aconselhamentos. Quanto tempo eu não tenho perdido dando às pessoas apenas ordens práticas ou conselhos sobre o que elas deveriam fazer para vencer um pecado ou dificuldade! Isso até tem a sua utilidade, mas não é nada se não conseguir achar em Jesus a resposta para essas angústias. A resposta não está em mim, não está em coisas que elas possam fazer, está em Cristo! Era para Ele que eu deveria apontar e confesso que falhei miseravelmente nisso.

A pregação errada
Dessa forma, preciso mudar a maneira como prego, especialmente as aplicações. Afinal, não adianta nada fazer explicar o texto teologicamente da maneira correta se as minhas aplicações se centram na pessoa e não em Jesus.

Entendi que meus sermões são moralistas. Normalmente aplico dizendo o que as pessoas precisam fazer. Elas devem, por exemplo, não olhar pornografia. Amputar a Internet se preciso. Devem separar tempo para orar e ler a Bíblia. E posso dizer aqui mais umas 50 coisas que elas devem fazer para serem santas ou se voltarem para Deus.

Só que o Evangelho mostra exatamente o nosso fracasso em fazer qualquer coisa. Se há algo que o Evangelho nos mostra é como somos incapazes de seguir o menor dos mandamentos de Jesus. A Lei continua sendo um padrão, um referencial de certo e errado, mas ela não é mais a nossa mestra. Um sermão que ensina as pessoas a guardarem a Lei é um fracasso total.

Minhas aplicações devem se centrar em Jesus. Devo encorajar os ouvintes a buscarem o olhar de Jesus sobre as mulheres e homens, um olhar puro e não lascivo. Ensiná-las não só a amputar olhos ou mãos, mas a entregarem todo o seu corpo pecaminoso na cruz de Cristo e receber dele um novo eu. Convidá-las a se unirem a Jesus quando Ele passa as noites acordado buscando ao Pai ou jejuando no deserto. O foco não está em mim, mas em Jesus.

A Igreja errada
E com isso percebi que buscava também uma igreja diferente daquela ensinada na Bíblia. Eu achava que sabia o que era ser missional. Na verdade eu até sabia, mas, na prática, imaginava algo aquém do que a Bíblia ensina.

Eu tenho o desejo de plantar uma igreja no Brasil que seja reformada, carismática e missional. Mas, veja só: na verdade eu queria a teologia certa (reformada e carismática) e a prática certa (carismática e missional). Uma ilha de ortodoxia e ortopraxia em um mar de heresias e erros.

Na verdade o que eu queria era um monastério reformado. Uma espécie de refúgio, onde eu pudesse ouvir os sermões que eu julgo corretos e praticar livremente os meus dons. O evangelismo que imaginava ainda era algo do tipo "bater de porta em porta" ou "entregar folhetos" e mesmo um usar a diaconia como plataforma de evangelização. Mais do que isso: queria uma ilha onde pudesse desfilar o meu orgulho, uma comunidade onde eu e outros fariseus pudéssemos nos sentir superiores aos demais cristãos.

Continuo reformado e carismático e acho que me tornei missional. Mas a verdadeira razão de plantar uma igreja é buscar os que não são de Jesus, sejam eles evangélicos ou não, e ensiná-los a seguirem a Jesus e a viverem o Evangelho. 24 horas por dia. O evangelismo não é algo que eu marque: não é um culto especial, um impacto especial, uma panfletagem ou uma visita. O Evangelho é algo que eu vivo, não é algo que eu faço. Por isso, eu tenho que evangelizar sempre e não só em momentos especiais.

A questão não é ser reformado: o Evangelho é crer em um Jesus Soberano, e entender que Ele controla tudo e isso é bom. Não é ser carismático, mas deixar Jesus profetizar, ensinar, servir aos outros por meio dos dons do Espírito Santo que Ele derramou sobre nós quando subiu aos céus. Não é ser missional: é entender que quando como, saio com as pessoas (irmãs ou não), vivo com elas...que, nessas horas, Jesus as ama por meio de mim. Que é ser como Jesus: sair com os pecadores, ser amigo deles, ouvi-los, amá-los e aproveitar as oportunidades que o cotidiano me dá para dividi-Lo com eles.

A gente acha que só evangeliza quando falamos "a informação doutrinária correta". Quando explicamos o plano de salvação e ensinamos a justificação pela fé. Isso é apenas uma parcela mínima do evangelismo. A nossa vida toda é o evangelismo. A Reforma e o Carisma são parte do Evangelho. Quando eu perdoo ou peço perdão por causa de Jesus, eu vivo o Evangelho. Ele é a minha vida.

E agora?
Confesso que ainda não sei qual é o impacto que tudo isso vai produzir na minha vida. Entender isso levou Lutero à Reforma Protestante, mudou o ministério de Driscoll e, com certeza, mudará algo em mim, como mudou na vida de milhões de anônimos. Não sei ainda o que fazer, mas sei que o meu desejo de plantar uma igreja alicerçada apenas em Jesus é mais forte do que nunca. Custe isso de mim o que custar.

Talvez você tenha achado as minhas conclusões simplistas demais, piegas, emotivas, básicas, sei lá. Sem problemas: Jesus é Deus dos simples de coração. 

Jesus me chamou de volta ao Evangelho por meio de pregadores e amigos, novos e velhos, lá no Rio de Janeiro, em Atos 29. A minha esperança é que Ele, por meio da Sua graça, me faça responder a esse chamado. E que Ele use a minha vida para chamar você também de volta a este Evangelho.

Obrigado, Jesus. O poder está em Ti e não em mim, nas doutrinas ou nas práticas moralistas que ensinei e tenho tentado seguir. Dai a nós a graça que precisamos para vivermos isso e sermos, enfim, livres. Obrigado por me fazer sentir livre, como há muito não me sentia.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

18 maio 2011

O Estado e o homossexualismo: dois extremos a se evitar

Quando eu era criança, acreditava que o mundo era facilmente dividido em "bem" e "mal", preto e branco, "certo" e "errado". Imaginava que era sempre fácil distinguir as fronteiras, como em uma ciência exata. Critérios claros e fáceis me ajudariam a discernir com clareza o certo do errado.

Cresci e quando jovem me venderam uma outra ideia. Não existe "bem" ou "mal", esses conceitos são relativos, dependendo da época, do lugar e até simplesmente da conveniência pessoal de cada um. Tentar definir uma fronteira entre certo e errado era algo inútil. Tudo, tudo mesmo podia ser relativizado, de modo que até o infanticídio pode ser certo ou errado dependendo do seu ponto de vista.

Tornei-me adulto e percebi que esses dois pontos de vista são errados. Há sim "bem" e "mal", mas nem sempre é fácil distinguir a linha que divide uma coisa da outra. Constatei que os absolutos existem e são necessários para a construção do conhecimento. Mas também vi que a fronteira é elástica em vários pontos, dependendo sim da cultura, da época e do bom senso das pessoas.

