12 junho 2013

Feliz Dia dos Namorados

Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram (Romanos 12:15)
Certas datas possuem o poder de despertar reações fortemente contraditórias. Isto é particularmente verdadeiro quando as datas remetem à família. O Dia das Mães ou o Natal podem ser o ponto alto do ano para uns e o dia mais triste para vários outros. E o mesmo acontece com o Dia dos Namorados.

Para quem namora, o dia até começa diferente, com a perspectiva de como serão as comemorações e os recadinhos românticos. Mas, para quem está só, hoje é um dos dias em que quase acreditamos no karma. Não basta a solidão, é preciso ver a felicidade de outros casais estampada na TV, no Mural do Facebook, nas conversas...ver os buquês de rosas sendo entregues a colegas de trabalho...e nem as igrejas ajudam muito. Afinal, se não está tendo um jantar "romântico" hoje, aposto com você que namoro é o tema do próximo encontro dos adolescentes e dos jovens da igreja. É de matar.

Mas, por mais que tal ideia pareça odiosa, o desafio cristão para os solteiros é o de se alegrarem no dia de hoje. Sim, é isso mesmo. Ao invés de afundar na melancolia, o convite de Cristo é o de que nos alegremos com aqueles que estão celebrando namoros e casamentos feitos segundo a vontade de Deus. Afinal de contas, Dia dos Namorados não é dia de luto, mas de festa. Então, é para se alegrar com os que estão alegres.

Qual a raiz?
E por que Deus quer que nos alegremos? Ora, a bênção alcançou a outros, por que eu devo me alegrar se eu continuo na mesma? Uma boa razão é que a raiz deste pensamento é pecaminosa.

Pode ser que a inveja esteja por trás de nossa tristeza. A inveja é o descontentamento provocado pela felicidade dos outros. Se os outros estivessem sozinhos como nós, então estaríamos felizes. Quando invejamos, confessamos que a medida de nossa alegria não está nem em Deus e nem em nós mesmos...mas nos outros.

Outra possível raiz é a incredulidade. É difícil acreditar que Deus irá suprir nossas carências afetivas e que esperar n'Ele é a melhor solução para os que desejam casar. Quando duvidamos disso, o desânimo vem. Não queremos sonhar um sonho que parece impossível e nos irritamos quando alguém toca no assunto. É a mesma reação que os israelitas tiveram quando se tornaram incrédulos de que Deus os faria herdar a terra de Canaã. Quando Calebe e Josué falaram, com entusiasmo, da Terra Prometida, quase foram apedrejados (você pode ler esta história em Números 13 e 14).

Em comum, ambas as raízes produzem a murmuração. Seja por inveja, seja por incredulidade, nos tornamos ingratos e começamos a reclamar. Reclamamos de Deus, de nós mesmos, dos outros, dos ex-namorados, das ex-namoradas...murmuramos, enfim. Nos fechamos em nosso egoísmo. O Dia de Finados parece mais divertido que o dos Namorados.

Um caminho
Não que seja fácil. Quem me conhece sabe como eu gosto de curtir uma fossa, sou chegado a uma melancolia ou a um drama exagerado (de acordo com a visão de alguns, rs). Mas, o convite que Jesus me faz neste Dia dos Namorados é o de tirar o foco egoísta de mim para alegrar-me com o que Ele faz por outros. 

Na verdade, é exatamente esta a proposta do texto que abre este post. Alegrar-se com os que se alegram é um desdobramento do mandamento de amar ao próximo. Como está escrito alguns versículos acima:
Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. (Romanos 12:10)
Alegrar-se com a alegria de outro é uma forma de preferir o outro em honra, de amar cordialmente outras pessoas, de termos um amor de irmãos em Cristo. Mais do que isso: é uma ordem de deixarmos nosso egoísmo e tristeza de lado para manifestarmos amor aos que o Senhor tem abençoado.

Um incentivo extra
Mas não é qualquer namoro que deve ser celebrado. Na verdade, devemos nos alegrar é com os namoros que são firmados na visão bíblica de amor...e casamento! Quando um homem e uma mulher se amam e respeitam a castidade um do outro, buscando, com sinceridade, representarem a Cristo e a Igreja, estamos diante de um dos mais belos sermões vivos e reais que podem ser pregados sobre o Evangelho. Cada casamento bem-sucedido é um belo retrato da obra que Jesus veio realizar em nossas vidas. É uma das melhores formas de adoração que existem! Se você ama a Deus, vai se alegrar em vê-Lo sendo glorificado assim!

E, claro, um relacionamento abençoado pelo Senhor trará alegria e felicidade para os "pombinhos". Se somos mesmo amigos, ficamos alegres quando nossos amigos estão bem. Não importa que estejamos mal: a alegria dos nossos amigos já é motivo suficiente para celebrar.

Fácil não é. Mas Jesus fez algo muito mais difícil: Ele sofreu para que nós pudéssemos nos alegrar. E Ele está à disposição de sua Igreja, para nos dar a força que precisamos para nos alegrarmos hoje.
Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. (Efésios 5:31-32)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro