23 agosto 2011

Deus vs Natureza: a lei de Deus é natural?

Pode parecer estranho, mas um dos argumentos mais poderosos usados para se rejeitar a Bíblia é a natureza. A ideia é a de que, se é natural, é certo, independente do que seja. Afinal, como nós podemos seguir uma lei divina que contraria a nossa "essência"? Se Deus ordena algo que fere o natural, então Ele que mude.

E engana-se quem pensa que o apelo à natureza explica apenas pecados sexuais, como o adultério (ou a promiscuidade sexual em si) e o homossexualismo. Afinal, mentir, por exemplo, é "biológico e natural". Já há cientista que disse o mesmo da violência. Basta procurar uma explicação genética que se legitima o pecado e livra a cara do pecador.

Errados são os antinaturais, como os celibatários (um escândalo até mesmo entre cristãos), os que não mentem e aqueles que lutam contra a violência em todas as suas formas. Imaginem o mal que estão causando a si mesmos! Pior é quando querem levar isso ao restante da sociedade, por exemplo, as crianças! Ir contra os genes é como sentenciar a humanidade a uma vida de desgraças e infelicidades. A imposição de um estilo de vida "antinatural" pode até ser apontada como a raiz de guerras, conflitos e outras mazelas.

Normalmente a maioria dos cristãos conservadores rebateria tudo isso negando a validade dessas pesquisas. Em muitos púlpitos, os pastores ensinam que "o pecado é que não é natural", já que Deus considera que a sua criação é "muito boa" (Gênesis 1:31). Mas essa resposta é muito simplista. Pior: ela é errada.

O pecado é natural
Errada porque, quando os cientistas descobrem que o pecado faz parte de nossa natureza, eles estão apenas concluindo o mesmo que a Bíblia! Sim, originalmente a natureza humana era boa. Mas depois do pecado, a inclinação natural dos seres humanos não é mais a de agradar a Deus: Como está escrito:
Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Romanos 3:10-12)
Na verdade, essa era a conclusão de Deus no primeiro livro da Bíblia:
O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. (Gênesis 6:5)
Uma inclinação que começa a se manifestar desde a infância:
O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: "Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez". (Gênesis 8:21)
Logo, espantoso seria é se uma pesquisa concluísse que o ser humano tem a tendência natural de sempre dizer a verdade.

O pecado é antinatural
Só há uma consequência lógica do raciocínio bíblico. Se a tendência natural do ser humano é o pecado, então seguir a Lei de Deus é fazer o oposto do que a nossa natureza busca. Só que a oposição é maior do que imaginamos. Na verdade, é impossível aos seres humanos fazer aquilo que agrada a Deus.
A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus (Romanos 8:6-8)
Sem que a mentalidade da carne (a natural) seja substituída pela do Espírito, não é possível que alguém se submeta à lei de Deus. Podemos educar, pregar, ameaçar, disciplinar...nada disso produzirá verdadeira obediência. Somente por meio do Espírito Santo é que os seres humanos obedecerão ao Senhor.

Quando os pastores ensinam que Deus só ordena aos homens aquilo que nós podemos fazer, eles erram. Deus ordena sim o impossível. Adúlteros, ladrões, homossexuais, mentirosos, fofoqueiros, assassinos...nenhum deles consegue sozinho vencer o pecado. Deixar de pecar é negar aquilo que se é, aquilo que nós somos. Mas, se não fazermos isso, o mundo se transformará em um lugar de selvageria sem fim e se perderá. É preciso uma salvação.

Jesus: o Salvador da natureza
Se a Igreja erra quando não admite que o pecado é natural, o resto do mundo erra quando se nega a lutar contra a natureza humana. As nossas inclinações naturais são sim fortíssimas, mas há uma maneira de vencê-las: por meio de Cristo Jesus.
Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. Mas se Cristo está em vocês, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito está vivo por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês. Portanto, irmãos, estamos em dívida, não para com a carne, para vivermos sujeitos a ela. Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. (Romanos 8:9-14)
Se a humanidade se render aos seus impulsos carnais, ela se destruirá. Guerras e violências não são fruto da repressão divina, mas sim dos nossos desejos! É preciso, portanto, "fazer morrer os atos do corpo". É necessário que deixemos o domínio da carne. E isso só acontece com aqueles que pertencem a Cristo Jesus.

Em Romanos 8, a Bíblia fala que existem pessoas que estão fora do domínio da carne. Essas pessoas são controladas pelo Espírito de Cristo, que habita naqueles que estão em Cristo. Jesus habita nessas pessoas e Ele mata o nosso "corpo" (natureza pecaminosa) e vivifica em nós o Espírito. Quem está em Cristo não deve mais nada à sua natureza e não precisa viver sujeito à carne. O Espírito os guiará, e não mais os seus desejos.

E aqui nós precisamos parar e fazer uma reflexão. Muitas pessoas não se aproximam de Jesus porque acreditam ser impossível vencer os seus maus impulsos. Acham que não conseguirão viver sem sexo ou se sujeitar às exigências divinas de pureza sexual (heterossexualidade monogâmica ou celibato). Que não vão controlar os defeitos de seu caráter, o seu gênio ruim, a língua solta, a vontade de quebrar a cara daquela pessoa. Entendem que o pecado é mais forte e pensam que lutar contra ele seria sacrificar a si mesmos.

A Bíblia diz que isso é possível, desde que seja em Jesus. Por mais fortes que sejam os nossos pecados, se nos entregarmos a Jesus, se depositarmos n'Ele a nossa fé, se estivermos dispostos a morrermos com Cristo na cruz, não há pecado que não possa ser vencido. Mas isso é somente em Jesus. Sem Ele, é impossível.

E neste ponto ninguém é superior a ninguém. Todos nós, sem exceção, temos que passar por este processo de negação. Todos estão no mesmo barco, uns com uma dificuldade e outros com outra.

O processo é lento e às vezes cheio de idas e vindas, uma recaída aqui e outra ali. Mas, se estamos em Cristo, a vitória é certa. O progresso acontecerá. É só permanecermos nele.

Sim, Deus e a Natureza estão em lados opostos do ringue. Mas Deus jamais será vencido. Toda a glória seja dada somente a Ele!

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

02 agosto 2011

Nem todos descansam em paz

Quem já viu desenho animado, deve se lembrar de quando um personagem "morre" e é enterrado. Nestes momentos, aparece uma lápide de pedra com a inscrição "RIP", uma abreviação de "rest in peace", que significa "descanse em paz" em português. O termo "RIP" também é conhecido de quem usa o Twitter e é uma hashtag muito comum usada quando morre alguém famoso, como a cantora Amy Winehouse.

A ideia por trás da expressão é a de que morte significa o fim do sofrimento. Morrer é descansar das aflições e angústias da vida, uma forma de por fim às dores e lutas. A esperança deste descanso é a crença que move a maioria dos cerca de um milhão de pessoas que se suicidam todo ano. O fim da vida seria a forma de fugir do bullying, das doenças, da decepção e da dor provocada pela morte de outras pessoas. Afinal, não existir é melhor do que certos graus de sofrimento.

Pelo menos é o que parece para algumas celebridades ao comentarem o falecimento da cantora Amy Winehouse, uma diva mergulhada em drogas e desespero. Demi Moore espera que "sua problemática alma soul encontre paz". Lily Allen partilha da mesma esperança: "Ela era uma alma perdida, espero que ela descanse em paz".

No entanto, estão eles certos? A morte trará paz a todas as almas do mundo?

A Bíblia é categorica: a resposta é não. Na verdade, o resultado de nossa morte depende do julgamento e da obra de Deus em nossas vidas:
Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam. (Hebreus 9:27-28)
Há um julgamento
Em primeiro lugar é preciso que entendamos que seremos julgados por Deus pelo que fizemos em nossa vida. Quando morremos não estamos livres do que fizemos ou deixamos de fazer enquanto vivíamos. Ao contrário, é o momento em que nossas ações e crenças serão pesadas diante de Deus:
Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. (2 Coríntios 5:10)
Para aqueles que fizeram o bem, a morte é sim o momento do descanso e da recompensa. É a hora de receber o louvor de Cristo e aguardar até que Ele venha trazer salvação completa a todos os que O aguardaram.

Mas, para quem fez o mal, a penalidade será aplicada "de acordo com as obras praticadas". Nestes casos, a morte não é o fim, mas sim o início de um sofrimento ainda maior do que aquele que foi experimentado em vida. Segundo o próprio Jesus, o inferno é um lugar tão terrível, que é mais apavorante do que a própria morte:
Eu lhes digo, meus amigos: não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer. (Lucas 12:4-5)
Não há uma segunda chance, outras vidas onde se pode recomeçar com menos pressão e consertar o que foi feito no passado. O julgamento acontece assim que morremos e nos encontramos com o Senhor.
Quadro "O Juízo Final", de Jehan Cousin Le Jeune

Jesus: o Salvador de muitos
Qual o critério usado por Deus neste julgamento? Com certeza as obras definem as penas e recompensas, mas não são elas que definem se o veredicto será "inocente" ou "culpado". A sentença depende do sacrifício que Cristo Jesus fez na cruz, morrendo no lugar dos pecadores, para tirar os pecados de muitos.

Não há outra forma de ser considerado inocente. A Bíblia ensina que todos nós pecamos e, por esta razão, o pagamento justo que deveríamos receber era a morte:
Que concluiremos então? Estamos em posição de vantagem? Não! Já demonstramos que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado. Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus". (Romanos 3:9-11)

Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Logo, a lógica bíblica é a de que todos nós deveríamos ser condenados por Deus. A morte seria o início da dor para todos. Mas, em Cristo há uma exceção:
Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. (João 3:16-18)
A única forma de enfrentar o Juízo e encontrar a paz após a morte é crendo em Jesus. Aquele que crê que Jesus veio ao mundo para morrer no lugar dos pecadores e deposita em Cristo a sua vida, esse não é condenado. Mas todos os que duvidam de Cristo e não creem n'Ele já estão condenados. Esses jamais descansarão em paz.

Aguardando a Cristo
Mas o que muitos precisam é de paz para o presente. Muitas vezes a vida parece mesmo insuportável, um fardo enorme e impossível de se carregar. Eu mesmo já pensei em tentar o suicídio algumas vezes e em vários momentos questionei se a vida valeria mesmo a pena ser vivida. E sei que não sou o único. O que fazer nessas situações?

A resposta é dada no final de Hebreus 9:28. Jesus veio trazer a salvação aos que O aguardam, aos que estão esperando o Seu retorno. De fato, aquele que crê em Cristo já é salvo, está livre da condenação eterna e conta com a ajuda de Deus desde agora. Mas a salvação ainda não está completa e só será concluída no fim dos tempos.

O cristão deve ter, portanto, uma atitude de esperança e paciência diante do sofrimento. Ele precisa ter fé de que a dor e os problemas são passageiros. Mesmo que os nossos problemas se arrastem por décadas, no final Cristo virá e nos livrará de toda dor. Contudo, essa é uma bênção que só alcança aqueles que esperam por Jesus.

O que não quer dizer que não tenhamos um socorro imediato. Jesus está o tempo todo diante do Pai, orando por nós e nos convidando a irmos até Ele para recebermos a graça e a misericórdia de que necessitamos:
Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. (Hebreus 4:14-16)
Não importa qual o sofrimento que nos aflige: Jesus pode nos socorrer. Ele entende as nossas fraquezas e está ao lado do trono do Pai, oferecendo o que nós precisamos para vencer os momentos de necessidade. Enquanto não encontramos o descanso definitivo de nossos problemas, em Cristo podemos achar tudo o que precisamos para perseverar e vencer.

Não adianta, portanto, nos iludirmos pensando que a morte trará a paz. Morrer não é a solução. A única forma de realmente derrotar a dor e as tristezas de nossa vida é crendo em Jesus, nos aproximando do trono do Pai e aguardando o retorno de Cristo. Até que esse dia chegue, por mais difíceis que seja a nossa situação, Deus sustentará os que crerem n'Ele.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro