31 outubro 2011

Quando a ecologia vira idolatria

E então lhes disse: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, pois, o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado". (Marcos 2:27-28)

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra". Disse Deus: "Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão". E assim foi. (Gênesis 1:27-30)
Antigamente, os homens é que tinham medo da criação. A natureza, com suas chuvas, secas e pragas imprevisíveis, era uma espécie de ameaça à existência humana. Muitos avanços tecnológicos foram feitos, da astronomia à genética, na tentativa de diminuir a vulnerabilidade do ser humano em relação aos perigos naturais.

Hoje, porém, a situação parece ter se invertido. A multiplicação do número de seres humanos e o uso errôneo de certas tecnologias parecem ter colocado o planeta Terra debaixo da ameaça humana. A poluição, a caça e a pesca predatórias e até os gases soltados pelos rebanhos domésticos...parece que o simples fato de existirem seres humanos já é um terrível mal para a criação.

Exagero? Pois, veja só, já existe um Movimento da Extinção Humana Voluntária. Não, não é um movimento para o controle populacional, é de extinção mesmo. A proposta é que os seres humanos parem de se reproduzir e, assim, sejam extintos, salvando o mundo.

O mundo é mais importante que a humanidade
Não é preciso pensar muito para entender qual a escala de valores do movimento. Para eles, a criação é mais importante do que os seres humanos. A sobrevivência de plantas e animais é prioritária, ainda que, para isso, a solução seja acabar com a própria espécie.

E engana-se quem pensa que só os extremados pensam assim. Este mesmo espírito surge em ecologistas mais "moderados" todas as vezes em que a preservação do meio ambiente é posta acima de qualquer consideração sobre o bem-estar humano. A salvação da Gaia é um fim em si mesmo. Na prática, a humanidade acaba sendo um estorvo a este objetivo.

Este pensamento norteia uma série de posições políticas assumidas no Brasil, como, por exemplo, a construção da usina de Belo Monte ou a aprovação do novo Código Florestal. Não importa se mais energia elétrica é necessária para integrar comunidades de miseráveis...que a geração hidrelétrica é melhor do que deixar a Amazônia funcionar à base de geradores a diesel...que as outras opções sejam mais danosas ao ambiente ou caras demais para serem viáveis. Não importa se a aplicação do Código atual implique na destruição de uma série de pequenas lavouras já consagradas...o impacto que isso terá no preço dos alimentos e as implicações sociais na vida de milhares de pequenos agricultores.

O padrão bíblico
Mas...não é dever do homem zelar pela criação de Deus? Não prestaremos contas ao Senhor, no dia do Juízo, sobre todo mal feito às plantas e animais? Sim, tanto o dever como o julgamento existem. Contudo, o padrão usado pelo Senhor para avaliar é outro, bem diferente do adotado pelos ecoextremados.

Quando os discípulos de Jesus foram censurados porque colhiam espigas com as mãos no dia de sábado, Jesus disse que "o sábado foi feito por causa do homem". O sábado é o dia em que o Senhor descansou de Suas obras, é o fecho do trabalho criativo de Deus. É um símbolo do descanso que teremos em Cristo, uma época de pleno usufruto daquilo que foi feito pelo Senhor.

Ao dizer que o sábado foi feito por causa do homem, Jesus também ensina que a criação foi feita por este mesmo motivo. Ela é sim reflexo da glória de Deus, mas é também para que o homem faça uso dela e dela desfrute. Assim sendo, a preservação não é um fim em si mesmo, tão elevado que passe por cima de quaisquer outras considerações. Ao contrário, devemos cuidar da criação visando o nosso usufruto. Deus é glorificado quando o homem interfere sabiamente na criação, dominando-a e sujeitando-a para enchê-la de homens!

A poluição, o desmatamento, todos os comportamentos ambientalmente agressivos precisam ser avaliados à luz deste critério. Se, ao cometermos tais atos, destruímos a nossa própria casa e colocamos em risco o desfrute prazeroso da Terra ou a nossa própria existência, somos culpados de grave pecado! Mas, se ao presevarmos, estamos colocando plantas e animais acima de outros seres humanos, o que fazemos é outro pecado: o de desobedecermos à ordem do Senhor dada em Gênesis 1.
Destruir o ser humano é a solução?

Basta lembrar que o objetivo de Deus para a Terra não é transformá-la em um monte de mato. Aliás, deixar a terra abandonada, entregue à natureza, é sim sinal de maldição em todo o Antigo Testamento. O mundo começa em um jardim e termina em uma cidade. Aliás, pelas dimensões, em uma grande megalópole. Arborizada, mas urbana. Como está escrito:
Pois assim diz o Senhor, que criou os céus, ele é Deus; que moldou a terra e a fez, ele a fundou; ele não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada; ele diz: "Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro (Isaías 45:18)
A sombra pagã
Recusar-se a dar ouvidos a este ensino é cair na mesma atitude que os pagãos tinham em relação à natureza. Gregos, cananeus, babilônios e até mesmo as civilizações pré-colombianas da América divinizavam a criação. Os homens não trabalhavam para sujeitar a terra, mas sim para apaziguá-la, fazendo sacrifícios para obter chuva, acalmar o vulcão ou fertilizar o solo.

Todas as vezes que os ecologistas colocam a criação acima do homem, na prática, caem no mesmo erro dos pagãos. O homem é superior aos animais e às plantas por ser a imagem de Deus, a representação do Senhor para as demais criaturas. Quando a imagem do Senhor se rebaixa diante das outras criaturas, também rebaixamos o próprio Deus. Este é o primeiro passo para que caiamos na armadilha dos ídolos:
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis (Romanos 1:22-23)
Receio que, ainda que, involuntariamente, muitos estejam indo pelo mesmo caminho, só que "adorando" os pássaros, os mamíferos, os répteis e outros. Antigamente, algumas vezes por ano os pagãos ofereciam sacrifícios humanos para aplacar a Natureza. Hoje já há quem queira oferecer toda a espécie humana como uma oferta. E há os que, sem saber, estão fazendo o mesmo com comunidades de produtores que, há séculos, contribuem para alimentar o país e o mundo, em um país que já criou mecanismos legais inexistentes em outras nações, com o intuito de preservar a natureza.

Felizmente ainda há cristãos que evitam este paganismo disfarçado e analisam as questões ambientais com uma lógica bíblica e humana. Um bom exemplo é o do católico Reinaldo Azevedo, jornalista de Veja. Que o bom exemplo dele possa inspirar outros a enxergarem o nosso "Jardim do Éden" com os olhos de Cristo, e não de Gaia.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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