Para complicar: algumas vezes a defesa do "bem" pode ser maligna. Em certos casos, a defesa do "mal" é o certo a se fazer. E isso se aplica perfeitamente em duas situações que relacionam Estado e homossexualismo.

Uganda e a pena de morte
Como pastor, creio que a Bíblia é um livro de origem sagrada e infalível em suas afirmações. Desta maneira, entendo que o homossexualismo é um pecado:
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. (1 Coríntios 6:9-10)
Por definição, o pecado é uma coisa ruim, algo que devemos combater. Contudo, este combate é espiritual. O homossexualismo deve ser confrontado pela Igreja através da pregação da Palavra, das orações e do aconselhamento bíblico. Sei que alguns podem rir e achar isso uma estratégia ridícula. Todavia, há missões como a Exodus e a The Pink Cross (atores e atrizes pornô têm relações bissexuais) que atuam desta maneira e têm testemunhos a contar.

Infelizmente, nem todos pensam assim. Há uma corrente dentro do cristianismo (inclusive no católico) que quer a ajuda do Estado na luta contra o pecado. Como isso aconteceria? Com a criminalização do pecado. É o que acontece em Uganda.

Lá, o homossexualismo já é um crime que pode ser punido com a prisão perpétua. Já considero um absurdo o Estado impor essas punições, mas há quem queira aprovar uma lei para aplicar a pena de morte nesses casos. Duas tentativas já foram feitas neste sentido.

Não nego que no Antigo Testamento o homossexualismo, o adultério, o incesto, o estupro e outros pecados sexuais eram punidos com a morte. Isso acontecia em um contexto de teocracia (presente em todos os países daquela época), onde o reino de Israel era um símbolo do futuro reino de Deus, que será implementado plenamente quando Jesus voltar. Mas no Novo Testamento o próprio Jesus separa as duas esferas:
Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele. (Marcos 12:17)
Isso não significa que o Estado deva se calar e liberar todo tipo de conduta. Há pecados que devem sim ser refreados pelas autoridades. Tratei dos limites dessa ação estatal no post O Estado e o direito de pecar.

Uganda é pois um erro extremo. Neste caso, o dever de todo cristão é defender o direito dos homossexuais pecarem sem que sejam mortos por isso. A forma errada de combater o "mal" pode ser mais maligna do que o "mal" que se quer derrotar.

O Brasil e a lei anti-homofobia
A atitude de alguns parlamentares ugandenses ilustra bem como ser homossexual é algo perigoso no mundo de hoje, mais do que ser um adúltero. Se há quem queira matá-los, não é de se espantar que eles sejam alvos de piadas, desrespeitos, xingamentos e agressões. Pior: muitas vezes os agressores não veem culpa em seus atos. A discriminação é um fato e não uma ilusão criada por ativistas.

Certamente essa discriminação é maligna. E, neste caso, o Estado deve sim interferir e garantir a proteção dos homossexuais. Quanto a isso, não há a menor dúvida. Na verdade, essa garantia é tão importante que está registrada na Constituição do Brasil:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Por outro lado, o Estado também precisa garantir as liberdades fundamentais, inclusive a religiosa, a de opinião e a de pensamento:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; (Art. 5º da Constituição Federal)
E isso inclui o direito de pensar o que se quiser do homossexualismo, do cristianismo e de tudo o mais, mesmo que a crença ou a opinião sejam horríveis. Eu não gosto, por exemplo, quando ouço que "a religião é a fonte de todo o mal do mundo" ou que "evangélicos são burros ignorantes, pessoas sem instrução", como já ouvi mais de uma vez. Mas é meu dever (e do Estado) assegurar que as pessoas tenham a liberdade de pensar o que quiserem de mim...e de expressarem isso, dentro de certos limites (injúria, calúnia e difamação não pode).

Ao meu ver, isso já é garantido pelas leis atuais. Não há a necessidade de se criar uma lei específica para proteção dos homossexuais, que é o que se pretende com o PL 122, em discussão no Congresso Nacional. Em princípio, já é crime demitir, prejudicar em seleções profissionais e educacionais, restringir a entrada ou mesmo a afetividade de qualquer cidadão (se um casal hetero pode, o homo também pode). A redundância não é necessária.

Entretanto, o PL 122 tem algumas áreas cinzentas que trazem preocupação aos cristãos. Por exemplo, quando o projeto diz que:
O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica;
Eu pergunto: e se alguém achar este post uma ação constrangedora ou intimidatória? Talvez algum homossexual comece a considerar a sua orientação um pecado e divida isso com algum ativista, e ele entre com uma ação na Justiça contra mim alegando que cometi uma ação psicológica intimidadora. O mesmo pode ser dito de piadas, por exemplo. Afinal, se hoje há humorista que faz piada com estupro, com o PLC 122 aprovado, Rafinha Bastos poderia fazer o mesmo com homossexuais?

A raiz dos dois erros
O que há em comum entre estes dois extremos? Uma convicção política errada: a de que o Estado é a solução para corrigir o caráter da sociedade e que ele deve regular assuntos da esfera íntima.

Não é com o apoio do Estado que os cristãos vão convencer todos os homossexuais do mundo a abandonarem o homossexualismo. Não é a falta de reconhecimento estatal que impedirá as pessoas de estabelecerem uniões homoafetivas. De nada adianta criar barreiras legais para impedir as pessoas de pecarem se a sociedade não for transformada pela pregação e ensino bíblicos.

De igual modo, não é com uma lei que os homossexuais vão impedir os atos violentos e discriminatórios cometidos contra eles. É por meio da educação e do debate que a consciência social pode ser modificada, não com leis em um país que não segue a legislação vigente.

Mais do que isso: um Estado menor interessa a todos. Os homossexuais não querem que se repita aqui o que acontece em lugares como Uganda ou o Irã. Não querem que a Igreja use o Estado para definir com quem você dorme ou deixa de dormir. Os cristãos também não querem que nenhum grupo use o Estado para interferir no que é pregado nos púlpitos.

De igual modo, não é papel do Estado orientar a sexualidade de crianças e adolescentes por meio de vídeos ou dar aulas de Ensino Religioso. Existem assuntos que são da esfera íntima de cada família ou indivíduo. E todos lucram quando o Estado não se intromete nestes assuntos.

Faça a sua parte
Por fim, peço que você aja como um cidadão consciente. Você pode assinar um abaixo-assinado virtual contra a aprovação da pena de morte para homossexuais em Uganda. É só clicar aqui.

E você também pode protestar contra a aprovação do PLC 122. Uma sugestão é enviar uma carta aos senadores. Saiba como fazer isso clicando aqui.

Ressalto que linkar os sites não significa concordar com 100% do que está escrito neles. Aceito que você pense de mim o que quiser. Só peço que você me julgue pelo que, de fato, escrevi.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

10 maio 2011

O Estado e o direito de pecar

Este texto baseia o anterior: "O direito de Salomão e a união homoafetiva" e é uma resposta a todos os comentários atacando o meu ponto de vista.

"Você se acha o dono da verdade". Essa é uma das acusações mais comuns dirigidas aos cristãos. Afinal, aqueles que possuem conhecimento bíblico têm opiniões fortes sobre uma série enorme de assuntos: aborto, sexualidade, casamento, ética, vida após a morte, entre outros. Mais do que opiniões, são convicções. Os cristãos estão certos de que estão defendendo a verdade.

Só que o desejo não é apenas o de verbalizar isso. Sendo sincero, o meu desejo e o de todos os cristãos sinceros é o de ver todo o mundo vivendo por essas verdades. Nós realmente achamos que seria melhor se todos aceitassem a Bíblia como uma regra suprema e confiável de fé e prática. Não temos dúvida quanto a isso.

No entanto, há dois "pequenos" problemas. O primeiro é que a maioria das pessoas não concorda conosco e não aceita os nossos pontos de vista. E muitos estariam dispostos a pegar em armas para impedir-nos de "cristianizarmos" o mundo. O segundo é descobrir de que forma Jesus Cristo quer que influenciemos o mundo nesta fase atual da História.

E estes dois problemas esbarram em uma relação complicada, entre Igreja e Estado. Para alguns cristãos, a teocracia é necessária e o Estado deve se sujeitar às leis de Deus, independente de qualquer coisa. O Estado deve ser um agente para submeter o mundo à vontade do Senhor, coibindo o pecado. Para alguns outros, Igreja e Estado são separados e o Estado não tem papel algum na tarefa de transformar a sociedade. A maioria fica entre essas posições.

E eu também. É o que pretendo explicar abaixo.

O reino de Deus não é deste mundo
A primeira coisa que precisamos entender é que os cristãos jamais verão "o reino de Deus" implantado na Terra até a vinda de Jesus. Na atual fase da História, não será comum vermos uma sociedade proclamando o Cristo como seu verdadeiro Rei e vivendo de acordo com a vontade de Deus revelada na Bíblia.

Quando Jesus ensinava sobre o "reino de Deus", Ele não se referia a um governo terreno. Ele não imaginava o Império Romano se curvando diante da Igreja e deixando que suas leis sejam julgadas pelos fiéis. Ele não vislumbrava um Estado punindo todo tipo de pecado e empregando seus exércitos e funcionários em defesa da fé bíblica.

Ao contrário, Jesus rechaçou esse tipo de reino quando ele estava diante de Pôncio Pilatos:
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. (João 18:36)
O reino de Deus é espiritual e não temporal. A visão católica das duas espadas e as aspirações de um Estado confessional puritano não batem com essa fala de Jesus a Pilatos. O Senhor é Rei e possui sim ministros, embaixadores e soldados...espirituais. Eles são formados pela Igreja, por todos aqueles que creem em Jesus:
Mas vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis. (Isaías 61:6)

De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. (2 Coríntios 5:20)

Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. (2 Timóteo 2:3-4)
Creio que isso deveria nos levar a uma reflexão. A transformação que Deus deseja fazer no mundo não será levada a cabo por meio do Estado, mas sim da Igreja. Os ministros que se empenham por Cristo são os seus fiéis.

E como eles fazem isso? A resposta é dada pelo próprio Jesus: Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo:
Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mateus 28:18-20)
Basicamente o papel da Igreja neste mundo é pregar e viver o Evangelho. Devemos ir a todas as nações e fazer discípulos que sigam a Jesus voluntariamente. Esses seguidores devem ser recebidos na Igreja pelo batismo e devem ser ensinados a obedecer (guardar) o que Jesus ensinou. Ensinados, não forçados. E este é um papel da Igreja e não do Estado.

Qual o papel do Estado?
E isso nos leva a uma outra pergunta: qual é o papel do Estado? Dois passos precisam ser dados para descobrir isso. O primeiro é ver o que a Bíblia diz e a segunda é considerar o que ela não atribui ao Estado. Comecemos com Romanos 13:8.
Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. (Romanos 13:1-8)
Inicialmente, não podemos nos esquecer de que a carta de Paulo é dirigida a cristãos em Roma. Paulo não ensina aqui a submissão a um Estado ideal e cristianizado, mas sim a um império que determinava a adoração ao imperador e apoiava o paganismo. E o ensino apostólico é que este império era ministro de Deus para louvor dos que fazem o bem e para castigar os que praticam o mal. Logo, há um dever do Estado diante de Deus.

O que é "bem" aqui? Certamente não é o apoio ao cristianismo e nem a valores cristãos. O Império Romano deveria premiar os bons cidadãos que andam de acordo com a lei romana, naquilo em que ela não fere as leis de Deus. Bom aqui, pelo contexto, é quem paga os tributos e impostos e respeita e honra as autoridades. Bom são os que se sujeitam as autoridades superiores, naquilo em que elas não se opõem a Deus. Quando a Bíblia fala que o Estado deve premiar quem faz o "bem", ela não está falando de premiar os castos ou os devotos, mas sim os bons pagadores de impostos, os que respeitam as leis estatais e honram as autoridades.

O que seria então o "mal"? Por analogia, seria o oposto. Maus seriam os rebeldes às autoridades. Aqueles que querem derrubar o governo (como os zelotes), que desonram e desrespeitam os agentes estatais e não pagam impostos nem cumprem com seus deveres cívicos.

Mas há algo a mais. O Estado também deve ser um vingador dos que praticam o mal. Ao meu ver, a expressão faz sentido se pensarmos em atos cometidos contra o próximo. Quando um cidadão prejudica a outro por meio do falso testemunho, do roubo, do homicídio (o que inclui o aborto), do engano, do adultério ou de outras formas, aí sim o Estado deve coibir o pecado.

Todavia o texto não é específico. Ele não diz que tipo de males devem ser vingados, a lista que fiz acima tem base nos Dez Mandamentos e é exemplificativa. A Bíblia também não determina a pena, embora dê ao Estado o direito de usar a espada, ou seja, o poder de matar.

Os outros textos do Novo Testamento não nos ajudam muito. Apenas reforçam o nosso dever de obedecer e interceder pelas autoridades, como o caminho para uma vida mansa e tranquila, onde podem florescer a piedade e o respeito:
Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2)

Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. (1 Pedro 2:13-17)
Agora é preciso reparar no que a Bíblia não atribui ao Estado. Os apóstolos recomendam a submissão a um Estado pagão e não exigem que ele se torne "confessionalmente cristão". Não exigem que o Estado defina o que é família ou casamento, nem que ele resguarde a visão cristã sobre tais assuntos. Não atribuem às autoridades o dever de celebrar casamentos. Não pedem que o Estado regule a forma como as crianças são educadas pelos pais, o que as pessoas pensam ou escrevem.

O que a igreja cristã queria do Estado? Um caso é emblemático: a prisão e julgamento do apóstolo Paulo.  Lendo os últimos capítulos de Atos, fica claro que ele queria apenas três coisas:

- Liberdade para pregar o Evangelho (liberdade de opinião);
- Proteção contra a perseguição dos judeus (liberdade religiosa);
- Julgamento justo.

Resumindo: o Estado deve premiar quem faz bem e castigar os malfeitores (criminosos) e garantir as liberdades fundamentais. Ir além disso é querer que o Estado faça mais do que deve.
Quadro representando o apóstolo Paulo preso

O direito de pecar
E aí entra um "pequeno detalhe" que parece ser ignorado por muitos cristãos. O mesmo direito que vale para nós deve valer para os outros. Assim como somos livres para fazer o que é certo, também somos livres para pecar.

Há limites? Sim, aqueles traçados pelo Novo Testamento, os quais são sabiamente vagos e deixados em aberto. Na prática, muitas dessas restrições ao pecado são combinadas entre os cidadãos de cada país. A Bíblia não dá uma fórmula exata.

Nem mesmo a gravidade do pecado determina a restrição. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, os pecados mais graves não são fatos como o estupro ou o homicídio. Biblicamente falando, não há pecados mais graves e de consequências mais devastadoras do que a blasfêmia ou a idolatria. Tanto que as ordens referentes ao respeito a Deus são as que abrem os Dez Mandamentos. Todavia, é dever do Estado proteger o direito dos cidadãos à blasfêmia (liberdade de opinião) e à idolatria (liberdade religiosa). Mas, se os blasfemos e idólatras queimarem um templo cristão (um pecado menor), então eles devem ser punidos por trazerem prejuízo ao próximo e ferirem a liberdade de culto dos cristãos.

E importa que seja assim. Vejam bem, nos dias dos apóstolos, o cristianismo era uma minoria religiosa. A vontade da maioria, seja na Palestina (judeus) seja no Império Romano (pagãos) era a de por fim aos cristãos. O que os apóstolos queriam era garantir o direito desta minoria se expressar livremente.

E quando os cristãos são maioria, deveriam agir como judeus ou pagãos? O direito e as liberdades valem apenas para nós e não para os outros?

Só há uma conclusão sensata disso tudo: as pessoas devem ser livres para pecar, assim como nós somos livres para sermos santos. Cabe ao Estado garantir esta liberdade, mesmo que, para isso, ele precise se posicionar contra a Igreja.

Sim, foi isso mesmo o que eu quis dizer. Se os cristãos querem ser livres para, por exemplo, pregar que o homossexualismo é um pecado que não deveria existir na sociedade, então os homossexuais devem ser livres para dizer que o cristianismo é uma fé que faz mal a todos. Agora, no dia em que cristãos quiserem matar homossexuais e vice-versa...no momento em que pessoas deixam de ser contratadas por causa de sua fé, raça, opção sexual ou gênero...nessas horas o Estado precisa sim intervir e impedir que as liberdades fundamentais sejam quebradas.

Por isso, se um dia 99,9% dos brasileiros forem cristãos professos e sinceros, o 0,1% restante ainda deve ter o direito de blasfemar, idolatrar e cometer os pecados que eles quiserem, desde que não façam o mal ao próximo.

Fica, porém, uma advertência. Se usamos a nossa liberdade como pretexto para fazer o mal, o Estado pode até não fazer nada.  Mas Deus nos julgará e responderemos diante d'Ele pelo que fizemos nesta vida.

A união estável homoafetiva
Creio que a discussão acima é básica na hora de discutirmos várias questões. Uma delas é a união estável hetero ou homoafetiva. O meu texto anterior gerou muitas reações negativas e, ao meu ver, uma grande incompreensão dos verdadeiros fundamentos da questão.

Eu não discuto que o homossexualismo é um pecado, assim como o concubinato, o divórcio e a fornicação também o são. Todos estes atos serão julgados por Deus e, se não houver arrependimento, trarão condenação. Como cristão, não apoio nenhum destes pecados, incluindo-se aí a união estável de qualquer tipo.

No entanto, defenderei sim o direito de qualquer pessoa unir-se livremente a quem quer que seja. Faço isso por dois motivos básicos. O primeiro é o de que isso se trata do direito de qualquer um, independente de ser santo ou pecador. Se eu posso, se o Estado não deve me dizer se fico solteiro ou não, se caso ou não, com quem me relaciono...então todos podem. Todos. O segundo motivo é o que explorei no post anterior. Todos os dias milhões de pessoas pecam, independente da pregação evangélica ou mesmo da coerção estatal. Estes pecados geram efeitos jurídicos e sociais que não podem ser ignorados pelo Estado. E, baseado no exemplo de Salomão, entendo que o Estado pode sim acolher demandas "não-cristãs" e atendê-las.

E Salomão não é o único exemplo. Considerando 2 mil anos de história, desde Abraão até os apóstolos, em apenas cerca de 900 anos (de Josué ao fim do reinado de Judá, somando o período dos macabeus) os israelitas viveram como soberanos em um Estado. No resto do tempo o povo de Deus viveu em exílio, como uma minoria, em meio a outras nações pagãs. Escravos no Egito, conquistados na Babilônia, na Pérsia, debaixo dos ptolomeus e dos selêucidas ou do Império Romano. Antes de Jesus foram cerca de 500 anos em que Israel viveu em meio a impérios plurais, numa espécie de preparação para que o Evangelho se tornasse universal. E a Igreja sempre viveu "em exílio", espalhada no meio de outras nações...pelo menos até o Edito de Milão.

Neste cenário, a Bíblia mostra homens como José do Egito, Daniel e Mordecai trabalhando para impérios pagãos e tendo que governar para judeus, babilônios, persas, egípcios e outros povos. Guardadas as devidas proporções, eles zelaram por essas liberdades. Nenhum deles impediu o culto a Isis, Bel ou Marduk ou outras práticas abomináveis ao Senhor, mas trabalharam para garantir a paz e a liberdade de culto para os judeus. E eles acolheram (e atenderam) a demandas de pecadores notórios. José, por exemplo, preservou o direito de posse e sustentou os sacerdotes egípcios (Gênesis 47:22). E tenha certeza: não era para o Deus de Israel que esses sacerdotes oravam.

A união estável encaixa-se neste tipo de demanda atendido por Salomão e por José. Seja homo ou heteroafetiva, ela é pecaminosa para a Bíblia e para o Senhor. Trata-se, na verdade, de uma inovação jurídica para regular famílias que não se estruturam em torno do casamento cristão monogâmico heterossexual. Se não pode para um, não pode para ninguém: a desculpa de que são 2 pecados ao invés de 1 não cola. Posso até discutir se a iniciativa deveria ser do Supremo Tribunal Federal ou do Congresso Nacional, mas não discuto a existência do Direito e a necessidade de alguma regulação.

Se há quem não concorde, então que procure os congressistas e os convença a dar uma outra solução. Eu gostaria de ver o que seria proposto.

Quanto à Igreja, meu conselho é que nos concentremos em nossa verdadeira missão. Se nós formos, fazermos discípulos, batizá-los e ensiná-los a obedecer os ensinos de Jesus, aí sim o reino de Deus chegará ao nosso país.

E isso não significa um silêncio quanto ao Estado. Mas é preciso antes definirmos claramente o que devemos esperar do Estado e como podemos influenciá-lo seguindo os ensinos de Jesus e da Palavra. A sociedade será purificada pela pregação da Bíblia e não pela Constituição ou pelos julgados do STF. Que tenhamos este entendimento.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

09 maio 2011

Dados sobre pornografia

Extraído de The Pink Cross. Traduzido por Kamylla Araújo.

* Na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais, um encontro de advogados de divórcio do país, os participantes revelaram que 58% dos seus divórcios foram resultado de um cônjuge olhando quantidades excessivas de pornografia on-line.

* A pornografia infantil é um dos negócios online que mais cresce, e o conteúdo está se tornando cada vez pior. Em 2008, a Internet Watch Foundation encontrou 1.536 sites de abuso infantil.

* Nos Estados Unidos, de 1351 pastores entrevistados, 54% tinham visto pornografia na Internet no ano passado.

* Há 4,2 milhões de sites pornográficos, 420 milhões de websites pornográficos, e 68 milhões de pedidos diários em sites de busca.

* 50% dos homens e 20% das mulheres na igreja veem pornografia regularmente (nos Estados Unidos).

* A receita mundial de pornografia em 2006 foi de 97,06 bilhões de dólares. Desse total, aproximadamente US$ 13 bilhões, foi nos Estados Unidos.

* Mais de 11 milhões de adolescentes veem, regularmente, pornografia online (nos Estados Unidos).

* O maior grupo a ver pornografia online está entre as idades de 12 a 17 anos.

* No condado de Los Angeles, os casos de clamídia e gonorréia entre artistas são 10x mais comuns do que entre outras pessoas de 20-24 anos de idade.

* 70% das infecções sexualmente transmissíveis na indústria pornô ocorre entre as mulheres, de acordo com o departamento de Saúde Pública do condado de Los Angeles.

* Desde 2004, 26 casos de HIV foram relatados em atores ou atrizes pornográficos pela Adult Industry Medical Healthcare Foundation (AIM).

* 66% dos artistas pornográficos têm herpes, uma doença incurável.

* 2.396 casos de clamídia e 1.389 casos de gonorréia entre artistas relatados desde 2004.

* Mais de 100 atores e atrizes de filmes pornôs heterossexuais e homossexuais já morreram de AIDS.

* 36 estrelas pornô morreram pelo que nós conhecemos como HIV, homicídio, suicídio e drogas entre 2007 e 2010.

* De todos os sites conhecidos de abuso infantil, 48 por cento estão alojados nos Estados Unidos.

06 maio 2011

O direito de Salomão e a união homoafetiva

Este post é longo, mas apenas lendo ele por inteiro você entenderá o que eu penso sobre o assunto. Provavelmente ele vai desagradar a todos os que o lerem, mas é como, de fato, vejo a verdade. Leia tudo antes de jogar as pedras.

Certo dia, não faz muito tempo, recebi em meu e-mail um convite de uma amiga, por quem tenho um carinho enorme e um afeto verdadeiro. Ela me chamava para celebrar dois "casamentos": um entre dois homens e outro entre duas mulheres.

Confesso que este convite gerou em mim uma angústia. Em todos os ambientes que frequento, todos sabem que eu sou um pastor. Por outro lado, sempre medi muito todas as palavras que eu disse sobre homossexualidade pela consideração profunda que tenho por minha amiga, além da admiração que eu realmente tenho por um dos rapazes. Acabou que não respondi àquele convite. E nós não deixamos de ser amigos e nem diminuiu o meu carinho e respeito por ela.

Conto este episódio para mostrar algo que é bem vívido para mim, mas duvido que o seja para muitos evangélicos. Nós debatemos teologicamente pensando apenas na verdade e nos esquecemos que há discussões que envolvem rostos, histórias, vidas inteiras. Mas quando percebemos isso, não há como preservar a mesma abordagem. Para muitos evangélicos, o máximo que eles sabem de homossexualismo é o que leem de Júlio Severo ou dos blogs evangélicos. Mas eu não posso me dar a este luxo. Desde a universidade que convivo com homossexuais assumidos, no armário, pessoas de grande competência profissional e amigáveis, assim como outras nada agradáveis e até tenho uma amiga homossexual. Eles fazem parte da minha vida.

Contudo, embora isso me leve a tratar da união homoafetiva com cuidado, não posso dizer o que eles gostariam de ouvir. Sou um pastor, crente em Cristo Jesus e que jurou ensinar a verdade bíblica. Não posso abençoar uniões que a Bíblia não aprova. Mas também sou um homem de direita, profundamente convicto da importância das liberdades fundamentais e crente em um Estado mínimo. Creio que a Bíblia exige, para o nosso tempo, a preservação dessas liberdades.

Considerando tudo isso, eu só encontro uma resposta para julgar a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável homoafetiva. O post é longo, mas eu peço que seja lido até o final antes que eu declare o meu voto sobre o assunto.

O homossexualismo é pecado
O primeiro fator que deve ser levado em consideração é qual a avaliação que a Bíblia faz do comportamento homossexual. E isso, pra mim, é um assunto indisputável. Independente do tempo, da época ou da cultura, o homossexualismo é condenado pelas Escrituras. Os que, deliberadamente, recusam-se a lutar contra este pecado e entregam-se a ele, serão condenados por Deus ao inferno.
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. (1 Coríntios 6:9-10)
Trata-se também de um pecado que é possível sim de ser vencido, como a Bíblia atesta no versículo seguinte:
Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6:11)
É falso o discurso de que o homossexualismo é um comportamento ou um desejo invencível. Assim como nós podemos vencer o adultério, a avareza ou o alcoolismo, também podemos derrotá-lo, em Cristo Jesus.

Mas eu também vejo um outro lado. Os adúlteros também não herdarão o reino de Deus, mas eu não considero o adultério um pecado vencido em minha vida. Explico. Não saio por aí traindo a minha namorada. Mas ainda caio várias vezes em adultério, se levar a sério a advertência de Jesus:
Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. (Mateus 5:27-28)
Assim como eu, vários e vários cristãos salvos e santificados em Cristo Jesus lutam para não adulterar. E eu luto contra outros pecados apontados por Paulo. E, se essa luta é real pra mim, então existem cristãos salvos que passarão a vida toda lutando contra desejos homossexuais, assim como há os que lutarão contra o adultério, a avareza (são tantos!), a impureza, a maledicência (olhem quantos fofoqueiros!), a roubalheira e outros pecados!

Sim, o homossexualismo é um pecado grave. Mas não é o mais grave de todos. E eu carrego em mim pecados tão ou mais graves.

A Bíblia reconhece o direito dos pecadores
O resultado disso é que nós não vivemos em um mundo perfeito. Há em vários cristãos, notadamente nos reformados, o desejo de que vivamos aqui como viveremos no céu. Mas isso é um erro. As leis divinas só podem ser aplicadas perfeitamente quando Jesus voltar. Até lá, somos, por definição, peregrinos e estrangeiros:
Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. (Hebreus 11:13)
Hoje a terra não é o lar dos cristãos. É inútil tentarmos trazer pra cá as mesmas regras da nossa pátria celeste. E, verdade seja dita, a Bíblia não faz isso.

Creio que isso pode ser ilustrado no episódio mais famoso da vida de Salomão:
Então, vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele. Disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei à luz um filho. No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali. De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. Levantou-se à meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus. Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera à luz.

Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porém esta disse: Não, o morto é teu filho; o meu é o vivo. Assim falaram perante o rei.

Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. Trouxeram uma espada diante do rei.

Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo e dai metade a uma e metade a outra.

Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido.

Então, respondeu o rei: Dai à primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe. Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça. (1 Reis 3:16-28)
Normalmente todos os sermões sobre este texto falam de como Salomão foi esperto para descobrir a verdade ou de como é forte o amor materno (um forte candidato para o Dia das Mães). Mas há dois detalhes superimportantes que nunca ouvi serem mencionados.

O primeiro é o de que as mulheres eram prostitutas. Hoje isso não choca, mas pense bem...a Bíblia traz, desde sempre, condenações pesadas à prostituição. Em épocas de piedade (como era o início do reinado de Salomão), as prostitutas eram vistas da pior forma possível, mas de um jeito muito pior do que os cristãos encaram hoje os homossexuais. Nem ofertar a Deus alguma coisa elas podiam:
Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus. (Deuteronômio 23:18)
Há um outro detalhe: a origem dos bebês. Ao que consta, as prostitutas de 1 Reis 3 não eram casadas. Os seus filhos foram gerados em pecado: ou foram concebidos de um homem casado (adultério) ou de um homem solteiro (fornicação). Se fosse adultério, a pena era de morte.
Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. (Levítico 20:10)
Mesmo se fosse uma simples fornicação, a Lei de Moisés autorizava a execução de prostitutas e de seus clientes, como é sugerido da leitura de Números 25 (colo aqui só uns versículos):
Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel.

Disse o SENHOR a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao SENHOR ao ar livre, e a ardente ira do SENHOR se retirará de Israel. Então, Moisés disse aos juízes de Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor.

Eis que um homem dos filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de Moisés e de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da tenda da congregação. Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, foi após o homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre; então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. (Números 25:1-8)
Voltando a Salomão, fica uma pergunta para os evangélicos que leem este post. Por que Salomão não matou as prostitutas ou fez diligências sobre a paternidade da criança?

Ao invés de matá-las, Salomão reconheceu o direito delas como súditas e decidiu sobre a maternidade. E o testemunho bíblico e do povo é o de que o rei fez justiça. As crianças eram bastardas, fruto de um pecado, não havia nada de bíblico naquela disputa. Mesmo assim Salomão reconheceu o direito delas, embora, pela Lei, elas devessem é fugir de cair nas mãos das autoridades israelenses.

A conclusão é simples: a Bíblia reconhece o direito dos pecadores.

Implicações do direito dos pecadores
E creio que aqui podemos fazer algumas analogias. Se as prostitutas têm direitos, os homossexuais também possuem, assim como divorciados, adúlteros ou fornicadores.

Há uma série enorme de pecados que acontecem no dia-a-dia, independente da condenação de Deus. Estes pecados geram consequências humanas e jurídicas e provocam uma demanda real por direitos.

É fato: há casais que se separam, não por adultério ou abandono (as razões bíblicas), mas por vários outros motivos. E se o Estado não der o divórcio, eles vão se envolver em relações de concubinato mesmo assim, inclusive gerando filhos. O que fazer nestes casos: ignorar? Não, não dá.

Começo com os filhos bastardos, os gerados fora do casamento. Eles têm os mesmos direitos à herança que os que nasceram no casamento? Imaginem se não houvesse lei sobre isso, a confusão que não seria. E o patrimônio gerado com o esforço conjunto de amantes: o que fazer? E quando um adolescente engravida a namorada?

Da mesma forma com a união estável. Chega a ser engraçado que estejamos protestando contra a união estável homoafetiva, como se a heteroafetiva fosse normal ou santa. Na maioria das vezes, não é. No papel, são duas pessoas vivendo juntas, acumulando patrimônio, tendo relações sexuais e até filhos...sem se casar! Na verdade, é o "bom" e velho concubinato. Sinceramente, os cristãos não deveriam ser contrários apenas a união estável homoafetiva, mas a todo tipo de união estável. Contudo, há casais heterossexuais que vão juntar as escovas de dentes sem se casar e isso vai gerar questões jurídicas. Pergunto aos cristãos: o Estado deve fingir que não vê?

Não, meus caros, não deve. Nós não vivemos no céu, não estamos em nossa pátria, então as leis precisam levar em consideração o estado atual das coisas. Assim como Salomão julgou a causa das prostitutas, o Estado deve se pronunciar sobre fatos que vão acontecer independente de existir ou não lei, independente de serem ou não condenados por Deus. Por isso há leis sobre essas situações, porque não dá para tapar o Sol com a peneira.

E hoje já há 60 mil casais homossexuais no Brasil que se assumiram como tal. Não dá para fingir, não dá para ignorar. E, se o Estado deu direitos a pecadores heterossexuais regularem e resolverem seus pecados, então por que discriminar os homossexuais?

Não, não vai. Neste caso, negar ao homossexual esses direitos é discriminação, já que não os negamos aos envolvidos em concubinato heterossexual ou divórcios. Eles também pode se ligar afetivamente como desejarem, disporem de seus bens, escolherem quem será beneficiado por seus privilégios (sócio de clube, funcionário público a ser removido para outro lugar, etc).

Obviamente, eu não fico feliz que isso tenha que ser feito. Se eu pudesse, viveria em um mundo onde não há divórcios, amores não correspondidos, infidelidades, concubinatos, homossexualismos, onde cada pessoa só deseja sexualmente o amor da sua vida...mas eu não vivo em um mundo assim. Pessoas que amei (e amo) profundamente, incluindo parentes próximos...traíram, foram traídos, se separaram, são frutos de adultérios, de fornicações, de segundos, terceiros casamentos...e eu não posso fingir que elas não existem.

O Estado não é a Igreja
Logo, mesmo que o Supremo Tribunal Federal não tivesse reconhecido a validade da união estável homoafetiva, eles possuem sim direitos aqui neste mundo. E isso precisa ser regulado.

Acho que isso seria mais fácil de entender se aceitássemos mais a ideia de separação entre Igreja e Estado. Não advogo uma separação absoluta, acho sim que a Igreja tem o direito de ser um ator político e dizer ao Estado o que fazer, mas não o de obrigar. Assim como, em algumas coisas, o Estado precisa interferir, como na forma certa de edificar os templos (para evitar desabamentos ou problemas com a vizinhança).
Mas o próprio Jesus sugere que há uma separação real:
Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele. (Marcos 12:17)
E, neste caso, receio que os evangélicos estejam dando a César (Estado) o que é de Deus. Em lugar algum da Bíblia eu vejo como funções do Estado a definição dos conceitos de "família" ou "casamento". Sendo bem sincero, não vejo sequer uma base bíblica sólida para que o Estado celebre casamentos (embora os reformados digam que sim)! Hoje eu exijo o papel passado porque, em nossa cultura, isso define casamento. Se há casamento civil e ele é lícito biblicamente, para todos os efeitos religiosos, as pessoas são casadas. Todavia, o reconhecimento do Estado não é necessário em outros lugares, e neles não é preciso casar de papel passado para ser casado aos olhos de Deus.

Vou repetir. Para nós, cristãos, quem define o que é "família" e "casamento" é Deus, por meio da Bíblia, e não o Estado. Quem define as formas lícitas de relacionamento afetivo e sexual é Deus e não o Estado. Até porque, sendo sincero, aquilo que o Estado chama de "casamento" não é o que a Bíblia chama. O casamento estatal pode ser desfeito rapidamente e é obra de homens, o de Deus só pode ser desfeito em morte, adultério ou abandono e é obra divina.

E acho que nos falta coerência também. Muitos cristãos protestam dizendo que o Estado se intromete em questões que não lhe dizem respeito. Querem o direito de educar seus filhos como quiserem: dando palmadas ou educando em casa. Ora, se queremos esse direito...como podemos querer que o Estado interfira em uma relação consensual entre dois indivíduos adultos?! É incoerente.

Biblicamente, o Estado não é responsável por obrigar as pessoas a seguirem os preceitos da fé cristã. Não define quais as relações afetivas corretas entre os seres humanos. Não define o que é casamento e nem tem o direito de celebrá-lo em todas as épocas e culturas. E a Igreja não deve dar ao Estado um poder que ele não tem.

Mas e o casamento homossexual?
Contudo, isso não quer dizer que a Igreja deva aprovar tudo o que o Estado faz. No caso de uma união estável homoafetiva, considerando que ela existe para os heterossexuais e não é casamento, eu sou sim favorável (considerando também o direito de Salomão exposto acima). Mas não digo o mesmo do casamento civil.

Embora o Estado não seja a Igreja, ele também é julgado por Deus. Quando o Estado decreta leis contrárias a Deus, ele está atraindo juízo sobre a nação. Afinal, o Senhor não julga apenas indivíduos, Ele também julga países:
Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, o profeta, contra as nações. (Jeremias 46:1)
Nos livros dos profetas há capítulos inteiros falando de como Deus julgaria países inteiros por seus pecados: Israel, Judá, Egito, Babilônia, Assíria, Moabe, os nômades do deserto, etc. Quando o Brasil elege corruptos, não julga bandidos, se entrega à idolatria e à imoralidade sexual e aprova leis indevidas, isso atrai a ira de Deus.

Ao meu ver, o comportamento homossexual por si só já desperta esta ira:
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. (Romanos 1:26-27)
Deus não obriga ninguém a parar de pecar, mas há consequências que já começam neste mundo. Desde agora já há uma punição divina sobre os indivíduos que persistem no homossexualismo. No entanto, como o pecado é cometido, é preciso por alguma ordem. Omitir-se, ao meu ver, seria pior.

E aí, entendo que a união estável homoafetiva é suficiente, dando os direitos que são necessários para regular a relação homoafetiva estável. O casamento não é necessário e não deve ser corrompido com uma união reprovada por Deus.

Sim, o Estado não define o que é casamento, mas eu preciso dizer que casamento é uma relação monogâmica heterossexual, entre um homem e uma mulher, onde o marido representa Cristo e a esposa, a Igreja; onde os dois deixam a casa de seus pais e se tornam uma só carne, de modo público; que só pode ser desfeita pela morte, pelo adultério ou pelo abandono da parte incrédula. Todas as vezes que o Estado se desvia dessa função, ele peca e atrai a ira de Deus sobre a nação.

Sim o Estado precisa regular fatos que acontecem fora da lei divina. Mas nem sempre isso é feito da maneira correta. Quando o Estado permite o divórcio por qualquer razão e deixa de ver o casamento como indissolúvel, ele legislou de forma errada. E o casamento homossexual seria mais um passo na direção do pecado.


Uma última palavra
Creio ter dito tudo o que me inquieta quanto a este assunto. Não vou entrar aqui no mérito jurídico da questão, este post é teológico. Há questões que eu entendo que a Igreja precisa responder melhor, como a legitimidade do Estado nos casamentos e o papel do Estado em si. Assuntos que eu confesso a vocês que preciso me aprofundar também.

Mas não posso me despedir sem dizer algo antes. Não precisa ser assim. O Estado regulou a união estável homoafetiva, a heteroafetiva, o divórcio e tudo o mais. Mas se você hoje, assim como eu, luta contra pecados sexuais e afetivos, há esperança! Não importa se você é adúltero(a), homossexual, se você se divorciou pelo motivo errado, se você vive em concubinato, isso pode mudar. Se coríntios foram libertos destes pecados, nós também podemos, mas em Cristo Jesus.

Na barra direita há vários posts meus falando do Caminho da Salvação. Clique neles, leia-os. Lá, você vai descobrir como, pela fé, Jesus pode nos libertar de todo pecado e nos conduzir ao céu.

Despeço-me com Efésios 2:1-10. Deus nos amou quando estávamos mergulhados no pecado. E, se você crê n'Ele, então Ele resgatará a você...e a mim.
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:1-10)
Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

02 maio 2011

Não troque Jesus por João Paulo II

Este post faz parte da série O Caminho da Salvação. Leia aqui o post anterior.

Muitas pessoas não sabem, mas o meu nome (Helder) foi dado por causa de uma visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Era o ano de 1980 quando ele veio e os meus pais, que eram católicos, resolveram homenagear um dos sacerdotes brasileiros que se destacaram na visita, o arcebispo Dom Hélder Câmara. A minha identificação com a Igreja Católica foi tão forte que passei minha infância desejando ser padre.

Neste período, João Paulo II tornou-se um referencial de espiritualidade para mim. Aos meus olhos ele era um homem bom, "o mais próximo de Deus", destinado a ser santo, afável, gentil e cordial. E ele representou o mesmo para muitos. Com certeza, ele é o rosto do catolicismo no século XX.

Um rosto que agora também está disponível para a veneração. Ontem, dia 1º de maio, o papa João Paulo II foi beatificado. Um milhão de fiéis compareceram à cerimônia e veneram o cadáver papal.  Segundo a Igreja Católica, a freira francesa Marie Simon-Pierre Normand foi curada do mal de Parkinson após orar ao papa. Com a beatificação, agora suas imagens podem ser cultuadas.

Orar a santos e beatos é pecado
No entanto, embora João Paulo II tenha despertado o respeito e a devoção de católicos em todo o mundo, este tipo de culto é um pecado aos olhos do Senhor. Não importa o que nós pensamos sobre o papa: o nosso culto e as nossas orações devem ser dirigidas somente a Deus. Quando oramos aos santos, nós quebramos as duas primeiras ordenanças dos Dez Mandamentos:
Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (Êxodo 20:3-6)
A primeira ordem de Deus é a de que não aceita dividir o espaço com outros deuses. Este mandamento impede que sirvamos, ao mesmo tempo, a Deus e a Allah, mas não apenas isso. Ele também proíbe que coloquemos qualquer pessoa ou coisa no mesmo nível de Deus. Ele é Único.

A segunda ordem vai na mesma direção. Nós não somos proibidos de fazer esculturas, mas se as fizermos com o objetivo de "adorar" ou "dar culto", irritamos ao Senhor. E o que os católicos fazem com as imagens de santos? Cultuam-nas. Oram ajoelhados diante delas. Pedem curas, milagres e bênçãos. E se não podemos fazer isso com imagens, a implicação é óbvia: não podemos cultuar a ninguém que não seja Deus. Não importa se é Maria, João Paulo II ou a Madre Teresa de Calcutá.

Há um outro problema também. Os santos e beatos são mortos. Se nós aceitarmos a ideia de que podemos orar a eles e sermos ouvidos, então nós estamos praticando necromancia, a comunicação com os mortos. Biblicamente, o termo não se aplica apenas à adivinhação, mas também à consulta aos mortos, como aquela que Saul tentou fazer em 1 Samuel 28. E esse tipo de prática é condenado por Deus.
Quando alguém se virar para os necromantes e feiticeiros, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra ele e o eliminarei do meio do seu povo. (Levítico 20:6)

Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. (Deuteronômio 18:10-12)
Além disso, Deus é Único. As autoridades humanas delegam o seu poder a outros, mas o Senhor não dá a Sua glória a ninguém. O culto (o que inclui as orações) é uma prerrogativa exclusiva de Deus, e que não é dada a mais ninguém, muito menos às imagens dos santos.
Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura. (Isaías 42:8)
Orar a santos e beatos é inútil
Todavia, há uma outra razão pela qual não devemos orar ou venerar ao papa João Paulo II. Os católicos romanos ensinam que os santos são uma espécie de "facilitadores" entre nós e Deus. Ao invés de levarmos os nossos pedidos diretamente ao Pai, podemos usar os santos, como eles se fossem um tipo de despachante espiritual. Como os santos são mais justos do que nós, Deus os ouviria de boa vontade. Além disso, eles seriam mais compreensivos, já que são "gente como a gente".

A ideia até parece boa, se não fosse por um detalhe: não combinaram com o Senhor. Os católicos enxergam nos santos pessoas que são mediadoras entre nós e Ele. Contudo, quem determina os rumos deste diálogo é Deus, e não a Igreja Católica. E já foi determinado que apenas um Mediador estará entre os homens e Deus:
Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. (1 Timóteo 2:5-6)
Eu lamento informar, mas é a verdade. Quando milhões de pessoas buscam chegar até Deus por meio de Maria, João Paulo II e dos outros santos e beatos, eles estão rejeitando o Mediador escolhido por Deus: Cristo! E se podemos fazer isso por meio de Jesus, não há vantagem alguma em escolher outros canais. Jesus é mais santo do que todos os outros, logo, o Pai o ouve mais do que a qualquer um. E Ele foi homem como eu e você, portanto, sabe muito bem como é viver neste mundo e está próximo de nós.

Jesus conseguiu este direito não porque fez milagres, mas sim porque pagou na cruz por nossos pecados. O que Jesus faz por nós é muito mais do que nos curar de uma doença ou dar um emprego. Por causa do pecado, a justa sentença de Deus para toda a humanidade é o inferno. Afinal, como diz a Bíblia:
Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3:9-12)
Esta afirmação inclui todos os seres humanos, inclusive Maria, a mãe de Jesus. Todos nós somos maus e pecadores aos olhos do Pai. Se somos salvos é porque Jesus Cristo se entregou no lugar dos que creem n'Ele. Ele morreu no lugar dessas pessoas, e elas são salvas e santificadas por Cristo, não tendo mais que temer o juízo do inferno. Pode não parecer, mas essa graça supera, em muito, todos os relatos de bênçãos alcançadas pela busca dos santos. E é por esta razão que Jesus é o nosso Único Mediador.
Na cruz, Jesus Cristo morreu, não para te curar do mal de Parkinson,
mas para te dar a vida eterna.

Há algo melhor do que santos e beatos
Eu não quero, com isso, dizer que as pessoas que receberam "milagres" de santos são charlatãs. Elas podem sim ter recebido curas e outras dádivas. Mas essas bênçãos não foram recebidas e pedidas da maneira correta. São fruto de um pecado. Podem até trazer alegrias terrenas, mas não contam com a aprovação de Deus.

Se os católicos são mesmo cristãos, então devem reconhecer que a beatificação de João Paulo II e o culto a santos e beatos é um erro condenado pela Bíblia. Eu não consigo entender como é possível se dizer um santo de Jesus ao mesmo tempo em que negamos o livro onde Deus deixou registrada a Sua história. E essa é uma das razões pelas quais eu e os meus pais não somos mais católicos.

Hoje eu convido você a fazer a mesma troca que eu fiz. Deixe os santos para trás e escolha Jesus como seu Mediador diante do Pai. Pare de buscar as curas dos santos e vá atrás da nova vida que Cristo tem pra você. Deixe de confiar na palavra dos padres e nas tradições e deposite a sua fé na Bíblia, a Palavra do Deus Vivo.

Que o Senhor abençoe a você nesta escolha. Não troque Jesus por João Paulo II, Maria ou qualquer outra criatura.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro