29 dezembro 2011

Como ter um 2012 melhor que 2011

Advertência contra o vale da Visão: O que está perturbando vocês agora, o que os levou a se refugiarem nos terraços, cidade cheia de agitação, cidade de tumulto e alvoroço? Na verdade, seus mortos não foram mortos à espada, nem morreram em combate. Todos os seus líderes fugiram juntos; foram capturados sem resistência. Todos vocês que foram encontrados e presos, ainda que tivessem fugido para bem longe.

Por isso eu disse: Afastem-se de mim; deixem-me chorar amargamente. Não tentem consolar-me pela destruição do meu povo. Pois o Soberano, o Senhor dos Exércitos enviou um dia de tumulto, pisoteamento e pavor ao vale da Visão; dia de derrubar muros e de gritar por socorro pelos montes.

Elão apanhou a aljava, e avança com seus carros e cavalos; Quir ostenta o escudo. Os vales mais férteis de Judá ficaram cheios de carros, e cavaleiros tomaram posição junto às portas das cidades; Judá ficou sem defesas. Naquele dia vocês olharam para as armas do palácio da Floresta e viram que a cidade de Davi tinha muitas brechas em seus muros. Vocês armazenaram água no açude inferior, contaram as casas de Jerusalém e derrubaram algumas para fortalecer os muros. Vocês construíram um reservatório entre os dois muros para a água do açude velho, mas não olharam para aquele que fez estas coisas, nem deram atenção àquele que há muito as planejou.

Naquele dia o Soberano, o Senhor dos Exércitos, os chamou para que chorassem e pranteassem, arrancassem os seus cabelos e usassem vestes de lamento. Mas, ao contrário, houve júbilo e alegria, abate de gado e matança de ovelhas, muita carne e muito vinho! E vocês diziam: "Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos".

O Senhor dos Exércitos revelou-me isso: "Até o dia de sua morte não haverá propiciação em favor desse pecado", diz o Soberano, o Senhor dos Exércitos.(Isaías 22:1-14)
Poucos anos foram tão difíceis como 2011. O mundo está no meio de uma crise econômica, talvez a mais séria desde a Grande Depressão de 1929. A alegria com a queda das ditaduras na Primavera Árabe deu lugar a inquietações sobre a natureza dos governos que mudarão a face do Oriente Médio. O Brasil sofreu com escândalos de corrupção, o assassinato da juíza Patrícia Acioly e até com a humilhação imposta pelo futebol do Barcelona. Sem falar nas inúmeras tragédias pessoais que se abateram na minha vida e na de várias pessoas ao meu redor. Para muitos, 2011 é um ano a ser esquecido.

Qual a melhor forma de esquecer um ano ruim? Que tal uma noite de festa, alegrias e prazeres para começar bem 2012? Bebidas, sexo, comida à vontade. Virar o ano beijando na boca ou entregando oferendas a orixás. Ou então guardando sementes de romãs na carteira. Esse é o receituário que os meios de comunicação passam sobre como ter um 2012 bom e esquecer um 2011 sofrível.

Mas, o que diz a Bíblia? O que fazer para que 2012 possa ser melhor do que 2011?

Reconheça a soberania de Deus
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que os anos bons e ruins não são fruto do acaso, mas sim da vontade de um Deus Soberano que controla todas as coisas. Tanto os dias de calma, alegria e prosperidade como os de tumulto, pisoteamento e pavor são determinados por Deus, e não pelo nosso esforço pessoal ou por coincidências sem objetivo.

Sim, é isso mesmo: os tempos e as épocas dependem diretamente de Deus e não de nós. As simpatias do dia 31 são ilusões, magias, tentativas humanas de controlar o destino. Usar roupa branca para ter paz ou amarela para enriquecer...comer peixe que nada pra frente e fugir de aves que ciscam pra trás...isso não passa de uma estratégia ridícula de tomar de Deus o controle de nossas vidas.

Mesmo o esforço racional é inútil. Quando Isaías viu Jerusalém cercada de exércitos, ele enxergou judeus fazendo o melhor que podiam para evitar a queda da cidade. Contaram brechas, derrubaram casas, reforçaram muros, juntaram águas...mas isso não adiantou. Os judeus fizeram tudo o que podiam, menos o que poderia tê-los salvo: "olhar para Aquele que fez estas coisas".

Troque o prazer pelo arrependimento
Mas Deus não reina arbitrariamente sobre o mundo. Ele tem propósitos em mandar épocas boas e ruins. E, quando tudo é difícil, quando nossos pecados nos levam a uma situação de dor e desamparo, o convite que Ele nos faz é ao arrependimento.

Nós pensamos que a melhor atitude que podemos ter em relação ao sofrimento é fugir dele. Fazemos terapia para que as feridas não tragam mais dor. Bebemos e nos drogamos para anestesiar a alma. Beijamos qualquer boca para esquecer o amor que se foi. O prazer de "comer e beber" é o antídoto que buscamos, já que "amanhã, morreremos".

Na verdade, quando agimos assim, não somos sábios. O que fazemos é aumentar ainda mais a nossa culpa diante de Deus. Quando fracassamos, quando erramos, quando forças maiores do que nós nos esmagam, Deus quer que olhemos para cima. O objetivo d'Ele é que paremos de olhar para o lado (para as fugas) ou para baixo (olhando a nossa força) e voltemos os nossos olhos para Ele. São épocas de choro, de sentir a dor de nossos pecados, de despirmos as vestes de festa e vestirmos as roupas de luto. É tempo de confessar pecados e considerar o Senhor que fez todas as coisas.

Não persista no erro
Deus não nos manda ao "inferno" para "abraçarmos o capeta", como Israel fez. Na verdade, quando estamos lá, é em amor que Ele estende seu braço, para que possamos abraçá-Lo, por meio de Jesus Cristo.

Não sei o que você pensa em fazer na virada do ano. Mas eu espero, em Cristo, que nós não aumentemos o tamanho dos nossos erros, até que nossa maldade não possa mais ser perdoada. A "virada" que conta para Deus não é a do calendário, mas sim aquela que realizamos em nossa vida, quando reconhecemos que Ele é Soberano e trocamos o prazer do mundo pelo arrependimento santo. Eis o segredo para escaparmos do juízo de Deus.

Se agirmos assim, ainda que 2012 tenha mais tristezas que 2011, venceremos, porque o Senhor ouvirá o nosso choro e nos salvará quando executar a Sua santa sentença.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

03 dezembro 2011

Porque a vida privada conta

Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus?(1 Timóteo 3:4-5)

Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. (Romanos 13:1)
Os Estados Unidos são mesmo um país peculiar. Afinal, não é absurdo que um presidente da República tenha corrido o risco de perder o cargo por causa de um adultério, como aconteceu com Bill Clinton? Ou que a vida pessoal dos candidatos a cargos eletivos seja escarafunchada atrás de casos extraconjugais, amantes ou outro ingrediente sexual da vida privada?

Contudo, a vida privada de um indivíduo pode sim colocá-lo em maus lençóis, inclusive com a Justiça. É o que também vemos nos Estados Unidos, no caso da pré-candidatura do empresário Herman Cain à Presidência pelo Partido Republicano. Embora Cain tenha cometido várias gafes, mostrando-se ignorante sobre uma série de problemas americanos, principalmente em política externa, não é por causa disso que ele decidiu suspender sua campanha à Presidência. A verdadeira razão são acusações antigas de assédio sexual e de um caso extraconjugal que ele teria mantido por 13 anos. Ele está sendo rejeitado por suspeitas quanto ao seu comportamento moral e não por sua incompetência para presidir a nação mais poderosa do mundo.

Mas, para o Brasil, tudo isso é absurdo. Na mentalidade brasileira, as amantes e casos de um político pertencem à vida privada e não deveriam ser considerados em uma eleição. Aliás, é baixaria falar disso em um debate eleitoral ou na campanha. Afinal, escolher um presidente é como escolher o gerente de uma empresa. O que nos interessa é o currículo, e não o que ele faz na cama.
Herman Cain: pré-candidato à Presidência dos EUA

As esferas separadas
O que está por trás dessa maneira brasileira de pensar? A ideia de que a vida é separada em compartimentos estanques, sem relação entre si. É o mesmo princípio por trás da história de que os problemas pessoais não devem interferir no trabalho. É como se nós tivéssemos várias vidas unidimensionais, onde é possível ser uma coisa em público e o seu oposto na vida privada. Algo como defender a honestidade na política, mas mentir para a esposa sobre o "trabalho" depois do expediente.

Só que não é isso o que a Bíblia ensina. Todas as diferentes áreas de nossa vida estão interligadas. O que fazemos no trabalho ou na vida conjugal será julgado por Deus da mesma forma que a nossa vida "espiritual" ou eclesiástica. Uma prova disso é a visão bíblica sobre o poder temporal (deste tempo). Deus controla todas as coisas, inclusive os poderes ligados ao Estado. Romanos 13 afirma que todas as autoridades, do sub-prefeito ao presidente da República, do vereador ao senador, do juiz de pequenas causas ao ministro de tribunais superiores, procedem de Deus e são ministros d'Ele.

Vale lembrar ainda que a simples observação do dia-a-dia mostra o quão irreais são os muros que erguemos para dividir a nossa vida. Se não cuidamos de nossa saúde, faltamos ao trabalho e produzimos menos. Ganhamos uma bronca do chefe e fica difícil chegar em casa animado para ir à festinha de aniversário da cunhada. Quando o casamento está em crise, não é fácil manter-se concentrado o tempo todo. As melhores empresas já perceberam isso.

O teste da família
Se uma visão holística da pessoa já faz parte da administração de empresas, penso que o mesmo deveria ser verdadeiro quanto a política. Principalmente quando levamos em consideração que os políticos estão sendo eleitos para ser nossos chefes, com poderes reais sobre a vida de cada um. Se eles não tiverem caráter, o poder que eles terão será usado em benefício próprio, com prejuízo para toda a sociedade. Algo que o Brasil tem sentido na pele.

É preciso, portanto, examinar sim o caráter de alguém que concorre para ser um líder dentro de uma nação. Não adianta apenas confiar no currículo político, o candidato deve inspirar confiança em seus eleitores. E um dos critérios mais confiáveis para se medir essas qualidades é a família.

A pergunta que abre este post ilustra essa verdade. Embora inicialmente ela se aplique a pastores, entendo que ela é pertinente para outras posições de liderança. Se alguém não sabe governar a sua família, como pode governar a igreja de Deus, uma cidade, um Estado ou uma nação? Se o desempenho de alguém como marido ou pai é sofrível, com um currículo marcado por traições, mentiras, infidelidades e filhos abandonados e malcriados, por que ele seria confiável como líder?
Quem trai a esposa, por que não trairia o seu país?

Ah, alguém pode dizer, isso não tem nenhuma relação. Um médico ou um professor pode ser ótimo, mesmo que seja um desastre dentro de casa. Fracassos familiares não anulam o talento de um cirurgião ou a habilidade de um homem de negócios, por que isso descredenciaria um candidato? Repito: porque a liderança envolve caráter. E como eu posso confiar em alguém que não foi bem-sucedido no cuidado das pessoas que ele deveria amar mais? Se um marido não é capaz de honrar os votos conjugais feitos à sua esposa, por que ele honraria os juramentos feitos de servir ao país?

Jesus: o modelo supremo
A questão fica ainda mais séria quando consideramos o papel teológico das autoridades governamentais. Embora não exista algo como "as exigências bíblicas para se presidir um país", os agentes políticos são ministros de Deus. Nessa posição, eles são tipos, símbolos do papel de Deus como Rei e Juiz da criação. Quando os governantes agem, legislam e julgam com justiça, buscando o bem da população, eles cumprem o seu papel espiritual. Por outro lado, quando usam de seus poderes de modo injusto, mancham a imagem de Deus.

O melhor exemplo desse tipo de liderança é Jesus. O ensino bíblico é o de que Jesus voltará como Rei e Juiz no futuro. Mas antes Ele veio como servo. Jesus mostrou as suas credenciais de líder por meio de uma vida simples e sacrificial. Ele mostrou a sua competência por meio de seus ensinos e obras, de vários discursos e milagres que atestam a Sua capacidade de julgar e governar. Mas, acima de tudo, Ele mostrou ter o caráter de um líder que ama os seus liderados, a ponto de entregar a própria vida em favor deles.
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (João 10:11)

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos. (João 15:13)
Jesus também mostrou isso ao se preocupar com a sua mãe na hora em que estava sendo crucificado.
Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: "Aí está o seu filho", e ao discípulo: "Aí está a sua mãe". Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa. (João 19:26-27)
Jesus cumpriu aquilo que Ele mesmo ensinou sobre serviço e liderança: quem é fiel no pouco (família), também o será no muito (igreja, nação):
"O senhor respondeu: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!'" (Mateus 25:23)
Embora eu admita que a incompetência de Cain em compreender noções básicas de política externa seja motivo suficiente para que não veja com bons olhos a sua candidatura, confesso que deixa-me feliz ver que os americanos ainda se preocupam com a vida privada de seus candidatos. A Bíblia não exige que os presidentes sejam crentes nem traz uma lista de qualidades indispensáveis para o comando de uma nação. Mas ela mostra que nossa vida é um todo indivisível. Ela nos dá dois modelos de liderança: Jesus e as exigências para o pastorado (um modelo para outros tipos de líderes). E ela consagra o princípio de que é no "pouco", dentro de casa, que é lá que vemos se o candidato será ou não um bom líder.
A crucificação de Jesus: o melhor exemplo de liderança

Que tais ensinos orientem os brasileiros na escolha de seus próximos governantes.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro