06 maio 2011

O direito de Salomão e a união homoafetiva

Este post é longo, mas apenas lendo ele por inteiro você entenderá o que eu penso sobre o assunto. Provavelmente ele vai desagradar a todos os que o lerem, mas é como, de fato, vejo a verdade. Leia tudo antes de jogar as pedras.

Certo dia, não faz muito tempo, recebi em meu e-mail um convite de uma amiga, por quem tenho um carinho enorme e um afeto verdadeiro. Ela me chamava para celebrar dois "casamentos": um entre dois homens e outro entre duas mulheres.

Confesso que este convite gerou em mim uma angústia. Em todos os ambientes que frequento, todos sabem que eu sou um pastor. Por outro lado, sempre medi muito todas as palavras que eu disse sobre homossexualidade pela consideração profunda que tenho por minha amiga, além da admiração que eu realmente tenho por um dos rapazes. Acabou que não respondi àquele convite. E nós não deixamos de ser amigos e nem diminuiu o meu carinho e respeito por ela.

Conto este episódio para mostrar algo que é bem vívido para mim, mas duvido que o seja para muitos evangélicos. Nós debatemos teologicamente pensando apenas na verdade e nos esquecemos que há discussões que envolvem rostos, histórias, vidas inteiras. Mas quando percebemos isso, não há como preservar a mesma abordagem. Para muitos evangélicos, o máximo que eles sabem de homossexualismo é o que leem de Júlio Severo ou dos blogs evangélicos. Mas eu não posso me dar a este luxo. Desde a universidade que convivo com homossexuais assumidos, no armário, pessoas de grande competência profissional e amigáveis, assim como outras nada agradáveis e até tenho uma amiga homossexual. Eles fazem parte da minha vida.

Contudo, embora isso me leve a tratar da união homoafetiva com cuidado, não posso dizer o que eles gostariam de ouvir. Sou um pastor, crente em Cristo Jesus e que jurou ensinar a verdade bíblica. Não posso abençoar uniões que a Bíblia não aprova. Mas também sou um homem de direita, profundamente convicto da importância das liberdades fundamentais e crente em um Estado mínimo. Creio que a Bíblia exige, para o nosso tempo, a preservação dessas liberdades.

Considerando tudo isso, eu só encontro uma resposta para julgar a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável homoafetiva. O post é longo, mas eu peço que seja lido até o final antes que eu declare o meu voto sobre o assunto.

O homossexualismo é pecado
O primeiro fator que deve ser levado em consideração é qual a avaliação que a Bíblia faz do comportamento homossexual. E isso, pra mim, é um assunto indisputável. Independente do tempo, da época ou da cultura, o homossexualismo é condenado pelas Escrituras. Os que, deliberadamente, recusam-se a lutar contra este pecado e entregam-se a ele, serão condenados por Deus ao inferno.
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. (1 Coríntios 6:9-10)
Trata-se também de um pecado que é possível sim de ser vencido, como a Bíblia atesta no versículo seguinte:
Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6:11)
É falso o discurso de que o homossexualismo é um comportamento ou um desejo invencível. Assim como nós podemos vencer o adultério, a avareza ou o alcoolismo, também podemos derrotá-lo, em Cristo Jesus.

Mas eu também vejo um outro lado. Os adúlteros também não herdarão o reino de Deus, mas eu não considero o adultério um pecado vencido em minha vida. Explico. Não saio por aí traindo a minha namorada. Mas ainda caio várias vezes em adultério, se levar a sério a advertência de Jesus:
Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. (Mateus 5:27-28)
Assim como eu, vários e vários cristãos salvos e santificados em Cristo Jesus lutam para não adulterar. E eu luto contra outros pecados apontados por Paulo. E, se essa luta é real pra mim, então existem cristãos salvos que passarão a vida toda lutando contra desejos homossexuais, assim como há os que lutarão contra o adultério, a avareza (são tantos!), a impureza, a maledicência (olhem quantos fofoqueiros!), a roubalheira e outros pecados!

Sim, o homossexualismo é um pecado grave. Mas não é o mais grave de todos. E eu carrego em mim pecados tão ou mais graves.

A Bíblia reconhece o direito dos pecadores
O resultado disso é que nós não vivemos em um mundo perfeito. Há em vários cristãos, notadamente nos reformados, o desejo de que vivamos aqui como viveremos no céu. Mas isso é um erro. As leis divinas só podem ser aplicadas perfeitamente quando Jesus voltar. Até lá, somos, por definição, peregrinos e estrangeiros:
Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. (Hebreus 11:13)
Hoje a terra não é o lar dos cristãos. É inútil tentarmos trazer pra cá as mesmas regras da nossa pátria celeste. E, verdade seja dita, a Bíblia não faz isso.

Creio que isso pode ser ilustrado no episódio mais famoso da vida de Salomão:
Então, vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele. Disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei à luz um filho. No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali. De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. Levantou-se à meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus. Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera à luz.

Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porém esta disse: Não, o morto é teu filho; o meu é o vivo. Assim falaram perante o rei.

Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. Trouxeram uma espada diante do rei.

Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo e dai metade a uma e metade a outra.

Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido.

Então, respondeu o rei: Dai à primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe. Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça. (1 Reis 3:16-28)
Normalmente todos os sermões sobre este texto falam de como Salomão foi esperto para descobrir a verdade ou de como é forte o amor materno (um forte candidato para o Dia das Mães). Mas há dois detalhes superimportantes que nunca ouvi serem mencionados.

O primeiro é o de que as mulheres eram prostitutas. Hoje isso não choca, mas pense bem...a Bíblia traz, desde sempre, condenações pesadas à prostituição. Em épocas de piedade (como era o início do reinado de Salomão), as prostitutas eram vistas da pior forma possível, mas de um jeito muito pior do que os cristãos encaram hoje os homossexuais. Nem ofertar a Deus alguma coisa elas podiam:
Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus. (Deuteronômio 23:18)
Há um outro detalhe: a origem dos bebês. Ao que consta, as prostitutas de 1 Reis 3 não eram casadas. Os seus filhos foram gerados em pecado: ou foram concebidos de um homem casado (adultério) ou de um homem solteiro (fornicação). Se fosse adultério, a pena era de morte.
Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. (Levítico 20:10)
Mesmo se fosse uma simples fornicação, a Lei de Moisés autorizava a execução de prostitutas e de seus clientes, como é sugerido da leitura de Números 25 (colo aqui só uns versículos):
Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel.

Disse o SENHOR a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao SENHOR ao ar livre, e a ardente ira do SENHOR se retirará de Israel. Então, Moisés disse aos juízes de Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor.

Eis que um homem dos filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de Moisés e de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da tenda da congregação. Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, foi após o homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre; então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. (Números 25:1-8)
Voltando a Salomão, fica uma pergunta para os evangélicos que leem este post. Por que Salomão não matou as prostitutas ou fez diligências sobre a paternidade da criança?

Ao invés de matá-las, Salomão reconheceu o direito delas como súditas e decidiu sobre a maternidade. E o testemunho bíblico e do povo é o de que o rei fez justiça. As crianças eram bastardas, fruto de um pecado, não havia nada de bíblico naquela disputa. Mesmo assim Salomão reconheceu o direito delas, embora, pela Lei, elas devessem é fugir de cair nas mãos das autoridades israelenses.

A conclusão é simples: a Bíblia reconhece o direito dos pecadores.

Implicações do direito dos pecadores
E creio que aqui podemos fazer algumas analogias. Se as prostitutas têm direitos, os homossexuais também possuem, assim como divorciados, adúlteros ou fornicadores.

Há uma série enorme de pecados que acontecem no dia-a-dia, independente da condenação de Deus. Estes pecados geram consequências humanas e jurídicas e provocam uma demanda real por direitos.

É fato: há casais que se separam, não por adultério ou abandono (as razões bíblicas), mas por vários outros motivos. E se o Estado não der o divórcio, eles vão se envolver em relações de concubinato mesmo assim, inclusive gerando filhos. O que fazer nestes casos: ignorar? Não, não dá.

Começo com os filhos bastardos, os gerados fora do casamento. Eles têm os mesmos direitos à herança que os que nasceram no casamento? Imaginem se não houvesse lei sobre isso, a confusão que não seria. E o patrimônio gerado com o esforço conjunto de amantes: o que fazer? E quando um adolescente engravida a namorada?

Da mesma forma com a união estável. Chega a ser engraçado que estejamos protestando contra a união estável homoafetiva, como se a heteroafetiva fosse normal ou santa. Na maioria das vezes, não é. No papel, são duas pessoas vivendo juntas, acumulando patrimônio, tendo relações sexuais e até filhos...sem se casar! Na verdade, é o "bom" e velho concubinato. Sinceramente, os cristãos não deveriam ser contrários apenas a união estável homoafetiva, mas a todo tipo de união estável. Contudo, há casais heterossexuais que vão juntar as escovas de dentes sem se casar e isso vai gerar questões jurídicas. Pergunto aos cristãos: o Estado deve fingir que não vê?

Não, meus caros, não deve. Nós não vivemos no céu, não estamos em nossa pátria, então as leis precisam levar em consideração o estado atual das coisas. Assim como Salomão julgou a causa das prostitutas, o Estado deve se pronunciar sobre fatos que vão acontecer independente de existir ou não lei, independente de serem ou não condenados por Deus. Por isso há leis sobre essas situações, porque não dá para tapar o Sol com a peneira.

E hoje já há 60 mil casais homossexuais no Brasil que se assumiram como tal. Não dá para fingir, não dá para ignorar. E, se o Estado deu direitos a pecadores heterossexuais regularem e resolverem seus pecados, então por que discriminar os homossexuais?

Não, não vai. Neste caso, negar ao homossexual esses direitos é discriminação, já que não os negamos aos envolvidos em concubinato heterossexual ou divórcios. Eles também pode se ligar afetivamente como desejarem, disporem de seus bens, escolherem quem será beneficiado por seus privilégios (sócio de clube, funcionário público a ser removido para outro lugar, etc).

Obviamente, eu não fico feliz que isso tenha que ser feito. Se eu pudesse, viveria em um mundo onde não há divórcios, amores não correspondidos, infidelidades, concubinatos, homossexualismos, onde cada pessoa só deseja sexualmente o amor da sua vida...mas eu não vivo em um mundo assim. Pessoas que amei (e amo) profundamente, incluindo parentes próximos...traíram, foram traídos, se separaram, são frutos de adultérios, de fornicações, de segundos, terceiros casamentos...e eu não posso fingir que elas não existem.

O Estado não é a Igreja
Logo, mesmo que o Supremo Tribunal Federal não tivesse reconhecido a validade da união estável homoafetiva, eles possuem sim direitos aqui neste mundo. E isso precisa ser regulado.

Acho que isso seria mais fácil de entender se aceitássemos mais a ideia de separação entre Igreja e Estado. Não advogo uma separação absoluta, acho sim que a Igreja tem o direito de ser um ator político e dizer ao Estado o que fazer, mas não o de obrigar. Assim como, em algumas coisas, o Estado precisa interferir, como na forma certa de edificar os templos (para evitar desabamentos ou problemas com a vizinhança).
Mas o próprio Jesus sugere que há uma separação real:
Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele. (Marcos 12:17)
E, neste caso, receio que os evangélicos estejam dando a César (Estado) o que é de Deus. Em lugar algum da Bíblia eu vejo como funções do Estado a definição dos conceitos de "família" ou "casamento". Sendo bem sincero, não vejo sequer uma base bíblica sólida para que o Estado celebre casamentos (embora os reformados digam que sim)! Hoje eu exijo o papel passado porque, em nossa cultura, isso define casamento. Se há casamento civil e ele é lícito biblicamente, para todos os efeitos religiosos, as pessoas são casadas. Todavia, o reconhecimento do Estado não é necessário em outros lugares, e neles não é preciso casar de papel passado para ser casado aos olhos de Deus.

Vou repetir. Para nós, cristãos, quem define o que é "família" e "casamento" é Deus, por meio da Bíblia, e não o Estado. Quem define as formas lícitas de relacionamento afetivo e sexual é Deus e não o Estado. Até porque, sendo sincero, aquilo que o Estado chama de "casamento" não é o que a Bíblia chama. O casamento estatal pode ser desfeito rapidamente e é obra de homens, o de Deus só pode ser desfeito em morte, adultério ou abandono e é obra divina.

E acho que nos falta coerência também. Muitos cristãos protestam dizendo que o Estado se intromete em questões que não lhe dizem respeito. Querem o direito de educar seus filhos como quiserem: dando palmadas ou educando em casa. Ora, se queremos esse direito...como podemos querer que o Estado interfira em uma relação consensual entre dois indivíduos adultos?! É incoerente.

Biblicamente, o Estado não é responsável por obrigar as pessoas a seguirem os preceitos da fé cristã. Não define quais as relações afetivas corretas entre os seres humanos. Não define o que é casamento e nem tem o direito de celebrá-lo em todas as épocas e culturas. E a Igreja não deve dar ao Estado um poder que ele não tem.

Mas e o casamento homossexual?
Contudo, isso não quer dizer que a Igreja deva aprovar tudo o que o Estado faz. No caso de uma união estável homoafetiva, considerando que ela existe para os heterossexuais e não é casamento, eu sou sim favorável (considerando também o direito de Salomão exposto acima). Mas não digo o mesmo do casamento civil.

Embora o Estado não seja a Igreja, ele também é julgado por Deus. Quando o Estado decreta leis contrárias a Deus, ele está atraindo juízo sobre a nação. Afinal, o Senhor não julga apenas indivíduos, Ele também julga países:
Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, o profeta, contra as nações. (Jeremias 46:1)
Nos livros dos profetas há capítulos inteiros falando de como Deus julgaria países inteiros por seus pecados: Israel, Judá, Egito, Babilônia, Assíria, Moabe, os nômades do deserto, etc. Quando o Brasil elege corruptos, não julga bandidos, se entrega à idolatria e à imoralidade sexual e aprova leis indevidas, isso atrai a ira de Deus.

Ao meu ver, o comportamento homossexual por si só já desperta esta ira:
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. (Romanos 1:26-27)
Deus não obriga ninguém a parar de pecar, mas há consequências que já começam neste mundo. Desde agora já há uma punição divina sobre os indivíduos que persistem no homossexualismo. No entanto, como o pecado é cometido, é preciso por alguma ordem. Omitir-se, ao meu ver, seria pior.

E aí, entendo que a união estável homoafetiva é suficiente, dando os direitos que são necessários para regular a relação homoafetiva estável. O casamento não é necessário e não deve ser corrompido com uma união reprovada por Deus.

Sim, o Estado não define o que é casamento, mas eu preciso dizer que casamento é uma relação monogâmica heterossexual, entre um homem e uma mulher, onde o marido representa Cristo e a esposa, a Igreja; onde os dois deixam a casa de seus pais e se tornam uma só carne, de modo público; que só pode ser desfeita pela morte, pelo adultério ou pelo abandono da parte incrédula. Todas as vezes que o Estado se desvia dessa função, ele peca e atrai a ira de Deus sobre a nação.

Sim o Estado precisa regular fatos que acontecem fora da lei divina. Mas nem sempre isso é feito da maneira correta. Quando o Estado permite o divórcio por qualquer razão e deixa de ver o casamento como indissolúvel, ele legislou de forma errada. E o casamento homossexual seria mais um passo na direção do pecado.


Uma última palavra
Creio ter dito tudo o que me inquieta quanto a este assunto. Não vou entrar aqui no mérito jurídico da questão, este post é teológico. Há questões que eu entendo que a Igreja precisa responder melhor, como a legitimidade do Estado nos casamentos e o papel do Estado em si. Assuntos que eu confesso a vocês que preciso me aprofundar também.

Mas não posso me despedir sem dizer algo antes. Não precisa ser assim. O Estado regulou a união estável homoafetiva, a heteroafetiva, o divórcio e tudo o mais. Mas se você hoje, assim como eu, luta contra pecados sexuais e afetivos, há esperança! Não importa se você é adúltero(a), homossexual, se você se divorciou pelo motivo errado, se você vive em concubinato, isso pode mudar. Se coríntios foram libertos destes pecados, nós também podemos, mas em Cristo Jesus.

Na barra direita há vários posts meus falando do Caminho da Salvação. Clique neles, leia-os. Lá, você vai descobrir como, pela fé, Jesus pode nos libertar de todo pecado e nos conduzir ao céu.

Despeço-me com Efésios 2:1-10. Deus nos amou quando estávamos mergulhados no pecado. E, se você crê n'Ele, então Ele resgatará a você...e a mim.
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:1-10)
Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

33 comentários:

Vivifont disse...

Gostei muito do texto, Helder. Bastante esclarecedor, totalmente baseado na Palavra, prático e abrangente, pois nos ajuda a discernir entre a lei dos homens e a lei de Deus - e onde cada uma se aplica.

"porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos" (1 Co 14:33)

Ricardo Mamedes disse...

Helder,

Excelente este seu post. Não vejo qualquer ressalva que pudesse fazer na tentativa de "melhorá-lo".

Na qualidade de advogado que milita na área de família e sucessões, e sendo cristão, aprovo a iniciativa do STF na questão dos direitos provenientes da união homossexual. A questão é uma realidade, um fato jurídico que MERECE ser bem definido. Não se trata, obviamente, de aprovar o casamento gay - essa é outra história, como você bem alinhavou no texto. No entanto, os direitos patrimoniais relativos a qualquer SOCIEDADE (e a homossexual também é uma)devem ser tutelados pelo Estado/Juiz. Não fazê-lo, ou fazer vistas grossas no julgamento de tais questões, é omitir em dizer o direito, coisa que o Estado/Juiz não pode fazer. Ao mesmo tempo em que, não definir os direitos de duas pessoas que formaram um patrimônio comum, é de fato instalar o caos na sociedade, além de legitimar a apropriação indébita por uma das partes, que se enriquece às custas da outra pela omissão do Estado.

Para mim a coisa é simples assim, mas infelizmente há muitas pessoas que não compreendem, especialmente evangélicas, consoante vemos por aí nos blogs.

Abraços.

Ricardo.

Yuzuki disse...

não acredito no que li! :D
todos os dias eu tento explicar às pessoas que eu não acredito que protestar contra o casamento gay seja o certo a se fazer, tento explicar que uma vida vale mais do que a lei e sou chamada de ignorante.
isso daqui que voce disse: "Nós não vivemos no céu, não estamos em nossa pátria, então as leis precisam levar em consideração o estado atual das coisas." vai direto ao ponto em q eu sempre tento chegar, mas nunca acho as palavras!
isso aqui tb "Chega a ser engraçado que estejamos protestando contra a união estável homoafetiva, como se a heteroafetiva fosse normal ou santa." já falei demaisss,e sempre sempre falam que estou pecando pela ignorância.
fiquei muuuito feliz com esse post, parabéns e tal
mas mais obrigada.
:D

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caros amigos

Deixo apenas um texto claro, situado em seu contexto, absoluto em seu significado e aplicação:

"Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem". (Rm 1:32)

"Arrependimento" é a melhora palavra em toda esta conversa. Fico estarrecido com o que li neste blog e nestes comentários.

No temor do Senhor,
Ewerton B. Tokashiki

Helder Nozima disse...

Ewerton,

As nossas opiniões pessoais pré-concebidas nos impedem de ver certas coisas.

Ninguém aqui encorajou os homossexuais a continuarem em seu homossexualismo. Ao contrário, disse claramente que é um pecado e os exortei ao arrependimento. Ninguém aqui está aprovando os que assim procedem.

A base do meu argumento é que, independente do que diz a Bíblia, homossexuais estabelecem sim relações afetivas com implicações jurídicas. E já que isso acontece, é preciso regular essas relações, estabelecer normas que protejam o Direito dos envolvidos. E, nesse sentido, a decisão do STF era necessária, já que há omissão legislativa.

Mas quem só vê o pecado é mesmo incapaz de perceber outras dimensões envolvidas. Nem que para isso seja preciso distorcer o que o autor escreveu. E ignorar ,TODOS os argumentos levantados.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Viviane, Ricardo e Yuzuki,

Obrigado por lerem o meu post de boa vontade, considerarem os meus argumentos e manifestarem o seu apoio. Com certeza ele é muito importante para mim. É bom ver que não sou o único a perceber certas coisas.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Heitor Alves disse...

Começa por aí, depois vem a regulamentação do casamento civil e depois o religioso!

Heitor Alves disse...

Ou estou exagerando?

Helder Nozima disse...

Heitor,

Uma pergunta antes: você leu o texto ou é daqueles que veem o assunto e vêm comentar mesmo assim?

Eu tenho como política só aprovar comentários que tenham relação com o texto. Seguirei isso à risca nas suas próximas intervenções.

Respondendo: não nego que seja um passo para regular o casamento civil. Mas isso vai depender do Congresso e não tem o meu apoio, embora eu não ache isso o fim do mundo, por uma razão muito simples: é frágil a base bíblica para afirmarmos que é o Estado quem define o que é casamento.

Quanto ao religioso, para a Igreja Presbiteriana do Brasil ele não existe. O que nós fazemos é abençoar a união civil. Acho que você, como diácono, deveria saber disso. Ou estou exagerando?

Mas, mesmo para as igrejas que possuem casamento religioso, a separação entre Igreja e Estado é claramente constitucional. Não tem como interferir a este ponto, a não ser que se rasgue a Constituição como nunca antes nesse país (desde 88).

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caro Helder

Se o argumento de apoio é regular sobre algo que está sendo praticado - então é aceitável normatizar a maconha, cocaína, e outras drogas, bem como profissionalizar as prostitutas, legalizar a pedofilia, a zoofilia, e outras práticas bizarras sexuais que se praticam por aí. Como você defendeu acima: é inevitável, então o Estado tem que só regularizar e a Igreja aceitar.

Ter amigos, parentes ou colegas de estudo ou trabalho que sejam homossexuais não deveria ser fator de influência para se decidir o que é certo ou errado. A não ser que você pessoalmente tenha interesse nestas questões.

Ewerton B. Tokashiki disse...

Apesar de você dizer que a sua "argumentação" fosse somente teológica, o que não foi, pois se estendeu pra área ética e jurídica, então, deixo uma mera citação:

"O que se viu ontem [quinta] no Supremo foi o exercício de um novo tipo de direito: o chamado “Direito Criativo”. Eis uma disciplina que precisa começar a ser ministrada nas faculdades. Pode ficar a cargo de alguns figurões da OAB com especial predileção pela invenção". - Reinaldo Azevedo sobre a decisão do STF

Helder Nozima disse...

Ewerton,

Mais uma vez é a questão do exagero, de uma extrapolação que vai muito além do que foi dito.

Como sou de direita, confesso que, se não fosse pela Bíblia, diria que cada um tem a liberdade de fazer o que bem entende, desde que não prejudique terceiros. De fato, muitos republicanos nos Estados Unidos pensam assim (vide Tea Party), por exemplo.

No entanto há certas coisas que, se legalizadas, trarão um prejuízo social real, mensurável e violento. Entendo ser esse o caso da maconha, da pedofilia, da zoofilia...etc. Aliás, afirmações como "em 10 anos vão legalizar a pedofilia" são descabidas, fruto de pessoas que só enxergam uma coisa e não sabem pesar a sociedade como um todo, nem analisar as instituições.

Você pode dizer que o homossexualismo prejudica sim a terceiros, porque dinamita o conceito de família. Sinceramente, esse conceito está sendo dinamitado é pelo fracasso da Igreja em ensinar como ter casamentos saudáveis.

Ou dizendo de modo mais claro. O problema não é o Estado ter reconhecido o divórcio: o problema são os casamentos que vão mal. O problema não é o Estado criar a união estável, mas os casais que se recusam a casar pelo pânico que a palavra "casamento" causa a eles. Se você for coerente, volte atrás em seus protestos. Condene o Estado por permitir o divórcio fora da Bíblia. Condene-o por permitir qualquer tipo de união estável. Isso também devasta a família!

Nos outros assuntos levantados por você, o Estado não deve regular tudo, mas deve sim ter política de redução de danos. Hoje o cigarro ainda é uma droga legalizada, não é? Você protesta contra isso? Prostituição não é crime, mas cafetinagem é (e isso é uma forma de reduzir danos e combater a prostituição). Deve existir tratamento psiquiátrico para quem quer mudar práticas sexuais.

Ao meu ver você acha que o Estado pode muito mais do que ele realmente pode. As pessoas o ignoram em muita coisa, assim como ignoram a Igreja. Tem que coibir o mal? Tem. Mas tem que ter redução de danos também.

E união estável homoafetiva e divórcio são assuntos do Direito Civil, não do Penal. Por isso se regula. Estupro, pedofilia, drogas, é assunto de Penal. É tratado de forma diferente.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Ewerton,

Sobre o Reinaldo, respondo o seguinte: até as paredes do STF sabem que há duas correntes de pensamento jurídico lá. O Reinaldo é chegado da corrente do Peluso, do Gilmar Mendes, do Celso de Mello. Quando as duas correntes votam por unanimidade...há sim base jurídica.

Outra coisa: o Reinaldo parece não entender algumas coisas de doutrina do Direito. Uma corrente bem forte diz que, se o Legislativo se omite...e essa omissão prejudica sujeitos de Direito...o Judiciário pode preencher a lacuna. Foi o que o STF fez. Mas parece que o Reinaldo Azevedo ignora isso.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caro Helder

Creio que quando o irmão casar, e tiver um casamento saudável, poderei ouvir os demais argumentos. Até lá não creio que o problema seja apenas de inabilidade de treinar casados.

Você disse que o problema: é que os casamentos vão mau! Isso está parecendo argumento gay: "heteros se divorciam, gays têm relacionamentos estáveis" [sob qual estatística?]. Então vamos apoiar que o STF aprove casamento homoafetivo para termos casamentos melhores e mais estáveis. Não entendo esta lógica.

A igreja "falha em treinar casais"? E quando um pastor nem sequer é bem sucedido em escolher uma esposa, e não consegue casar, como ele poderá diagnosticar o problema de matrimônio dentro da igreja com tanta autoridade assim? Observe que a base epistemológica subjetiva é mesma pra determinar se o que STF fez é errado ou não.

Penso que o problema é simples: legalização da imoralidade, e a própria redefinição de moralidade. E pior, com o apoio do evangelicalismo. Pensei que somente o louco do Ricardo Gondim era a favor, envergonha-me saber que um colega da IPB segue a mesma linha.

Helder Nozima disse...

Ewerton,

Que feio apelar para ataques pessoais. Típica estratégia de quem perdeu a razão. Ainda mais um pastor!

Você não entende o que eu digo. Sim, eu conheço dezenas de jovens e adolescentes com medo de casar porque veem seus pais separados ou em casamentos frios e problemáticos. E isso os leva sim a buscar alternativas.

Não disse que os homossexuais são estáveis emocionalmente, você é que põe palavras em minha boca. O que eu digo é que muitas pessoas procuram relacionamentos e sexualidades distintas do ensino cristão porque assistem ao fracasso de nosso modelo, seja em seus lares, seja na sociedade.

Se nós nos preocupássemos mais em ensinar os jovens, adolescentes e adultos a terem bons casamentos, com certeza veríamos um cenário diferente.

Repito: quer protestar contra a "legalização da imoralidade"? Quero ver você começar campanhas contra a permissão do Estado para divórcios por motivos não-bíblicos, pedindo o fim de todas as uniões estáveis e quiçá a criminalização da fornicação e do adultério...todos atos legais para o Estado. Não bata apenas na união estável homoafetiva, bata em tudo!

Quanto ao fato de estar solteiro, não sabia que há ordens bíblicas dizendo que devo me casar até X anos ou depois de X tentativas. Até onde sei, isso não me descredencia a falar de casamento, Paulo falou muito sobre isso e não era casado! Será que o apóstolo também tinha uma base epistemológica subjetiva?

Uma pena que você não poderá responder aqui. Ofensas pessoais suas são recorrentes e não serão mais aceitas. Nunca mais. Pelo menos neste blog aqui, sua participação está banida.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas maõs do Oleiro

Ricardo Mamedes disse...

Eweron,

Quero crer que a sua contestação ao texto e aos argumentos lá elaborados - e muito bem -, extrapola à própria lógica contida na argumentação. Explico: o texto jamais defendeu a união civil entre homossexuais, mas apenas as consequências jurídicas patrimoniais que subjazem. Então, do alto da sua santidade e sabedoria, responda-me com sinceridade: se há um patrimônio formado por duas pessoas, independentemente da sua orientação sexual, a quem pertencerá o patrimônio comum? O estado não deverá regular esse conflito? E se, omitindo-se o Estado/Juiz, o patrimônio formado por ambos for assenhoreado por apenas uma das pessoas, o que fazer? Pela sua ótica santa deve-se deixar que se arrebentem, se matem, usando da própria força, retroagindo à lei do mais forte?

Com todo o respeito, a sua refutação ao texto é desonesta. Mantenha-se nos estritos limites do que foi dito e não torça as palavras. Eu, o Helder e outros mais, NÃO APOIAMOS A UNIÃO CIVIL ENTRE HOMOSSEXUAIS, mas reconhecemos que as consequências jurídicas de cunho patrimonial devem ser reguladas pelo Estado em qualquer situação. Portanto, além de desonestidade, falta-lhe entendimento a respeito da questão.

Ricardo.

(-V-) disse...

Helder,
Tenho muito apreço por você e espero que o saiba =)
E também tenho pouco conhecimento da questão "cristão e política", então aqui vão alguns pensamentos para dialogarmos.
1) O papel do Estado deve ser, como ministro de Deus, retribuir o bem e punir o mal (Rm 13, 1 Pe 2).
Creio que concordamos nisto. Então, surge alguns questionamentos:
1.a) Qual é o padrão moral de bem e mal no contexto destes textos?
Creio eu ser o padrão moral absoluto e divino, pois o Estado é "ministro de Deus" e não "ministro da moralidade da sociedade da época".
1.b) Qual devem ser a retribuição e a punição e para qual casos?
Um teonomista responderia essa rapidamente, mas eu sinceramente não sei detalhar. Tenho algumas considerações, mas não vem em questão. Só que nesta questão entra seus argumentos contra penalizar todo pecado ou quase nenhum. Qual o padrão que o Estado deveria ter para penalizar e quais infrações?
1.c) Qual deve ser o envolvimento do cristão na política?
Tendo a participação, mas observo o silêncio do NT. Sem contar o contexto cultural diferente (monarquia e democracia). Então, sou levado a ver que o enfoque do NT é evangelize. "E a política? Evangelize!" Mas, também vejo questões como "redimir a cultura e a política".
1.d) Considerando a graça comum envolvida na coibição da lei civil, não seria prejudicial de uma forma mais global a decisão do STJ?
Eu tendo a crer que sim.

2) Seu argumento e o do STJ e outro exemplo: aborto.
2.a) Casos diferentes
Imagino que você já irá dizer que são diferentes, pois um é civil e o outro penal. Contudo, se o feto não é considerado como vida humana consciente (como muitos pró-aborto defendem), então não é assassinato, logo não seria um caso penal.
2.b) Brecha legal
Confesso que não tenho certeza, mas imagino que a lei brasileira não defina exatamente assassinato como matar qualquer vida, mesmo a fetal, em qualquer estágio. Logo, o argumento da brecha, poderia ser usado neste caso também.
2.c) A Bíblia reconhece o direito dos pecadores ou direito ao reconhecimento
Sim, a Bíblia reconhece direito a pecadores. Concordo. A questão é quais direitos e quais pecados? Daí entramos no questionamento (1.b). Contudo, seguindo o argumento da "violação do direito ao reconhecimento" (conforme disse o ministro Joaquim Barbosa), se (2.b) for aceito, então a "liberdade da mulher" prevalecerá e o aborto será aprovado.
"Mas é outro caso". De fato, mas qual a base teológica para nos posicionarmos contra este e não contra o outro?
2.d) O exemplo de Salomão
Confesso que não sei responder. Mas há inúmeras outras questões na lei como "o pegar no ato" e "condenar ambos os pecadores". Se esses dois pontos não foram atendidos, então a pena talvez não pudesse ser aplicada.
2.e) A incoerência da perseguição
Não quero ser aqueles que ignoram os inúmeros outros pecados e só focam no homossexualismo, mas quero sim perguntar: qual é a base para tolerarmos este e não o assassinato?

Bom, são alguns de meus questionamentos.
Paz, seu irmão,
Vini

Helder Nozima disse...

Vinicius,

Quanto a sua pergunta número 1, eu acho que há uma outra que você deveria refletir: há separação entre Igreja e Estado? Ao meu ver sim. Ao Estado não compete, por exemplo, legislar sobre fé.

Indo ao seu ponto, há um detalhe histórico que você passou batido. Paulo fala do Império Romano aqui. Um Estado que não tinha nenhum compromisso com o cristianismo e várias leis contrárias ao Evangelho. Este é o Estado que Paulo tem em mente aqui.

Em Romanos 13 Paulo não cobra que o Estado proteja a família. O contexo sugere um Estado que preserve a ordem e a segurança, já que se fala de espada. Ir além disso e querer que o Estado "proteja a família", na boa, falando como um cristão de direita, é ir além do que é dever do Estado. O dever dele é garantir a ordem.

Eu não sei quais pecados devem ou não ser penalizados, mas partiria dos Dez Mandamentos, da tábua do próximo. Mesmo assim, há dificuldades: eu não criminalizaria a cobiça, não há como fazer isso. É um bom debate.

Entendo também que as liberdades fundamentais são direitos dados por Deus aos pecadores. Temos sim o direito de dispor livremente de nossos bens, de nos ligarmos afetivamente, etc...só que responderemos diante de Deus sobre como esse direito foi exercido. O Senhor não ordena que o Estado seja o nosso vigia, o nosso bedel.

Sobre a graça comum, acho que vocês não entendem o meu texto. Primeiro: provem vocês que o Estado tem o dever de obrigar as pessoas a seguirem uma determinada moralidade. Se puderem. Segundo: o problema não é a decisão do STF, mas sim o fato em si. E ele acontece independente da decisão, gerando efeitos jurídicos que carecem de alguma regulação. Terceiro: Seja via Supremo, seja via Congresso, alguma regulação precisa acontecer.

O aborto eu considero uma apelação sua. Analogia apropriada seria divórcio, fornicação ou adultério. Aborto é vida humana e ponto. É homicídio, é matéria de Penal. E ninguém tem o direito de tirar outra vida humana, exceto em guerras ou como cumprimento de sentença. O pilar básico da dignidade da vida humana é a existência, e isso está acima de qualquer outro tipo de interesse.

União estável homoafetiva é matéria de Civil, de liberdades que são garantidas a todas. E eu acredito em gradação de pecados: não há comparação entre assassinato e homossexualismo, não há!

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Ricardo Mamedes disse...

Vinícius,

A questão se resume em: consequências patrimoniais de uma sociedade, independentemente da orientação sexual, pois esta é um "minus" em relação àquela. O problema dos teonomistas é querer conferir ao Estado o poder de regular sobre a fé.

Nesse diapasão, consequências jurídicas independem da fé professada pelas pessoas. A lei é e deve ser IMPESSOAL. Ela regula sobre indivíduos de DIFERENTES CREDOS, mas sem fazer distinção. Da mesma forma ela deve regular os conflitos que se apresentam e propor uma solução, independentemente da opção sexual, de credo, cor, raça, etc. Vale dizer que a pergunta que deve ser feita é a seguinte: há uma sociedade? De tal sociedade adveio um patrimônio comum? Se sim, deve haver uma paridade na percepção do patrimônio, e quando isto não acontece, o Estado deve se manifestar a fim de regular o conflito e restabelecer a ordem na sociedade.

Quer uma analogia mais difícil ainda? Suponhamos que um pedófilo abuse de uma menina e que do abuso seja gerado um filho. O que fazer? Não regular nada, por que o "fruto" é absolutamente pecaminoso, ou resguardar ao rebento os seus direitos, inclusive sucessórios, sobre o patrimônio do pedófilo em prol da criança, advinda de uma relação pecaminosa? O Estado responde que sim, assegurará ao filho os seus direitos, uma vez que a filiação é igualitária, independentemente da sua legitimidade. E muito mais pode ser dito.

Ricardo.

Kamylla disse...

Olá Helder e todos que acompanham o blog,

esse texto foi extremamente bem escrito e nenhuma aresta foi deixada. Era sim papel do Legislativo tomar a decisão que foi tomada pelo STF, entretanto era necessário que alguma posição fosse tomada a esse respeito.

Quero deixar muito claro que sou cristã e que não posso ser conivente com o pecado praticado pelos homossexuais, mas entendo que eles tem direitos enquanto seres humanos e cidadãos brasileiros.

Muitos são contra a união estável homoafetiva e conclamam o pecado de quem é conivente com ela, o curioso é que nada se fala de união estável heterossexual. Qual a diferença? Eu não vejo nenhuma, as duas configuram pecado, ferem a Bíblia e desagradam a Deus.

É necessário que se faça a distinção entre Estado e Igreja, lembrando que todo poder vem do Senhor, devemos dar a Deus o que é de Deus e a "Cesar" o que é dele.Ao Estado cabe se manifestar para regular o conflito e restabelecer a ordem na sociedade. E à Igreja cabe expandir as Boas Novas e mostrar à sociedade que o casamento, o verdadeiro casamento, entre homem e mulher que assumem um compromisso diante de Deus e dos homens de firmar uma aliança é bom e agradável, preparar as nossas igrejas a amar uns aos outros e confrontar o pecado no temor do Senhor, ensinar aos jovens a amar a Deus de modo a se afastarem de qualquer tipo de pecado, seja ele o homossexualismo, a prostituição, a pornografia, o sexo antes do casamento e provar que o padrão cristão é o melhor a ser seguido.

Que Deus o abençoe ricamente e que você seja sempre instrumento em Suas mãos poderosas.

Anayran ou Ogg disse...

Texto bacana, consegui criar uma decisão válida e sólida graças a este texto.

Obrigado por usar o Helder para isso, Senhor. =)

Abraços!

Ashbel Simonton Vasconcelos disse...

Creio que a raíz do engano aqui é interprtar erradamente o que Jesus disse a respeito do adultério cometido em pensamentos, atribuindo a ele o mesmo peso do adultério pelas vias de fato. É o velho engano de pensar (e muitos assim o afirmam) que não existe pecados maiores ou menores. Mas é o próprio Cristo quem desfaz este engano ao dizer: "Ai de ti Cafarnaum... menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo".
O STF errou duplamente: 1) Na letra da Constituição Brasileira está escrito que a célula familiar é constituída por um homem e uma mulher. Com a decisão o STF simplesmente afirma que o texto não quer dizer o que está dito/escrito, mas quer dizer aquilo que o juízes desejarem no momento.
2) O STF erra tentando fazer justiça aplicando a injustiça, ao igualar as familias regularmente constituídas (homem, mulher, filhos) com esta união que gira em torno da torpeza da sodomia, estério, incapaz de gerar filhos, que considera órgão sexual um órgão excretor.
Com todo respeito, mas lamentando ver um pastor presbiteriano apoiando tal decisão.

Pb Simonton

Solano Portela disse...

Caro Helder:

Fiquei muito triste com o seu post. Ele é teologicamente falho, sim. Existe gradação de pecados e Romanos 1 deixa bem claro onde este pecado do homossexualismo se situa (concretizado nessas tais "uniões estáveis" entre pessoas do mesmo sexo).

Ele distorce a própria essência da criação e das diferenças (biológicas e mentais) colocadas por Deus, na humanidade.

Ele é, sim, destrutivo da família e abre, sim, portas para a adoção dos casais gays. Será que todos que avidamente apoiam o STF e entusiasticamente endossam suas palavras no post (não se empolgue, mas reflita), se conscientizam de que, com o apoio e defesa a essa medida estão ATIVAMENTE contribuindo para a destruição moral de INÚMERAS crianças indefesas? Que responsabilidade!

Você não está deixando que a PALAVRA purifique a sociedade e molde nossas convicções éticas, mas apela ao contexto social (o seu é um, o de outro é outro) para que ele molde nossa teologia e acusa os que não vivem o seu contexto de insensíveis à questão.

Apelo para a volta e retorno à OBJETIVIDADE e PERTINÊNCIA das Escrituras em suas sempre competentes comunicações.

Em Cristo,

Solano Portela

Marcio Carneiro disse...

Não consigo ver as falhas teológicas apontadas no texto de Nozima.

Romanos 1 fala do homossexualismo, mas lista outra gama de pecados igualmente graves. O que alinha ao texto do Helder.

E o casamento gay é destrutivo para a família, principalmente cristã? É. Mas não cabe acusar o STF como se ele fosse culpado de algo. O STF esta meramente refletindo a sociedade. E a pergunta que deveria ser feita é por que a sociedade se tornou tão permissiva?

E nesse ponto concordo com o Helder. A sociedade brasileira hoje está com esta porque nós como igreja deixamos de ser luz do mundo.

Casamento homossexual é a ponta do iceberg, muito antes disso, a igreja já destruiu a instituição familiar justamente porque a igreja se tornou permissiva contra os pecados.

Ficar questionando se o STF agiu certo ou errado é colocar a culpa em outro lugar. A pergunta correta é por que a igreja deixou de ser sal da terra e luz do mundo.

Maya Felix disse...

Pastor Helder,

Gostei muito do seu texto. Uma vez, comentei um post do Júlio Severo dizendo que o próprio Deus havia entregue os homossexuais às suas práticas, como Paulo escreveu, e que não seria eu quem iria impedi-los - porque Deus nos deu também o livre arbítrio. Por outro lado, há legitimidade nas palavras do pastor Ewerton B. Tokashiki, cuja participação aqui foi bloqueada (infelizmente). De fato, Paulo recomenda aos que puderem para não se casarem, a fim de melhor servirem ao Senhor. O argumento do pr. Ewerton, nesse sentido, é raso. Da mesma maneira, pela lógica apresentada, ninguém que não usa a cocaína pode criticar seu consumo, ou alguém que nunca visitou Paris não poderia dizer que ela é bela ou que tem problemas. Creio, de fato, que a Igreja acentua o discurso em relação ao homossexualismo, mas também creio que isso ocorre por ser ele um escândalo visível e chocante em toda a sociedade, muito mais que a glutonaria, por exemplo, e por ter o homossexualismo organismos políticos de defesa da prática homossexual que de fato trabalham contra os cristãos, objetivando desacreditar a Palavra de Deus. Você usa exemplo bíblicos para justificar seus argumentos mas se esquece do nosso contexto imediato, que é o tempo de hoje e a sociedade ocidental, permissiva e nociva ao conceito bíblico de família. Bom, deixo aqui minhas poucas considerações.

Cordialmente,

Ricardo Mamedes disse...

Senhores,

Diante de tudo que foi dito e frente ao que eu mesmo disse, devo fazer algumas ressalvas, a fim de que não seja mal-entendido:

1)reconheço que há reflexos patrimoniais em uma sociedade, qualquer que seja a sua orientação. Logo, se duas pessoas adquirem, por exemplo, um bem qualquer, a justiça deve se manifestar para garantir os direitos de ambos, independentemente se homossexuais ou não;
2) o que eu afirmei acima restringe-se apenas aos direitos dos envolvidos, não se estendendo a aprovar a iniciativa do STF na "legalização" da união estável entre homossexuais, coisa que eu considero execrável sob o ponto de vista cristão;
3)cabe razão ao Solano e a muitos outros, quando afirmam que a iniciativa do STF abre precedente para a legalização do casamento civil entre homossexuais, especialmente considerando que a "união estável", pela Constituição Federal, se iguala ao casamento (Art. 226, CF). Nesse sentido, a decisão do STF praticamente legaliza tais uniões;
4) família deve ser constituída de homem e mulher (e filhos), ou seja, de um casal héterossexual. Casais homossexuais jamais devem ser considerados como unidade familiar, pois o homossexualismo é um pecado medonho, sim;
5) depois de reler o texto tenho uma ressalva a fazer, no sentido de que a união a estável entre homem e mulher, malgrado ser também pecado, é completamente diferente da união estável entre homossexuais, pois aquela envolve relações sexuais normais, enquanto esta (homossexual), envolve relações sexuais desviadas e anormais, sendo, no dizer bíblico (Paulo, Romanos 1), uma verdadeira abominação;
6)e considero terrível os argumentos dos Ministros do STF na defesa de tais uniões, especialmente do Min. Aires Brito, ao considerar a genitália um "plus", como se tivesse sido concedida ao ser humano apenas para a busca do prazer, independentemente do uso que se faça com ela, sem quaisquer limites morais, éticos e cristãos.

Por fim, se considerarem que estou transigindo nos meus argumentos, que seja, pois sou contra a iniciativa do STF ao legalizar a união estável entre pessoas do mesmo sexo em detrimento da família regularmente constituída, visto que, além de ser anormal, abre precedentes para a legalização da união civil entre homossexuais.

Ricardo.

Helder Nozima disse...

Solano,

Não nego que o homossexualismo é um pecado com graves consequências. Destaquei isso em meu post. Inclusive chamei-os ao arrependimento. Mas não concordo com o seu comentário.

Eu não sou do tipo que pensa que um extremo se combate com outro. Não acho certo o casamento homossexual e sei que a união é um passo nessa direção. Mas, por outro lado, acho que alguns direitos precisam ser assegurados e vejo na união estável homoafetiva uma forma de se fazer isso. Até porque a união estável em si já é um "quebra-galho" do Estado para os que preferem viver abrasados.

Se nenhum quebra-galho pode ser aplicado pergunto: o Estado deve fechar os olhos? O que ele deveria fazer?

Você pode não enxergar isso, mas não é por causa de ums subjetivismo que assumi essa postura. Escrevi um outro post chamado "O Estado e o direito de pecar" onde tento mostrar, objetivamente, os fundamentos do meu ponto de vista.

Considero que a questão da união homoafetiva passa antes por outros temas, como o papel do Estado, as liberdades fundamentais e os limites da ação estatal na hora de coibir pecados. Um exemplo de como isso é difícil é a questão da idolatria, um pecado mais grave que o homossexualismo. A liberdade religiosa deve ser garantida pelo Estado. Isso significa que o Estado deve garantir às pessoas o direito de serem idólatras, se assim quiserem.

Quanto à purificação da Palavra, eu não estou deixando ou proibindo nada. Eu prego que pecado é pecado. Não fui eu quem decidi nada. Agora, a Igreja foi omissa sim. O ministro Ayres Britto disse que nenhuma igreja o procurou pedindo que ele votasse contra a união. Nós falhamos porque não pregamos para ele.

E vamos continuar falhando mais. A IPB, por exemplo, não tem assessoria legislativa aqui, alguém que acompanhe as pautas do Congresso e do Judiciário, marque encontros entre pastores e congressistas, não organiza debates no Congresso...e o mesmo pode ser dito de outras igrejas. As ONGs pró-casamento gay fazem tudo isso e mais. Como a Palavra vai ser ouvida no Estado se somos amadores nessa comunicação?

Penso que há muito mais a ser discutido. E digo isso respeitosamente, considerando-o como um superior a mim.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Maya,

Não entendo como você pode ter gostado muito do meu texto e ter feito as críticas que você fez. Quanto a participação do Pr. Ewerton, não tenho problemas em acolher críticas, desde que ela sejam respeitosas, o que não foi o caso.

E repito aqui algo que disse ao Solano: somos amadores no nosso relacionamento com o Estado. As pessoas não têm de modo claro qual é o papel que o Estado deve ter à luz da Bíblia. Não marcamos audiências, não acompanhamos as pautas de votação e discussão nas comissões, não acompanhamos as audiências públicas...só protestamos no noticiário quando algo acontece e aqui nas redes sociais. Se nos organizássemos como outros grupos, o Estado nos ouviria mais. E também atenuaríamos a ação de grupos que sejam contrários ao Evangelho.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Helder Nozima disse...

Kamylla, Márcio, Anayran e Ricardo,

Agradeço o apoio e a participação, apesar das ressalvas feitas. Obrigado, sobretudo, por ajudarem a manter o debate em um bom nível.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Oliveira disse...

Caro Sr. Helder Nozima

Muito inteligente e bem articulado o seu artigo.
Prometo que vou ler o outro que parece que trata do mesmo assunto, e talvez comente lá.

Mas... Me permita respeitosamente discordar de tudo o que você disse... risos...

Eu precisaria rever os textos que falam sobre a pena de morte para o caso de adultério, mas lembro vagamente alguma coisa, então lhe pergunto:

1. E se a pena de morte fosse caso de aplicação apenas em flagrante? Assim Salomão não poderia mandar matar as moças... E neste caso a "base bíblica" que você usa para o seu argumento se desmonta.

2. E se fosse o caso de Salomão não ter jurisdição, e digamos competência material para julgar o caso? Assim Salomão como não poderia aplicar a pena de morte, pois era função do Sacerdote os julgamentos morais, se ateve apenas a questão da paternidade... E neste caso a "base bíblica" também não se sustenta.

3. O texto de Deuteronômio 23.18 (lembro que eu não trouxe e nem revisei os textos sobre o assunto) está falando em trazer salário de prostituição para à Casa do Senhor. Imagino que a Casa do Senhor é o Templo, neste caso então não estaria implícito que era "tolerada" a prostituição para os casos em oculto (sem flagrante) pela sociedade da época? Não deveriam vir tais recursos para o Templo, isto por inferência mostra que tais recursos circulavam pelo povo.

...

Oliveira disse...

4. O texto de Levítico 20:10 demandava não o flagrante, mas a prova. E as prostitutas chegaram para Salomão não para discutir um caso real, mas a paternidade. Como ele não tinha provas contra elas (só sabia a fama) nem mesmo o flagrante, então ele estava sem competência para dizer o direito no caso da pena de morte.

E outras pequenas coisas...

5. O senhor aqui e ali alega que tem muito amigos homossexuais... Não deveriam ser apenas conhecidos homossexuais? Existe real comunhão entre luz e trevas? A agenda do Senhor entre os tais não foi evangelística? Existe realmente tal possibilidade de amizade?

6. Fundamentos bíblicos para um Estado mínimo, quais são?

7. Por que é inútil a aplicação da Lei de Deus para os dias de hoje? Digo, tentar trazer para cá as mesmas regras da nossa pátria celeste? Haverá possibilidade de homossexualidade no céu? A regra é para hoje, não para os tempos celestiais, lá nem possibilidade de pecar existirá.

8. Na mesma linha argumentativa o senhor aceitaria dar CTPS para quem "trabalha" na prostituição e com direito a aposentadoria paga pelo Estado?

...

Oliveira disse...

9. Dá para contemplar um assunto tão perigoso com tão pouca base bíblica? A sua me parece fraca pelos motivos que aqui estou apresentando...

10. Uma vez que agora a união homoafetiva está legalizada e regularizada, meio que deve perder a graça tal prática... Pois o proibido sempre é mais excitante aos olhos de um pecador, não?

11. Pois bem, levando o item 10 em consideração, digamos que as pessoas partam para um grau mais "elevado" de excitação e passem a praticar o incesto em escala crescente...

12. E que cheguemos ao patamar de milhares de pessoas formando casais incestuosos em união estáveis... Na sua mesma linha argumentativa, estaria correto legislar em favor do incesto, para digamos regularizar os tais fatos jurídicos patrimoniais, etc...?

13. E se existissem um grupo numeroso, mas ainda minoria, tipo SIII, Simpatizantes do Incesto, Incestuosos e Incestuosas... O senhor continuaria nesta argumentação de César ao que é de César?

14. O senhor tem certeza que o que o Senhor desejou dizer com esta frase dá toda esta base para o seu argumento? Certamente que a frase é de efeito, mas o Senhor desejou dizer isto mesmo?
...

Oliveira disse...

15. E se eu me apaixonar por um cabrito? E não somente eu mas milhões de brasileiros, e em tal número que possa influir e fazer pressão para mudar a legislação e equiparar pessoa animal com pessoa física... E se eu quiser me casar com o tal cabrito? E adotar uma criança?

16. O fato de Salomão ter deixado a criação do menino aos cuidados da mãe, será também argumento, na sua linha, para justificar a adoção por parte de casais homossexuais? Afinal se menina podería-se alegar, Salomão e nós para proibir o pátrio poder, que ela acabaria nos caminhos da mãe, e se menino poderia acabar nos caminhos de um cafetão, e mesmo assim Salomão lhe deu o pátrio poder...

Caro, realmente eu achei muito inteligente o seu texto, e vou ficar pensando nele um bom tempo.

Mas ele é profundamente perigoso, e peço que reflita também sobre isto.

Afinal se o discurso e a interpretação de liberais que desfazem a inspiração levou ao que levou.

O seu discurso me pareceu mais perigoso, pois não desfaz o texto bíblico, mas o uso inteligente de supostas bases bíblicas para sancionar o fazer de "César" como sendo correto do ponto de vista social e tendo o nosso apoio.

Cuidado meu caro, o terreno é escorregadio.

Cordiais saudações.
Desculpe o longo comentário.